Ouvi, ao vivo, pela primeira vez João José Cochofel (1919-1982) em Coimbra, no início dos anos 60, num colóquio promovido pela AAC, mas na qualidade de ensaísta. Como poeta, foi Mário Castrim (1920-2002) quem me chamou a atenção para o belo início do poema Quasi um epigrama:
Adolescentes que vão pelos caminhos,
tão seguros de si
e tão sòzinhos!
(...)
Lírico discreto, Cochofel, em poemas minimalistas de singular sensibilidade, teve alguma projeção, bem merecida, enquanto foi vivo, mas hoje, infelizmente, está muito esquecido.
Aqui deixo a imagem de uma dedicatória do seu livro Quatro Andamentos (1966) e ainda um poema dessa obra, do meu exemplar que tinha sido oferecido e pertencera, anteriormente, a Urbano Tavares Rodrigues e Mª Judite de Carvalho.
XIII
Canta, ó amargura,
grilo fértil do tempo.
Canta sem cessar
pela noite dentro.
Não fere os ouvidos,
cantiguinha mansa.
Rói na clausura
a alface da esperança.
Gosto de alguns poemas do Cochofel.
ResponderEliminarBoa noite!
Estamos em sintonia.
EliminarBoa noite.