segunda-feira, 16 de março de 2026

Tentame de explicação



Fiquei surpreendidíssimo pelo baixo preço por que um Amigo meu comprou, num alfarrabista lisboeta, um livro da Gallimard que transcrevia conversas de Miterrand com Marguerite Duras. Mas também já tinha ficado entristecido, há anos, por os meus filhos não gostarem nem dominarem bem a língua francesa. Gerações...
Raras portugueses, hoje, conseguem ler o francês. Talvez por aí se possa  explicar o baixo preço da obra.

Apontamento 186: é a hora !

 


É a hora !

Um aviso, seriíssimo, para que a União Europeia defenda os seus princípios e valores, a DEMOCRACIA, A HUMANIDADE E A PAZ.

O cidadão europeu exige-que as "Uschis" e os "Ruttes" se reudzam à sua insignifância - efémera - a fim  de que  não ponham em  em causa TODO um projecto europeu.

NINGUÉM os elegeu para pôr em causa TODA a credibilidade que os cidadãoes europeus, de CULTURA, VALORES E HUMANIDADE, defendem. 

E mais não digo em defesa do bem-comum !

Post de JMJ


Natalícios

 

Se bem me lembro, creio que comi, pela primeira vez, já tarde na vida, ganso assado, e na Alemanha, por alturas do Natal. Julgo que não estava muito nos hábitos alimentares portugueses dado que, pelo menos a Sul, era já substituído pelo peru, na sua corpulência, pela consoada que, a Norte, não dispensava, normalmente, o Cozido de Bacalhau tradicional.
Ora, porém da leitura do livro constante do poste anterior (Arte do Cozinheiro e Copeiro, 1841), o seu autor Visconde de Vilarinho de São Romão (1785-1863) refere, quanto a gansos, que "Estas aves são boas pelo Natal, engordam-se um mez antes,", o que me permite pensar que nesta primeira metade do século XIX, o peru ainda não tinha ganho, possivelmente, lugar de honra na mesa natalícia.

domingo, 15 de março de 2026

Apontamento 185: Vamos para a mesa !

O livro de cozinha, em epígrafe, tratando-se de uma tradução do original intitulado «La Maison de Campagne», versão atribuída ao 1º Visconde de Vilarinho de São Romão, inclui três extra-textos, engraçadíssimos.

O primeiro extra-texto, reproduzido acima, apresenta diversas formações para as mesas, certamente de cerimónia, convidando o leitor para ir para a mesa – digo eu!

O segundo, na imagem abaixo, apresenta-nos os utensílios necessários na feitura das receitas. Bem gostaria eu ter alguns destes apetrechos, embora não me possa queixar de muitas falhas na minha cozinha.

Do que já li e folheei, concluí que este livro de cozinha tem uma vantagem relativamente aos anteriores, publicados em fac-simile pelo jornal Publico.

O livro do Visconde de Vilarinho de São Romão é bastante mais claro na explicação das receitas, juntando notas pessoais sobre a alimentação, com conselhos saudáveis e escolha de produtos.

Portanto, esta Arte do Cozinheiro e do Copeiro terá ainda uma utilidade para os meus cozinhados, não se limitando a um mero documento das obras dedicadas à culinária.

Post de HMJ

sábado, 14 de março de 2026

in memoriam: Jürgen Habermas (1929-2026)

 



Não sendo uma conhecodora da sua obra, gostava de ler os seus ensaios e textos, estes sobretudo publicados no semanário DIE ZEIT.

Fica na memória como uma voz clara, de contributo para a defesa da democracia e da necessidade absoluta e aposta dos países na cultura.

Post de HMJ

3 quadras populares alentejanas



1. 
Adeus ó minha menina
ó felor do meu jardim;
se as minhas falas são ásperas
meu coração não é assim.

2.
O trevo diz que se atreve
a enlear-se pelo trigo;
eu sem ser trevo m'astrevo,
Amor, a falar contigo.

3.
Os moços com uma irmâ
têm valores do bem pensar,
têm espelhos do seu sangue,
para as outras respeitar.


J. A. Capela e Silva (1884-1972), in A Linguagem rústica no concelho de Elvas (1947).

sexta-feira, 13 de março de 2026

Próxima leitura



Com alguma perplexidade, tenho de concluir que há duas figuras da história de França que exercem algum fascínio sobre mim: Charles de Gaulle (1890-1970) e François Mitterrand (1916-1996). Talvez até mais do que qualquer dos nossos presidentes da República Portuguesa.
Sabendo disso, um bom amigo meu, a quem agradeço, emprestou-me este Hors-Série (em imagem), a cuja leitura irei dar prioridade.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Adagiário CCCXCI

