domingo, 10 de março de 2019

Em tirocínio para Máxima




A beleza é uma estrutura organizada.
A que pode acrescentar-se uma estética ou elegância pessoal e subjectiva.

Natureza viva, com brotos


São três dos quatro brotos do limoeiro da varanda a sul, nesta altura do mês de Março de 2019. O congénere da varanda a leste, responde com sete - cada um dá o que pode...
Curiosamente, tenho verificado que só uma pequena parte (15 a 20%) dos ramos têm rebentos, florescem e frutificam. A ramagem restante é estéril e/ou não produz.
Que um botânico sabedor nos venha esclarecer sobre este facto, que eu considero curioso ou insólito.

sábado, 9 de março de 2019

Apontamento 123: Sensaboria



[Spätdienst, proposta de tradução: Turno da Tarde]

O autor, prestes a fazer 92 anos no próximo dia 24.3., entrou, embora ao de leve, nas minhas leituras de adolescência. Nem me lembro do(s)  títulos(s) que li, nem sequer me ficou uma ambiência, o que, com frequência, representa, para mim, a recordação de um bom escritor.

No entanto, embora Martim Walser não entrasse nesse mundo de preferência de leituras, julguei, mais uma vez, que podia tentar acompanhar a criação literária alemã e, sendo ele um autor ainda vivo, encomendei o seu último livro acima reproduzido.

O livro caracteriza-se por um conjunto de temas, motivos, com pretensões literárias, em forma de jogos de palavras e balanço em fim de vida, que, honestamente, seria exercício embaraçoso dispensável. Os joguinhos, intraduzíveis, acompanhados de tracinhos infantis da filha do autor e que se encontram na capa e ao longo do livro, fazem-me lembrar alguns alunos mais afoitos.
Empregavam palavras pela simples sonoridade que, no contexto usado, não significavam rigorosamente nada.

Essa impropriedade no uso e combinação de palavras não resulta, de todo, numa obra e muito menos literária. Faz lembrar uma expressão, que utilizamos para nos referirmos a obras sensaboronas, ou seja, “é um inconcluso desejo no limiar do transe”.

A idade de Martin Walser já lhe devia ter dado algum juízo, dormindo bem antes de publicar, anualmente, um livro, evitando certas críticas que só agora consultei.

Considero, pois, que “este engano” de alma entra no rol das encomendas infelizes, e que não estaria agora a fazer monte, se tivesse tido a possibilidade de o consultar antes numa livraria. Malefício das compras “on-line”.


Post de HMJ

Quando...


...não temos nada de importante ou útil para dizer, podemos sempre falar do tempo, como os ingleses, com a sua suprema sabedoria, de isolados do Continente, costumam fazer, para abrir o diálogo ou preencher espaço.
Por exemplo: mas que ricos dias, que já parecem de Primavera!
Ou como os cronistas que, na ausência de tema, falam da crónica, em si mesma.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Fanny Mendelssohn (1805-1847)



No Dia Internacional da Mulher, uma pequena obra da compositora Fanny Mendelssohn, interpretada por duas pianistas: Monique Rasetti e Mar Barrenechea.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Das histórias


Será que ainda haverá histórias por contar? Duvido.
Originárias de mitos, ancestrais, dão expressão catárctica às angústias humanas ou, de forma positiva, aos anseios mais íntimos, inconfessáveis ou não, dos seres humanos. E a sua urdidura ou trama reside em contos ou fastos mais antigos, normalmente, a que cada geração dá formato actualizado na sua época, sem transgredir demasiado, a matriz original. O ponto acrescentado ("quem conta um conto, acrescenta um ponto") à verdade real ou à imaginação ficcionada pode, no entanto, dar-lhe a suficiente beleza e qualidade que obriga a narrativa da mera tradição popular e oral, a passar para a classe superior de literatura escrita.
Será por isso curial lembrar, a propósito, as palavras de Almeida Garrett, para explicar a génese da sua peça teatral "Frei Luís de Sousa":

Há muitos anos, discorrendo num Verão pela deliciosa beira-mar da província do Minho, fui dar com um teatro ambulante de actores castelhanos fazendo as suas récitas numa tenda de lona no areal da Póvoa de Varzim além de Vila do Conde. Era tempo de banhos, havia feira e concorrência grande; fomos à noite ao teatro; davam a comédia famosa não sei de quem, mas o assunto era este mesmo de Frei Luís de Sousa. Lembra-me que ri muito de um homem que nadava em certas ondas de papelão, enquanto num altinho, mais baixo que o cotovelo dos actores, ardia um palàciozinho também de papelão... era o de Manuel de Sousa-Coutinho em Almada!

