sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cromos 15 : Os Filhos dos 3 Mosqueteiros




Era num tempo de predomínio dos chamados filmes de capa e espada, depois veio o Tarzan - início dos anos 50 do século passado. A colecção de cromos baseava-se na película homónima "Os filhos dos 3 Mosqueteiros" ("At Swords Point"), realizado por Lewis Allen, em 1952, com Maureen O'Hara e Cornel Wilde. Que, por sua vez, se inspirava nos romances de Alexandre Dumas (pai): "Os 3 Mosqueteiros", "Vinte anos depois" e "O Visconde de Bragelonne", que li, por essas alturas, emprestados de uma agremiação vimaranense, possuidora de uma biblioteca simpática. Aproveitando o sucesso do filme, a Editorial Bruguera, de Barcelona, fez imprimir a colecção de 154 cromos, com imagens-fotografias do filme, retocadas e coloridas à mão, mas de deficiente qualidade. A Agência Portuguesa de Revistas comprou os direitos, traduziu os textos e pô-la à venda em Portugal, em 1953, creio, sob o patrocínio do "Mundo de Aventuras". Vendia-se bem, em pequenos envelopes-surpresa com 3 cromos no interior. A caderneta custava Esc. 3$50, e os últimos 30 números, em falta, podiam pedir-se à Editora, mediante o respectivo pagamento. A minha colecção está completa.

Revivalismo Ligeiro XLV : Renato Carosone


Mais umas quantas "search words"



Houve um tempo, no passado, em que eu era um fervoroso leitor e admirador do Mad (Magazine) e, em particular, da rubrica "Snappy answers to stupid questions (qualquer coisa como:«Respostas parvas a perguntas estúpidas»)". A colecção Mad já não está comigo, mas em boas mãos, e na família. Mas, ao ver e ler algumas "search words" das visitas do Arpose e o encaminhamento surrealista que lhes faz o motor Google de pesquisa, não posso deixar de sorrir e lembrar-me dessa rubrica hilariante e da respectiva revista humorística norte-americana. Aqui vão, então, mais umas quantas indicações parvas a perguntas idiotas:

1. o curioso indicou ao Google: "tia do cromo lapa"; foi levado para o poste de cromos "A conquista do Oeste". 2. a visita escreveu: "mensagens de pascoa por frei lios augusto matos", e o beatífico Google levou-a até à reprodução do quadro "Crucificação" de Grünewald. 3. outro expressou, prolixo: "bartolomeu marques rodrigues e virginia" (se calhar queria reencontrar a família...), mas o motor de busca, erudito, encaminhou-o sabiamente para um poste sobre Virginia Wolf (ora toma!). 4. finalmente, alguém atrapalhado e desarrumado, escreveu: "jornal a notícia de iuna mes aniversário abril" e, de novo intelectual e frio, o Google encaminhou-o para o aniversário de Leonardo da Vinci.

Pelo aniversário de Leonardo


Leonardo da Vinci nasceu a 15 de Abril de 1452. Já aqui falamos (15/12/2010) do Codex Romanoff que lhe é atribuído. Referimos hoje as suas palavras acerca das boas qualidades da alface: "A alface é a inimiga das insónias. Se for ingerida crua e em grande quantidade antes de deitar, o repouso é garantido. Após um dia afadigado, eu próprio cozo uma grande quantidade deste legume, a fim de lhe extrair os sucos, bebendo-os de seguida para garantir um sono tranquilo."

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fascínios


Há frases, poemas e versos, por vezes, que nos tocam mais de perto. Mas, em muitos casos, não sabemos explicar, devida e concretamente, porquê. E nem isso é o mais importante: fazem-nos companhia e, algumas vezes, ficam connosco. Talvez porque abrem para horizontes desconhecidos, tocam qualquer coisa de profundo ou produzem um eco indefinido em nós - um fascínio misterioso. Poderá ser "O sol é grande, caem co'a calma as aves..." de Sá de Miranda, o início do soneto de Pessanha: "Floriram por engano as rosas bravas..."; ou ainda, de Nemésio: "Pus-me a contar os alciões chegados..." de um poema todo ele nebuloso. Poderia referir ainda um soneto de Quevedo, ou o início musical de uma obra de Wordsworth ("Five years have passed, five summers with the length/ of five long winters, and again I hear..."). E falo disto, porque, embora ande comigo há muito, cruzou-se, hoje, de forma impressa, comigo, uma quadra de um soneto de António Machado, de que gosto particularmente. Ei-la, em tradução livre:

"Ao velho álamo fendido pelo raio

e por metade apodrecido,

com as chuvas de abril e o sol de maio

algumas folhas verdes lhe nasceram..."

