Fértil que tem sido, este mês, o vento agita profundamente as copas das árvores, pela manhã.
Do interior da casa, através da janela, é por aí que lhe reconheço a existência. Invisível, o movimento que provoca denuncia a sua passagem. Mas como poderia eu descrevê-lo, por palavras e gestos, a quem, de todo, o desconhecesse?
Talvez da mesma maneira como se ensinam as cores a uma criança. Porque as palavras que as identificam são, apesar de tudo, redundantes e arbitrárias. As suas existências, raramente, as justificam, objectivamente. Essas, sim, são meras invenções humanas para chamar nomes às coisas.