segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Gerações


Alguns frutos aguentam-se bastante tempo em árvore, sem apodrecerem ou cairem. Os citrinos, por exemplo. Mas, verdadeiramente, eu não sei quando é que os limões param de crescer e amadurecer. Quando o amarelo começa a predominar totalmente sobre o verde, da sua superfície rugosa? Em Janeiro do ano a seguir à safra? Quando os rebentos das folhas, ainda tenras, começam a brotar, novamente dos ramos?
Consoante o clima, pode acontecer que, em Fevereiro, o limoeiro esteja nupcialmente florido de brancura e beleza. Em condições adversas de tempo, a floração pode ser mais tardia, porém.
Por isso me interrogo se devo cortar os 3 últimos limões da safra de 2018, para que a nova geração de 2019 comece a dar flor e fruto, sem a concorrência paterna ou a sobrecarga de frutos anteriores - se é que isso seja fundamental...

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Para ilustração da citação (abaixo) de F. Nietzsche...



...ora, experimentem ver o vídeo, sem música... Os executantes até parecem uns tolinhos.
E, já agora, desculpem a indigência sucinta da letra, se a ouvirem.

Nietzsche e a Dança


A Dança, por que Friedrich Nietzsche (1844-1900) se interessou, despertou-lhe várias reflexões curiosas. Talvez a mais dogmática tenha sido: que se deveria considerar um dia perdido qualquer dia em que se não dançasse ao menos uma vez.
Menos assertiva e propícia a fácil consenso foi a observação judiciosa e óbvia de que "aqueles que são vistos a dançar, poderão ser considerados loucos por aquele que não consiga ouvir a música."
Sendo que esta afirmação poderá ter um conceito mais alargado de metáfora...

Uma fotografia, de vez em quando... (119)


Homem de várias aprendizagens e ofícios, o galês Angus McBean (1904-1990) dedicou-se, a partir dos anos 30, mais exclusivamente à fotografia. Mas teve também algum sucesso com a produção de cartões de boas-festas, de índole surrealizante, que tiveram boa venda comercial e divulgação.



Se as suas fotos não incorporam grande inovação ou originalidade, os seus retratos de celebridades do século XX são marcantes e, alguns deles, singulares e icónicos. Audrey Hepburn foi um dos seus modelos preferidos, tendo-a fixado em instantâneo em que a sua beleza era ainda algo incipiente (1950).


Marlene e o casal Olivier, entre muitos artistas de cinema e teatro, não escaparam à sua objectiva, nem The Beatles, já nos anos 60.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Uma dupla de Classe, para o fim-de-semana



Nota: cerca de 40 segundos, no final do vídeo, são de aplausos. Quem o lançou, bem poderia ser mais poupado nas redundâncias inúteis...

P. S. final, com Fernando Echevarría (ao vivo)

Em anexo e geminação com a BNP...


São alguns dos primeiros livros de Fernando Echevarría, cronologicamente de 1958, 1963, 1974 e 1979. Se Tréguas para o Amor (Porto, 1958), obra que foi dedicada a Vitorino Nemésio e a Eugénio de Andrade, tem assinatura de posse manuscrita do poeta António Barahona da Fonseca (Maio 69), o livro Media Vita (Porto, 1979) ostenta dedicatória do Autor, para o autor destas linhas...



Finalmente, da prestigiada colecção Círculo de Poesia (Moraes Editores), imagem das capas de Sobre as Horas (1963) e A Base e o Timbre (1974).


Echevarría e Nemésio, na BNP


Para celebrar os 90 anos do nascimento de Fernando Echevarría (26/2/1929), a BNP tem uma pequena mostra da sua obra, patente ao público até 2 de Março de 2019. Sendo breve a exposição, sugere-se a visita às vitrines contíguas, na mesma sala, onde se expõem cartas, fotos de Vitorino Nemésio (1901-1978) e  de seus amores...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Obituário afectivo


Albert Finney (1936-2019) faleceu ontem.
Raros actores se me impõem acima do trabalho e da marca de realizadores, com antecipada garantia de qualidade. Finney era um deles.
A partir de Tom Jones (1963), pelo menos. Mas terei de acrescentar, ainda que muito selectivamente, Under the Vulcano (1984), The Browning Version (1994), Big Fish (2003) e o excelente desempenho do actor para a série televisiva Cold Lazarus (1996), com argumento de Dennis Potter.
Infelizmente, teremos de ficar por aqui...

