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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Do Livro



É no dia provável do nascimento de William Shakespeare (1564-1616) que se convencionou celebrar o Dia Mundial do Livro. Mais concretamente, 23 de Abril (de 1616) terá sido, no entanto e com mais certeza, a data de morte do conhecido dramaturgo inglês.



Para ilustrar a efeméride resolvi dar imagem, em livro, do vetusto e vimaranense foral manuelino de 1517, em edição fac-similada de 1989, da Sociedade Martins Sarmento, edição primorosa que foi patrocinada pela extinta Livraria Oito Séculos, de Guimarães.


grato reconhecimento a H. N., que permitiu tal facto.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A biblioteca de Raul Brandão


Uma biblioteca define, de algum modo, os gostos e, porventura, a maneira de ser do seu proprietário.
Foi por isso que, com alguma curiosidade, folheei o inventário da biblioteca de Raul Brandão (1867-1930), inserto na Revista de Guimarães (Volume LXXXIX, Jan--Dez. de 1979), biblioteca que, por disposição testamentária do Escritor, teria ficado à guarda da Sociedade Martins Sarmento. Só a partir de 1979,  isso aconteceu, por demora dos herdeiros em cumprirem a sua vontade, atempadamente. Uma vez que a viúva, Maria Angelina Brandão, teria falecido por volta de 1964.
O acervo é de média dimensão e, para lá dos livros portugueses, há bastantes volumes em língua francesa. Mesmo os volumes das obras de William Shakespeare (10), Dickens (8), Stevenson (6) e de Joseph Conrad (4), autores de língua inglesa, são versões em francês. Bem como as obras de Tolstoi (10), e Dostoievsky (7). Dos escritores gauleses representados, o maior número pertence a Balzac, com 25 livros, seguido de Anatole France (11), Michelet, Alexandre Dumas e Moliére, com 9 volumes, cada. Stendhal, com 8 livros e Paul Bourget, com 7.
Mas a minha grande surpresa, deu-se com os escritores portugueses. Do poeta, hoje esquecido, António Correia de Oliveira, havia 17 livros, na biblioteca de Raul Brandão - provavelmente eram amigos. Seguido por 12 livros de João Grave e 7 obras de Camilo. Junqueiro e António Sérgio (5), Pascoaes, Fialho de Almeida e Garrett, representados por 4 livros, cada. Seguia-se Aquilino Ribeiro, com apenas 3 obras. E não faltava, também, o polémico e escandaloso na altura, O Marquez de Bacalhoa, de António de Albuquerque, publicado em 1904.
Em síntese, eram estas  as leituras de Raul Brandão, na sua Casa do Alto, em Nespereira (Guimarães).

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Abel Salazar


Ao iniciar a leitura do segundo volume da biografia (política) de Álvaro Cunhal (Temas e Debates, 2001), por José Pacheco Pereira, fiquei agradavelmente surpreendido ao saber que aquele tinha grande admiração pela obra de Abel Salazar (1889-1946), e lhe dedicara algumas referências críticas elogiosas na correspondência que trocaram.
Lembrei-me das primeiras pinturas de Abel Salazar, que conheci, no início dos anos 70, em casa de um amigo, perto de Urgezes, nos subúrbios de Guimarães. Pequenas telas intimistas, de interiores, com singular tratamento da luz, que me deixaram fascinado. Mais tarde, tomei contacto com mais trabalhos pictóricos deste médico nascido em Guimarães, que pintava muito bem, na Sociedade Martins Sarmento.
E porque lhe admiro, também, a obra, hoje, concluí que as suas pinturas talvez estejam subavaliadas e ele, como bom pintor, está muito esquecido por quem gosta de pintura portuguesa. Por isso, aqui o venho recordar pelo seu auto-retrato, por uma paisagem e ainda pela jovem das Galerias Lafayette.