Mercearias Finas 29 : breve miscelânea sobre a caça




A caça foi, de início, uma forma natural de exercício humano mas, também, uma questão de necessidade para a sobrevivência do Homem. Para os primitivos, a caça foi o seu alimento principal, servia de vestuário e ferramenta, através dos ossos dos animais abatidos.



Vários escritores portugueses usaram a caça como motivo ou falaram dela nos seus escritos. De Fernão Lopes a Torga, de Camilo a Manuel Alegre. De Bulhão Pato, escritor e gastrónomo conhecido, há pelo menos uma receita: Lebre à Bulhão Pato. E, de Fialho de Almeida, também consta um Arroz de Perdizes. Por falar nesta ave de caça, há um ditado que diz: "Perdiz, só com dedo no nariz", que tem uma razão objectiva. De uma forma geral, nenhuma peça abatida, seja ela javali, lebre, veado ou perdiz, deve ser comida no próprio dia em que é caçada. E isto porque ao sentir-se perseguido, o animal ao fugir e ao ser caçado tem medo e o seu organismo segrega ácido láctico em excesso para alimentar os músculos que, por sua vez, libertam ácido úrico que se espalha pela carne. Daí a vantagem de algum tempo de repouso, antes da caça ser cozinhada e comida.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cioran, La Rochefoucauld e Valéry


"É impossível amar uma segunda vez o que, na verdade, deixamos de amar. Esta frase de La Rochefoucauld aplica-se bem à minha atitude em relação a Valéry. Houve um tempo em que eu o lia deliciado; esse período passou; é preciso que regresse a ele para dele falar; é-me impossível reencontrar, já não digo o ardor, mas a fraqueza de outrora. Nunca deviamos aceitar trabalhos de encomenda, mesmo quando estamos necessitados."

E. M. Cioran, Cahiers 1957-1972 (pg. 542).

arte menor (5)


Artes e ofícios

A luz que se debruça nas palavras

incendeia o que resta de uns gravetos

húmidos. Mas não arde.

As rendas de minha mãe

eram perfeitas: muito mais ainda

que os versos que eu faça.

Simétricas, porém, alinhavam a vida,

gastavam-lhe o desespero

e a vista. Saíam ordenadas

ao sabor da casa.


Qlz. 4/89, Sb. 7/90-4/11

Memória 55 : Guy Fawkes






Posso, com absoluta precisão, localizar a data em que tomei conhecimento da história de Guy Fawkes: Março de 1956. E foi através de uma revista de BD brasileira, a "Colecção Pequenina" de que já aqui falei (16/7/2010). Ora, Guy Fawkes (1570-1606), de que passa hoje, 13 de Abril, o seu aniversário, e que era soldado, congeminou com Robert Catesby, uma conspiração para assassinar James I (1566-1625), rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda. O Rei era protestante e perseguia os católicos, religião dos 2 conspiradores, aliados a um grupo mais vasto. A ideia era que, no dia em que James I fosse ao Parlamento, os revoltosos fizessem explodir nos subterrâneos do edifício, uns quantos barris de pólvora, para matar o Rei e os parlamentares. A conspiração conhecida como Gunpowder Plot, no entanto, foi descoberta a tempo, e Guy Fawkes foi preso e executado, em 5 de Novembro de 1606. Embora não celebrem a data de nascimento de Fawkes, os ingleses comemoram o dia da execução. É chamado "Bonfire Night" (Noite da Fogueira). É uma espécie de Queima de Judas (que se faz em Portugal, no sábado da Páscoa), pegando fogo a um boneco suspenso de um arame. Os ingleses acrescentam-lhe fogo de artifício.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Simon Sechter (1788-1867)





para HMJ.

