quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A solidão na diáspora


Aceitemos como rigorosos, q. b., estes números que o Observatório de Emigração forneceu aos Cafés Nicola, para a informação que aparece nas saquetas de açúcar.
Dito isto, pergunto-me, perplexo, quem será este (único) corajoso português, emigrante no Sudão? E estará no Sudão Norte, islamita, ou no petrolífero Sudão do Sul?
Pelo menos, simbolicamente, coloquei-o ao lado dos 166.583 portugueses emigrados nos Estados Unidos da América...

Philip Glass / Eadward Muybridge

Este excerto musical, de Philip Glass, pertence à ópera "The Photographer", dedicada, pelo Compositor, ao fotógrafo Eadward Muybridge.

Uma fotografia, de vez em quando (48)


Teve vida acidentada, este imaginativo Eadward Muybridge (1830-1904), fotógrafo e pioneiro nos estudos e experimentações práticas do movimento em fotografia. Nascido na Inglaterra, viveu, no entanto, grande parte da sua vida nos Estados Unidos. Foi o inventor do Zoopraxiscópio, de algum modo, o antecessor primitivo da moderna câmera de filmar.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

William Sterndale Bennett (1816-1875)


Comic Relief (96)


A saída da obra "The Descent of Man" (1871), de Charles Darwin (1809-1882), na sequência de "On the Origin of Species" (1859), provocou acesa controvérsia nos meios científicos ingleses, e não só.
A revista satírica britânica "The Hornet", neste mesmo ano, caricaturizou Darwin, numa sua capa, transformado em orangotango ( The Venerable Orang-Outang).
Sete anos mais tarde, em Agosto de 1878, o magazine  francês "La Petite Lune", pelo traço de André Gill, aproveitou a ideia...

Qualidade, quantidade e coscuvilhice


Era sabido que os romances de Patrick Modiano (1945), em França, não se vendiam muito (em Portugal, parece que também não...), embora o considerassem um digno sucessor de Simenon, na sábia construção de atmosferas. É provável que, agora e por algum tempo, passe a vender mais, que o Nobel acaba sempre por trazer às livrarias alguns cordeirinhos tresmalhados.
Entretanto, a última obra da senhora Trierweiler - diz o "Obs." - já vendeu 442.000 exemplares, fazendo, com certeza, o pleno dos leitores das melhores revistas róseas gaulesas. E até nem incluo nestes consumidores, por uma questão de justiça, o sr. Hollande, que tinha todo o direito ( e interesse) de conhecer o enredo dessa obra histórica e actual. Mesmo que já não tivesse uma atmosfera nupcial...

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Citações CC


O aborrecimento entrou no mundo pela mão da preguiça.

Jean de La Bruyère (1645-1696).

Rachmaninov / Gilels


A par e passo 110


No espírito, a memória, os hábitos, os automatismos de todo o género, representam esta vida profunda e estacionária; mas a variedade infinita de circunstâncias exteriores encontra nele recursos de ordem superior. Em particular, o espírito criou a ordem e criou a desordem, porque o seu objectivo é provocar a mudança. Através dela, ele desenvolve um domínio cada vez mais vasto, a lei fundamental (ou pelo menos aquilo que eu creio ser a lei fundamental), da sensibilidade, que é introduzir no sistema vivo um elemento de surpresa, de instabilidade sempre próximo.
A nossa sensibilidade tem esse efeito de fazer romper, em nós, a cada instante essa espécie de sono que se cola à monotonia profunda das funções da vida. Temos de ser sacudidos, avisados, despertados a cada instante para algumas desigualidades, para alguns acontecimentos do meio, algumas modificações da nossa situação fisiológica; e nós temos orgãos, possuímos todo um sistema especializado que nos atrai inopinadamente e com muita frequência para o novo, que nos pressiona no sentido de encontrar a adaptação que convém à circunstância, à atitude, ao acto, à deslocação ou deformação, que anularão ou acentuarão os efeitos da novidade. Este sistema é o dos nossos sentidos.
O espírito empresta assim à sensibilidade que lhe fornece essas chispas iniciais, o carácter de instabilidade necessária que põe em movimento o seu poder de transformação.

