quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Osmose 125



É minha convicção, de há muito, que um (bom) poeta pouco produz de qualidade, na velhice. Haverá raras excepções, como talvez Herberto Helder mas mais pelo registo diferente ou insólito dos poemas dos últimos livros, em relação ao estilo anterior a que estávamos habituados, seguramente.
Ora, em Conta-Corrente 2 (1977-1979), Vergílio Ferreira (1916-1996) vem em meu socorro, corroborando a minha ideia, parcialmente e de algum modo, ao escrever: "...E contei que a Simone de Beauvoir, no seu livro La Vieillesse, e segundo as estatísticas, dá os limites da criatividade em cada sector cultural. Assim o pintor é quem dura mais, pintando praticamente até à idade mais avançada; o matemático e o físico cessam pelos trinta e poucos anos, o romancista acabará aí pelos sessenta mais ou menos." (pg. 18)

4 comentários:

  1. Não sei se será tão generalizado, mas poderá ser. Outro dia, pensava em algo parecido sobre os cozinheiros. As pessoas que conheci que cozinhavam bem, a partir dos 70 anos começaram a perder o jeito - ou talvez a paciência. Bom dia!

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    1. De cozinheiros(as) tenho pouca experiência, mas, de pintores, estão aí Matisse e Picasso para provar a excelência da obra de velhice.
      Boa tarde.

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  2. Dizer que um físico ou matemático acaba aos 30 e poucos anos parece-me excessivo.
    Vergílio Ferreira publicou Em nome da terra, um livro muito bom, em 1990 (aos 74 anos). E publicou ainda mais dois em vida e outro postumamente.
    Bom dia!

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  3. De cientistas tenho dúvidas. Creio que uma boa parte de prosadores aguenta-se bem com a idade. Aquilino publicou com 73 anos, uma das suas obras-primas:
    "A Casa Grande de Romarigães" (1957).
    Boa tarde.

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