segunda-feira, 6 de maio de 2024

Apontamento 167: Desengano de alma

 


[queda do muro, 1989]

Acontece que existem assuntos que não nos largam, até nos invadem, infelizmente, a tranquilidade nocturna.

Um deles é a pretensa oposição alemã entre OSSIS [cidadãos dos territórios da antiga  RDA] e WESSIS [cidadãos residentes no território da antiga RFA].

Nos debates sobre o tema, sem nexos, considero-me completamente distante, porque não sou, nem tenho qualquer ligação familiar aos antigos domínios da RDA tutelados, de forma ditatorial, pelas «matrioscas» russas da SED.

Com efeito, encarava a oposição cívica das chamadas «populações de leste», que levaram ao fim da divisão, contra-natura no pós-guerra, do território da Alemanha, como manifestação sincera de querer viver em liberdade, sem o regime totalitário. No passado, tiveram medo do sucedâneo do KGB, hoje temem a AfD.

Ao que parece, e pelo desejo aparentemente manifesto nas opções pela extrema direita nos territórios da antiga RDA, continua um fundo «de camisas castanhas» não  eliminadas no tempo dos SED’s, juntando-se aos cidadãos carentes de uma outra vertente, moderna, de estado totalitário, a saber, os partidos de extrema direita.

O pouco contacto que tive com pessoas da antiga RDA, depois da abertura, e já em Coblença, na RFA, ensinou-me, de facto, que os anos do SED deixaram marcas indeléveis nas pessoas.

Presenciei, numa cena pouco comum de ser impedida de entrar numa casa familiar, embora acesso combinado, por uma pessoa que se impunha como guardiã do aposento durante as férias dos donos.

Nos meus contactos cívicos, com familiares, amigos e estranhos, concluí que nunca me tinha deparado com este misto de provincianismo, sobranceria e falta de noção de trato.

Aliás, muitas das «destrezas provincianas» sempre as atribuí a Angela Merkel, motivo pela qual nunca a apreciei.

Graças à educação recebida, e embora crescida numa aldeia da cidade de Colónia, nunca me reconheci, nem identifico, com ademanes provincianos, característicos dos «malandros da CDU» que pretendiam dominar as almas. Fui assim, pelos contactos hipócritas na juventude, que não me apanharam no «Desengano de Alma».

Post de HMJ

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