Paul Valéry, in Variété III (pgs. 211/2).

domingo, 12 de outubro de 2014

Montale, em prosa


É, talvez, um livro um pouco estranho, este em imagem de capa, mesmo para quem conheça alguma da poesia do italiano Eugenio Montale (1896-1981). De quem alguns diziam que tinha uma obra hermética, até que a Academia Sueca, em 1975, não pensando assim, lhe atribuiu o Nobel da Literatura.
O registo desta prosa está contagiado de algum surrealismo e de um irónico absurdo de situações, em muitos destes 15 contos, que, pelo menos, nos faz sorrir na leitura. Desengane-se o putativo leitor que pense, pelo título, que se trata de um livro de viagens e paisagens, no sentido clássico. Elas são apenas o motivo secundário, porque a atmosfera e os factos são outros, que não de vilegiatura.
Esta tradução de 2002, feita a partir do francês (creio), por Antonella Nigra, para a Ambar (Porto), permitiu-me também travar conhecimento com a palavra portuguesa cunículo, na página 31, que eu não conhecia de todo, nem de nada.
Depois de muito procurar, fui encontrar o significado do vocábulo, no Dicionário de Morais (pg. 761): "Passagem subterrânea. Escavação extensa e profunda."
Um destaque especial para a capa bem sucedida deste livrinho, devida a Patrícia Proença.

Regionalismos transmontanos (57)


1. Nicar - aniquilar, destruir. Empurrar, teimar.
2. Nipo - rebento de couve-galega.
3. Noninhas - pessoa sem préstimo, indolente, apática.
4. Nozeiro - nó das árvores.
5. Novideira - mocidade, juventude.
6. Nubrinha - o mesmo que nevoeiro.

Favoritos XC


Retro (56)


Uma antecipação gloriosa e francófona dos nossos cravos nas espingardas e metralhadoras, de 1974. De 1918, este postal, a relembrar o centenário da I Grande Guerra, que este ano se celebra.

sábado, 11 de outubro de 2014

Adagiário CXCI


Chuva de sábado, nunca mais acaba.

No prosseguimento da leitura


A continuada leitura de "Guerra e Paz", de L. Tolstoi, levou-me a fortificar algumas convicções anteriormente pressentidas. Antes de mais, e como boa parte dos romances do século XIX, a obra foca uma sociedade ociosa, ou que vive dos seus rendimentos fundiários. E cujas ocupações são apenas os bailes, as roupas, as viagens, as caçadas, os amores e a guerra. As referências a profissões mecânicas, ou a trabalhos agrícolas, são mínimas.
Do ponto de vista formal, a tradução de José Marinho parece-me boa, ou em bom português, pelo menos, mas a revisão, destes livros da Inquérito, foi extremamente desleixada - há inúmeras gralhas ao longo dos volumes. Por outro lado, a exiguidade de notas, ou quase total ausência delas (fossem elas de pé de página ou finais), parece-me um factor muito negativo. Se, hoje, alguns mistérios podem ser resolvidos, em 1957 - quando a obra saiu - o seu esclarecimento seria problemático. Refiro-me a termos russos, em itálico, que vão desde utensílios domésticos ou alfaias, danças típicas eslavas, até nomes de roupas...
Já aqui falei e clarifiquei (18/8/2014) o que era "Danielo Cooper" que, após alguma pesquisa consegui identificar como uma dança muito em voga, na sociedade russa da época. Desta vez, e mais recentemente, assim li na página 113, do II volume:
"Mitka afinou a balalaika e começou a Barínia num tom alegre e vivo."
Nota do tradutor ou editor, sobre o que fosse barínia, não há...Que imaginasse o leitor o que seria. O recurso à net e ao Youtube veio a permitir-me saber que se tratava de uma dança folclórica russa, que aqui fica exemplificada, numa versão actual:

Apontamento 55: Curtir azeitonas



Para além dos limoeiros, gosto das nossas duas oliveiras, sobretudo das folhas e das pequenas flores de que nascem, em ano bom, várias azeitonas.

A oliveira, outrabandista, é a mais velha e desde que transitou, definitivamente, para o seu poiso actual já nos ofereceu 49 azeitonas, num ano excepcional. Este ano apanhámos apenas três, mas parece que concentraram toda a força da árvore, porque eram tão grandes que, ontem ao jantar, encheram, literalmente, a nossa boca.

Mais uma vez tive a ajuda de uma pessoa amiga para as curtir, manter, durante vários dias, em água – do Luso! para não amolecerem – e só depois é que se deita sal e orégãos. Souberam-nos, lindamente, embora a pouco !

A oliveirinha, citadina, tem poucos anos, mas encheu-se de brios e de 57 azeitonas. Ficaram 56, porque uma caiu – APS dixit. Ontem procedeu-se à apanha e, à noite, começou o processo de curtir: dar uns golpes e iniciar o período de demolhar e mudar a água todos os dias. Os frutos da oliveirinha são pequenos e muito clarinhos, como se vê pela imagem acima, e fizerem-se acompanhar de dois pequenos morcões, prontamente eliminados !


Aguardemos, então, pelo desenvolvimento e o sabor final, dentro de dias.

Post de HMJ

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Máxima (?) de Baudelaire, com aditamento pessoal


Um homem que não bebe senão água, tem um segredo a esconder do seu semelhante.

Charles Baudelaire (1821-1867), in Du vin et du haschisch.


Aditamento pessoal:
penso que esta afirmação se aplicará, com ainda maior evidência, às senhoras...