 


Temporã é a castanha que por Março arreganha.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Foi assim

 

Ao fim da tarde de ontem.

terça-feira, 10 de março de 2026

Pinacoteca Pessoal 220

 

Não sendo um pintor muito conhecido ou referido, Petrus van Schendel (1806-1870) é um artista singular e romântico dos Países Baixos, que se especializou em cenas nocturnas. De tal modo que, por graça, lhe chamavam: Monsieur Chandelle. Os seus estudos ocorreram na Academia de Antuérpia.



O quadro reproduzido acima, Feira dos Livros, de 1852, é exemplificativo do seu profissionalismo e minúcia de execução.
Anote-se, por curiosidade, o lado prolífico do artista que teve 15 filhos, treze dos quais com a primeira mulher...

Brasileirismos

 

Em tempos, e porque não os conhecia, anotei de Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos (1892-1953), alguns brasileirismos (?), para depois vir a procurar-lhes o significado. Assim o fiz e aqui os deixo e partilho, com a indicação do número da página (edição portuguesa da Portugália, 1970) e respectivo significado (via Houaiss).

Pgs.
403. Macrém - magreza; estação seca entre os sertanejos.
414. Cafoso - filho de um mulato e uma preta ou vice-versa.
417. Caolho - que ou quem não tem um olho; estrábico. 
422. Mucuranas - piolhos.
429. Tenesmos - espasmos dolorosos do esfincter, com desejo urgente de defecar ou urinar.
434. Eventração - hérnia. 
455. Baganas - pontas de cigarro ou charuto.
457. Molambo - pedaço de pano velho, roto e sujo; farrapo; roupa velha.
472. Esparro - censura severa e enérgica.
476. Galpão - construção tipo estábulo; costrução rural.
485. Gangorra - divertimento; gorro.
486. Gororoba - almoço ou jantar; comida.
498. Potoqueira - mentira; aquele(a) que mente.



segunda-feira, 9 de março de 2026

Ideias fixas 104


Finalmente, vimo-nos livres da conversa de chacha - dez anos é muito tempo, só para ouvir banalidades.

domingo, 8 de março de 2026

Mercearias Finas 216

 

Devia ser por esta altura do ano que aparecia, por essa minha cidade de província, e no antigamente, o ciclista de cornetim a anunciar os peixes de rio, que trazia no cesto. Eu não os apreciava por aí além... Tinham pouco sabor e muita espinha. E, tirando a lampreia, pouco dava por eles. Bastou-me, depois, uma muge do Guadiana, que comprei em Mértola, barata é certo mas desenxabida de todo, e que HMJ cozinhou o melhor que pode.
No mercado, ontem, a banca da Ângela não estava no seu melhor, mas não tão pobre como nos dias da tempestade ("... não vás ao mar, Tóino..."). Por desforço profissional, ela quis mostrar-me dois magníficos sáveis do Mondego que deviam estar pejados (rica açorda!), mas custavam 29,80 euros o quilo. Para não vir de mãos a abanar, trouxe uns choquinhos com tinta, que estavam frescos e em conta.

sábado, 7 de março de 2026

Melhores votos...



 ... para um Feliz Aniversário, MR. E um bom Ano de realizações pessoais e de saúde!

sexta-feira, 6 de março de 2026

Desabafo (105)

 

Será que  vamos falar mais uma vez do Panteão? É que, qualquer dia, não cabe lá mais gente, e tem que se construir um anexo, para lá meter os futuros...

Apontamento 185: Desvario intelectual

 Sem imagem, por respeito e recato

Aos 1900 Laureados pelo Presidente da República, nos últimos 10 anos, pergunta-se:

Dizia o poeta que: "Se mais mundos houvera, lá chegara".

Deixo aos 1900 laureados, nos 10 anos da Presidência da República, o repto para justificar  a sua comenda, do ponto de vista cultural, sabendo identificar quem disse a máxima  acima.