Esboço para um retrato de família


Creio que foi Marlon Brando que disse um dia, já ia alto em idade: "Representamos sempre, representamos todos!" Eu, muito humildemente, acrescentaria: alguns melhor do que outros. Mas, em abono da máxima do grande actor americano, vou tentar esboçar um episódio ou facto passado que, não tendo sido encenado, "em todo o caso, dava uma aguarela", como dizia Cesário.

Fiquemo-nos pelo trio das personagens, muito embora houvesse mais gente. O jovem arquitecto, de feições um pouco rústicas, como aparecem na pintura flamenga alguns retratados, estava feliz. Tinham-lhe encomendado o projecto de restauro de uma casa rural em Terras do Bouro, com um adiantamento, já no bolso, de 3.200,00 euros. E ele, mal o acabasse, tencionava estadiar em Katmandou, durante um mês: um sonho antigo... O actor, na curva rotunda inicial dos 40, de barba bem cuidada, vivia ainda à sombra do seu último Hamlet (bem saudado pela crítica) e sentia-se plenamente realizado. Finalmente, a jovem poeta: cabelo crespo, desalinhado, roupa brava e mal combinada - mas tudo muito natural. Açoreana e vulcânica, tinha acabado de publicar o seu primeiro livro e, pelas impressões um pouco tontas do Facebook, o sucesso caminhava ao seu encontro. Quero eu dizer: também se sentia feliz. Local: uma esplanada em Setembro, algures, no tempo. Estavam a ser atendidos por um empregado, de rabo de cavalo, que parecia o Inca Garcilasso de la Vega. Embora, tanto quanto me lembro, era apenas brasileiro. Pena!

Foi então que apareceu a Nair, vinda de nenhures naquela manhã de sol, a querer vender-lhes umas pequenas aguarelas muito naïf de vistas turísticas citadinas ou de marinas tempestuosas, muito incipientes. Ao abordar o grupo perguntou, melíflua: "Gostam de Pintura?"; e, subitamente, os 3 mudaram de vocação, sem qualquer combinação acertada, previamente. O arquitecto respondeu, de imediato: "- Detesto!, a pintura já acabou há muito!...", acrescentando, depois, que era poeta. A jovem poeta disse que gostava, mas proclamou-se actriz, falou a Nair do seu último papel de Ofélia, e acabou por comprar uma marinha por 5,00 euros. O actor, cofiando a barba espessa, assumiu-se como romancista gótico e, no que dizia respeito a pintura, confessou que só apreciava os Pré-Rafaelitas, porque eram muito certinhos e bonitinhos, e toda gente gostava deles. Mas o trio de amigos foi amável com Nair, convidaram-na a sentar-se com eles na esplanada e até lhe pagaram um café. Estiveram quase uma hora, com ela, a falar de política e do Rodrigo Leão: seja como for, a música não estava representada à mesa, neste retrato de família. Ah! a Nair era esquerdina. Reparei nisso quando assinou a marinha no verso, com esmero, embora a sua caligrafia fosse absolutamente ilegível. Nem todos somos actores perfeitos...

Afonso X e o número 7


O rei de Castela, Afonso X (1221-1284), o Sábio, que foi avô do nosso rei D. Dinis, tinha um fascínio muito particular pelo número 7. Autor de "Sete Partidas", ou "Setenario", por estar dividido em sete partes, o Rei explica no prólogo a razão do título, e exemplifica a importância deste número com a coincidência repetitiva dele, na Antiguidade. Assim refere os 7 dias da criação do Mundo, os sete dias da semana, os 7 anos que Jacob serviu Labão; e ainda os 7 anos de vacas gordas (fartura) e os outros sete de vacas magras (carência) no Egipto. As 7 cores do arco-íris, os sete sábios da Grécia, os 7 punhais cravados no peito de N. Sra. das Dores e os sete braços dos candeeiros judaicos nas sinagogas. Os tempos trouxeram-nos ainda: o homem dos 7 ofícios e o gato dos 7 foles (ou vidas). E creio que se poderia continuar...