O que eu não sabia de Modiano


De Patrick Modiano (1945), escritor de língua francesa, com ascendência paterna italo-judaica, recém-premiado Nobel da Literatura, para além do nome, pouco ou nada eu conhecia. Nem sequer tinha lido nenhuma obra sua.
Por curiosa coincidência, um dos últimos Le Monde (3/10/14) inclui uma recensão (Créateur d'ambiance), de Éric Chevillard, sobre um seu recente livro, Pour que tu ne te perds pas dans le Quartier, editado pela Gallimard. No jornal tinha eu, por acaso, feito alguns sublinhados nesse texto. Aqui os passo a alinhar, traduzidos:
- Para certos escritores, a unidade da medida é a frase. (...) Mas outros autores, pelo contrário, usam a frase como uma peça neutra de um puzzle. (...) Tomemos como exemplo a obra de Patrick Modiano. Os seus romances não são livros, mas aerossóis: ambiência Modiano.
- Patrick Modiano é há mais de quarenta anos uma bela figura da nossa literatura, que vive o seu sucesso com uma elegante modéstia e que persegue incontestavelmente uma indagação pelas brumas do passado.
- Segundo Modiano, a verdade dos seres e da sua história não existe senão no passado, um passado que se vai desnudando à medida em que eles se esforçam para se re-transportarem até ele.

Liszt / Shapira


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Por onde andarão os estorninhos?


E eu que abri a janela, de par em par, como se fosse o televisor, para ver os estorninhos, ao fim da tarde, e não apareceu nem um...
Três gaivotas sobrevoaram de pios roucos as proximidades, um melro passou fugidio, duas pombas ronronavam, no telhado em frente, ruminando o Outono entorpecente e cinzento. Mas nenhum estorninho se dignou aparecer por estas bandas.
Em retribuição também não os ponho na fotografia. Vai antes esta aguarela, que me encantou logo que a vi, para adornar o poste. Terá sido feita (mas não tenho a certeza) pelo poeta galês Andrew McNeillie (1946), ou, pelo menos, embeleza o seu livro Winter Moorings. E representa - creio - um ganso-patola ou alcatraz, que, ambas, são aves marinhas.

Bibliofilia 111


Um exemplo não justifica uma generalização, mas pode ser, no entanto, significativo.
Há cerca de três anos (27/10/2011), no poste Bibliofilia 52, e a propósito da primeira edição da obra "Apresentação do Rosto" (1968), de Herberto Helder, dizia eu que os preços dos livros usados/raros não estavam a ressentir-se da crise. E apontava a evolução progressiva dos valores de venda deste livro. Assim:
- Julho de 2006: Boletim Bibliográfico da Liv. Luís Burnay - 130,00 euros.
- Outubro de 2011: Boletim Bibliográfico da Liv. Antiquária do Calhariz - 190,00 euros. 
Para minha surpresa, hoje, ao folhear o Boletim Bibliográfico 55 (Outubro de 2014), da Livraria Luís Burnay, vou encontrar sob o lote nº 211, a obra de Herberto Helder, tal como as outras, brochada, ao inesperado preço de 65,00 euros. Ou seja, metade do valor de há 8 anos atrás, pese embora ter, e passo a citar: "insignificantes defeitos de abertura na margem superior da folha de rosto. Restantes cadernos por abrir."

Nota: a capa do livro, editado pela Ulisseia, é da autoria do pintor Espiga Pinto, recentemente falecido.

Leilão


Um novo leilão de livros que irá decorrer, no Palácio da Independência, durante os dias 13, 14 e 15 de Outubro, organizado por José F. Vicente. De destacar um magnífico e vasto acervo de obras de e sobre Luís de Camões.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Citações CXCIX


Não se pode conseguir com um pincel tudo aquilo que se pode atingir através de uma caneta, que é capaz de penetrar até às circunvoluções do cérebro.

Kazimir Malevich (1879-1935).

Uma nota longa para um poema curto de E. D., em versão portuguesa


A fé é uma invenção subtil
Como os cavalheiros podem constatar,
Mas os microscópios são prudentes,
Em qualquer emergência.

Emily Dickinson


Nota pessoal: falar ou tentar explicar um poema - quando de Poesia se trata - é sempre uma forma de lhe reduzir o horizonte. E limitar a infinita comunhão de leitura a quem o lê. Pondo em risco os mecanismos subjectivos de associação e imaginação do leitor. E da sua própria experiência pessoal.
A poesia de Emily Dickinson não é fácil. Não tem, pelo menos, a linearidade sábia e resolvida de grande parte dos poemas de Robert Frost, por exemplo.
Dito isto, eu acrescentaria apenas, para quem não saiba, e a propósito deste poema (ou quadra), que traduzi, que Emily Dickinson era uma mulher profundamente religiosa. E praticava.

