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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Passear as obrigações votivas


Os gatos, embora gostem de conservar as distâncias, não exigem muito dos seus donos. Bastam-se, domésticos, pelo interior das casas, e com alimentação pontual.
Mas também há famílias exigentes que não prescindem do seu passeio exterior, ao fim-de-semana. Motorizado ou pedestre, para apanhar ar.
Os cães, porém, obrigam, necessariamente, os seus donos a 3 ou 4 saídas, todos os dias, ao menos pelas suas necessidades básicas.
Quando vejo estes cães a passear os donos, lembro-me sempre de Dino Risi (1916-2008) e da sua "A Ultrapassagem", quando Gassman e Trintignant entram em Roma de carro, de manhã , e se cruzam com um passeante de cães. E Gassman grita, tonitruante: "Liberta-te, escravo, solta os cães!"*

* Como se segue, no vídeo.

Nota pessoal: as novas manipulações do Youtube obrigaram-me ao desdobramento do poste: em texto e vídeo, seguinte.

Il sorpasso, 1962. Campo lungo (www.cinescuola.it).

domingo, 23 de março de 2014

Divagações 63


O silêncio matinal e deserto de uma cidade, sobretudo em domingos inóspitos, é como se fora uma paisagem em aberto, semelhante ao princípio do mundo, onde apenas as casas e as ruas, de construção humana, podem destoar. Embora o silêncio seja tão poderoso, que faz esquecer esses sinais insólitos da mão humana.
Todos nós, decerto, já experimentámos, por insónia imprevista ou noitada escolhida, esse espectáculo raro e tranquilo da cidade adormecida, das ruas vazias, da luz crescente e insinuante que se vai adivinhando pelas sombras tímidas, pelo róseo ou rútilo com que a aurora vai vencendo, pouco a pouco, quase imperceptível, o escuro da noite.
Em desabono do derrame lírico do poste, ou do sentimento poético, e por associação lógica, quando penso nestas manhãs de domingo de cidades desertas, vem-me sempre à memória uma imagem do filme "A Ultrapassagem" (Il Sorpasso), de Dino Risi (1916-2008), com Vittorio Gassman e Jean-Louis Trintignant, entrando em Roma, numa manhã dominical.
Já no centro de Roma, e velozmente, os dois ocupantes do carro desportivo, depois de ruas e ruas vazias, vislumbram um único passeante matinal, numa praça, levando dois cães pela trela, que quase o arrastam. Ao passarem por ele, Gassman grita-lhe: "Liberta-te, escravo! Solta os cães!..."

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Comic Relief (78)


Sem grande rigor, este vídeo poderia ter cabimento na rubrica Mercearias Finas, não fora a quantidade de peripécias menos nobres, no interior da Cozinha, que antecedem a refeição do grupo de gastrónomos.
Mas talvez valha a pena lembrar que, no Porto, uma das mais conceituadas lojas-tascas-restaurantes, onde se podem comprar magníficos enchidos de fumeiro, ou comer uma apetitosa sande de presunto, dá pelo saboroso nome de "Badalhoca"...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Música e Poesia L : Montale / Gassman


Uma concentrada atenção permitirá perceber grande parte deste belo poema (  Casa sul mare ) de Eugenio Montale (1896-1981), dito de forma admirável, no original italiano, por Vittorio Gassman (1922-2000), com música de fundo, de Richard Gibbs. E que começa pelos versos: "Il viaggio finisce qui/ nelle cure meschine che dividono..."

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Memória 71 : Confluências

Giacomo Leopardi nasceu a 29 de Junho de 1798 e Vittorio Gassman faleceu neste mesmo dia, no ano de 2000. Ambos italianos, já aqui confluiram num poste, em 16 de Abril de 2012, em que Gassman diz o poema " A Silvia". Das mais conhecidas e difundidas obras de Leopardi, "L' Infinito", deu-nos Pedro da Silveira (1922-2003) uma belíssima versão, em português, que se transcreve, em seguida:

O Infinito

Sempre caro me foi este ermo outeiro,
e esta espessura, que por tanta parte
do mais longe horizonte o ver me impede.
Mas sentado e olhando, intermináveis
espaços além dela, sobre-humanos
silêncios, e fundíssima quietude
na mente eu imagino; até que quase
o coração se assusta. E quando o vento
ouço bulir entre as ramagens, esse
infinito silêncio a esta voz 
vou comparando: e considero o eterno,
mais as mortas idades, e a presente
e viva, e sua voz. Assim entre esta
imensidade o meu pensar soçobra:
e o naufrágio me é doce neste mar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Nos 10 anos da morte de Vittorio Gassman

Vittorio Gassman (1922-2000), um dos grandes actores italianos do séc. XX, morreu, faz hoje 10 anos. Recordámo-lo na leitura de um poema ("Virá a morte e terá os teus olhos...") de Cesare Pavese (1908-1950).

domingo, 30 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

Favoritos XXI : Vittorio Gassman

Para abrir o apetite, Vittorio Gassman (1922-2000) lê a ementa.