quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quadra solta de um fado perdido

Cobriu-se de névoa o rio,
de cinzento o fim da tarde
e, meu amor, quanto ao frio
que a memória te guarde.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Adagiário LXX


1. Barbeiro novo aprende nas barbas do tolo.
2. Aurora ruiva, ou vento ou chuva.
3. Aranha fora do aranhal, temos chuva ou temporal.
4. Azeite de riba,  mel do fundo e vinho do meio, aceita-se sem receio.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fragmento de 1 poema de Herberto Helder


...
Idade sem amor bloqueada pelo êxtase
do tempo. Fria.
Com a cor imensa de um símbolo.

Eu trabalho nas luzes antigas, em frente
das ondas da noite. Bato a pedra
dentro do meu coração. Penso, ameaçado pela morte.
E uma raiz séca, canta-se
no calor. É uma idade cor da salsa.
Amarga. Imagino
dentro de mim.Trabalho de encontro à noite.
Procuro uma imagem dura.
...

Herberto Helder, in A Faca não corta o Fogo (pgs. 25/26), Assírio & Alvim, 2008.

Lisboa - Rão Kyao

Impromptu

Há músicas, há locais e cheiros que, de repente, nos incendeiam a memória com um rosto  iluminado, um delta  negro, uma frase gravada em pedra, num momento intenso, mas melancólico, que pertence ao passado.
Não saberemos explicá-lo, nunca. Porque quando aconteceu não lhe demos a importância que, depois, veio a ocupar na nossa vida, para sempre. Como disse Pascal: "O coração tem razões que a razão desconhece."

Mercearias Finas 37 : gastronomia queiroziana


Publicado já postumamente, "A cidade e as serras" de Eça de Queiroz, é porventura um dos romances do Autor em que mais se fala de comida e vinhos - rústicos e refinados. Reli-o recentemente e re-gostei. Retive alguns episódios saborosos, nomeadamente, Eça falar de Camilo pela voz de uma personagem (pg. 295, da 9ª edição, da Lello, 1924), referir um provérbio ("Em Janeiro mete obreiro, mês meante que não ante.", pg. 271) que eu desconhecia, mas sobretudo a inúmera gastronomia que perpassa pelo romance. Vou referir as viandas, a benefício de inventário, começando pelo princípio, ou seja, as:
Entradas - Salada Chambord, Ortolanas geladas e Ostras de Marennes (estas 2 últimas muito apreciadas por François Mitterrand).
Sopas - Canja de Galinha,  consomé frio com trufas e Caldo de Galinha, com fígados e moelas.
Pratos principais - Peixe assado da Dalmácia (que dá origem ao rocambolesco episódio do ascensor avariado, no nº 202 dos Campos Elísios), o célebre Arroz de Favas, aquando da chegada nocturna a Tormes de Jacintho e Zé Fernandes; e ainda o Frango com Túbaras, Filetes de Veado macerados em Xerez, Cabrito Assado em espeto de cerejeira,  Lagosta, Pato com pimentões, Cordeiro Barão de Pauillac, bem como os lusos Bifes de cebolada e os Ovos com chouriço.
Sobremesas - Morangos gelados em Champanhe e "avivados com um fio de éter" (pg. 128), Arroz doce, Laranjas geladas em éter, queijos: manchego, Camembert e Rabaçal.
Vinhos - Madeira, um Porto (particular) de 1834, Chablis, Bordéus, Borgonha, Barsac, Château-Yquem (ainda hoje célebre, muito apreciado e caro), Médoc, Château Lagrange, Champanhe St. Marceau; dos espanhóis: Amontillado e Rioja. E, para rematar, Aguardente Chinchon.
Devo dizer que não fui absolutamente exaustivo...

para MR, cordialmente.