Desconfio que alguns, embora poucos, saberão a essência e, sobretudo a RESPONSABILIDADE, da distinção.

Sinais dos Tempos, E mais não digo.

Post de HMJ

quinta-feira, 5 de março de 2026

António Lobo Antunes (1942-2026)

 

Não sendo um autor da minha eleição, não quero deixar de assinalar o desaparecimento de um dos poucos grandes criadores de ficção (e crónicas) deste nosso tempo, tão escasso em valores literários credíveis. 

Bibliofilia 230

 

Alentejano de gema, António de Macedo Papança (1852-1913), que foi nomeado Conde de Monsaraz pelo rei D. Luís, publicou o seu primeiro livro de versos, Crepusculares, em Coimbra, no ano de 1876. A obra grangeou-lhe apreço e popularidade, pela sua qualidade, embora com algum tom de raiz regionalista, filiando-o como naturalista e parnasiano. O poeta teve também relações de boa amizade com Cesário Verde.



Hoje é, porém, um poeta esquecido e creio que, de há muito, não é reeditado. O meu exemplar, considerado muito raro pelo alfarrabista que mo vendeu (Esc. 780$00), em finais do século XX, está em bom estado, tendo dedicatória, do autor, a António Maria Seabra de Albuquerque (1820-1892), que foi funcionário da Imprensa da U. de Coimbra e autor de diversas obras históricas e genealógicas. As palavras da oferta estão datadas de Reguengos (de Monsaraz) a 27/8/80.



Exemplares semelhantes tiveram, em leilão, preços diversos, que foram de 40 euros (Livraria Académica) até 50 euros (Livraria Esquina, Porto).

quarta-feira, 4 de março de 2026

Manifesto: Que viva Espanha - Farol da Europa


Que viva ESPANHA!
Uma voz esclarecida, no meio do deserto inteletual e de desrespeito pelas Nações Unidas e o Direito Internacional dos Povos.
A Alemanha, da Merkel e sucedâneos, como no passado -lembram-se da Crimeia ? - , encosta-se e demonstra, mais uma vez, que é um partido sem espinha, sem Humanidade, carente de uma orientação moral, lamentável, tanto a nível interno como externo.
E a amiga "Uschi" von der Leyen também não sabe, no lugar onde se encontra, quais são os deveres do respeito pelo Direito Internacional dos Povos ?
Post de HMJ

terça-feira, 3 de março de 2026

Steinn Steinarr (Islândia, 1908-1958)

 


Fim do Caminho 


Por fim após um dia pesado
termina o teu caminho. Sentado numa pedra
percorres com o olhar o panorama
um instante.

E recordas então
que uma vez, uma vez há muito tempo
começaste a caminhar deste mesmo lugar.


Spor í sandi, 1940 (Amadeu Baptista trad.)


segunda-feira, 2 de março de 2026

Lembrete 77

 


Acabo de referir ao meu amigo C. S. a genial reflexão do rei D. João II, de que: "há um tempo de coruja e um tempo de milhafre." Assim há de facto, creio que para todos nós, um período de loquacidade, mas também há um espaço que recomenda silêncio e discrição nossa para com os outros, ainda que grandes amigos.
Estamos no tempo de peixes do rio, em que eu dou supremacia à saborosa lampreia. Altura em que C. S. reunia, em sua casa alguns, poucos, amigos para um almoço de um arroz do celebrado ciclóstomo acompanhado por um Sousão de Trás-os-Montes, ou Vinhão minhoto tinto. Aproveitei assim a efeméride, para quebrar esse silêncio de coruja. E falar-lhe.

domingo, 1 de março de 2026

Uma fotografia, de vez em quando... 207

 

Não sei qual terá mais valor artístico: se uma foto cuidadosamente encenada, se a espera (acidental?) por um feliz instantâneo, bem conseguido.
O fotógrafo francês Hervé Gloaguen (1937), autodidata, foi responsável por alguns interessantes retratos de celebridades, mas também por fixar este irrequieto felino, no ano de 1991.



