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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os anjos e os arcanjos


O descalabro, sem fim à vista, do grupo BES permite ver, claramente e à saciedade, a ineficácia e cegueira, para não dizer presunção asnática de economistas gurus, de comentadores dos media, e dos orgãos de fiscalização, nacionais e estrangeiros. Do Banco de Portugal do sr. Costa à Troika, passando pelos opinadores televisivos, ninguém terá previsto, metereologicamente, a tempestade...
Esse facto é o melhor atestado de incompetência total dessas entidades angelicais. E, estou convencido, que o tonsurado Bento, que agora preside à instituição, se meteu numa camisa de onze varas. E nem o amigo de Belém lhe vai valer, porque o vago economista que por lá anda, também já demonstrou que pouco percebe do assunto. É como o Jesus Cristo, de Pessoa: "não sabia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca..."

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Apontamentos 19: Coincidências




Num dia em que circulava pelas luminosas avenidas de Lisboa, apreensiva com as últimas façanhas que os “Helderzinhos” da nossa praça andam a congeminar, cruzei-me com um antigo ministro das finanças – efémero e transmigra – embora ostentando mais “gordura de estado”, como o outro nogueira “saltitão”, andava cabisbaixo, tentando, porventura, esconder a face para não ser reconhecido.
A triste figura deu para eu pensar na minha suposta ignorância “económica” – ou economicista – perante o “vulto” com que me cruzei. Confesso que o inesperado encontro não deu para afastar as minhas últimas suspeitas, declarando que não sou propícia a “universo de conspiração”. Mas, como diz o ditado: “Que as há, há”, e grandes.
Ora, vejamos. No dia em que chegaram os “troikanos”, disfarçados em simples ouvintes, porque não “tinham tido tempo para se prepararem” (!) – diriam, de nós, INCOMPETENTES, caso fôssemos para um centro de decisão sem preparação – uma “agência de ratos” ameaça Portugal com uma descida de “rating” numa óbvia tentativa de subjugar a vontade e determinação de uma nação independente. Curiosamente, o suposto “presidente de todos os Portugueses” já se tinha adiantado ao repto de se declarar indigente perante as altas “sumidades” internacionais.
Mais surpreendente, ainda, que vários jornais, duvidosamente neoliberais alemães, enalteciam, hoje, a recuperação da zona euro, com especial destaque para a Irlanda e, com reservas, para a Grécia. O partido da Senhora Merkel precisa, com certeza, de algum conforto para as eleições de Domingo. Escolheram-se, à sorte, os dois países no “ranking” positivo, em detrimento de Portugal e silenciando a Espanha e o escândalo da “figura de cera” italiano.
As “altas instâncias internacionais” enganaram-se novamente, porque não sabem avaliar as consequências das suas medidas na destruição da paz na Europa e perante o avanço das forças neo-nazis, na Grécia e na Alemanha.
Não sou, de facto, formada em Economia, mas acredito na Ciência – com maiúsculas – seja qual for o seu ramo e desde que se centre no essencial, i.e., o bem-estar e a paz da Humanidade.


Post de HMJ

domingo, 27 de maio de 2012

O Paraíso reinventado, ou confundir o desejo com a realidade


Era uma vez...
Daqui a muitos anos, quando já nenhum de nós for vivo, a Galiza amiga voltará a reunir-se com o Portucalense condado, e tudo voltará ao início. Biblicamente, ao princípio voltará a ser o verbo.
Rosalía, comovida, terá longos diálogos com o bom do velho Sá, em Amares. Julio Camba vai cozinhar a 4 mãos com Couto Viana e a irmã do poeta, cantarolando entretanto, há-de ir descascando as batatas. Os pimentos Padrón vão alinhar, gulosos, na mesa de Assis Pacheco e Camilo José Cela, e não haverá esquerda nem direita, mas apenas fraternidade. Até Fraga Iribarne, emocionado mas convivial, há-de partilhar um bom cozido à portuguesa, com Santos da Cunha e com Rui Rio que, bastante menos economicista e, embora liberal, vai apoiar a Cultura, com generosidade e alegria.
A troika será uma infâmia impossível e a moeda não terá circulação, nem será precisa. Poderão trocar-se diospiros por cebolas, ou chouriços por um frango, intermediados por um sorriso amigo, leal e confiante. Martim Codax há-de dizer um poema, acompanhado por adufes, flautas e sacabuxas harmoniosas. Afonso X irá presidir, e o neto Dinis, ainda criança, vai bater palmas, entusiasmado. Acídulo e fresco, um Albariño das Rias baxas refrescará as gargantas. E a noite virá de mansinho para não estragar a alegria do reencontro fraterno e sem fronteiras. E outros países virão juntar-se à festa, trazendo wurst, krakauer, camembert, tokay, pesto...eu sei lá!, para partilhar entre si.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Legendas para um retrato em família


Só a nossa Presidenta da A. R. parece estar satisfeita, na fotografia, numa ingenuidade quase juvenil. O troikista da esquerda, sentado, olha para ela de esguelha e céptico, como quem diz: "...vais ter um lindo futuro, vais!..." O do meio, tem os olhos em alvo, não se sabe de quê, muito careca e inefável. O terceiro troikista, sentado à direita, olha para a pintura da retaguarda. Muito torcido, como que a avaliar o seu valor, no caso de vir a ser penhorada. Se não cumprirmos os compromissos do empréstimo...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Brandos costumes?


Há, muitas vezes, rótulos que caem em graça e que se colam às pessoas, procurando classificá-las, ou aos países, procurando defini-los, para sempre. À força de os repetir, ficam como dados adquiridos e muito pouco questionáveis. A expressão "Portugal é um país de brandos costumes" é relativamente recente, vem do consulado salazarista. Mas foi ficando...
Se é certo que, de um modo geral, o português é um ser pacato e, às vezes, demasiado resignado, quando lhe sobe a mostarda ao nariz, é tão sanguinário como os chamados e ditos povos violentos. Lembremos, em desabono dos "brandos costumes", por exemplo, o massacre de várias centenas de judeus (e cristãos-novos), em 1506, em Lisboa, que obrigou a uma intervenção enérgica de D.Manuel I para fazer cessar o morticínio. Recordem-se as "façanhas" de Afonso de Albuquerque, na Índia. Os esquartejamentos sanguinolentos dos franceses em fuga, depois da 3ª Invasão, pelos camponeses do norte de Portugal. As dezenas de crimes praticados, no Aqueduto das Águas Livres, por Diogo Alves (1810-1841) que, embora galego, foi instigado pela mulher, portuguesa, Gertrudes Maria, a "Parreirinha". Logo no início do século XX, os crimes da"camioneta-fantasma" (Raul Brandão refere o facto), na noite de 19 de Outubro de 1921, em que foram assassinados alguns ilustres e proeminentes líderes republicanos (António Granjo, Machado dos Santos, Carlos da Maia). Mais perto de nós, os 7 homicídios, em 1987, conhecidos pelos crimes da praia do Osso da Baleia. E, bem perto, o ainda recente familicídio de Beja, em que foram mortas 3 pessoas.
Chegará, para contraprova dos brandos costumes portugueses?
Se as crises nunca foram factores de estabilidade social, nem de ordem pública, já era voz corrente que a criminalidade violenta aumentou, em Portugal, nos últimos anos - e as razões são múltiplas. Por isso, a troika que hoje chegou a Portugal, para mais uma vez fazer a sua fiscalização colonial, deve ser advertida pelos nossos governantes para que "não apertem demasiado", porque a paciência dos portugueses também tem limites. A arrogância, sobranceria e a insensibilidade social poderão ser o rastilho suficiente...