Astrologias (4) : Virgem


De uma maneira geral, os nativos do signo da Virgem têm aspecto tranquilo e cordato (Adriano Moreira), embora distante e frio. Muito raramente, podem ter feitio crispado (José Sócrates) e algo agressivo. Politicamente são, quase sempre conservadores (Paulo Portas), mas têm o verbo fácil, embora lógico e ordenado, graças a Mercúrio, patrono do signo da Virgem, e de Gémeos. As mulheres, quando bonitas, possuem uma beleza serena e misteriosa (Greta Garbo, Ingrid Bergman, Lauren Bacall), sendo discretas, pouco frequentemente exuberantes (Sophia Loren). Os nativos da Virgem têm um temperamento crítico, analítico ao extremo (a ponto de poderem ser muito picuínhas). Organizados, perfeccionistas (Goethe, Oliveira Marques), sempre atentos ao detalhe, podem também ser chefes e políticos notáveis (Richelieu, Luís XIV, D. Pedro V). Raros romancistas, poucos poetas (Camilo Pessanha, Alberto de Lacerda). Ponto sensível do corpo: os intestinos. Países sob o signo da Virgem: Brasil e Suiça; cidades: Paris, Los Angeles, Jerusalém. Curiosamente, Yasser Arafat também era deste signo.

Regionalismos Minhotos (5)

Do mesmo livro já referido, anteriormente, de M. Boaventura, transcrevem-se mais 5 regionalismos minhotos:
1. Alcafurra - Alfurra, monturo, pocilga.
2. Altor -Altura (Francisco de Morais usa-o no "Palmeirim de Inglaterra", séc.XVI).
3. Amadornado - Mal disposto, adoentado.
4. Amarruado - Corcovado, que tem corcunda; agachado.
5. Amouchar - Sentar-se em mocho ou banco (também conheço a palavra com o significado de: desistir, dar-se como vencido).

domingo, 11 de setembro de 2011

Pinacoteca Pessoal 18 : Roger van der Weiden


Tenho pouco a dizer sobre este quadro que aprecio particularmente, e que representará S. José. Está no Museu Gulbenkian e terá pertencido a um tríptico. O olhar preocupado ou sério de S. José, o elemento gótico do cenário e a luminosidade da paisagem contribuem entre si para uma harmonia especial. De que gosto muito.

Uma colaboração forçada (mas autorizada)


Ainda há quem escreva aos familiares e amigos, classicamente, preto no branco em postais e cartas. Mas são excepções sobreviventes e raras. De Gand, recebi de um Amigo, um postal, recentemente. (Tenho pena de não poder reproduzi-lo, mas tenho as "ferramentas tecnológicas", parcialmente avariadas: scanner, computador principal - daí também a diminuição de actividade no Arpose.) Mas o texto do postal é tão saboroso que não resisto a reproduzi-lo (com autorização do autor e Amigo). Segue, portanto:
"Mon cher Albert, (e rima)
eis-nos em contagem decrescente para partir destas bandas onde somos amesquinhados. Eles/elas são altas e loiras como girassóis e quando passam encho o peito de ar e endireito as costas - mas já não vai lá - não para que olhem para mim mas pela emoção de olhar para elas, que às vezes vêm bicicletando de saias curtas e sem frio que é bem um violento exercício oftalmológico.
Estou morto por voltar e tomar os cafés que me apetececerem. Cá têm que ser comedidos pois custam os olhos da cara...e não só: Em Bruxelas 2 chás, uma cerveja normal e uma wafel custam um bom jantar na pátria - como não nos havemos de sentir amesquinhados quando os/as vemos nas esplanadas beberricando o seu vinho, a sua cerveja, com as suas frittes? 1 abraço,
A...."

Luís Miguel Cintra


A propósito do lançamento de 3 discos em que lê textos seleccionados de Camões, António Vieira e S. João, Luís Miguel Cintra (1949) deu uma entrevista à P2, suplemento do jornal Público, que considero uma das melhores entrevistas que li nos últimos tempos. Tem coerência, sequência lógica e humana, e muitos motivos estimulantes de reflexão. Vou transcrever alguns excertos que me provocaram especial atenção e me fizeram reflectir. Seguem:
"- Desde sempre precisei de exemplos. De Santos. Do exemplo de vidas políticas. Voltadas para os outros e voltadas para Deus. A nós, menos grandes, e sobretudo já passada a idade de crescer, são quem nos defende do Mal, do cinismo.  (...)
"- O discurso de Vieira quando é lido é muito menos claro, tal como as canções de Camões. O texto é tipicamente barroco: a estrutura é muito funcional e, depois, está decorada com toda a forma de excessos adornando uma ideia límpida e fundamental, contida quase na própria epígrafe do sermão: « Pulvis est, et in pulverem reverteris» (és pó e ao pó tornarás). (...)
"- Gosto imenso da vida, mas tenho que me conciliar com a ideia que ela vai acabar. Só o consigo fazer se pensar que a vida não é só minha, mas a das outras pessoas todas." (...)

sábado, 10 de setembro de 2011

Luís Milan (c. 1500-1565?)