Para o aniversário de MR



Esta pequena memorabília, dos anos 20/30, para lhe endereçarmos, afectuosamente, parabéns no dia do seu aniversário. Esperemos que goste de ver estas jovens bailarinas anónimas, mas gráceis e naturais.
E aqui vão também umas flores virtuais, com os melhores votos, para acompanhar..:-)


quarta-feira, 6 de março de 2019

Divagações 143


Eu sei que há convites indeclináveis e tentações irresistíveis. E, em relação a figuras públicas, o dilema ainda é pior. A recusa pode ser sempre interpretada como fruto de elitismo ou de sobranceria, pela gente comum. A personagem, no entanto, pode dar sempre um ar de distinção, sublinhar a diferença, mesmo em ambiente de tasca pimba ou nova-rica e barroca. Entre um arroz de lata de atum, ainda que algarvio, em forma de assim, e uma cataplana a preceito vai uma enorme diferença. Depende de quem o ou a faz e escolhe para ementa, em local mesmo que pouco recomendável.
Tenho constatado, com preocupação crescente, a ausência de abelhas nas nossas varandas, quando  os vasos estão floridos. As vespas, porém, são mais que muitas, pousando em tudo quanto é flor. E eu bem as dispensava... Mas, de há uma semana a esta parte, tenho uma pequena razão de alegria. Sobre o tufo primaveril das frésias, há um jovem e bonito besouro que as visita, diariamente, fiel e persistente, libando-as por uns bons cinco ou dez minutos.
Tem bom gosto, iluminado talvez por aquele perfume divinal.
Prefere a cataplana ao atum de lata...


Filatelia CXXVII


As grandes colecções de selos, as mais importantes e valiosas, foram quase sempre vendidas na Inglaterra ou na Suiça. Londres ou Zurique, mais particularmente. Centros financeiros que concitam, mais facilmente, grandes investidores e filatelistas apaixonados ou fanáticos.


Stanley Gibbons, Robson Lowe e Christie's respondem por Londres. David Feldman pela Suiça. São talvez estas as casas leiloeiras mais importantes do mundo. A celebrada colecção de selos de Maurice Burrus (1882-1959), por exemplo, foi leiloada pela Robson Lowe, em Londres, no ano de 1964.


Não fugiram a esta regra habitual de localização leiloeira as melhores colecções de selos clássicos portugueses. A mítica colecção do comandante Leotte do Rego foi leiloada, em Zurique (Suiça), por David Feldman, em 1985. Aqui ficam, em imagem, alguns dos lotes mais importantes.
Com o Brexit, no entanto, é bem provável que a praça londrina venha a perder importância.
Mas estou certo que os mais raros selos clássicos portugueses continuarão a ser negociados lá fora...

terça-feira, 5 de março de 2019

Vivaldi



A propósito de Vivaldi, vem à colação Veneza, para que se não diga que eu me esqueci que hoje é terça-feira de Carnaval...

Citações CCCXCIII


Um romance não se define pelo seu objecto, mas pelo abandono do espírito de seriedade.

Roland Barthes (1915-1979), in O Grão da Voz (pg. 180).

Ainda as capas, o sentido estético e o deixar andar, ou as memórias de um poeta bissexto


Tenho por certeza que a maioria das editoras, com raríssimas excepções, não se preocupa, hoje em dia, minimamente com a qualidade gráfica e estética das capas dos seus livros. Mas alguns autores também pouco se incomodam com a embalagem visual que os apresenta. Ou, então, ambos têm mau gosto...
Não me considero um árbitro de gosto, muito menos possuído de infalibilidade estética. Mas tenho critérios para separar o trigo do joio, permitindo-me ao luxo do duvidoso, como terceira categoria, nas minhas avaliações pessoais. Às vezes, não tenho a certeza e acolho-me, humildemente, ao avisado parecer de quem sabe. Agradecendo.


