A aragem, que vem da janela aberta, ao que parece, traz saudades da estação antiga - ainda é fresca. E o azul alto ainda não é firme e decisivo, embora também não seja aquele anil anémico que os dias de Novembro, quando límpidos, sabem trazer consigo num último esforço de beleza ténue.
Nem os morangos, apesar de grandes e bonitos, pelo sabor me não lembrem os que a minha Tia Ermelinda me mandava, numa cesta, em finais de Maio, pelos anos. Tão pequeninos eles eram!... E que saborosos, entre terra e céu, divinos. Será que ainda se criam, nesse grande quintal vimarenense, da antiga rua dos Palheiros?
O desejo humano ultrapassa, por impaciência, aquilo que a Natureza pode e quer dar, muitas vezes. Mas ela nunca transige, nem abdica do seu tempo próprio, no florir.