Adagiário XXXV : a propósito



Quando a necessidade entra pela porta, a virtude sai pela janela.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Civilidade (10) : onde não me apetecia estar...


Discretos (talvez temerosos) terão vindo já ontem, antecipando a notícia que dizia só chegarem amanhã, os digníssimos representantes do FMI e FEEF. Um, alemão, e o outro, dinamarquês, rapazes novos, ambos, mas, felizmente, da velha Europa - valha-nos deus! Por isso, achei conveniente referir aqui, da Escola de Politica, ou Tractado Practico da Civilidade (1803), parcialmente, as boas regras portuguesas do capítulo "Modo de Tomar Visitas":

"Toda a pessoa, que for visitada de outra de maior jerarquia, e grandeza, deve, tendo disso notícia, ir não só esperá-lo à carruagem, mas ainda mais longe, vestido, como se houvera de sahir, para fora de sua casa, mandar abrir todas as suas portas do páteo, ou loja, para que possa entrar a carruagem, offerecer-lhe o braço ao descer, beijar-lhe a mão, se for Príncipe, e o annel, sendo Bispo, &c., e o vai encaminhando ao lugar mais decente, que tiver no interior de sua casa, para que passe adiante, sem nunca hombrear com elle, mas parando nas portas, para que passe adiante, e não só dando-lhe o assento da parede, mas fazendo mesmo acção de ficar de pé;..." Parecerá um abuso, da minha parte, esta óbvia e assaz longa citação, e sem utilidade, mas é um facto que, depois do 25 de Abril (já agora, como é que iremos comemorá-lo?), se nos foram esquecendo algumas regras elementares da etiqueta. Ainda, há pouco tempo, um Visconde, às 16,00 horas da tarde, me veio receber à porta principal do seu palacete, com o cabelo despenteado, em robe, por cima dum pijama, parcialmente desabotoado, embora tivesse olhos de um azul puríssimo... Por isso, todo o cuidado é pouco para receber, dentro das regras, os digníssimos representantes do "Internacionalismo Monetário" (José Mário Branco dixit).

para os meus 3 bons Amigos do Prosimetron.

Uso Pessoal 2


Nenhuma das canetas, em imagem, terá muito mais de 40 anos mas, à excepção de 1 Parker (por estrear), foram todas usadas por mim. E a que parece mais antiquada e pesada é, apenas, imitação de um modelo dos anos 30. Para além desta, o inventário é o seguinte: 3 da marca Parker, 2 Sheaffer, 1 Inoxcrom, outra Reform e, finalmente, 1 Pelikan. As primeiras 2 canetas que usei não tinham marca, mas a terceira era uma Pelikan elegante, verde e preta, que se perdeu no tempo. Quatro das canetas que se mostram já não as uso, ou porque sujam os dedos de tinta, ou porque têm avarias maiores ou menores. Mas todas elas têm, para mim, um valor estimativo.

Salão de Recusados XXXIV : José Mário Branco (não aconselhável a orelhas sensíveis)




Este "F. M. I.", de José Mário Branco, tem a força e rudeza de um libelo acusatório e a veemência arrebatada e escatológica de um exorcismo. Neste registo, lembro-me apenas de "A Cena do Ódio" de Almada Negreiros, sendo que este último é bastante mais subjectivo e egocêntrico, e não político. Esta "gaguez furiosa" (para usar palavras de Jorge de Lima) tem, no entanto, dois andamentos: o primeiro é um esconjuro violento de sarcasmo irado; a segunda parte tem um lirismo inesperado onde, também, habita a ternura. É uma canção de intervenção esquecida, este "F. M. I." de José Mário Branco, que as ironias e repetições da História (tragédia/ farsa) voltaram a tornar actual e presente. Justificado, e português. Embora, como o disse, a princípio, e repito: não seja para ser ouvido por orelhas sensíveis, dado o seu tom de violência e o uso de um vocabulário que remete para as cantigas de "maldizer" medievais.

Memória ?



