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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Um lustro, com poesia à mistura...


Como dizia Antonio Machado, "o caminho faz-se andando...", muito embora, e ao longo destes cinco anos, tenha havido encruzilhadas, esmorecimentos temporários, hesitações.
Lembrar Wordsworth (Five years have past; five summers with the length/ of five long winters! And again I hear...) não será bem o retrato do que tem sido, porque há, também, a benefício de inventário: 249.264 visitas, até agora, e 6.935 (com este) postes colocados.
Neste 5º aniversário do Arpose, quero agradecer as colaborações (directas e indirectas), manifestando a nossa gratidão a quem nos acompanha diariamente, e àqueles que, com os seus amigos comentários, nos vão estimulando a prosseguir.
Oxalá, daqui por 2 anos, eu possa vir a citar Camões: "Sete anos de pastor Jacob servia..."

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ainda sobre Poesia, e com Eugénio


Há séculos, pelo menos 9, que os portugueses se exprimem, também, através da poesia. Mas raramente se interrogam sobre ela e sobre a criação. Ao contrário dos poetas ingleses, por exemplo, que muito teorizaram sobre ela: de Wordsworth e Coleridge até T. S. Eliot.
Mas Eugénio de Andrade, algumas vezes, falou sobre poesia, com palavras justas e sábias, que o saber da experiência lhe dava. Numa ocasião, a uma pergunta/acusação (do entrevistador) sobre a dureza dos seus juízos a propósito de jovens poetas, respondeu assim:
"...A juventude não precisa de piedade, mas de verdade. Há muito jovem que me pede ajuda onde não há ajuda possível, pois ninguém pode viver por eles a sua própria vida, remontar às fontes do ser. Porque a poesia é a perpétua procura dessas águas. Quando não é isso, é uma inútil cantilena com que se embalam as horas, com que alguns espíritos superficiais enganam a vida. Num tempo degradado como o nosso, todas as fontes estão ocultas. A tarefa do poeta é desocultá-las. Tudo o que nos saia das mãos sem esse sabor original são só palavras a mascarar a palavra, miséria que nos impede até de ouvir a magnífica e alta música do silêncio."

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O castanheiro de Anne Frank, como motivo


O "Diário de Anne Frank" publicado pelo pai, em 1947, que foi o único sobrevivente da família - morta em campos de concentração - , foi um livro de leitura transversal a muitos jovens, e das obras mais traduzidas no mundo. Em Portugal, traduziu-o Ilse Losa, para a Livros do Brasil.
Na ausência de notícias mais importantes, o jornal "Público" de hoje, na última página, destaca e refere a morte definitiva e queda, motivada por uma tempestade em Amesterdão, do castanheiro secular que Anne Frank, quando escondida com a família, num sótão, para escapar aos nazis, via da sua janela. Fala dele, aliás, algumas vezes, no seu diário ("O castanheiro está coberto de flores e acho-o ainda mais belo do que no ano passado", 13/5/1944). Na sua existência limitada e claustrofóbica, em plena adolescência, era um sinal de beleza e mudança.
As árvores foram sempre portadoras de esperança, tiveram valores simbólicos e eram, muitas vezes, sinal de estabilidade e permanência na mudança (vida/morte), ao olhar humano, e apoio à imaginação devota. Da árvore de Jessé à figueira de Judas, do carvalho de Guernica (que inspirou a Wordsworth, em 1810, um poema: "Oak of Guernica! Tree of holy power..."), resistente ao bombardeamento de 1937, até à oliveira da Colegiada de Guimarães; do olmo de Antonio Machado ("Al olmo viejo hendido por el rayo / y en su mitad podrido...") à azinheira de Fátima, as árvores perpetuam-se no coração dos homens. Ou na adolescente e vibrante esperança de Anne Frank. Mas os homens envelhecem e morrem, algumas árvores conseguem ser centenárias e, mesmo, milenares. Parecem eternas aos homens, ou para usar palavras e lembrar Sá de Miranda:

"...Eu vira já aqui sombras, vira flores
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d' amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m'eu fiz doutras cores;
e tudo o mais renova: isto é sem cura."

P. S.: para c. a., que anda a reler Sá de Miranda. E faz muito bem.