As americanices saloias


Já aqui falei (poste Genealogias do post-25 ..., de 23/8/2011) que se preparava, nos bastidores, o Crisma da Estação de Metro Baixa-Chiado, para mudança de nome. Achei surreal e de mau gosto, e se a informação não viesse, como era o caso, de fonte segura, eu não teria acreditado. Concretizou-se, afinal: no dia 8 ou 9 de Setembro de 2011. Esta gentinha vende tudo: os princípios, o nome, o corpo, o pensamento, a alma...
Já agora, demos o nome destes merceeiros pacóvios que concretizaram o negócio: o inefável Bava (PT) e Cardoso dos Reis ( um dos 5 ilustres administradores do Metro que, no Verão passado, deixou avariadas, durante  5 meses, as escadas rolantes da referida estação). Entretanto, e ao negócio, Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, concordou e aplaudiu de cócoras. Grandes artistas...
E, assim a Estação passou a chamar-se: Baixa-Chiado/pt/blue station.Como pode ver-se no logotipo que encima este poste, em imagem. Parece que vai seguir-se o Crisma da Estação de metro Marquês de Pombal. A menos que o Marquês, antes que isto aconteça, venha cá abaixo, e dê umas cachaporradas valentes a estes artistas venais, e os ponha fora da circulação desta tragicomédia miserável e saloia.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Olisipografia


A obra "Sumário em que brevemente se contam algumas coisas...que há na cidade de Lisboa" de Cristovão Rodrigues de Oliveira, impressa na segunda metade do séc. XVI, é um inventário minucioso das Igrejas e Capelas, das Freguesias e Ruas, das profissões que havia na urbe lisboeta. Bem como do número de artífices (masculinos e femininos) que as exerciam em Lisboa. Por curiosidade, vou referir algumas das profissões exercidas por mulheres e o seu número, retirando a informação do livro e respeitando a ortografia, em seguida:
"- Alfayatas mil E seiscentas E seis.
- Cerzideiras dezoito.
- Mulheres que fazem fruita da çucar setenta.
- Mulheres que fazem aletria vintoito.
- Cuscuzeiras vinte E tres.
- Parteiras vinte çinco.
- Enfermeiras dez.
- Merceeiras oitenta E hua.
- Mulheres sem officio duas mil." 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Revivalismo Ligeiro LIV : Lucília do Carmo (2)

Anteontem


O azul de um puro escuro rasga cruel, quase, a noite onde a lua vai crescente. Há quem tenha dois cães e os passeie agora, pela rua deserta. Eu ocupo, tranquilo, a mesa vazia: chávena almoçadeira, manteigueira, o iogurte tirado do frigorífico, a faca serrilhada para abrir o pão, o guardanapo e a colher. Com boa vontade e imaginação, de manhã, até posso sonhar que foram os anõezinhos de Colónia que fizeram o trabalho por mim, durante a noite. E que, agora, são eles que adormeceram - tão cansados que ficaram...

para HMJ.

Uma quadra não popular


Que segredo se esconde em tal cuidado
que seria mais secreto vir dizê-lo
do que sabê-lo apenas revelado
no discreto cuidado de escondê-lo.

António de Almeida Mattos, na colectânea Palavras de Cristal (2011)

Sobre as passas


Porque vem a propósito, está na altura de relembrar Fr. Theobaldo de Jesu Maria, autor de "Agricultor Instruido com as prevenções necessárias..." (1790), de quem já falamos aqui. Aí vai (pgs. 76/77) o capítulo X, intitulado "Do modo de guardar as uvas, e fazer as passas", sobretudo para quem queira "produzir" umas uvas passas artesanais. Segue:
"Antes de chover quando a uva não estiver demasiadamente madura, se colherão os cachos que estiverem sãos, doces, e rijos; e se dependurarão as résteas aonde corra vento de uma parte à outra, ou se porão sobre palhas de centeio postas sobre tábuas.
Para se passar se colherá a uva da mesma sorte em Agosto em minguante de Lua, e se colherá a uva grada e limpa antes que chova, e se deitará ao Sol sobre esteiras de funcho, e estando passada de uma parte, se voltará da outra."

