Só hoje dei por uma crónica de António Bagão Félix (1948), sobre o direito ao silêncio. Num jornal que cada vez sinto mais afastado de mim, na sua deriva direitista que se iniciou, mais ostensivamente, desde a entrada deste último director, que tinha sido assessor do anterior PR. Et pour cause...
Transcrevo o início da crónica de A. B. F., por me parecerem justas e oportunas as suas palavras:
"O silêncio é agora urbi et orbi quebrado pela autocracia do som ainda que musical. Na espera dos telefones onde nos impingem músicas e ritmos que não pedimos e que nunca ouviríamos, a maior parte das vezes para intervalar um serviço de atendimento permanentemente entupido ou deficitário de qualidade. Uma pessoa em desespero e luto é agredida com um alegre folclore ou música pimba que àquela hora a apanhou num telemóvel. Nos elevadores, a má-criação de um mau silêncio de quem não tem a educação mínima de cumprimentar quem entra ou sai, é envolta numa qualquer musiqueta de pacotilha. Nos transportes ou nos táxis, o seu utilizador tem de aturar, sem dar autorização, música rasca ou anúncio aparvalhado. ..."
Ironicamente, eu chamaria a isto a verdadeira ditadura do proletariado, sobre as minorias.