Quando estava para publicar o meu primeiro livro de poemas, Escrito para a Noite (1984), na IN-CM, pensei inicialmente reproduzir na capa um desenho de Augusto Gomes (1910-1976), que tenho em casa e de que gostava, e gosto, muito.


Falei nisso ao meu amigo pintor Pedro Chorão (1945) e ele, com a delicadeza que lhe é própria, demonstrou-me que aquela linda campesina jovem, com o seu quê boticeliano mas brejeiro, era excessivamente neo-realista e datada. Mas prometeu ajudar-me. Foi assim que um seu quadro veio enobrecer a capa do meu primeiro livro.


Em 1988, numa noite primaveril, Henrique Cayatte perdeu comigo, ao telefone, mais de uma hora para sintonizar, no seu labor exemplar, uma capa coerente com os meus versos, que a Caminho iria editar em Maio. Ainda hoje lhe estou grato por esse seu respeito intelectual. Pedro Chorão, mais uma vez, ajudou, com um desenho seu, feito de propósito. Assim se publicou, na Caminho, Equilíbrio, o meu segundo livro de poemas.




O António, sempre fraterno e próximo, fez a sua entrada de surpresa e inesperadamente, em 2013. Eu tinha-lhe confiado um manuscrito, em 1971, com poesias juvenis, de que ele gostava e de que declamava algumas, em recitais. Nunca pensei publicá-lo. E ele resolveu oferecer-mo editado (Arquivo Mortal), em circuito restrito (20 exemplares, de tiragem). Aí, eu não meti nem prego nem estopa, quanto a capas ou estética. Mas foi quase como se eu tivesse escolhido as opções, que o gosto artístico, meu e dele, são semelhantes. E fez-se rodear, para o design excelente da edição, do engenho e arte da Mariana e do Miguel.


Posso porventura não estar excessivamente ufano de tudo aquilo que produzi, em verso, mas não deixei ao deus dará aquilo que publiquei. E preocupei-me, acompanhando, os trabalhos preparatórios da impressão, até os livros sairem, excepto no último caso - como, aliás, referi acima.
É por isso que responsabilizo e atribuo o mau gosto do que se publica por aí, não só às editoras, mas também ao desleixo estético dos autores dessas obras.


com agradecimentos a tutti quanti me ajudaram a fazer obra limpa.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Pela manhã


Começo bem a manhã - três poemas se me impõem à leitura. Gosto muito de dois, o terceiro não me toca, nem ao de leve. Também neste último a ilustração não ajuda...
E se dois poetas são do norte, o terceiro é de outro continente. Minimalista, de nome. É tudo uma questão de voz, ou de tema que me permite separar as águas, aderir ou não.
A contenção é, muitas vezes, uma questão de sabedoria, a que não falte ritmo ou essa música discreta que as palavras trazem consigo. E que só alguns pressentem.
E o António, meu amigo, bem mo disse, ontem, que ele tem música e ritmo no sangue (eu não tenho), a propósito de Echevarría. Mas pelo Eugénio, respondo eu.

Schumann / Cortot / Panzera

A norte, com Echevarría


O horizonte estuda o frio
invisível. Vem do norte
agudizar o perímetro
libertando-o do seu nome.
Tudo é limpamente liso,
desde o mar à vista doce
dos barcos, ainda antigos,
como os rudes pescadores.
Que felizes são os vidros
desta janela. O horizonte
também é feliz, sentindo
o tempo que espera a noite.


Fernando Echevarría (1929), in Via Analítica (2018).

Uma fotografia, de vez em quando... (120)


De ascendência arménia, o fotógrafo turco Ara Güller (1928-2018) é considerado o mais célebre profissional otomano da sua época, muito embora ele não atribuísse à sua actividade excessiva importância artística. Raros são os seus instantâneos desprovidos de seres humanos, no entanto, na sua obra vasta.




Quando a Time-Life abriu uma delegação na Turquia, Ara Güller foi o seu primeiro correspondente, para o Médio Oriente. Mais tarde, viria a trabalhar para o Paris-Match, bem como para o Sunday Times. Isto lhe permitiu conhecer e fotografar inúmeras celebridades do seu tempo.



