Desta privação que é o Inverno, ou da sua anunciação que dele faz o Outono, em que cabelos e folhas caem, avisados animais se recolhem ou hibernam e as rosas se esquecem de florir, se faz esta atmosfera interior, esta parda claridade.
Apetece o silêncio, a exclusão, a frase curta, a síntese, o gesto ao invés da explicação demorada, ou da frase longa. Mas também há quem faça do Inverno a sua casa, pela sua intimidade e recolhimento. Em que a memória se enrosca sobre os dias passados. Enfim, pela triagem do silêncio pródigo que a Primavera e, sobretudo, o Verão raramente propiciam.
