quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O polvo, as lulas e os choquinhos


"... A escala da sua supremacia é notável, o Google controla mais de 90% do tráfego dos motores de busca na Europa e 88% na América; o Youtube, detido pela Alphabet, é o maior difusor de música no mundo; a Amazon recolhe mais do que metade dos dólares gastos online; o Facebook, tendo absorvido os competidores, tais como o Instagram e o WhatsApp, detém 77% de todo o tráfego de redes sociais, e recentemente alcançou 2 biliões de membros. Com a Apple e a Microsoft, estas são agora as 5 maiores companhias no mundo. (...) Em conjunto, elas gastam em lobbies governamentais mais do que os 5 maiores bancos ou as 5 maiores companhias petrolíferas. ..."

Samuel Earle, in TLS (November 17 2017).

Considerandos e consolação


Todos os anos, por esta altura, o TLS dedica algumas páginas a depoimentos de críticos, escritores, ensaístas e tradutores, de reconhecido mérito, para que se pronunciem sobre os melhores livros que saíram ou que eles leram durante o ano, e que consideram de maior interesse ou qualidade. Cumprindo a tradição, o penúltimo TLS (nº 5981) recolheu testemunhos de 63 personalidades muito diversas, ligadas às Letras.
E todos os anos, com alguma curiosidade, eu procuro descobrir minuciosamente se há algum nome português. É raro. E este ano não foge à regra. Indirectamente, no entanto, é referido um livro que também aborda o colonialismo português (Europe after Empire: Descolonization, society; and culture), entre outros (inglês, francês, belga e holandês) colonialismos.
O livro mais referido, pelos depoentes, é A Legacy of Spies, de John Le Carré, que eu li em tradução portuguesa e não me entusiasmou por aí além. Por outro lado, há inúmeras referências a livros do passado e autores já falecidos, como se houvesse uma fuga para trás, por desilusão com o que se publicou recentemente. Joseph Conrad, Evelyn Waugh, e até o Memorial de Santa Elena, de Las Casas, passando por Machado de Assis e Antonio Machado, merecem pareceres elogiosos, no TLS.
E, no meio disto tudo, para colmatar a lacuna portuguesa, eis que me aparece a imagem de uma obra de Joana de Vasconcelos, numa das últimas páginas do TLS!? Rejubilei. Embora fosse apenas para iconografar uma recensão a um livro que aborda o problema da religião, na Irlanda. Mesmo assim...

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Do que fui lendo por aí... 15


O que torna difícil para um poeta não dizer mentiras é que, em poesia, todos os factos e todas as crenças deixam de ser verdadeiros ou falsos para se transformarem em interessantes possibilidades. O leitor não é obrigado a partilhar as crenças expressas num poema de forma a fruí-lo. Sabendo isto, um poeta é constantemente tentado a fazer uso de uma ideia ou crença, não porque acredite que ela é verdadeira, mas porque ele vê que ela traz consigo interessantes possibilidades poéticas.

W. H. Auden, no prefácio a The Dyer's Hand (pg. 18).

Schumann / Bashmet / Mutian

René Char (1907-1988)


Quem não terá sonhado, ao vaguear pela avenida das cidades que, em vez de começar pela palavra, tudo tivesse início pelas intenções?
...
O exercício da vida, alguns combates com desfecho insolúvel mas por motivos válidos, ensinaram-me a olhar o ser humano sob um ângulo de céu cujo azul de tempestade acaba por lhe ser o mais favorável.


René Char (1907-1988), in Lettera amorosa (pgs. 30 e 38).


estas versões são, particularmente, para H. N. que, há muito, me ofereceu este lindíssimo livro.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Desabafo (30)


Dizia-me, há que tempos, um bom amigo, com sapiência e ironia, que era uma sorte um artista canastrão chegar a ser muito velho, a propósito de um ex-actor (mediocre) de teatro que inundava as telenovelas dos canais portugueses, nessa altura. E acrescentava, com bonomia: "É que a gente habitua-se..."
Porque todos temos um prazo de validade, útil e digno. Prolongá-lo e alargá-lo, em excesso, é sinónimo de cupidez ou estultícia. Mas compreendo que o vil metal fale mais alto, sobretudo em mentes que vão degenerando e perderam, de todo, o frescor e originalidade da sua juventude.
E as luzes da ribalta sempre fascinaram. Quando não cegam...