Pinacoteca Pessoal 146


Tradicionalista no modo, a pintura do brasileiro Rodolfo Amoedo (1857-1941) situa-se por entre o Romantismo e o Neo-classicismo, quanto a escolas. Frequentou, na juventude, a Academia Imperial de Belas Artes e, de 1879 a 1887, fixou-se e estudou em Paris, onde teve por mestre Puvis de Chavannes (1824-1898).
Alguns dos seus retratos têm uma consistência estética notável.


As cores nas suas telas são suaves, normalmente, e os temas são clássicos, bíblicos, mas abordam também o indianismo brasileiro, de que o exemplo mais perfeito é o seu quadro intitulado "O último Tamoio", pintado em 1883.
Obras suas decoram também o Supremo Tribunal Federal e a Biblioteca Nacional do Brasil.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estéticas de outros tempos


Grande parte das capas dos livros, hoje em dia, são de um mau gosto horroroso. As editoras recorrem a bancos de dados de fotografias, na maioria dos casos, mas as escolhas concretas demonstram, à evidência, a falta de sentido estético dos seleccionadores gráficos (?). A menos que a exuberância berrante das cores e a infantilidade das imagens se destine a atrair a comunidade alargada e mais inculta da população - que, por aí, também anda muita gente mal vestida, embora, muitas vezes, bem adornada...


De 1957 a 1973, pelo Natal, a Estúdios Cor editava uns livrinhos para oferta. De grande apuro gráfico, as obrinhas (17, no seu total) são hoje muito procuradas. Com textos (contos, habitualmente) de escritores conhecidos, os pequenos livros foram ilustradas, nas capas e interior, com desenhos de alguns dos mais importantes artistas portugueses, da época: Maria Keil, Pomar, Sá Nogueira, Lima de Freitas, Cipriano Dourado, Carlos Amado...
No meu alfarrabista de referência, os 17 voluminhos estavam à venda, há dias, por 75 euros. Soube hoje que foram vendidos a uma senhora estrangeira, por certo conquistada pela beleza deles.
Por curiosidade bibliófila, posso informar que a BestNet tinha à venda a colecção completa, ao preço de 80 euros. Enquanto que a Frenesi, que normalmente se destaca nestes casos, os vendia por 280 euros.

endereçado a H. N., com estima.

O que é bom, vem ao de cima...



Esta canção de 1963/4, da autoria de Chuck Berry (1926-2017), foi ressuscitada e repescada por Tarantino, numa cena icónica e inesquecível do filme Pulp Fiction (1994). Merecidamente, aliás...

Citações CCCXC


O amor é uma erva espontânea e não uma planta de jardim.

Ippolito Nievo (1831-1861), in Confessioni di un Ottuagenario.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Aditamento : ainda no rescaldo de leitura da correspondência Camus / Casarès


Muitos dos nossos ódios de estimação são difíceis de explicar. Viscerais e, muitas vezes, puramente instintivos, sem fundamento concreto e racional, para os outros.
Na troca de correspondência entre Camus e Casarès, ressaltam várias antipatias expressas. Maria Casarès refere várias vezes a escrita pretensiosa de Margarite Yourcenar e o tédio que está a sentir, bem como a dificuldade que está ter com a leitura de Memórias de Adriano. Curiosamente, já René Char, grande amigo de Camus, antipatizava muito com o estilo literário da escritora belga...
Quanto a Albert Camus, ele expressa, depreciativamente, a pobreza dos diálogos de Georges Simenon.
Para memória futura, aqui ficam estes dados e sentimentos negativos que me parecem injustos. E meramente emocionais.

Curiosidades 71


Ler correspondência amorosa alheia tem qualquer coisa de devassa ou de pecaminoso, muitas vezes. Entrar numa intimidade apaixonada, faz-nos sentir culpados dessa intrusão importuna, que os amantes, se fossem ouvidos antes, por certo não permitiriam e achariam, no mínimo, despropositada e deselegante.
Pois, tenho vindo a ler Correspondance / 1944-1959 (Gallimard, 2017) que compreende as cartas trocadas entre Maria Casarès (1922-1996) e Albert Camus (1913-1960), no decurso da sua relação amorosa. Mais ancoradas no real, as missivas de Casarès, mais intelectuais, as de Camus.
Não farei transcrições de sentimentos, nem de derrames emotivos. Mas, no decurso da leitura, apercebi-me que havia apenas referência a um nome português, aliás gralhado: Amalia Rodriguez (sic). Essas linhas elogiosas surgem na página 1067, em carta de 24 de Abril de 1956, de Camus para Maria Casarès.
Passo a traduzi-las:

"Sábado, a Virgínia tirou-me da sonolência 1) para ir ouvir Amalia Rodriguez cantar fados no Olympia. Admirável criatura, poética, apaixonada, e eu vim de lá completamente conquistado. É preciso comprar os seus discos. Mas faltará uma presença, que é a sua!"


com os maiores agradecimentos a MR.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Xácaras



Talvez o título não seja de todo apropriado, porque lhe falta o Cante. Acresce o facto de o princípio da música me ter lembrado a Bossa Nova, embora no seu progredir se venha a aproximar do Flamenco. O grupo catalão deu-lhe, porém, o nome de Jacaras (= Xácaras). Assim fica, por isso.
Espero que gostem!

Modernismo Vienense


No passado ano de 2018, em que se celebravam os centenários da morte dos pintores austríacos Gustav Klimt (1862-1918) e Egon Schiele (1890-1918), Viena de Áustria comemorou, condignamente, a efeméride com exposições subordinadas ao tema do Modernismo Vienense, nos seus museus.
E não deixou de publicitar o acontecimento  no estrangeiro, nomeadamente, em Londres, de forma muito original e bem humorada, embora se tratasse de coisa séria. São dois desses cartazes, colocados no metropolitano londrino, que se mostram, em imagem, neste poste, para ilustração concreta de quem por aqui passe.
Lembremos a polémica portuguesa recente provocada pela exposição Mapplethorpe, em Serralves...
Provavelmente, levamos as coisas demasiado a sério.
Só não sei dizer se a ironia inteligente dos cartazes é de origem austríaca ou inglesa. Inclino-me, no entanto, para atribuí-la aos britânicos.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Em defesa e proveito do nome


Quem deixou família, ainda tem quem o defenda ou proteja de barbaridades póstumas e apropriações indevidas e malfeitorias mal atribuídas.
É o caso de um poema de Sophia, fracote, que corre mundo pela net, como se fosse dela, não sendo. E é o que, normalmente, acontece quando não se cruzam dados e, à falta de biblioteca, se recorre a empresas de cultura barata e pindérica da net, como "O Pensador", "O Citador" e quejandos, para referir textos consagrados de autores célebres. Não se julgue porém que figuras prestigiadas, por preguiça académica, não copiam também de outros, às vezes, incorrendo assim no erro e pecado original. António José Saraiva, por exemplo, num trabalho, para a Clássicos Sá da Costa, atribuiu a Correia Garção alguns sonetos que são, realmente, de Cruz e Silva. E Jacinto do Prado Coelho, copiando de Júlio de Castilho, produziu algumas incorrecções num pequeno ensaio sobre o Abade de Jazente (Paulino António Cabral). No melhor pano cai a nódoa...
Dizia eu, no início, que sorte tem quem deixou família. Porque uma das filhas de Sophia tem procurado limpar o nome da Mãe, de excrecências menores que, falsamente, lhe são atribuídas por esses amadores rasteiros de poesia, que pululam neste mundo ignaro. Eugénio de Andrade não teve essa sorte, mas por outros motivos. Bem mesquinhos - diga-se.
Leio, no TLS (nº 6043), que Jane Austen conta, presentemente, com 330 descendentes. Sorte dela! E deles, ao mesmo tempo. Que lhe vão aproveitando a marca e o nome, para ir ganhando fama e para ir produzindo publicações menores e até produtos comerciais, que têm tido grande sucesso à custa da célebre romancista, cujo bicentenário da morte se comemorou, recentemente.
Isto, para o comércio, não há ninguém como os ingleses!... 

Recomendado : setenta e sete - correspondência de Teixeira Gomes


Nestas cartas e postais endereçados a João de Barros (1881-1960), palpita movimento e vida. Melhor diria, alegria e raiva de viver. A correspondência, que vai de 1919 a Julho de 1941, poucos meses antes da morte de Manuel Teixeira Gomes (1860-1941), nunca é monótona, mas de leitura agradabilíssima.
Impressões de viagens, descrições paisagísticas lindamente escritas, opiniões políticas e cortes na casaca, com apreciações por vezes acerbas e duras sobre alguns políticos da época e escritores coevos e confrades, a correspondência inclui também textos de ficção-realidade de grande beleza. De que eu destacaria uma descrição de um Copejo algarvio, de grande realismo, à altura dos textos de Raul Brandão e Paul Valéry, sobre o mesmo tema.
Altamente recomendável a leitura deste livro, com um interessante prefácio da jornalista Manuela de Azevedo (1911-2017), só é pena que a obra tenha tido pouca divulgação. Aqui estou, porém, a fazer a minha parte, lembrando-a...

os maiores agradecimentos a H. N..