Muitas vezes, a memória prega-nos partidas e recompõe a realidade no passado. Outras vezes, parece excessivamente objectiva, como se tivesse sido espectadora atenta de um acontecimento, e transmite-nos, de fora, a visão de nós mesmos na situação. Embora o nosso retrato seja sempre vago e de difusos contornos, nesse momento. Sobretudo da infância, onde a imagem é, quase sempre, fantasmática, o cenário, muitas vezes, inexistente, os diálogos entrecortados, as expressões difusas. Ficam assim figuras incompletas, rostos de nevoeiro, perdidos no tempo. Pode ser uma cena de caça matinal em silêncio e com muita neblina à mistura, uma travessia do Douro para o Colégio do Sardão que fora uma quinta onde vivera Garrett; o rasgar de uma luva, em Fevereiro, à noite, com sussurros vários, numa despedida. Ou, na manhã, o som de um abrir das águas, no andar de cima (...o primeiro som da casa/ são as águas...), depois de um velório - aqui, estou sentado e sonolento, perante uma freira galega que, durante a noite me explicou, tecnicamente, o que é o coma antes da morte.

Projectámo-nos, ou a memória é que nos arquiva, a seu modo, ajustando as arestas através da imaginação, e compondo o cenário escasso, intemporal. Compõe o possível arrumando as imagens e as palavras, as razões ou causas, de uma forma conveniente, aceitável mas, muitas vezes, de forma mentirosa ou errada. Até na recordação de filmes a memória nos atraiçoa. Misturando o exacto com a imaginação, o que foi com aquilo que, também, poderia ter sido. Hoje, ao rever um filme de Ingmar Bergman ( talvez o que vi mais vezes), "A Fonte da Virgem", com Max von Sydow, percebi a deslocação das imagens, as inexactidões inúmeras a que a minha memória, em auto-gestão e piloto automático, procedeu para, no tempo, arquivar (mal) a sequência do filme. Alterando-o, significativamente.

domingo, 10 de abril de 2011

Uns livrinhos gráceis



Às vezes compram-se livros só pelo prazer de os ter. Não tanto pelo seu conteúdo, mas pelo afecto estético que despertam em nós. Estes voluminhos, em imagem, que terão sido, provavelmente, oferta natalícia dos Laboratórios Bial (passe a publicidade), foram para mim irresistíveis quando os vi à venda, por preço módico, num alfarrabista. Muito embora, das suas brevíssimas antologias, eu conhecesse todos os textos e poemas. As ilustrações são de Aurélio Mesquita e cada livrinho tem apenas 24 páginas. Mas são uns "cristaizinhos", e dá gosto manuseá-los e lê-los.

Linhagens 1

Aceitamos a sugestão de APS relativamente ao título da presente rúbrica. Também é dele a convicção de que existe algo no "genes" que, de uma forma ou outra, se reencontra e se prolonga nos vindouros. Aduzo, ainda, a este propósito, uma máxima de uma prima belga que reza assim: "Das macieiras não nascem peras".

No entanto, as Linhagens serão, para mim, pequenas incursões no passado que deixaram uma memória viva - tanto mental como material.


Compositores e Tipógrafos

Apresentamos, em primeiro lugar, um mostruário de tipos que, nos próximos contributos para o Arpose, servirá de base a outras lembranças de uma tipografia, cujo espaço, bem como todos os objectos, e o próprio cheiro das tintas se gravaram na memória.


A um desses cavaletes pertencia a caixa que, actualmente desviada da sua função principal, recolhe ainda alguns artefactos: tipo, vinhetas, material branco, etc.


Para bom entendedor, trata-se, obviamente, de uma caixa alemã, cuja disposição de caixotins corresponde à estrutura da língua que servia de base à composição de textos.


Post de HMJ


Para H.N. com agradecimento por mais um mostruário de tipos a engrossar a nossa colecção.

Trocas e baldrocas

São as trocas e baldrocas com MR do Prosimetron. A nossa orquídea já tem duas flores abertas, a partir de hoje.

Não sendo pirraça, a imagem é dedicada a MR.
Post de HMJ

Para este domingo, em tom festivo e primaveril




Que me desculpem os estimados visitantes, pelo longo e silencioso genérico que ocupa quase tanto espaço como a vibrante música de Strauss, tocada pela Orquestra Filarmónica de Viena, dirigida por Herbert von Karajan.

