sábado, 16 de junho de 2012

Revivalismo Ligeiro LXXIV : Léo Ferré

Nortenhas e populares (quadras) 17


Seguem as três últimas quadras da selecção que tenho vindo a fazer do vol. IV da monografia "Entre Homem e Cávado", de Domingos Maria da Silva, editada em Braga, entre 1951 e 1981. Seguem:

O cuco penica a cuca,
Tira-lhe as penas da crista,
O cuco vai degredado
A cuca foi p'ra justiça.

O teu olhar desleal
Corações queima por gosto
Vou chamá-lo ao tribunal
Por crime de fogo posto.

Lavadeira tem mais brio,
Já vais na quarta paixão;
Olha que não lavas no rio
As nódoas do coração.

Hegel, Bergson, o suicídio e George Steiner


"Hegel, que podia ser muito mau, como todos os grandes pensadores, tinha a seguinte piada: «Porque é que o judeu nunca se mata? Porque quer ler o jornal do dia seguinte.» No fundo, isto é muito profundo. Já passei por momentos, como todo o ser humano, de terrível depressão: o sentido da mediocridade, a grande decepção - queria ter sido como você, escritor, e não um crítico, não um professor. Vivi momentos muito negros, mas, de facto, sempre quis ler o jornal do dia. Sou um apaixonado pela realidade, pelo movimento da realidade, pelo élan, como dizia Bergson, o élan da duração. Ora matar-se significa nunca mais ler o jornal. E isso é muito..."
George Steiner em conversa com Lobo Antunes, in Revista Ler (nº 107, Novembro 2011).

Lembrar David


David Mourão-Ferreira morreu a 16 de Junho de 1996. Lê-lo, é a melhor forma de o lembrar. Neste caso, através do Soneto dos Quartos de Aluguer:

O amor é só de quem os olhos cerra
no desalmado instante da entrega.
Cerrai-vos, olhos meus, antes que cega
vos cegue a lucidez que nos faz guerra.
Cerrai-vos, olhos meus, que os indiscretos
são punidos com leis muito severas...
Cerrados, sentireis... que primaveras!
Abertos, que vereis senão objectos?
E que abjectos objectos! tão prosaicos!:
tapetes de aluguer com flor's manchadas;
entre os pés do biombo, continuadas
as tábuas do soalho por mosaicos...
...Sempre esse frio sórdido, a seguir
ao fogo em que nos qu'remos consumir!

O horário matinal do melro


As rolas começaram a arrulhar muito cedo e, pela primeira vez, que me lembre, achei-lhes o canto monótono e impertinente - porque eu tinha dormido pouco. Depois, quando estava à espera de ouvir os melros, no seu cantar melodioso, para me aquietar, vieram os pardais na sua algaraviada imparável, buliçosos dentre a folhagem frondosa de uma árvore próxima. Dos melros, já passava das oito e meia, e nada. Mas pouco antes, quando eu saíra para comprar o jornal, tinha visto um. Jovem pelo tamanho, nos seus passinhos ritmados por pausas, mas miúdos e nervosos pela estrada sem carros à hora matutina, a bicar no chão o seu sustento, mas calado e atento: primum vivere, deinde philosophari.
Faltava muito pouco para as nove, quando ouvi o primeiro trinado, próximo da varanda a leste. O melro já devia ter o papo cheio... Chegara a vez de cantar.

As inefáveis traduções...


Desta vez, o desditoso e incauto visitante era um gaulês de Bordéus, e teve a fatal ideia, talvez por curiosidade, de pedir ao Google a tradução de 5 postes do Arpose - em má hora o fez...
Vamos transcrever 3 frases de uma das traduções (?), colocando a par o texto original (poste: "Colheita do dia", de 12 de Junho de 2012) e as respectivas versões googlescas (ou grotescas?). Seguem:
1. a) no Blogue: "As sardinhas estavam óptimas e o modesto branco de Alpiarça portou-se bem."
b) versão Google: Les sardines ont eté une grande et modeste blanc Alpiarça
2. a) no Arpose: "Quanto a companhia, eu não poderia desejar melhor."
b) versão googlesca: En tant que societé, je ne pouvais rêver.
3. a) no Blogue: "Por isso, os (revistas «Mistério Magazine Ellery Queen») colhi da banca, e os trouxe para casa."
b) versão do Google: Par consequent, j'ai choisi le conseil d'administration, et a la maison.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mozart e o "Miserere" de Allegri


O "Miserere mei", composto pelo italiano Gregorio Allegri (1582-1652), e baseado no Salmo 61 do rei David, foi durante muitos anos cantado, apenas, na Capela Sistina. A sua transcrição era proibida pela Igreja, sob pena de excomunhão. Porque lhe era atribuído um poder musical mágico e sagrado, razão pela qual também só era executado e cantado por alturas da Páscoa.
No entanto, W. A. Mozart, então com apenas 14 anos, cuja memória musical era lendária, ouviu-o, na companhia do pai, Leopold, em 13 de Abril de 1770, numa sexta-feira de Páscoa, na Capela Sistina. E, quando chegou a casa, transcreveu-o, integralmente.