Revivalismo Ligeiro CCXLIII



Um pouco de country, para bem começar a semana...

Traços geracionais


A paleografia permite-nos descodificar documentos do passado, em que as inscrições assumiam sinais diferentes dos de hoje e, por isso, um cidadão normal não os conseguiria perceber.
Por outro lado, o tipo de caligrafia usado na escrita ajuda-nos a localizar, quase sempre uma época e o tempo em que viveu o autor do texto manuscrito. Sobretudo, se esse tempo for próximo de nós e nos tivermos habituado a esses sinais.


Já hoje não se usam, creio, os cadernos de caligrafia que disciplinavam, padronizando, os cânones prescritos para as letras do alfabeto dos núbeis alunos da Instrução Primária.
Essa escolar e forçada uniformização contribuía, assim, para caracterizar e revelar ainda mais os traços de cada geração humana.


Desses traços, porém, escapavam-se as caligrafias daqueles ou daquelas que, por circunstância estética  e singularidade de gosto, iam aperfeiçoando a sua escrita, ao longo da vida. E, em sentido inverso, as ditas "escritas de médico" que, por vezes, se tornavam autênticos hieróglifos para os outros...
As imagens, aqui usadas, seguindo uma ordem cronológica, exemplificam modelos de caligrafias de 3 gerações  abarcando um período de cerca de 75 anos. E ilustram vários matizes de: idade, género, mas também estéticos e culturais.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

De Coimbra, um fado, por Luís Gois



Esta voz de dicção clara e este timbre puro das cordas deixam-me sempre surpreendido. Quase me obrigam, comovido, a fazer as pazes com a Lusa Atenas. O mérito, evidentemente , é todo de Luís Gois (1933-2012).


Desabafo (42) : a excepção e o hábito


Rara é a semana que não vou a uma livraria. Maioritariamente, a um alfarrabista. Por isso me surpreendo daquelas e daqueles que fazem desse facto uma festa e o anunciam aos quatro ventos, numa explosão de alegria incontrolada e acontecimento memorável.

Bibliofilia 170


Fernão Rodrigues Lobo Soropita (sendo que este último apelido seria uma alcunha) terá nascido em Leiria, por volta de 1560, e falecido depois de 1606. São escassos e incertos os dados biográficos do autor, sendo certo, no entanto, que estudou Leis em Coimbra, exerceu advocacia em Lisboa e, em 1595, fez publicar pela primeira vez as Rimas, de Camões. Por seus escritos se sabe que foi partidário de D. António, Prior do Crato. Provavelmente, Soropita terá professado no final da sua vida.
Em 1868, Camilo Castelo Branco, detentor de um manuscrito com obras do escritor, talvez oriundo do Mosteiro de Tibães, editou, na Livraria Nacional (Porto), as Poesias e Prosas Inéditas, de Fernão Rodrigues Lobo Soropita, com prefácio competente e digno de ser lido para melhor compreensão da obra do leiriense ilustre.
As poesias publicadas revelam um escritor mediano, com versos que reflectem alguns acentos camoneanos, mas auguram também um certo barroquismo nascente; as cartas, em prosa, é que são mais interessantes, de ritmo movimentado, pitorescas e com humor.
O livro, que não é raro, não aparece à venda, com muita frequência. Não tenho apontamento sobre o preço por que adquiri a obra, que tem falhas na capa, mas foi restaurada eficazmente por HMJ. E o único exemplar que se encontrava à venda, na Livraria Trindade (rua do Alecrim, 32-36), estava anunciado a 40 euros, recentemente, segundo pesquisa que fiz na net. 