Pinacoteca Pessoal 131


Pintor de entardeceres, ou melhor, de anoiteceres brumosos e paisagens de largos horizontes, o inglês Atkinson Grimshaw (1836-1893) privilegiava nos seus quadros a proximidade dos cais, ruas nevoentas e ribeirinhas, nimbadas por uma luz crepuscular que instala, em muitas das suas obras, uma sugestão de melancolia outonal.



Tendo iniciado a sua vida profissional como mero funcionário dos Caminhos de Ferro britânicos, na esteira tradicional do pai, cedo contrariou o seu progenitor, pela forte vocação que o arrastava para a Pintura, a que veio a dedicar-se, inteiramente, até à morte.



Influenciado, a princípio, pelos Pré-rafaelitas, de pronto ganhou voz própria e estilo marcante, em tema e cores, facilmente detectáveis nas suas telas muito originais. Como poderá notar-se pela primeira imagem do quadro (Cais de Liverpool), que pertence à Tate Gallery.



Algumas das suas paisagens parecem pressagiar, embora em tom mais discreto, algumas obras recentes de Hockney. O perfeccionismo da obra de Atkinson Grimshaw despertou a admiração de Van Gogh, que a ele se referiu na correspondência ao seu irmão Theo.

domingo, 26 de novembro de 2017

Em sequência legítima...

... embora desinquietante, talvez, para esta manhã de Domingo silenciosa e calma, soalheira...

Memórias da velha e pérfida Álbion


Em 1985, era Setembro, na modulação final da minha cristalização de gosto musical - reduto que, escassamente, foi perturbado depois -, em Queensway (Londres), havia ainda uma loja de discos, fulgurante. E eu já tinha ido para além de The Beatles, e procurava as últimas gravações de Tina Turner. O meu filho mais velho andava, então pelos Kraftwerk, muito naturalmente nessa décalage salutar de gerações. Quando lá entrámos, cada um se ocupou, na altura, das "bem querias" de que falava o bom velho Sá...
Acontece que, caída ou roubada, uma nota de 20 libras saíu, sem querer, de uma das nossas algibeiras diminuindo-nos o património familiar. Foi aí que, para restabelecer o equilíbrio das finanças, mais tarde em Greenwich, eu entrei numa agência bancária para trocar escudos portugueses por libras inglesas. Em abono da verdade, essa dependência bancária tinha ainda todo o ar pomposo e respeitável da época victoriana. Mas para ser justo, foram muito mais rápidos na operação de câmbios do que, em Portugal, para trocar as divisas, antes de eu iniciar a viagem para a Inglaterra.
Imagine-se o inimaginável:  uma atmosfera, qualquer coisa comparável por entre Charles Dickens e o Speedy Gonzalez...

sábado, 25 de novembro de 2017

Variações


Nomes e apelidos


Um apelido, normalmente, cuida-se, cultiva-se e conserva-se. Está muitas vezes colado à pele. Um nome pode ganhar outra liberdade, mas revela também um ADN. E um gosto paterno, normalmente, que a mãe na altura do registo ainda está de cama, quase sempre. Pode indiciar um afecto, cultura, uma tradição familiar, um amor antigo sibilino e secreto. Mas pode vir a ser um anátema, no futuro da criancinha.
E também pode revelar um incrível mau gosto. Não me passaria pela cabeça registar, uma filha que tivesse tido, com o nome de Leonete. Ou Vanessa, a tal vanessinha de que fala o António Variações na sua canção dirigida à Maria Albertina. E isto, porque mesmo tendo-se nascido em Vila Verde, podemos ter sentido crítico e do ridículo, bem como algum mundo mental, para além das telenovelas do costume.