Revivalismo Ligeiro XCIX

Uma associação improvável, esta, de 1963. Com música de Mikis Theodorakis, letra de William Sansom, cantam The Beatles.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Divagações 74


As gamboas já chegaram, a semana passada, e a marmelada já está feita - foi quase um dia de trabalho para a HMJ. Agora falta só esperar pelos frutos secos: castanhas, nozes, pinhões. E pelos afogueados diospiros, vermelhos ou translúcidos, de veios amarelados.
As camisas de manga curta são substituídas pelas de manga comprida, os casacos ficam à mão, nos guarda-vestidos; a lã, gradualmente, vai ocupando o lugar do algodão - vamo-nos preparando para enfrentar o Inverno. Mas é pelo Outono, já começado, que a palavra melancolia ou nostalgia se insinua, por causa desses dias de Sol, já extintos, do Verão. A chuva regressou e a luz é quase só penumbra pelo interior das casas.
Por vezes é difícil situar ou datar o nascimento de uma palavra. Não será o caso do neologismo nostalgia, que nasceu no ano já distante de 1688, numa dissertação (Dissertio medica de Nostalgia oder Heimweh) apresentada por Johannes Hofer (1669-1752), na Universidade de Basileia. O então futuro médico, suíço, criou o vocábulo para caracterizar o estado de espírito doentio que dominava os jovens soldados helvéticos que combatiam longe de casa, e tinham saudades.
A palavra é formada por 2 étimos gregos: nóstos (reencontro/ regresso a casa) e álgos (dor, sofrimento), segundo apurei. Só não consegui saber se, a primeira vez que foi escrita e dita, terá sido no Outono desse ano de 1688...

A par e passo 109


Viver, note-se, apesar da opinião bastante difundida, apesar da impressão que nos fornecem, sobre a vida, os jornais, os teatros e os romances, viver é uma prática essencialmente monótona. É um pouco ambiguamente que se diz de um espectáculo ou de um livro que ele é vivo quando ele se apresenta bastante desordenado, nos surpreende com imprevistos, com espontaneidade, com aspectos fulgurantes, com efeitos que nos emocionam. Mas isto não são senão características superficiais, flutuações da sensibilidade, porque o suporte destas aparências, a substância destes incidentes é um sistema de períodos ou de ciclos de transformações, que se cumprem fora da nossa consciência e geralmente na penumbra da nossa sensibilidade.

Paul Valéry, in Variété III (pg. 211).

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pequena história (31)


Tendo, ambos os livros, um cenário natural poderoso, e Blaise Cendrars (1887-1961) ter sido tradutor, para francês, de Ferreira de Castro (1898-1974), sempre pensei, até há pouco tempo, que "A Selva" (1930) tivesse sido escrito antes de "L'Or" (1925). Estava enganado. Esta ideia radicava, fundamentalmente, em eu saber que Cendrars tinha feito uma excelente tradução da obra-prima do escritor português, em 1938, para a Grasset. De tal modo a versão era primorosa que, com a sua crua mordacidade habitual, Almada Negreiros teria dito, ao ler a tradução de Cendrars, que seria óptimo que um bom tradutor pusesse em português a versão do escritor suiço, naturalizado francês... Um exagero, de facto!
Quer "O Ouro", de Blaise Cendrars, quer "A Selva", de Ferreira de Castro, são momentos altos da literatura universal.

Nota: o livrinho, em imagem, é o número 71 da Colecção Miniatura, traduzido por Freitas Leça (Mécia de Sena?), com capa de Bernardo Marques. O retrato de Blaise Cendrars é, visivelmente, de Modigliani.

Tielman Susato (1500-1561)


domingo, 5 de outubro de 2014

Heidegger, prós e contras


A figura de Martin Heidegger (1889-1976) continua a ser polémica e a despertar paixões, sobretudo pela sua adesão e ligação ao nazismo, durante os anos 30, que o filósofo alemão nunca explicou suficientemente, bem como pelos fundamentos das suas teorias filosóficas.
Este interesse apaixonado, que se acentuou recentemente com a saída dos seus "Cadernos Negros", em França, justifica que o jornal Le Monde (26/9/14) lhe consagre duas páginas inteiras, com depoimentos de cinco colaboradores e analistas.
Independentemente de eu não tomar posição, por insuficientes conhecimentos pessoais e próprios, não quero deixar de traduzir um pequeno excerto da análise de Jean-Marc Mandosio (1963), ensaísta e tradutor, que segue:
"...O problema principal é evidentemente que a filosofia de Heidegger é feita em grande parte de jogos de linguagem e revela-se de uma extrema pobreza: por trás do jargão heideggeriano, as suas interrogações, inçadas de citações poéticas, e as suas etimologias fantasistas que fazem derivar o alemão do grego, não têm muito de sério nem de consistente. ..."