Mostrar mensagens com a etiqueta Sigmund Freud. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sigmund Freud. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de junho de 2016

Osmose 84


Quase todos nos consideramos normais, excepto os génios e todos aqueles que nem sequer sabem pensar sobre isso. São os felizes que, como a Bíblia prescreve, hão-de alcançar, em beatitude, o reino dos céus.
Mas as visões existem. De um modo subjectivo e individual que, por força da veemência emocional (a montante) pode atingir e contagiar o colectivo, de forma irracional, a jusante (Lourdes, Fátima...).
Daí, eu estar de acordo, à partida, com a classificação que Jeffrey A. Lieberman atribui a Freud, pela sua activa contribuição pioneira nos domínios da psiquiatria:
... a tragic visionary far ahead of his time (...) simultaneously, psychiatry's greatest hero and its most calamitous rogue.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Comic Relief (106)


Sendo, como é, uma publicação séria, o TLS raramente acolhe brejeirices nas suas páginas. Quando muito, um ou outro colaborador dá um ar da sua graça ou exprime algumas considerações levemente irónicas.
Mas, no penúltimo jornal, há uma libertação alargada de pequenas anedotas, na sua última página. Contadas por J(ames?) C(ampbel?), a propósito, e retiradas, do livro Freud Verbatim: Quotations and Aphorisms.
Aqui seguem algumas, em tradução simplista:

- O que é um canibal que comeu os seus próprios pai e mãe? (Pausa) Um órfão! E se tiver comido a sua família inteira? O único herdeiro!
- Um negociante de cavalos recomendava, assim, a um provável comprador, o equino em transacção: Se mercar este cavalo e se partir de sua casa, às quatro horas da manhã, vai ver que chega a Pressbourg antes das seis e meia. Resposta do comprador interessado: E o que é que eu vou fazer a Pressbourg, às 6 da manhã?
- Um médico, ao abandonar o quarto da mulher doente, vira-se para o marido e diz: Não gostei nada da cara da sua esposa... Ao que o marido responde: Pois eu, ao longo de toda a nossa vida em comum, também nunca gostei!

Convém acrescentar que todas estas pequenas histórias humorísticas, se não eram da autoria de Freud, eram, pelo menos, contadas por ele, aos seus pacientes e amigos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Onírica e burlesca


Esta chuva contínua de ontem, este cerco líquido, este dilúvio em redor das casas, talvez ambicione, em si, um cenário interior de defesa, o ambiente e os ingredientes necessários para, entre paredes, contar ou ouvir histórias. Mas estamos no princípio de Setembro e o tempo propício às narrativas eu costumo situá-lo, com mais propriedade, nas longas noites de Inverno.
O pior, no entanto, é que esta imemorial vontade narrativa, pela água excessiva e exterior, acaba por exsudar para o sonho ou, neste caso mais próximo, para um pesadelo que, como em quase todos, eu conto e faço viver a mim próprio. E em que não controlo o desenvolvimento, nem prevejo o fluxo narrativo e nem sequer tenho poderes para abortar a acção, ou dela sair.
Imagine-se um gueto hostil, onde há dois mensageiros benéficos que me vão aconselhando, duvidosos, tudo isto num cenário que parece de velhas metalurgias abandonadas. Vou descalço, num chão viscoso e escorregadio. Procurando, obstinado, um táxi livre que não há, por um dédalo de ruas estreitas e sombrias. Preciso urgentemente de transporte, para seguir para um casamento de quem não sei, nem os noivos, nem a hora, nem mesmo o local, talvez à volta de Belas...
Que o sr. Freud me dê uma ajuda! Ou me faça chegar, a tempo, à boda!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Para adivinhar o futuro



O folheto, em imagem, foi impresso em papel de paupérrima qualidade, talvez para poder ser vendido a preço baixo. Capa e contracapa, de cor tijolo-claro, são quase transparentes e de espessura muito fina. Esta 10ª edição terá sido editada no primeiro quartel do século XX. Impressa no Porto, vendia-se também em Lisboa, na Rua do Duque, 10. Seria barata para alcançar um grande público.
Terá sido um sucesso, ou best-seller, na época, pelas edições que teve. Sintético nas palavras, limitava-se a indicar à esquerda o tema do sonho e, à direita, o seu significado de futuro. Destinava-se, com certeza, a um público pouco habituado a filosofias. E o folheto não teria, em linha de conta, certamente, as teorias de Freud. Mas deve ter alimentado muitas expectativas... e sonhos.

domingo, 22 de julho de 2012

Divagações pessoais sobre E. Hopper



Há como que um segredo bem guardado em cada uma das pinturas de Edward Hopper, pintor americano, nascido a 22 de Julho de 1882. Segredo que provoca um estranho fascínio e curiosidade, em quem observa os seus quadros. Porque os seus cartazes são certeiros e objectivos. O seu interesse por Freud e o subconsciente talvez ajudem, um pouco, a explicar os seus trabalhos.
Nos quadros, há uma preocupação de centralizar o essencial e raros são os adereços secundários que nos possam distrair. E, o essencial é, para Hopper, verdadeiramente, a figura humana - a ler, esperando na noite, individualizada sempre na sua interioridade ou, se preferirmos, na sua solidão. Mesmo que, por vezes, se encontre integrada em grupo.
Mas, como ele disse: "A resposta inteira está nas telas."
Edward Hopper morreu no seu estúdio de N. Iorque, a 15 de Maio de 1967.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A morte de um Pintor


Nascido em Berlim a 8 de Dezembro de 1922, Lucian Freud faleceu na passada quarta-feira, 20/7/2011. Neto de Sigmund Freud, de ascendência judaica, a família fugiu para a Grã-Bretanha para escapar ao nazismo, em 1933. O Pintor naturalizou-se inglês, em 1939. Realista obstinado, num tempo em que a abstracção predominava, a pintura de Lucian Freud é reconhecível pelas pinceladas fortes, espessas e carregadas dos seus retratos ( o de Isabel II, causou polémica) e pelo tratamento rude dos seus nus, onde a carne quase assumia um destaque pictórico violento. Para a lenda futura ficará decerto o facto de ter continuado a pintar, já com 88 anos, e até ao dia da sua morte.