Conhecido internacionalmente, em 1961, Cartier-Bresson convidou-o a integrar a prestigiada Agência Magnum. Os seus conterrâneos, com propriedade, apelidavam-no de " O Olho de Istambul", pela sua temática preferida e recorrente.

domingo, 3 de março de 2019

Citações CCCXCII


Saborear a injustiça.
A injustiça é um amargor que reforça o gosto pela solidão, desperta o apetite da separação e da singularidade, abre caminho no espírito, às suas vias mais profundas, que conduzem ao único e ao inacessível.

Paul Valéry (1871-1945), in Oeuvres II, pg. 490 (La Pléiade, 1960).

Arno Babajanian / Haim Shapira

Desabafo (42)


Tenho de admitir que é uma insuficiência minha. Fruto, talvez, da impaciência juvenil e dialogante que não me abrandou com os anos.
Mas tenho de confessar, humildemente, que fico possesso quando cumprimento alguém e esse alguém me não responde. Não dou sequer o benefício da dúvida de essa pessoa não ter dado por isso, ou de estar distraída. E, nos metros seguintes do andar, vou a rosnar os piores insultos...
Mas a meu favor pesa que prezo a atenção de cada ser vivo a tudo que os outros lhe manifestam. A diligência, as prioridades e a boa educação. Que não perdoaria a mim mesmo, inevitavelmente.
Esta omissão ou demora desatenta dos outros, nos mais diversos aspectos, sejam eles quais forem, colhe em mim o mesmo desagrado humano. Talvez porque tenho um critério pessoal daquilo que é essencial e do que são as frioleiras subjetivas e secundárias, até no trato humano.
E é por aqui que se apascentam,  também, com respeito ou ternura, as afinidades mais sólidas.

Recomendado : setenta e oito


É um livro em que se está bem - ao ler.
MR já tinha falado desta obra, há que tempos!... E, gentil e virtualmente, ma endereçou com envoi cordial, por razões objectivas. Foi a 30 de Setembro 2018, no seu Prosimetron. Imagine-se que passaram 5 meses, até que eu conseguisse comprar este livro, muito bem escrito, por Luísa Costa Gomes (1954), sobre a Costa de Caparica. A Fundação Manuel dos Santos não tem pressa em aviar as encomendas que, por lá, o tempo deve passar muito devagar... A distribuição de livros não tem, seguramente, o mesmo ritmo da empresa-mãe, em suprir as faltas e rupturas, que usa para com as suas grandes e médias superfícies. É uma perninha amadora e ineficaz, que eles fazem, por favor e sobranceiros, para satisfazer os pedidos das obras que vão editando, como se delas não se quisessem separar. Bem se afanou e insistiu R. A., da Livraria Escriba, para que lhe enviassem alguns exemplares do Da Costa (2018). Ao fim de cerca de 150 dias, lá se dignaram corresponder e satisfazer o pedido...
A obrinha (112 páginas) lê-se que é uma maravilha!
Não esperem é encontrá-la, com facilidade, em livrarias. Talvez seja melhor comprá-la no sítio do costume... Aí, a distribuição dos empregados do sr. Santos sempre é mais eficiente, com certeza.

para MR, retribuindo.

sábado, 2 de março de 2019

Pablo Albornoz (Argentina, 1978)



El Huésped


Pedem-me que escreva,
ou faça alguma coisa
por aquelas palavras
que não conseguem adormecer
ou sossegar com a noite.



Nota pessoal: mais do que uma tradução, foi a uma mera versão pessoal e livre, a que procedi.

Como o seu próprio nome indica...


Percebe-se. Se ele é neto de moura, deve ter mantido no seu ADN, os ancestrais resquícios mais cavernícolas que o seu próprio nome denuncia, à evidência. ADN sunita e milenar, evidentemente.

Para as europeias, marchar, marchar...



Viva o Pyrex
-cêdêesse,
mais a boneca
de celulóide!

