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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Longevidade e ruínas



Não se pode dizer que tenha tido sorte com o Vinho de Colares. Cronologicamente, em 1979, de dois vinhos dessa região demarcada, que comprara na Parede, o saco de plástico, em que os trazia, rebentou em Alcântara e uma das garrafas partiu-se, tendo-se perdido o néctar que era bem antigo...
Como o Colares tem fama de longevo, por causa da casta Ramisco e do chão de areia, fui guardando algumas garrafas na minha adega (Chitas, Viúva Gomes...), mas também não tive grande sorte: uma boa parte delas foi condenada ao vinagre, para não se perder de todo. O vinagre é que ficou de excelência.
Depois, há convergências inesperadas. Ainda no sábado passado, e no Fugas do jornal Público, se falava efusiva e entusiasticamente das maravilhas de um Colares Viúva Gomes, tinto, da colheita de 1924. Ora hoje, em sítio impróprio e improvável, viemos a descobrir um Colares branco de 1916, da VNP, comprado há alguns anos, e de que já nem nos lembrávamos sequer.
Garrafa que, ao ser retirada do local inóspito, se quebrou, perdendo-se o néctar. Fica a foto, para memória futura deste triste desenlace.


sábado, 17 de janeiro de 2015

Bibliofilia 115


Com texto de Raúl Esteves dos Santos e cuidada direcção gráfica de Martins Barata, esta monografia profusamente ilustrada com fotografias da região de Colares, editada em 1938, sob o patrocínio da Adega Regional homónima, terá, para os actuais enólogos, um interesse quase arqueológico. Devido às profundas alterações tecnológicas e científicas que o vinho português teve, nos últimos 30 anos.

Quanto ao lado histórico e turístico, grande parte da sua actualidade mantém-se. Lido o pequeno livro, de cerca de 70 páginas, muito se fica a saber sobre Colares e sua zona envolvente, bem como sobre a casta Ramisco que, mercê de ser plantada em terrenos arenosos, sobreviveu, até, à praga da filoxera, e continua a produzir, desde a Antiguidade, os seus apreciados vinhos. Fiquei também a saber a origem do nome da célebre Praia das Maçãs: "...Do rio de Colares, que serpenteava veloz por entre pomares e dêles arrastava os frutos que vieram dar nome à praia onde tem a foz. ..."
Adquirido recentemente e numa das últimas feiras de Sábado, na Rua Anchieta, em Lisboa, o pequeno livro custou-me 5 euros. A "Antiquário do Chiado" online tem na sua oferta de vendas um exemplar, também brochado, ao preço de 45 euros. Bem poderia, pela diferença de preços, oferecer de bónus, na compra, uma garrafa de Vinho de Colares, para o leitor degustar, enquanto vai lendo a monografia...