Adagiário CCCXC

 

Todo o burro come palha, a questão é saber-lha dar.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Bom senso e bom gosto

 

A tentação portuguesa pelo exuberante ou excessivo é notória. Parece que somos barrocos por natureza e vocação. No falar e no escrever, o excesso, normalmente, predomina sobre o equilíbrio estético. Até nas capas dos livros, hoje em dia, as cores são quase sempre estridentes e berrantes - de mau gosto, em suma. Basta ver as montras da Bertrand, no Chiado...
Por isso, dá gosto ver esta duas capas, em imagem acima, de uma simplicidade e de um notável bom senso discreto gráfico. Do livro de Ernest Jünger, é Ana Jotta (1946) a autora.

Máxima ou mínima?


Quase todas as ruinas têm um ar de nostalgia.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Da Janela do aposento 77: O fim, inglório, do cinismo

 

 

[fuinha]

Declaração de interesse:

Embora tenha acreditado, de forma inocente, no convite da Presidência para participar activamente na vida democrática do país, enviámos, e por diversas vezes, missivas, críticas e observações com pedido de esclarecimento. Sublinha-se, para os devidos efeitos, que nunca recebemos qualquer resposta.

Portanto, no deve e haver das obrigações democráticas, estamos quites.

Do mesmo modo inglório, escusava a Presidência sujeitar, no final de mandato e no amplo cenário europeu, o cidadão ciente dos superiores valores da democracia, e do decoro, a um exercício supremo de cinismo.

O cidadão esclarecido, de forma abrangente pelo domínio do universo político, social e cultural do país, não se esqueceu da forma ínvia e indecoroso como se substituiu um governo legitimamente eleito.

No final de mandato, querer ganhar louros com competência alheias, colocando-se ao lado do então Primeiro-Ministro, não apaga o malefício.

Ficou o cidadão com uma governança lastimável, em todos os sentidos essenciais da vida democrática. Espezinhados os alicerces da vida democrática, com desrespeito pela vida social e solidária, indisfarçável ignorância cultural e a entrega vergonhosa da assistência básica aos privados, são estes os resultados de quem nos entregou a uma empreitada “sem qualidades”, como se diz num livro, conhecido, aliás, apenas para os poucos atentos.

HMJ


Citações DXXIX



As crianças começam por amar os seus pais; depois julgam-nos; raramente, se é que alguma vez, lhes perdoam.

Oscar Wilde (1856-1900), in A Woman of no Importance (1893).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

arte menor (45)

 
post-scriptum 


Não nos avisaram, os antigos, que a velhice
era uma pátria exausta sem boas
notícias, os horizontes trémulos
e frios. E que alguns amigos
de lá saiam, sem dizer adeus.

Há que apontar no livro
que não há histórias cor de rosa,
nem anjos ou fadas,
e raras são as damas
de companhia.


Sb., 25/2/2026.

Saber esperar

 

Ao longo da minha vida, comprei alguns livros a preços excessivos, por vezes. Isso deveu-se à urgência de eu ter determinada obra à mão, para estudo, ou à passagem de alguma data comemorativa referente ao autor, que encarecia o produto, temporariamente. Em finais do século XX, as Obras de Sá de Miranda, na sua primeira edição (1595) atingiram um pico bastante alto de preço pela passagem do 4º centenário da sua impressão por Manuel de Lyra, em Lisboa.
Outro exemplo notório de procura e alta de preço deu-se com a Mensagem (1934), de Fernando Pessoa, cuja edição terá sido de 600 exemplares,  de que damos a evolução de valores, ao longo do tempo, e que muito recentemente tinha, na leiloeira ANNO QUARTO, uma estimativa de venda de 2.000 euros. Pois os mais recentes exemplares, saíram assim:

- Leiloeira de Serralves 2011 : 2.500 euros.
- Livraria Castro & Silva : 10.000 euros.
- Bestnet : 4.800 euros.
- José Vicente Leilões, 2019 : 27.850 euros (edição escrita à máquina, com dedicatória manuscrita do poeta para a  irmã).

