Mostrar mensagens com a etiqueta Vinho Verde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vinho Verde. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mercearias Finas 81


Recentemente, ao fazer acompanhar um Bacalhau à Brás, doméstico, de um simples, mas honesto Regional Tejo, branco (castas Fernão Pires e Arinto), reparei que, no contra-rótulo, o produtor aconselhava que o vinho fosse bebido com comida indiana, japoneza ou chinesa. Aproveitando, decerto, este nicho de mercado, que não será despiciendo. Lembrei-me da minha iniciação na comida chinesa que, insolitamente, ocorreu em Bona, no já longínquo ano de 1963. Provavelmente, terei bebido cerveja...
Depois, e já em Lisboa, reincidi várias vezes mas, como até hoje, a carta de vinhos dos restaurantes chineses (médios) é exígua e estandardizada, não há muito por onde escolher. Aparecem, quase sempre, os canónicos Mateus Rosé, o Casal Garcia e o Gatão ou Lagosta. Às vezes, e nos últimos tempos, estende-se ao JP (maioritário na casta Fernão Pires), da Península de Setúbal, e pouco mais. Tenho feito a opção por este último, mas nem sempre me parece que seja a escolha mais acertada - não há grandes alternativas.
Mas também é certo que se me perguntassem qual o vinho ideal para acompanhar comida chinesa, eu teria extrema dificuldade em aconselhar. Água, chá ou coca-cola é que não!...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Na BNP, ao fim da tarde


A BNP perdeu hoje, por cerca de uma hora, o peso institucional de que é revestida, normalmente, e o tom académico hierático que, muitas vezes, tem. Porque, para além do auditório estar preenchido, maioritariamente, por minhotos de origem e minhotos de adopção (como é o meu caso), serviu-se vinho verde da Quinta de Boamense, que foi de Alberto Sampaio e é, hoje, dos seus descendentes, depois do lançamento do livro "A Paixão das Origens - Fotobiografia de Alberto Sampaio" - de que já aqui falei.
O livro, em si, é uma obra-prima de execução gráfica, e originalidade criativa, esteticamente bem conseguida. E o vinho verde que trouxeram do Minho, de que já Antero de Quental dizia muito bem (já o registei, aqui no Blogue, anteriormente), era óptimo. Foi o toque de hospitalidade minhota que faltava, para romper a formalidade da cerimónia.
O fim da tarde foi agradabilíssimo, mas já passou. Quanto ao livro, irei saboreá-lo devagar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Quotidianos : SNS


O homem é conciso, de poucas falas, ao contrário da maioria dos portugueses e, à revelia lusa, contrapõe também uma rigorosa pontualidade. Deve ter pouco menos de 60 anos, e é médico do SNS. Foi a segunda vez que lá fui e pareceu-me mais sonolento do que da primeira vez. Estudou com vagar as análises, em silêncio absoluto. Só depois é que começou a fazer perguntas.
Mas quando eu, depois de perguntado, comecei a responder e falei, episodicamente, do vinho verde, o homem pareceu acordar e interessar-se pelo assunto. Falou da quinta da Mulher, em Ponte do Lima, e acertadamente da casta Loureiro, do desprezo dos governos pela Agricultura. Foi, então, que eu pensei no filme "Casablanca",  e nas palavras finais, do que poderia ser o começo "de uma bela amizade"...

domingo, 31 de julho de 2011

Em aditamento a um comentário que fiz no Prosimetron


 No Minho, entre gente de poucas posses, em tempos recuados, as famílias que tivessem crianças convalescentes de alguma doença, ou débeis por natureza, para as tonificar ou robustecer, costumavam dar-lhes "sopas de cavalo cansado", porque os medicamentos eram caros para as suas bolsas limitadas. A receita era mais ou menos a seguinte:
- Vinho verde tinto (cerca de meia malga sopeira)
- Mel (uma colher de sopa não muito cheia)
- 1 gema de ovo
- Pedaços de Pão.
Na malga deitava-se o vinho tinto, acrescentando o mel e a gema de ovo, e misturando muito bem. No final acrescentavam-se as fatias de pão ou, preferencialmente, miolo de broa de milho, migado. As "Sopas de cavalo cansado" poder-se-iam também amornar, ligeiramente.
Ao que diziam, as crianças que as comessem durante alguns dias, recuperavam a saúde e ficavam fortes.

para o JAD, com Amizade.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mercearias Finas 8 : em louvor do vinho verde




Alberto Sampaio (1841-1908) foi um vimaranense ilustre. Para lá da sua obra maior, "As Vilas do Norte de Portugal e as Póvoas Marítimas", foi o principal dinamizador da importante Exposição Industrial de Guimarães de 1884. Estudou em Coimbra, onde se formou em Direito, e foi amigo de Antero de Quental (1842-1891). Foi deputado, mas por pouco tempo. Fervoroso agricultor, sobretudo muito dedicado à vitivinicultura, produzia, na sua Quinta de Boamense (próximo de Famalicão), um vinho verde, ao que dizem, de grande qualidade e sabor. Em abono disto, reproduzimos excertos de 3 cartas de Antero de Quental para Alberto Sampaio, que referem o vinho verde de Boamense.

"Do teu vinho, que já tenho libado, dir-te-ei maravilhas. É em tudo digno da reputação que no ano passado alcançara e que fica agora inabalável. Este teu produto prova uma coisa, e é, que se os lavradores do Minho, em vez de estragarem a uva fazendo uma zurrapa de bárbaros, fizessem daquilo, podiam criar um tipo de vinho para ser muito nomeado e dar-lhes bastante interesse." (carta sem data)
"Já libei os teus néctares minhotos. Como originalmente, ponho o clarete acima de tudo: criaste nele um tipo. Ao seco, acho-o seco de mais, e no género fino, prefiro-lhe o bastardo. O outro, que não traz nome, também me agrada. Em conclusão: como tipo, ponho o clarete em 1º lugar, e ponho em último o seco - que ainda assim se bebe com gosto. De tudo vou libando e degustando, mas não segundo o teu programa, que parecia feito para a mesa dum epicurista! Ora a minha é monacal." (carta de 1 de Abril de 1880)
"O teu vinho vem a ponto, pois aqui não há coisa bebível. Foste grande como Noé, o pai da vinha: 10 dúzias de garrafas! Fico esperando por elas, talvez ainda hoje, pois dizias na tua: esta semana." (carta sem data).
P. S. : para MR, e para JAD por diferentes motivos, mas uma mesma razão - Amizade.