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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Bibliofilia 128


Nas últimas semanas, a oportunidade e a tentação da compra de livros usados tem sido mais que muita, ultrapassando largamente a minha capacidade de leitura e criando uma indisciplina quase caótica por sobre mesas, sofás e mesinha de cabeceira. Acalmo-me, ilusoriamente, pensando que haverá períodos de defeso em que nada haverá que mereça ser comprado. Mas o certo é que Steiner, Beauvoir, A. J. Saraiva, J. Pacheco Pereira, alguns livros de poesia inglesa, aguardam, numa já enorme lista de espera, o tempo de serem lidos.
Nos anos 50 e 60 do século passado, proliferou pelas editoras a publicação da temática: viagens. Era uma altura em que, por questões económicas, poucos se podiam dar ao luxo de viajar, pelo menos, para longe. E, por isso, a temática tinha muita procura e leitores. Também, para os intelectuais de esquerda, era de bom tom e norma visitar a U. R. S. S., tal como para os crentes do Islão, ainda hoje, é importante ir a Meca. Dessas viagens ao Leste comunista, ficaram livros de Gide, Sartre e Beauvoir, Tavares Rodrigues, por exemplo.
Graciliano Ramos (1892-1953) é um dos meus autores de referência. E, por isso, este Viagem, de 1954, obra póstuma do grande escritor brasileiro, logo prendeu irresistivelmente a minha atenção, no alfarrabista. O preço era módico e, ainda por cima, a capa do livro era de Portinari (1903-1962). Lá veio para casa e ficou a encimar uma das torres de leitura, a haver...