As variações de preços acabam por ser difíceis de explicar...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Ponto de ordem à mesa

 
Tivemos hoje uma visita da Universidade Católica Potuguesa, embora só por 13 segundos, mas que muito nos honrou. Deus a abençoe!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Mann em França

 

O jornal Le Monde dá notícia de um aparente interesse inusitado, em França, pela obra do escritor alemão Thomas Mann (1875-1955), prémio Nobel de Literatura, em 1929. Mas que provavelmente se deve à cessação dos direitos de autor. Duas traduções de Buddenbrooks e três de Der Tod in Venedig, uma das quais na "poche", estão aí, para testemunhar este entusiasmo editorial. Será que, em Portugal, assistiremos ao mesmo fenómeno? A grande qualidade do escritor, quanto a mim, justificá-lo-ia.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Divagações 214



Pela 3ª vez me vem à colação, no Arpose, o Deutsches Eck e a cidade de Coblença (Alemanha). Se da primeira vez (4/12/2011) o motivo foi a escassez de água no Reno que provocou a interrupção do tráfego fluvial e a descoberta de duas bombas por deflagrar, no fundo das areias, provenientes de bombardeamentos dos Aliados na II Grande Guerra, desta vez, pelo contrário, foi o excesso de águas do rio germânico, cerca de 14 anos depois, que quase provocou a submersão da estátua equestre do imperador Guilherme I (1797-1888) que, com Bismarck (1815-1898), foi responsável pela unificação alemã, em 1871.
Encimando o poste, fica a fotografia recente e comprovativa da inundação no Deutsches Eck.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Em sequência

 

Quase todas as profissões ou actividades têm a elas associadas uma rede vocabular específica que, muitas vezes, só é entendida pelos seus agentes. Do livrinho de Afonso do Paço (1895-1968), referido anteriormente e dedicado à gíria militar do contingente português na I Grande Guerra, decidi seleccionar algumas expressões mais curiosas e dar o seu respecivo significado. Aqui vão:

1. Porc and Beans (em inglês) - nome dado pelos ingleses aos soldados portugueses, por vingança dos lusos chamarem "camones" aos britânicos.
2. Von da Costa - General Gomes da Costa, pelo seu carácter belicoso como um prussiano.
3. Mangas de Capote - Massa de segunda qualidade, muito usada no rancho.
4. Bacalhaus - Orelhas grandes e separadas do crânio.
5. Marafado - Zangado.
6. Pirangueiro - Aluno que anda sempre sem dinheiro.
7. Sopa de Náufragos - Sopa de carne com poucos feijões a boiar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Últimas aquisições (65)

 

Recentemente, chegaram-me do Porto (Livraria Lumière) as duas obras, em imagem. Dum rápido folhear, ficou-me a impressão duma futura agradável leitura do voluminho (56 páginas) de Afonso do Paço (1895-1968), pelo menos. Pena é que, da Guerra Colonial portuguesa, na 2ª metade do século XX, não haja também um trabalho sério sobre a mesma temática.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Curiosidades 116



Estes remetentes timbrados no papel de carta de algumas empresas de dimensão significativa serviam também para difundir os serviços que elas prestavam e os produtos que podiam fornecer, em tempos de antigamente. Por aqui deixamos dois exemplos: um de Lisboa e outro do Porto, ambos dos anos 70 do século XIX. Com algumas singularidades vocabulares...


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Filatelia CLIII


A carta, em imagem, pertencia a um arquivo de um estabelecimento comercial importante de Guimarães (Francisco Martins Fernandes), situado na rua de Camões, e que vendia tecidos e atoalhados.
Nessa altura (1871), os Correios portugueses gozavam de excelente fama de eficácia, profissionalismo e rapidez nas entregas de correspondência e encomendas, que veio a perder-se apenas em finais do século XX.
No que diz respeito à celeridade, podemos ver os carimbos: esta carta foi posta nos correios de Lisboa a 24 de Fevereiro de 1871, chegou ao Porto no dia seguinte (25/2) e foi entregue, nesse mesmo dia, em Guimarães, no armazém de FMF. Ou seja, apenas um dia para cobrir os cerca de 480 quilómetros do percurso.
Isto é que era trabalhar como deve ser!
E não como hoje...      