Citações CCCXXXI


Nenhum escritor pode julgar, em bom rigor, se um seu trabalho é bom ou mau, mas ele pode vir a saber, não imediatamente talvez, e dentro de pouco tempo, se algo do que escreveu é autêntico - no seu íntimo - ou falso.
...
A mais penosa de todas as experiências para um poeta é descobrir que um poema seu, que ele sabe que é falso, agradou ao público e até foi incluído em antologias. Porque, apesar de saber e pensar, que o poema pode ser razoavelmente bom, não é essa a questão; é que ele não o devia ter escrito.


W. H. Auden, in The Dyer's Hand (pg. 17).

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Memória (118)


Não dei, por entre tanto noticiário habitualmente inútil entremeado de minudências domésticas e regionais, por que se falasse, a 9 de Novembro, da passagem do cinquentenário da morte do grande tenor português Tomás Alcaide (1901-1967) que, mesmo lá fora, grangeou respeito e admiração.
Venho aqui reparar a omissão, quinze dias passados, arquivando no Arpose, uma sua interpretação de uma ária da ópera "Os Pescadores de Pérolas", de Georges Bizet. 
(Embora a gravação do vídeo não seja das melhores.)

Apontamento 108: Afinal, são os países do Sul a dar lições

[Tempo das conversas a sós ...]

Com medo de novas eleições e, sobretudo, esta incerteza quanto a um novo governo alemão que aliás, e também ao contrário dos “pigs”, costuma levar bastante tempo para se concretizar. Deve ser um mal de um centrão: Alemanha, Bélgica e Holanda formam um novo governo quando os cidadãos já se esqueceram das eleições.
No entanto, desta vez e depois do falhanço das negociações para uma coligação um pouco estranha, lá estão os alemães preocupadíssimos, como se vê pela informação da estação televisiva de referência, a Tagesschau:
“In Spanien hat sie jahrelang funktioniert, in Portugal arbeitet sie erfolgreich, und in Skandinavien ist sie quasi politischer Alltag: die Minderheitsregierung. Wie funktioniert sie und wäre eine solche Konstellation auch für Deutschland denkbar?”
Von Oliver Bilger für tagesschau.de

Em síntese, diz o senhor Bilger que, afinal, Portugal até “TRABALHA COM MUITO ÊXITO” numa solução de governo minoritário. Quem diria ??? Um país do Sul a dar lições à “grande” Alemanha.

Fico contente com esta abertura de espírito. É uma lufada de ar fresco !

Post de HMJ

As palavras do dia (32)


"... E o Google ensina-nos que a democracia digital se baseia em filtros e algoritmos que permitem deduzir a opinião da maioria e empurrar para zonas invisíveis o que é minoritário. ..."

António Guerreiro, in O monstro cibernético (jornal Público, de 24/11/2017).


Comentário pessoal: ao Poder interessa sobretudo padronizar, para melhor arrebanhar os carneirinhos.

Desconversando


A produtividade do trabalho intelectual raramente compensa, nem a boa vontade, de cujas intenções está o inferno cheio. Deus, no entanto, transformou o nada em tudo, durante apenas uma semana (depois de ter criado o tempo finito?), num recorde de produção divina, impaciente.  Ou, talvez, num desespero de solidão metafísica. Compreensível, aliás, para um sem-familia.
Depois, descansou eternamente, ao que parece.
E vai-se vendo, sobretudo, após o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim - tudo tem aquecido imenso. E a chuva, caprichosa, faz negaças, continuamente. É o diabo! - como dizia o outro.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Para a cabeça


Por entre o cartaz e o bilhete-postal utilizável, duas formas de publicitar coberturas para a cabeça: o boné e o chapéu. Serão de anos próximos, muito embora a imagem do cartaz francês, na sua simplicidade essencial, denuncie a estética do traço profissional de quem o fez. É mais modesto, de ambição, o reclamo do chapéu português (que agrega ainda publicidade a uma marca de calçado), não deixando de ser curioso e definir uma época, que se deverá situar por entre os anos 30 e 40 do século passado.


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Música

Este segundo movimento da Suite BWV 1068, de Bach, quase toca aquilo que imagino ser o sublime. Tudo depende dos intérpretes. Creio que os Voice of Music cumprem, pelo menos, bem.
Aqui fica (pela segunda vez, no Arpose), no Dia Internacional da Música.

