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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Mercearias Finas 107 : relíquias...


Pelo segundo Outono consecutivo me resolvi a dar volta à adega. Desta vez, fia mais fino o risco, porque de vinhos brancos se trata e, como se sabe, eles são mais frágeis e de vida mais curta do que os tintos. Será pouco espectável que a sua abertura me traga alguma boa surpresa, depois de decantados. Embora duas das garrafas ainda tenham néctar pelo ombro do gargalo e as Caves Borlido tenham classificado o seu produto de: Vinho Velho. O que significa que foi engarrafado já estabilizado, mas não terá decerto, no entanto, a longevidade das colheitas do Bussaco. Que será de esperar de vinhos brancos tão anosos, cujo mais jovem tem a provecta idade de 50 anos? O que for, se verá...
Deixo, assim, a descrição cronológica das relíquias, para que conste, e memória futura:
- Borlido Garrafeira, Branco Velho de 1946, 12º (custou, no início dos anos 70, Escudos 50$50).
- Casal da Azenha, Branco 1957, de A. B. da Silva Chitas, com 12,5º (adquiri-o por 45$50).
- Messias, Garrafeira Particular, colheita de 1963, 11,5º.
- Quinta d'Aguieira (Conde d'Águeda - Manuel José Homem de Mello), Branco 1965.
Ficam as fotografias dos exemplares, logo à saída da adega, e depois dos rótulos terem sido ligeiramente desempoeirados do tempo e da pátina. Darei conta oportuna, se for conveniente, dos seus estados de saúde, ou de alma.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Recomendado : quarenta e sete - Prova dos 9, branco, 2012


Da casta Síria, gabo-lhe o gosto, acidulado e fresco.
As cepas abundam pelo interior, em metamorfose de nome que, no Alentejo, se crismou de Roupeiro e Crato Branco, no Algarve. E há quem diga que é a mesma, a Códega duriense. Até tanto não vou eu... porque a experiência e conhecimentos não me levam tão longe. Mas asseguro que é nas terras do Dão que a nobre casta Síria produz brancos de uma acidez singular, levemente agreste, mas muito saborosa.
Eu conhecia-a, estreme, dos brancos da Quinta do Cardo (regional Beiras), e pouco mais, na zona. Mas os vinhos não têm grande distribuição - parece-me. Felizmente, e em boa hora, a UCB (União Comercial da Beira) resolveu lotá-la, neste Prova dos 9, com o Encruzado e a Malvasia Fina, num conjunto harmonioso, em que a Síria mantém sabor predominante. O preço, nem se acredita, aliado à promoção que o acompanha numa cadeia popular de pequenas superfícies, que nem sei se irá durar muito...
O vinho acompanha, lindamente, uns filetes de pescada ou, mesmo, um arroz de polvo, caldoso e malandrinho, bem como outros peixes finos, que venham à mesa. Fica a recomendação amiga.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Mercearias Finas 82 : em louvor dos enólogos


Tenho em conta que o colectivo é quase sempre importante, mas penso também que uma personalidade marcante e competente pode mudar radicalmente uma instituição, uma sociedade, um país.
A Adega Cooperativa de Monção, por exemplo, habituou-nos, decerto num esforço colectivo, à qualidade exemplar dos seus vinhos brancos, nos últimos 30 anos, de que o Alvarinho Deu-la-Deu e o Muralhas são provas sobejas e sempre agradáveis.
A Adega Cooperativa de Vila Real era apenas uma entre as várias cooperativas de Trás-os-Montes, como a sua congénere de Pegões, até há poucos anos atrás, pouco se diferençava das outras cooperativas da Península de Setúbal. No entanto, a entrada de Jaime Quendera na Adega de Sto. Isidro fez toda a diferença, e os vinhos produzidos, hoje, são dos melhores que podemos encontrar nas terras do Sado.
No mesmo sentido vai a qualidade da Adega Cooperativa de Vila Real, após a entrada dos enólogos Rui Madeira e Luís Cortinhas, que provocaram uma nítida melhoria qualitativa nos vinhos sob a sua chancela.
Nota-se-lhes ousadia e inovação que inclui a introdução da casta Fernão Pires (Maria Gomes, na Bairrada) nalguns dos seus vinhos brancos, e o resultado é extremamente positivo. Quase residual ou, pelo menos, minoritária no Douro, a Fernão Pires é muito usada, sobretudo, no Ribatejo, Bairrada e Península de Setúbal. Não me lembro de alguma vez ter bebido um branco do Douro em que ela entrasse no lote.
Pois, a aposta ousada de Rui Madeira e Luís Cortinhas, foi bem sucedida e ganha. Provei hoje um Vila Real 2012, Reserva branco (Viosinho, Malvasia Fina e Fernão Pires), que era excelente. Citrino, floral, mas seco q. b., acompanhou muito bem uma Pescada à Algarvia, com batatinhas assadas que vieram do forno. Bom trabalho, senhores Enólogos!