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

impromptu 87

 


Mosteiro de Santa Maria de la Vid, em Burgos, edifício agostiniano, do século XII, restaurado no século XVIII e, actualmente, paragem de turismo e hospedagem importante, o edificio monacal foi tomado pelas águas. Mais parece um espelho lacustre de certa beleza, não fosse o aspecto trágico dos estragos provocados.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Recuperado de um moleskine (48)


 
O poema tem sempre de nos convencer primeiro, para gostarmos dele e o incorporarmos no nosso entendimento. Ainda que as palavras não nos sejam próximas. Pode até acontecer que desconheçamos o significado de uma ou outra palavra e que os possíveis sinónimos nos levem a dispersos e inconclusivos caminhos e motivos. Um esforço que teremos de fazer pela compreensão do todo, de forma a que o sentido ganhe uma dimensão pacífica de leitura pessoal ou subjectiva.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Gil Nozes de Carvalho : 1 poema


 
Os Antepassados

Tinham fome.
Vieram de madrugada pelo
baço cheiro da toutinegra possuídos
antes do cisne da luz.
Aberta só uma casa de petiscos,
cerveja, mexilhões, arenques em vinha d'alho
e batata frita era o que havia
na Flandres e a guerra.
O futuro, esse duro privilégio, derramou-se
na tijela dum deles.
Foi quanto bastou para lhe cortarem
a mão e a revelação da fé veio depois
na unha extirpada.
Não tivesse alguém fixado as figuras
e julgaríamos hoje o nosso mundo um
foral exausto.


Gil Nozes de Carvalho (1954-2025), in Alba (1983).



sábado, 14 de fevereiro de 2026

Recomendado : cento e onze

 


Terceiro livro de cozinha facsimilado por iniciativa feliz do jornal Público, que hoje o acompanha, esta obra é de autor anónimo e foi editada em 1788. Dedicada essencialmente a doces, conservas e sobremesas, aqui a destaco e recomendo, a quem pratica estas artes nobres.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Memória 158



Chamavam-lhe "Basófias", antes do seu leito ser reordenado, pois embora fosse o maior rio nascido em território nacional, chegava-se ao Verão e era apenas um fiozinho e duas ou três poças de água, junto a Coimbra, onde se podia tomar banho, sem perder o pé. Ora, o Mondego, desta vez, resolveu fazer das suas, o grande malandro!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

interlúdio 105

 


Entretanto, e durante vários dias em que primou pela ausência, o Sol fez a sua aparição, ainda que ralo e breve.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Mercearias Finas 215

 

Para mim, não há nada mais reconfortante contra este frio e dilúvio renegados do que uma canja ao jantar, para aquecer e aconchegar. Mais ainda se ela for heterodoxa e contiver uns fiapos de galinha e alho francês cortado fininho, para além de cenoura e massinhas. Assim foi ontem.
Acompanhou um tinto Regional Tejo, lotado com Touriga Nacional, Trincadeira e Castelão. Que cumpriu.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Arcaísmos (X)

 

Coligidos pelo oficial do exército (capitão) Joaquim Augusto Oliveira Mascarenhas (1847-1918), no ano de 1892, para a colecção Bibliotheca do Povo, retirei deste livrinho 7 arcaísmos iniciados pela letra A, que passo a referir, bem como os seus respectivos significados:

1. Aforrado - encoberto, disfarçado.
2. Alacir - colheita de novidades no Outono.
3. Albarran - torre forte onde se guardava o erário.
4. Alhafa - medo, temor.
5. Almoinha - horta, pomar, quinta.
6. Andorriaes - lugares imundos mas públicos.
7. Anhoto - vagaroso.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Congresso dos diminuídos

 
A conclusão que se pode tirar destas últimas eleições presidenciais é de que cerca de um terço dos eleitores nacionais ou são tolos de aldeia, atrasados mentais ou cegos de nascença.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Citações DXXVIII



De cada vez que eu nomeio alguém para um lugar vago, consigo criar um ingrato e cem descontentes.

Luís XIV (1638-1715).

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Perguntar, não ofende (11)

 

Quem terá sido o grande palerma que andou a guardar tanta água, lá por cima, para a despejar depois toda junta, de seguida, cá para baixo?
Provavelmente, um cómico.

Uma valsa de Fernando Sor (1778-1839)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A propósito do último poste

 

Uma pátria tem algum sentido
quando é a boca
que nos beija a falar dela,
a trazer nas suas sílabas
o trigo, as cigarras,
a vibração
da alma ou do corpo ou do ar
ou a luz que irrompe pela casa
com as frésias
e torna, amigo, o coração tão leve.


Eugénio de Andrade (1923-2005), in Rente ao Dizer (1992).