Afinidades


Estas fotografias da norueguesa Hebe Robinson (1970) pertencem a um ciclo sobre Lofoten (Echoes of Lofoten), pequena área isolada da Noruega. A artista sobrepôs, sobre paisagens desertas e naturais da região, pequenas fotos de personagens humanas de há mais de 60 anos. Gostei muito do resultado obtido. 
Mas uma destas fotografias (a primeira) tem, por trás, uma explicação, de como eu cheguei até ela.
A única maneira de aderirmos por inteiro a uma ideia é concebermo-la nós próprios. O mesmo poderá acontecer com um cozinhado, a que demos um pequeno toque pessoal de gosto: nas omoletas, costumo ripar em tiras duas ou três folhas de hortelã, por exemplo...
Quem quiser, também, um blogue a seu modo, tem de o fazer. Não quero dizer com isto que eu não tenha afinidades com os blogues que acompanho. Mas nem sempre estou com eles, de alma e coração, inteiramente. Com alguns, estou mesmo muito próximo. Mas são poucos. Razões de sentido crítico, tom, enquadramento da estética iconográfica, temas tratados, excesso de imagens em prejuízo de texto num neo-riquismo visual desabusado, às vezes, me separam.
Ora, de há uns dias a esta parte, o Arpose tem recebido um(a) visitante que lhe chega por via de um outro blogue que segue o nosso. Por curiosidade, fui lá, a esse blogue, e as afinidades eram muitas e próximas, excepto  talvez nas escolhas musicais - questões geracionais, provavelmente... Mas em quase tudo o resto, havia sintonia: em poesia (António Reis, por exemplo), em prosa (citações do Desgraça, de Coetzee), a leitura referenciada do TLS, o sentido crítico da ficção escrita do(a) autor(a), o bom gosto estético geral desse blogue que, infelizmente, foi de curta duração, mas de grande qualidade e coerência. Não lhe vou referir o nome por discrição. Mas reproduzo essa tal fotografia de Hebe Robinson, que lá descobri, ao cimo deste poste.
Acrescentando uma segunda foto que, essa sim, fui eu a escolher. 
In memoriam de um(a) Blogger anónimo(a) e desconhecido(a).


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Atrás de grades...


Não passará despercebida, a quem passar pela rua de S. José (Lisboa), um árvore insólita engaiolada numa estrutura metálica. É um dragoeiro, planta tão ou mais velha que as figueiras e oliveiras, na história do mundo, mas muito mais rara em Portugal. Mercê de umas obras de Santa Engrácia, que se eternizam nessa rua, a árvore foi protegida para lhes sobreviver (?), entretanto, e enjaulada.



Num dos seus passeios lisboetas, HMJ colheu este instantâneo pitoresco da base de uma grande árvore, no Jardim de Santos. As raízes, à superfície, lembram répteis fossilizados pela sua imponência e gigantismo. E graças à perspectiva das grades do jardim também parecem ter sido enjaulados.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Mais um Fado

Este fado, algo insólito e heterodoxo pelo tema, com letra de Gabriel de Oliveira sob mote e versos de Augusto Gil (1873-1929) e música de Frederico de Brito, dá pelo nome de Maria Madalena. É, de algum modo, o contraponto lisboeta do Samaritana, fado de Coimbra (com letra de Álvaro Cabral) que, até 1974, estava proscrito das serenatas públicas na cidade do Mondego. Só se podia ouvir no recato das Repúblicas conimbricenses - onde a Censura não entrava - como de facto o ouvi por duas vezes, pelo menos. Por ser um dos meus poucos fados-fetiche, arquivei-o no Arpose, em poste de 12 de Agosto de 2010.
É tempo, no meu entender, de dar voz a Lucília do Carmo (1919-1998), nesta belíssima interpretação de Maria Madalena, incluindo-a no Blogue.

domingo, 19 de novembro de 2017

V. A.


Vale bem a pena acompanhar, mesmo que à distância, as novas produções que as Porcelanas Vista Alegre vão criando, engenhosamente, ao longo do tempo. As suas montras, ao Chiado, são sempre um motivo de alegria, júbilo e prazer estético para o olhar - mesmo que não entremos para comprar. Marca nacional de prestígio, mesmo além fronteiras, criada em 1824, está prestes a completar o seu bicentenário.



