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quarta-feira, 12 de março de 2025

Curiosidades 110

 

Cruzei-me, inesperadamente, com a palavra muleta, não no sentido usual do termo, mas como embarcação antiga e regional do Tejo, que tinha esse nome. Datando muito provavelmente dos séculos XVI-XVII era uma embarcação muito curiosa de pesca de arrasto à vela. Destinava-se à captura, principalmente, de azevias, linguados e solhas, no Tejo e no Sado.



Sob o patrocínio da C. do Barreiro, foi construída uma muleta nos moldes tradicionais, nomeada Álvaro Velho, e que proporciona passeios fluviais, desde o ano de 2022, entre 13/7 e 28/9.

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Era assim ao fim do dia...

 


... tranquilo e ameno

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Últimas aquisições (42)



Estes livrinhos da FFMS, sendo embora de autores pouco conhecidos, têm em comum a singularidade dos assuntos e a abordagem muito própria da escrita simples, quase sempre agradável e profissional de temas sociológicos pouco habituais.
E se este Avieiros, hoje, de João Francisco Gomes (1995), que comprei recentemente, tem por sombra tutelar o escritor ribatejano Alves Redol (1911-1969) que pela primeira vez tratou do assunto em 1942 (Avieiros), desta vez não é a ficção que prevalece.
A migração dos pescadores e famílias de Vieira de Leiria, para as mais favoráveis e menos perigosas margens ribeirinhas do Tejo são o motivo principal deste livrinho. Bem como um tipo de cultura própria que esta mudança acabou por propiciar.

sábado, 19 de outubro de 2019

Mercearias Finas 150


Mal me daria a pensar escolher e aprovar uma caldeirada, com todos os matadores, que não fosse em zona marítima ou próxima de águas salgadas. Póvoa, Cacilhas, Trafaria, na minha memória gustativa, honraram bem o compromisso. A que se junta, galhardamente, Santarém por excepção, em dias recentes, que, de águas, é só doces e fluviais por Tejo perto, lá ao fundo, abaixo do planalto nobre e citadino.
Aponte-se no canhenho gastronómico a Taberna do Quinzena, na rua Pedro Santarém, da dita cuja cidade ribatejana. Pela sua soberba caldeirada bem apaladada, a que se seguiu um tenro cabritinho de forno e mama, com arroz de miúdos e batatinhas muito bem assadas. À sobremesa uma pêra bêbada de feição e, para HMJ, um leite-creme.
De fundo, cartazes e cenário tauromáquico, com velhas glórias das arenas lusas.
A tudo fez companhia, e bem, um Casal da Coelheira, branco, com Verdelho e Arinto, boníssimo e suave. Havemos de voltar...

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Glosa (16)


Um nevoeiro branco, mas opaco, toma conta do rio na manhã dominical. O Sol é um halo pressentido que transfigura a paisagem como nalgumas telas de Sequeira. É aí que me vem à colação um poema de Fernando Echevarría (1929):

Inverno de nevoeiro.
O pulso nele faz frio
e purga-lhe o pensamento,
de repente tão antigo.
A espuma sobe por dentro
desse relógio marítimo
cuja cota conta o tempo
da língua a colher o ofício
e a música. O silêncio
sossega à beira do ritmo.
Irá nevar? Nos pinheiros
a densidão do moliço
pensa pássaros de inverno,
imóveis, pois luz e ninhos

apenumbram a penugem
da língua que toma conta
de se enrodilharem nuvens
no vulto denso da copa.

A poesia de Echevarría quase nos conta uma história. Se a quisermos ouvir (ler) com minuciosa atenção. Sinestesias discretas irradiam dos seus versos. Acompanham e mimetizam a paisagem. Pensam-na por dentro.

domingo, 13 de agosto de 2017

Impressionismos, do outro lado...


Este Sol de incêndios, que nos abrasa. E que parece não ter fim, toldando o céu de fumos pesados.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Osmose 87


Quando venho para aqui e vejo o rio, inexplicavelmente, as suas águas doces, quase sempre tranquilas (ao longe), fazem-me lembrar águas salgadas antigas, agitadas e irrecuperáveis. De Agosto dos meus anos mais jovens. E as férias eternas, ou simplesmente grandes, como são as de infância, na sua liberdade sem sentido, em que tudo parecia acomodar-se. Ou que se foi arrumando, a bem, na memória. E tudo parecer estar certo, de equilíbrio e felicidade - seja lá o que isso for...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Algumas notas soltas para um fim de tarde