O Cinema em Casa IV



Mais 2 fascículos da colecção Cine-Romance, da Agência Portuguesa de Revistas, editados semanalmente às quintas-feiras, e com o preço de venda de Esc. 1$50. O filme "Anastasia", que foi um grande sucesso comercial, foi estreado no Cinema Tivoli, em 11/3/1957. A película foi realizada por Anatole Litvak, tendo como actores principais: Ingrid Bergman e Yul Brynner. O filme foi novelizado para a Agência Portuguesa de Revistas por J. de Oliveira Cosme. "Enamorados", filme completamente esquecido, teve realização de Mauro Bolognini e, como actores, Antonella Lualdi e Franco Interlenghi. A adaptação e novelização da película italiana esteve a cargo de Vitoriano Rosa. Na contracapa as breves biografias de Marina Vlady e Toni Curtis, em imagem.

O Baú dos Brinquedos - 14

Ora, para os leitores que nos acompanharam nos últimos tempos, vasculhando o baú do menino, é altura para dizer que nos aproximamos do fim das descobertas. Assim, apresentamos, acima e abaixo, a baixela do menino.

Convenhamos que o menino, ao tomar o leitinho da manhã, numa caneca como a da imagem acima, começava o dia numa grande animação e de brincadeira.
Post de HMJ

sábado, 9 de abril de 2011

Pequenas histórias da História


1. Filipe III, ao receber o duque de Bragança, D. Teodósio, pai de D. João IV, disse-lhe que pedisse alguma coisa. Ao que o duque respondeu: " - Os avós de V. Magestade e os meus deram tanto à minha casa que a desobrigaram de pedir."

2. Um castelhano, que foi negociar para Goa, perguntou que tipo de homem era Afonso de Albuquerque. Logo um soldado português o informou: " - Quem é?! É um homem que vos saberá comprar, mas que não vos sabe vender."

Curiosidades 32 : bancarrota e falência


A palavra Bancarrota tem origem no italiano bancarrotta, de banco rotto, banco partido. Na Itália, antigamente, procedia-se ao acto humilhante de quebrar o banco ou balcão dos comerciantes falidos, numa demonstração simbólica do fracasso. Mas, na Alemanha, o procedimento não era menos drástico. Até há bem pouco tempo, pelo menos, o empresário falido, ou submerso na bancarrota, tinha que dirigir-se à Câmara da localidade, vestido de fato preto e com gravata preta, também, para declarar a falência da sua firma. E, a partir daí, não mais poderia assumir cargos dirigentes ou de gerência, ou abrir uma nova empresa.

Rosa-já(d)

Tenho por hábito consultar o vocabulário onomástico para atribuir aos presentes recebidos o nome do seu benfeitor. Na imagem aparece uma dessas ofertas, ou seja, o fruto da 3ª geração de uma roseira que entrou em casa pela mão do nome acima encoberto.

Confesso que nunca consegui semelhante proeza ! Uma roseira a renovar-se a cada Primavera - fazendo jus ao tema recorrente e glosado pelos poetas.

Post de HMJ, dedicado ao benfeitor oculto

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Divagações 4 ( muito caóticas, primaveris e dispersas)


Estão 20º lá fora. Amenidade, silêncio e calma: são 21,30 hrs. Não cheguei sequer a saber se havia lua: ou tímida e atrasada, ou Lua nova. Daqui a pouco, começam a chegar os brasileiros, às catadupas - ao Arpose, quero dizer: questões horárias e de latitude. Mas parece, ao contrário do que eu pensava, que também são tímidos como a lua - raramente dão um ar da sua graça, ou interagem. Será de alguma astenia e torpor tropicais? Que sei eu, que nunca fui ao Brasil, mas lá tenho (inúmeros) primos que nem conheço? Lembro-me de um corpo de mulher, olhos velados por uns óculos de sol, simultaneamente, ousada e recatada...e recordo-me do " Crepúsculo dos Deuses" e da Gloria Swanson. Que mistério... Vem-me à ideia uma entrevista de Marlon Brando (obrigado, ms!!!) em que dizia a Larry King que representamos sempre, "representamos todos". Mas alguns de nós ainda tentam ser autênticos, felizmente. Marlon Brando até se descalçava durante a entrevista, não tinha óculos de sol a tapar-lhe os olhos, e estava no Tahiti (não há dúvida que estamos no signo do Carneiro ou Áries, só falo de nativos dele...). E ia-me esquecendo de Brel que nasceu a 8 de Abril, e sempre me pareceu autêntico. Aliás, e é da minha experiência que os "arianos" ( ou Carneiros de signo) mentem muito mal, ou não sabem mentir.

