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sexta-feira, 1 de março de 2019

Memória 128


Creio que é hoje que faz anos Tânia Achot (1937?), discreta e notável pianista (ouvir poste seguinte...), especialista de Chopin, mas com amplo repertório que inclui Schumann e Liszt. Nascida na Rússia, de ascendência arménia, passou a sua juventude em Teerão (Pérsia).
Foi também esposa do pianista português Sequeira Costa.
Numa conversa, em vídeo registada, que lhe ouvi há dias, confessava-se um pouco saturada da leitura de ficção e prosa, inclinando-se, presentemente para a poesia e a filosofia, quanto a leituras preferidas. Nietzsche, sobretudo. Esse cansaço da prosa, que eu também sinto, levou-me a lembrá-la, hoje e aqui.
Merecidamente, aliás.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Adenda (ao poste-vídeo de Sequeira Costa)


No vídeo do poste anterior, Sequeira Costa refere não ser capaz, num museu, de ver mais do que 1 ou 2 quadros, para melhor os entender e fazer seus. Para lhes sentir o espaço e os "corredores" cromáticos.
Para o efeito, dá como exemplo a sua experiência para com o quadro Boulevard des Capucines, que Claude Monet (1840-1926) pintou do apartamento do fotógrafo Nadar, em 1873/4, e que se encontra no Museu Nelson-Atkins, em Kansas City, cidade em que o Pianista português residia, habitualmente.
É essa tela que reproduzimos acima. Informando que existe uma outra tela de Monet, com o mesmo motivo, no Museu Pushkin (Moscovo).

Subir de patamar



É um desafio para enriquecer  o Domingo, este vídeo. Porque as palavras de Sequeira Costa (1929-2019) atravessam o mundo e ensinam-nos muita coisa. São cerca de 59 minutos, talvez apenas para os happy few, que disponham de tempo, não sejam impacientes e queiram ir para além da tona das águas...

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Divagações 142


Se algumas, raras, vezes um poste pode ser uma discreta vontade de diálogo com outro poste que vimos e lemos num blogue alheio, a maior parte deles resulta de uma vontade pessoal de tomar posição perante um facto, uma pessoa, um acontecimento que não nos deixou indiferentes.
Por outro lado, romper o nosso silêncio encasulado pode resultar de um irreprimível desejo de partilha com os outros (ainda que anónimos) de uma emoção ou sensação demasiado agradável que não pode só restringir-se às restritas paredes do nosso pequeno universo.
Eugénio de Andrade exprimiu isso, em verso, de uma maneira admirável e para sempre: "...De coisas que te dou/ para que tu as ames comigo..."
Não tenho grande memória para a Música. Melhor dizendo, consigo reconhecer e situar uma melodia, às vezes, quando a volto a ouvir, mas tenho enorme dificuldade em me lembrar, por exemplo, de quem a interpretou, quando e onde.
Se tenho a certeza que vi, ao vivo, execuções de Braga Santos e de Stravinsky, este último no Coliseu, já não estou seguro de ter assistido a interpretações de Maria João Pires, muito embora seja altamente provável tê-la ouvido na Gulbenkian, nos anos 60 ou 70.
Tudo isto para deixar escrito, aqui no Arpose, o nome de Sequeira Costa (1929-2019), que ontem nos deixou. E que era um homem discreto e sério, para além de ser um notável pianista português.