Ameníssimo fim de tarde, apenas quebrado pela soada macia das teclas vibrando (Chick Corea) e pelas velozes andorinhas que quebram ao longe no horizonte, de negro, o róseo beira-rio a tender para o acinzentado que antecede a noite.
Quantos anos foram precisos, quantas mortes, desde Chicago, para que o 1º de Maio se celebrasse, alegre e livremente, neste nosso mundo de desigualdades. E, entretanto, pelas notícias, terão morrido 3 pessoas, no mar da Nazaré e da Caparica, hoje...
Para este fim de tarde prefiro, no entanto, e pelas cores, lembrar-me, só intimamente, de algumas aguarelas de Turner, e dispensar, de todo, qualquer imagem neste poste. Que só iriam distrair-me de olhar as águas e as primeiras luzes que se começam a acender no Seixal, num conúbio afectuoso com a primeira noite de Maio.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Outros tempos


Os tempos são outros, evidentemente, mas a margem direita do Tejo está mais bonita, passeável e amena. Se calhar, tão agradável como Ramalho Ortigão (1836-1915) a pintava, por alturas de 1870. A gente que a frequenta, agora, é que é diferente... Mas voltemos às palavras do escritor portuense, insertas em Correio de Hoje II (pg. 17):

"O Aterro está sendo desde as duas até às cinco horas o passeio predilecto da elegância da Capital. Reunem-se ali muitas carruagens, e muitas senhoras do high-life se apeiam para respirarem a brisa do mar, saudavelmente impregnada nas exalações do alcatrão. É o prazo dado às rainhas do grande e do pequeno mundo, às pálidas estrelas da aristocracia, aos astros rutilantes da finança, e el-Rei vai ali algumas vezes guiar os cavalos da sua carruagem. A senhora condessa de Edla e o sr. D. Fernando escolhem aquele ponto para os seus passeios a pé." 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Impromptu (27)


De súbito, reparo que o azul do rio é muito mais intenso do que o do céu. Estranhamente pálido, para esta altura do ano. Como se fora de Outono, por onde as cores começam a desmaiar.
Ou será que os incêndios extintos pincelaram o ar de um estranho cinzento? Que, de alguma forma, diluiu a vivacidade e força do azul de Verão.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Madrugada, manhã e andorinhas


Parece mais feliz e sereno o voo das andorinhas, esta manhã. Que não aquele bater de asas inquieto e nervoso, ziguezagueante, que lhes é habitual. O ar está fresco e quase desapareceu a névoa sobre o rio. Limpa talvez pela bátega que caiu, pelas quatro da manhã, e me acordou. Primeiro, o tropel violento do granizo fino, depois a cadência persistente da chuva ritmada, que nunca mais acabava...
O Sol tenta vencer as nuvens ralas, enquanto as andorinhas se abandonam à sua dança suave, em grupos pequenos de duas ou três. Zilram baixo. Algumas pombas preguiçosas, pelos telhados, parecem esconder a cabeça sob as asas. Das gaivotas invisíveis, apenas se ouvem, de longe a longe, os roncos dissonantes.
Composto o esboço, vou-me ao banho.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Divagações 100


É raro que algum nascer da manhã, que vejo da janela sobre o rio, não encontre na minha memória alguma aguarela ou tela de Turner. Hoje, tranquilo nas suas cores mais ou menos definidas, o começo do dia foi assim:


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Esboço matinal sobre a paisagem


Na luz coada e fresca da manhã, os telhados descem pousados, deslizantes para o rio, que mais parece uma planície metálica de gelo cinzento, espelhado para um céu nublado de gretas e sulcos luminosos. Duas pombas negras, sobre as telhas defronte, em ângulo recto, uma de Leste para Oeste, descendente, a outra, de Sul para Norte, horizontal nos seus passinhos miudos, acabam por cruzar-se. Como me vem, de longe, esse geométrico poema (Aldeia) de Manuel da Fonseca (1911-1993), que me faz lembrar um quadro agreste de Alvarez (1906-1942).