As Escolas ululantes


Não são, como na imagem, as escolas de hoje. Nem tão limpinhas (há muitos graffitis nas paredes), nem tão pequeninas (algumas são enormes), nem tão discretas e silenciosas na paisagem.

Ora, hoje de manhã, estava eu, deliciado e primaveril, a ouvir "Alfred" de Thomas Arne (1710-1778) quando, de repente, se sobrepôs tonitruante, nas proximidades, um batuque infernal e intenso. Pensei, a princípio, que era um destes automobilistas outrabandistas de primeira geração que põem o rádio altíssimo, para que os vizinhos saibam que eles já compraram carro. Mas não. Poucos minutos depois, dezenas (ou centenas) de uivos de criancinhas troavam os ares. A Escola celebrava, assim e com alta fidelidade, o encerramento para as férias da Páscoa. E foi toda a manhã este ulular frenético e selvagem...

Agradecimento cívico

De um grupo de economistas que pretendem a abertura de um inquérito contra as agências de ratos (o sublinhado é nosso) pelo "crime de manipulação do mercado", destaco, na foto, o catedrático José Reis. Gravaram-se, na minha memória, a sua imagem, a atitude e as explicações que transmitiu, ontem, num noticiário televisivo. Com o seu saber, mas sobretudo, numa linguagem simples, explicou com fundamento o que nos vai na alma. Desmascarou a aparente "inocência" das tais agências, demonstrando que as suas acções se enquadram em práticas ilícitas, objecto de processos abertos em vários países.

Aqui vai o meu agradecimento cívico.

Post de HMJ

Favoritos L : D. Pedro I



Chamaram-lhe o cru ou o justiceiro, consoante a perspectiva. D. Pedro I, que nasceu a 8 de Abril de 1320, foi um rei controverso. Partilha com D. Sebastião a popularidade mítica das lendas. No caso de D. Pedro, a do amor (por Inês de Castro) para além da morte, que inspirou vários escritores, desde António Ferreira ("A Castro") a Henry de Montherlant ("La Reine Morte"). Mas o rei, que deixou os cofres da Nação a abarrotar - e que seu filho, D. Fernando, se apressou a desbaratar em guerras inúteis e dispendiosas -, D. Pedro I, dizia eu, era também um homem inquieto. Parece que era dado a fúrias repentinas (aliás, na boa tradição dos nativos astrológicos de Áries ou Carneiro) e atreito a frequentes insónias. Nessas alturas, vinha para a rua, alta noite ou de madrugada, dançar, comer e beber com o Povo, à luz das tochas. Mas demos a palavra a Fernão Lopes que, assim, lhe esboça os contornos de retrato:


"Este rei Dom Pedro era muito gago. E foi sempre grande caçador e monteiro, sendo infante e depois que foi rei, trazendo grande casa de caçadores e moços de monte e de aves e cães de todas maneiras que para tais jogos eram pertencentes. Ele era muito viandeiro, sem ser comedor mais que outro homem, que suas salas eram de praça em todos os lugares por onde andava, fartas de vianda em grande abastança. (...) E el-rei Dom Pedro era em dar mui ledo, tanto que muitas vezes dizia que lhe afrouxassem a cinta - que então usavam não muito apertada -, por que se lhe alargasse o corpo por mais espaçadamente poder dar, dizendo que o dia que o rei não dava, não devia ser havido por rei. Era ainda de bom desembargo aos que lhe requeriam bem e mercê; e tal ordenança tinha nisto que nenhum era detido em sua casa por cousa que lhe requeresse. ..."