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Algaravias (1)


O termo, que usei como título para esta temática, em bom rigor significa (segundo Houaiss): "fala ou escrita árabe; linguagem muito confusa, incompreensível; charabiá." Perdoe-se-me a utilização algo espúria da palavra.
Usando de alargada liberdade poética, usei-a para classificar regionalismos de origem algarvia, que constam do Dicionário do falar Algarvio (1988), obra a todos os títulos notável, da autoria de Eduardo Brazão Gonçalves (1903- ?), natural de Boliqueime.
É desta obra que, paulatinamente, irei seleccionar algumas expressões que me pareçam mais interessantes, para constarem desta temática já antiga no Arpose, mas desta vez dedicada ao Algarve. A sequência será alfabética, naturalmente, como sempre tem sido.
Comecemos, então:

1. Abaixaneira - dor de barriga violenta e prolongada, disenteria.
2. Acegar - açular; incitar cães a morderem, ou pessoas a lutarem ou discutirem.
3. Afegão de ganas - apertão de goelas.
4. Alcarnó - bacio; penico.
5. Alfaqueque ou Alfaquete - peixe-galo.
6. Alforges - testículos.
7. Almarjão - pessoa alta, encorpada, forte.
8. Amorcegado - aborrecido; triste; mal disposto; tonto; mal desperto.
9. Atuneiro ou Atunzeiro - pescador que se dedica à pesca do atum; barco preparado especialmente para a pesca do atum.
10. Avoão ou Corta-vento - nome dado a uma variedade de andorinha de cor muito escura e de voo muito rápido; alvão.
11. Azebibe ou Azebio - líquido meloso ou melaço que sai do olho dos figos. Tem a mesma origem de acepipe: vem do árabe az-zebib = passa de uva. Também se diz alzebibe e milhã ou melhã.

Brahms / Maria João Pires : Intermezzo Op. 117 No. 1 in E flat major

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

De fora para dentro, balancete e diversos


O último TLS, em texto de contracapa, começava por afirmar que 2010 teria sido o ano dourado dos blogues - depois aconteceu a queda gradual. Provavelmente isto terá sido a realidade, na Inglaterra. Que não em Portugal (somos mais demorados...), pelos meus modestos dados. O pico máximo de visitas ao Arpose ocorreu em Janeiro de 2013, com uma média de 340, tendo atingido o recorde a 24/1/13, com 360 visitantes. O decréscimo dá-se a partir daí, tendo estabilizado no último ano com uma média relativamente constante de 67 visitantes/ dia e cerca de 2.040/ mês.
A visualização de páginas, no entanto, é incomparavelmente maior: 12.674 de média mensal. São os  visitantes toca e foge... A perda de influência dos blogues deve-se à crescente popularidade do feicebuque e instituições quejandas, só comparável, em território nacional, ao afecto que desperta o nosso PR. É a vitória da simplicidade, do róseo e leve, do descomplicar, do amável sem consequências, do sentir sem pensar muito, em suma, do like global, que todos entendem e podem comungar, com ou sem fé, de olhos fechados, sacralmente.
No meio desta altura do mundo, em que os blogues são mera circunstância quase obsoleta, há, para quem os trabalha diariamente, e com alguma seriedade, de vez em quando, para lá dos raros comentários estimulantes, algumas pequenas surpresas. E cruas alegrias gratificantes.
O Arpose, por exemplo, recebeu hoje a primeira visita da Faixa de Gaza (via Ramallah, Palestine). Terá sido de algum palestiniano ou apenas de algum integrante de uma ONG local? Não sei.
Mas não há nada como desmistificar a imaginação. O(A) ilustre visitante veio consultar o poste intitulado O pastelinho de bacalhau, o copinho de três e as "search words", de 30/11/2011. Que tinha, por imagem, um sugestivo desenho de George Grosz.
Só espero que a visita tenha saído do Arpose suficientemente saciada e satisfeita!

De Francisco Manuel de Melo, estando no Brasil, degredado


Soneto LXXV (da Tuba de Calíope)


São dadas nove. A luz e o sofrimento
me deixam só nesta varanda muda,
quando a Domingos, que dormindo estuda,
por um nome que errou, lhe chamo eu cento.

Mortos da mesma morte o dia e o vento,
a noite estava para estar sesuda,
que desta negra gente, em festa ruda,
endoudece o lascivo movimento.

Mas eu que digo? Solto o tão sublime
discurso ao ar, e vou pegar da pena
para escrever tão simples catorzada?

Vêdes? Não faltará pois quem m'a estime,
que a palha para o asno ave é de pena,
falando com perdão da gente honrada.


Francisco Manuel de Melo (1608-1666), in As segundas três Musas.

Citações CCCLXXXIX


Se escrever romances é como plantar uma floresta, então, escrever contos é mais como plantar um jardim.

Haruki Murakami (1949).

Adagiário CCXCI



Ainda que a garça vá alta, o falcão a mata.