Este encarte, de que reproduzo algumas imagens, não é já muito recente. Mas este Veado Vermelho, com uma produção de apenas 190 exemplares, é um fino exemplo da qualidade dos produtos da Vista Alegre.
Acresce a particularidade de eu só há poucos anos ter sabido que as presas dos veados caíam e se renovavam, de tempos a tempos. Renovo e re-criação de que também as Porcelanas Vista Alegre são um magnífico exemplo.


"Presunção e água benta, cada um toma a que quer"


Em abono da sua qualidade artística, embora com uma ponta de ironia, em 1977, o actor norte-americano Joseph Cotten (1905-1994) afirmava:
"Orson Welles considera Citizen Kane como o seu melhor filme, Alfred Hitchcock opta por Shadow of a Doubt e Sir Carol Reed escolhe The Third Man - e eu estou em todos eles."


sábado, 18 de novembro de 2017

Do que fui lendo por aí... 14


O aprendiz de versinhos martelou o seu poema e atramancou-o o melhor que sabia e podia: juntou tábuas e imagens, polvilhou-o de sugestões levemente picantes, que ele achou sensuais, mas que eram pobrinhas, apenas, e ingénuas; e colocou-o no seu blogue (agregado às centenas que lá tinha), junto com uma gravura de mau gosto de um vulto soltando um pássaro bisnau, em fundo escuro...
Depois, vieram dezasseis comentadeiras, mais um comentador, e todos eles acrescentaram, de comentário emotivo, uma pretensa metáfora - é certo que cada vez mais pobres - com mensagens salvíficas de esperança ou máximas supinas de intenção moralizadora, em forma de versinhos em prosa, foleiros. Glosaram até à exaustão possível os versinhos e mandaram beijinhos repenicados de ternura, no final.
Silencioso, e satisfeito, o aprendiz de versinhos recostou-se na cadeira e começou a ser feliz.


Nota pessoal : desculpem-me a maldade, porque hoje é sábado...

Revivalismo Ligeiro CCLXXIV

Um sucesso dos anos 30 italianos, interpretado por Carlo Buti (1902-1962), que eu  me fartei de ouvir nos anos 50/60, e que Pavarotti ainda interpretou nos anos 90, com agrado do público, em Nova Iorque.
Mas que bela voz tinha Carlo Buti!...

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Divagações 127


Era Harold Bloom que falava da angústia da influência, querendo dizer que nenhum artista se pode libertar, inteiramente, da herança de outros, por muito original e inovador que seja. E a afirmação tanto poderá servir para escritores, poetas, como para escultores e pintores. Mesmo para outros artífices de profissão mais modesta.
O tema insólito e anódino de uma carcaça de animal abatido, para consumo, que, aparentemente, não apresenta nem desperta grandes sentimentos estéticos, foi usado por dois pintores, muito diferentes, com um intervalo de quase 300 anos. Rembrandt (1606-1666) pintou o quadro (carcaça de bovino) entre 1640 e 1645; a tela de Soutine (1893-1943) foi executada (neste caso, a carcaça de um cavalo) em 1925.


Uma fotografia, de vez em quando... (95)


Era uma vez, assim... antes do Sol nascer, aí pelas 6h45, em Lisboa.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Recomendado : setenta e dois - Óscar Lopes


Lançada no mês passado de Outubro, em homenagem a Óscar Lopes (1917-2013), pela passagem do centenário do seu nascimento, esta fotobiografia (Óscar Lopes - retrato de rosto), orientada por Manuela Espírito Santo, sob o patrocínio da Câmara de Matosinhos, é um documento precioso. Não só pela copiosa iconografia, mas também pela correspondência de e para Óscar Lopes, reproduzida. E pelos testemunhos muito diversos e importantes, aí inseridos.

agradecimentos fraternos a A. de A. M..

Bach / Tyler

arte menor (27)


Propósito


Reentrar na quietude da paisagem,
moldura serena do verde e das casas
que desistiram da viagem
e abandonaram as aves ao seu curso
de aventura irregular pelo infinito.



Sb., 29/10 - Ch., 15/11/2017