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Giuseppe Verdi - "Aida"

Na Gulbenkian


Os jardins são, quase sempre, um lugar de encantamento, com os meandros e recantos, e também procurados pelos namorados para os seus oaristos. Quem, da minha idade, em Lisboa e na juventude, não terá ido, acompanhado, à Estufa Fria?, nem sempre por razões botânicas...
O Jardim da Gulbenkian é exemplar, a vários títulos. E foi por lá que passei até chegar à cabeça, em obsidiana, de Sanuseret ou Sesóstris III. Já não me lembrava deste fragmento da estátua do Faraó, que viveu no período da XII dinastia egípcia (entre 1872 e 1853 a. c.). É uma época em que os faraós já não são considerados deuses, mas apenas "pastores" do seu povo. Daí serem, muitas vezes, representados com um cajado (ou báculo), e a Arte dessa época ser mais realista. Não perdi muito tempo com os "pré-rafaelitas" de que já gostei, porque, hoje em dia, os acho demasiado "bonitinhos"... Nem com o Guardí. Mas estaquei um bom bocado, de frente para a cabeça de Sesóstris III, fascinado.

Com afectuoso agradecimento à N..

5 greguerías mais, de R. Gómez de la Serna


1. A água não tem memória: por isso é tão límpida.
2. O lápis escreve sombras de palavras.
3. As violetas são actrizes retiradas no Outono da sua vida.
4. O cervo é o filho do raio e da árvore.
5. O panegírico parece alimentício, mas não é.

Ramón Gómez de la Serna, in Greguerías (1940-1952).

domingo, 4 de setembro de 2011

Nortenhas e populares (quadras) 5


Da região de Amares (Minho) e retiradas da Monografia já referida, anteriormente, mais 3 quadras populares:

Se os beijinhos espigassem
Como espiga o alecrim,
A cara das raparigas
Era um formoso jardim.

Com pena peguei na pena
Com pena escrevi um S,
Com pena mandei dizer
Ao meu amor que viesse.

Dei um ai, tu não ouviste,
Dei outro, não deste fé:
O meu coração é teu,
O teu não sei de quem é.

O tempo que passa


Hoje ouvi, com um intervalo máximo de 5 minutos, na rua, o poético vocábulo: caralho, vindo de duas pessoas diferentes - já estou habituado. Já não me escandalizo. Aliás, não sou puritano.
Da primeira vez, o impropério vinha de uma cave obscura, cujo postigo esconso ia ao nível dos meus pés e não deixava adivinhar  o rosto do autor. Pelo tom de voz, audível, seria um homem de meia idade e sublinhava , com veemência, a falta de compromisso, por parte de outrém.
O segundo palavrão, pronunciou-o uma jovem rapariga, de corpo ginasticado e elegante, que ia à minha frente pela rua, falando ao telemóvel. Julgo que falaria com o namorado e queixava-se, com raiva, de alguma coisa. Ia fumando, entretanto. Cerca de 20 metros depois, atirou com o cigarro a meio, impaciente, para o chão.
Eu ia curvado pela comodidade, idade e circunstância, mas pensei que até os impropérios vão perdendo a força e a razão pela frequência com que são usados.