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Bibliofilia 127


Trago aqui à colação, na rubrica Bibliofilia, este folheto de 1929, com 36 páginas, de autoria do arqueólogo vimaranense coronel Mário Cardozo (1889-1983), pelo facto de ser o último exemplar, que a Sociedade Martins Sarmento (Guimarães) tinha à venda, deste opúsculo de pequena tiragem. Adquiri-o por 5 euros, na minha última deslocação a Guimarães.
Esta monografia sobre a Pedra Formosa, talvez a peça arqueológica mais emblemática do Museu da Cultura Castreja (Briteiros), muito documentada, está, porém, desactualizada. O monolito hexagonal irregular ( 2,90m. de largo, por 2,28m. de altura, com o peso de cerca de 5 toneladas), de que se conhecem referências desde o século XVIII, constituiu um mistério durante muitos anos, quanto à sua utilização primitiva. As hipóteses avançadas dividiam-se por: estela funerária, ara de sacrifícios ou frontão de habitação primitiva. Estudos recentes datam a Pedra Formosa de há cerca de 3.000 anos e apontam para que fosse integrante do interior de balneários da civilização castreja, e cuja abertura, inicialmente circular, daria acesso ao compartimento dos banhos a vapor.
A peça arqueológica, com desenhos decorativos toscos, mas muito interessantes, foi oferecida por Francisco Martins Sarmento (1833-1899), em 1897, ao Museu homónimo, de Guimarães, tendo transitado, em anos recentes, para a proximidade do local onde fora encontrada originalmente (soterrada), integrando, agora, o acervo do Museu da Cultura Castreja, em Santo Estevão de Briteiros.



Nota pessoal: não queria deixar de referir que a Sociedade Martins Sarmento, com o seu importante Museu Arqueológico, anexo, e um largo currículo, já centenário, em prol da Cultura portuguesa, se debate, a exemplo de algumas congéneres nacionais, presentemente, com grandes dificuldades financeiras, que comprometem o seu futuro.

domingo, 3 de junho de 2012

Bibliofilia 64 : mais um folheto sobre o terramoto


Deste barcelense com veleidades poéticas, Inocêncio não dá notícia no seu "Dicionário", nem encontrei elementos para a sua vida, ou bibliografia. Joseph de Almeida Castello-Branco Bezerra glosou em XIV oitavas o soneto de um anónimo, sobre o terramoto de Lisboa de 1755, e ainda lhe acrescentou um Epitáfio e um Soneto a um "paçarinho", em moldes barrocos. O folheto não é o original, mas apenas uma edição fac-similada feita, em 2006, sobre o exemplar que terá, provavelmente, pertencido à biblioteca de Francisco Martins Sarmento. A edição foi feita com o patrocínio da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães) de parceria com a Universidade do Minho. O meu exemplar tem o número 173 de 200, e custou 9,00 euros.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Em geminação com MR, no Prosimetron


A propósito de pesquisas "arqueológicas" que um ilustre Prosimetronista anda fazendo, pela cidade-berço, MR colocou, no Prosimetron, algumas pistas sobre o local objectivo das consultas (vide: O Tesouro dos remédios de alma- 8). Concretamente, a rica biblioteca que Martins Sarmento doou à Sociedade homónima, sita em Guimarães. Recordo, saudoso, que ainda adolescente me facultaram, na sala de leitura, e com a maior das facilidades, uma primeira edição, seiscentista, de D. Francisco Manuel de Melo, para que eu a consultasse. Foi a primeira vez que tive nas mãos um alfarrábio.
Dá-se, em imagem, neste poste, uma visão evolutiva do edifício próprio da Sociedade Martins Sarmento, com um desenho anterior do local onde foi construído, em 1905. Do lado esquerdo do desenho, pode ver-se ao fundo a torre e Igreja de S. Pedro, no Toural; e do lado direito, apenas a parte superior da torre sineira da Igreja-convento de S. Domingos.

para MR e JAD, cordialmente, e em geminação.

sábado, 9 de outubro de 2010

Leituras Antigas XVIII : Colecção Azul



Eram, pode dizer-se, livros de culto, na altura e para a juventude, estes volumes da Colecção Azul, publicados pela Casa do Livro Editora. Embora só tenha comigo 2 livros, li-os quase todos, emprestados. Alguns eram mais para raparigas ("Os Desastres de Sofia", por exemplo), outros para rapazes: "O Pequeno Lorde", traduzido por Maria Lamas (1893-1983). Este último, compraram-mo na Livraria Pax, de Braga. Os livros, cartonados, custavam Esc. 15$00 e foram publicados nos anos 40/50 do séc. passado.
O volume "Traquinas", da Condessa de Ségur (1799-1874), tem um valor estimativo especial, para mim. Foi prémio da Sociedade Martins Sarmento, na Festa Escolar de 9 de Março, por ter sido o melhor aluno da 4ª classe (1953), no estabelecimento de ensino onde estudara. Todos os anos, a Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, na data de nascimento do seu patrono, Francisco Martins Sarmento (1833-1899), a 9 de Março, organizava uma festa, com sessão solene, e premiava - com livros - todos os melhores alunos dos diversos graus de Ensino das diferentes escolas e liceu do concelho. É uma boa recordação, para mim, ainda hoje.