Nove casas
duas ruas
ao meio das ruas
um largo
no meio do largo
um poço de água fria. Tudo isto tão parado
e o céu tão baixo que quando alguém grita para longe
um nome familiar,
se assustam pombos bravos
e acordam ecos
no descampado.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Situar o horizonte


A paisagem subjacente. A linha paralela junto ao rio, em frente, é quase rasa. Vem do Montijo, e só pelo Barreiro se interrompe, por algumas chaminés altas, fabris, no horizonte da terra ribeirinha, que acaba pelo Seixal. Em segundo plano, ao fundo e atrás, a linha sobe em direcção ao céu, por alturas de Palmela e do seu castelo roqueiro, seguindo, depois, crescente em direcção à Arrábida, que não vejo.
É na direcção de Palmela, mais próximo de mim, embora distante ainda, que eu posso ver, por entre mansardas e telhados lisboetas, num rectângulo muito irregular, o Tejo. Que vai azul cobalto, e corre tranquilo, sem ondulação aparente. E por inteiro, se não fora um cacilheiro que lhe fendeu as águas, numa linha branca de espuma, seguindo diagonal na direcção do Barreiro.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Divagações 91


São já poucas as andorinhas em voo, visíveis, e as gaivotas lúgubres, nos seus pios roucos, não vieram ainda ocupar o céu nocturno. Vejo os últimos raios de Sol sobre o Tejo, de águas azul cobalto, que não foi possível, ainda, privatizar - talvez já não haja tempo.
Respiro, em haustos fundos, este ar lisboeta que, talvez ilusoriamente, me parece livre, depois de tanta almoeda e hecatombe. E, como me contento com pouco, penso que tudo aquilo que vier já não pode ser pior. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lembrete 27


Quase não valeria a pena anunciar que vi as primeiras, anteontem, entrados que já fomos por Abril. Terão vindo assim tão tarde, ou fui eu que andei distraído?
Mas as andorinhas lá andam, em voos baixos sobre o rio e sob o céu fechado e cinzento. E assim baixas, como dizem, prenunciam chuva, que era, de todo, dispensável... 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Uma fotografia, de vez em quando (51)


Estas fotografias, de autor desconhecido, representam vários aspectos da zona ribeirinha de Lisboa, e terão sido tiradas antes de 1940. Provavelmente, por quem tinha acesso ao Ministério da Marinha e ao desaparecido Arsenal. A zona, após obras recentes, está hoje aberta ao público e permite um passeio agradabilíssimo, junto ao rio Tejo. Pelo local antigamente denominado: Ribeira das Naus.

com os melhores agradecimentos a AVP.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Lembrete 22


O Outono deve estar com pressa. Até porque já hoje vi, sobre o Tejo, quando é normal só os ver em Outubro, um bando de estorninhos. Seriam 8 ou 9, longe dos grupos de dezenas ou centenas, que costumam aparecer mais tarde. Seja como for, são um agradável sinal de presença. Bem-vindos!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Turismo e xenofobia, ou o reverso da medalha


São quase 20h00 e há mais um paquete-jumbo que entra, pelo Tejo, engalanado.
Por vezes, somos tão tolerantes, indiscriminadamente, para com a chamada arte moderna actual, como nos habituaram a ser com a prática democrática em relação a comportamentos que, no íntimo, quase consideramos aberrantes ou desumanos. Os tribunais da Inquisição ou de Nuremberga foram criados, sobretudo, para julgarem europeus, e não se aplicam a jihadistas de califados primitivos. Democracia, sim, mas devagar.
Veneza começou a recusar mais turistas ou, pelo menos, que os paquetes gigantescos globais atracassem nas redondezas, porque lhes minavam ainda mais os seus já deteriorados alicerces submarinos. Os ambientalistas começam a impugnar, um pouco por todo o lado, o CO2 produzido por estes monstros, nos oceanos e nos portos. E até os berlinenses começam a olhar de esguelha estes magotes sucessivos de turistas que lhes invadem a cidade, perturbando a sua vida tranquila do dia a dia.
Na semana passada, no eléctrico 28, um alfacinha de gema encrespava, em legítimo vernáculo, os fotógrafos pasmados e frenéticos, estrangeiros, que coalhavam todo o espaço do seu meio de transporte público diário, para o trabalho. E, quanto a lugar sentado, nem sonhar.  Mochilas, malas, sacos, quase nem permitiam sequer a menor circulação vital e necessária.
Realmente, no 28, entre Março e Outubro, eles são como enxames fervilhantes de estupor...
  

sexta-feira, 18 de julho de 2014

De três palavras que aprendi hoje


Os últimos raios de sol marmoream de branco, ao longe, o casario do Seixal, em contraste com o azul quase cinzento, ao fundo, da Arrábida. O Tejo vai de verde, para o mar.
E eu aprendi hoje o significado de mais três palavras, que encontrei pela leitura de Histórias de Reis e Príncipes, de Alberto Pimentel. Como as não conhecia, foi ao dicionário saber-lhes o significado. Assim:
- Barjoleta - bolsa grande ou mochila;
- Alcoveta - alcoviteira (desta suspeitei o significado);
- Apolegar - premir com os dedos, palpar. 
Não se pode dizer que delapidei o meu tempo, por inteiro...