Recomendado : dezoito - Jácome Ratton


No passado e em leilões, por diversas vezes, tentei comprar o livro "Recordações de Jácome Ratton". Mas ia sempre a preços muito altos, e resisti. Na verdade, a obra, até finais do séc. XX, só tinha sido editada duas vezes: em Londres, a edição original (1813), e a segunda em Coimbra, no início do século passado. Jácome Ratton (1736-1821), nascido em França, e de pais franceses, fixou-se em Portugal, foi protegido do Marquês de Pombal, vindo a naturalizar-se português. O Marquês viu nele capacidades de dinamismo e realização para que fosse  um dos agentes da modernização industrial do país. E não se enganou. Provavelmente, já nessa altura, Portugal tinha falta de empreendedores ousados e dinâmicos. Mas com a "Viradeira", suspeitas de colaboracionismo com os franceses e invejas à portuguesa, em 1810, Jácome Ratton foi preso. Mercê das relações que tinha, foi libertado pouco depois, tendo seguido para Inglaterra, onde viveu até morrer, com 84 anos, com um filho que lá tinha. Foi assim que, com 80 anos, começou a escrever as "Recordações de Jácome Ratton", onde conta a sua vida e os sucessos que passaram por Portugal, na sua época.
O livro é agradabilíssimo de ler. O que estou a fazer, saboreando o gosto da sua leitura. É que, há dias, consegui comprar a obra num alfarrabista, na sua edição terceira, da Fenda, por preço módico. Foi publicada, em anos recentes, em edição fac-similada. Mais que não fosse (ainda vou nas primeiras páginas da leitura), o estilo vivíssimo das narrações, uma escrita muito pessoal, mas pitoresca e, sobretudo, a descrição do terramoto de 1755, vivido por Ratton, justificam a compra do livro. A não perder, absolutamente.

Carlos Seixas (4)

sábado, 3 de setembro de 2011

Salão de Recusados XXXVII : Francisco Xavier de Meneses


Vi que o favor da Corte era vaidade
achei no amor desdém, sustos e enganos,
gastei no estudo a vista, o gosto e os anos
encontrei inconstâcias na amizade.
Astúcias me ofenderam a bondade,
e o benefício ingratidões e danos,
teve o valor por prémio desenganos,
o conselho queixosos da verdade.
Julgou-se a cortesia abatimento,
chamaram lisonja ao que era agrado,
dissipou-se no gasto o luzimento.
Cortou-me a inveja o espírito elevado,
não sei se me ficou o entendimento
só para conhecer-me desgraçado.

Notas: o soneto transcrito acima tem como autor Francisco Xavier de Meneses (1673-1743), 4º Conde da Ericeira, que o terá escrito no final da vida. Foi presidente (1693) da Academia dos Generosos, cujas sessões tinham lugar no seu Palácio.
Na transcrição do soneto procederam-se a pequenas actualizações ortográficas.
O retrato que encima o poste representa D. JoãoV.

Citações LXXVI : Benjamin Franklin


"Se não quiseres ser esquecido, logo após a morte, ou escreves coisas que mereçam ser lidas, ou terás de fazer coisas que mereçam ser escritas."
Benjamim Franklin (1706-1790).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ruy Belo por Lula Pena

Curiosidades 41 : religiosas


Do livro "Diccionario de Invenções, Origens..." (1876), já aqui referido e da autoria de Alberto Pimentel (1849-1925), transcrevemos:
"Eminencia (Vossa). - Foi o papa Urbano VIII que concedeu aos cardeaes o tratamento de eminencia, a 10 de Janeiro de 1631; até então tratavam-se por illustrissimos. Ao depois o mesmo tratamento foi estensivo aos eleitores ecclesiasticos e ao gran-mestre de Malta.
Extrema-unção. - A instituição do quinto dos sete sacramentos da nova lei é mencionada em S. Marcos, Acto VI, vers. 13, em S. Thiago, Acto V, vers. 14. Na egreja grega, os padres simplesmente benziam do mesmo modo que os bispos, o oleo empregado na extrema-unção. No Oriente é necessaria assistência de 7 padres para que a administração d'este sacramente seja legal. A egreja latina reccomenda cinco unções para os cinco sentidos; mas uma só feita à cabeça basta para a validade do sacramento."

Aditamento (pessoal): ao contrário do que se julga, o mais curto papado não foi o de João Paulo I (1912-1978), que durou cerca de um mês; mas o do papa Urbano VII (1521-1590) antecessor, em nome, do papa referido na primeira curiosidade, e representado na imagem deste poste. O pontificado de Urbano VII durou apenas 12 dias, após ter sido eleito em conclave. Morreu de malária.

Adagiário XLIX : Setembro (3)


1. Por S. Gil (1), adoba o teu candil.
2. Setembro molhado, figo estragado.
3. Setembro é o Maio do Outono.
4. Pelo S. Mateus (29), pega nos bois e lavra com Deus.