Impromptu (41) : Beach House - Used to Be

Algaravias (3)


Se uma língua se renova constantemente e, muitas vezes no presente, por força de neologismos oriundos das novas tecnologias, também não é menos verdade que muitas palavras se vão perdendo, na memória dos povos. Daí serem úteis as monografias de regionalismos locais, como este Dicionário do Falar Algarvio, de Eduardo Brazão Gonçalves, donde retiramos, hoje, algumas palavras iniciadas por c:

1. Cabaço de azinho - pessoa pouco inteligente.
2. Caçapos - dedos gordos.
3. Cagolho - pessoa pequena.
4. Calão - barco empregado especialmente na pesca do atum.
5. Caneiras - pernas magras.
6. Carrinho de molas - designação dada ao gesto obsceno que se faz encolhendo os dedos indicador e anelar ao mesmo tempo que se deixa o dedo médio bem esticado.
7. Chalão - grosseiro, arruaceiro; da beira-mar.
8. Charrinho alimado - diz-se de pessoa magra e débil.
9. Chorrilho - almece; nome do soro que escorre do queijo quando apertado no cincho.
10. Condelipa - designação para conquilha, na região de Lagos. *

* esta palavra deriva, por corruptela, de Conde de Lippe (1724-1777). Já abordei o assunto, aqui no Arpose, a 31 de Março de 2017, em Curiosidades 63.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Do mau gosto, como corrente editorial maioritária e dominante


Já por aqui me tenho feito eco das capas indigentes que as editoras portuguesas produzem para os livros que publicam. Basta parar em frente da montra da Bertrand, ao Chiado, para ver a feira de horrores de capas e capas. Já não bastava, para pouparem, as editoras terem dispensado os revisores competentes. Livros há, que são um amontoado de gralhas...
O uso aleatório de bancos de imagens, normalmente fotográficos, utilizados nas capas, revela um mau gosto estético generalizado, por parte dos conselhos editoriais que geram estes abortos impressos.
António Guerreiro, na ípsilon do jornal Público de hoje, põe o dedo na ferida. De forma responsável e capaz. É só lê-lo, com atenção.

Memória 128


Creio que é hoje que faz anos Tânia Achot (1937?), discreta e notável pianista (ouvir poste seguinte...), especialista de Chopin, mas com amplo repertório que inclui Schumann e Liszt. Nascida na Rússia, de ascendência arménia, passou a sua juventude em Teerão (Pérsia).
Foi também esposa do pianista português Sequeira Costa.
Numa conversa, em vídeo registada, que lhe ouvi há dias, confessava-se um pouco saturada da leitura de ficção e prosa, inclinando-se, presentemente para a poesia e a filosofia, quanto a leituras preferidas. Nietzsche, sobretudo. Esse cansaço da prosa, que eu também sinto, levou-me a lembrá-la, hoje e aqui.
Merecidamente, aliás.

Tania Achot-Haroutounian – Etude in F major, Op. 10 No. 8 (1960)

Mercearias Finas 142


A bicha, que não esta, recheada da imagem, viera do Atlântico Norte, ladeada por fresca alface da Ribeira (Mercado) e fatias de ovo cozido, e fora acompanhada de Alvarinho Deu-la-Deu, colheita de 2017, e umas tostas de pão torrado, à maneira. O recheio tinha o toque de umas pinguinhas de Fim de Século, para lhe dar um tom duriense, especioso.


Guardara-se para o magnífico Queijo de Mangualde (em duas versões: curado e babão), o vetusto Messias Garrafeira de 1985, Bairrada, que estava um primor, e nem foi preciso decantar. Com os seus 13º, envelhecera com requinte e o sabor das mais nobres colheitas. Andava por ali a Baga, mas também decerto, alguma Touriga Nacional.



Para a Merenda, fomos até Trás-os-Montes, e para não deixar sozinho, nem com sede, o presunto bem lascado e róseo, abriu-se um Valle Pradinhos de 2009, que não deixou o crédito por mãos alheios. E cumpriu. Ou não fora ele um dos primeiros, se não o primeiro vinho português, a usar o Cabernet Sauvignon no seu lote.
Honrou-se assim, dignamente, a ilustre Aniversariante que, já ao almoço, nos tinha apresentado e servido uma magnífica Mousse de Manga, de sua lavra. Que estava óptima.

Adagiário CCXCII


Mulher janeleira, raras vezes encarreira.