Patentes


Como se sabe, os Jogos Olímpicos de 2012 vão realizar-se em Londres, no próximo mês de Julho. A decisão foi tomada, em 2005, pelo Comité Olímpico.
Pois, segundo conta "Le Nouvel Observateur", pouco depois de se saber, um londrino, entusiasta dos Jogos, resolveu dar ao seu café o nome de "Café Olympic", em homenagem.
O que ele não esperava é que os advogados do Comité Olímpico o ameaçassem, em seguida, com um processo judicial por uso abusivo do nome. Mas o homem rapidamente encontrou um solução expedita, para evitar maiores despesas. Retirou o "O" inicial ao nome e o Café passou a chamar-se "Lympic".

Nicolas Poussin



Porque se volta atrás? Quase sempre por uma ilusão que persiste. Ou para acabar, de vez, com ela. Ao que dizem, Cézanne admirava o classicismo de Nicolas Poussin, que nasceu a 15 de Junho de 1594, em França, mas trabalhou grande parte da sua vida em Roma, onde veio a morrer, no ano de 1665. Por sua vez, Poussin tinha em grande estima as obras de Rafael e Giorgione. Todas estas referências e admirações enobrecem e qualificam quem as teve.
Um dos quadros mais conhecidos de Nicolas Poussin, em imagem, intitula-se "Os Pastores da Arcádia", e encontra-se no Museu do Louvre, tendo sido pintado entre 1638 e 1639. A obra coloca algumas questões. Primeiro, a inscrição "Et in Arcadia Ego", que os pastores parece tentarem decifrar. Depois, a melancolia da paisagem, talvez de Outono (da vida?), acentuada no lado direito. Finalmente, o próprio e antigo sarcófago romano que é o centro objectivo da pintura. Mas que também poderia ser um túmulo merovíngio ou visigodo, que a própria Wikipedia refere ter sido encontrado, depois da morte de Poussin, em Rennes-le-Château. Tudo questões que só o Pintor poderia esclarecer. Mas não o fez. Deve ter querido deixar alguns mistérios por resolver, para quem viesse a ver o quadro, no futuro.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Gado do vento


Sempre achei muito curiosa a expressão: Gado do vento. Em termos jurídicos, abarca qualquer gado que seja encontrado ao ar livre, sem dono. As Ordenações (filipinas?) do Reino estipulam no início do seu título XCIV, e sob a rubrica Como se hão de arrecadar, e arrematar as  cousas achadas do vento, o seguinte:
"Sendo qualquer gado, ou bestas achadas de vento, o Mordomo, ou Rendeiro, ou quem cargo tiver de arrecadar as cousas do vento, as faça logo escrever, e assentar no Livro pelo Escrivão dos Direitos reaes, ou Taballião, para isso ordenado, o qual escreverá o dia, mez, e anno, e a cór, e sinaes da cousa achada, e o nome de quem a achou, e o Lugar onde foi achada. ..."

História, Guimarães e D. João I, por um ilustrado infante vimaranense...



Impromptu


Sempre o achei um animal interessante. Não terá a elegância do cavalo, mas também não tem do boi, senão os cornos - acho eu. Dá pelo nome de uro, gnu ou boi-cavalo. E, como uro, aparece frequentemente nas palavras cruzadas portuguesas. A gravura (séc. XIX?) era barata e bonita e, por isso, não resisti a comprá-la, anteontem.

Paisagem na manhã, cedo


A penumbra em neblina veio vindo, devagar, desde o rio, por entre as ruas estreitas. Janelas, de quartos nocturnos, iam-se entreabrindo à manhã e, nos peitoris, almofadas informes da noite, ainda mornas, ficavam a arejar. O rio foi-se abrindo à luz, enfim liberto, cinzento leitoso, no entanto.
Foi então que a penumbra, ao chegar ao alto da colina se transformou numa chuva fina, oblíqua para Norte. Súbita, uma silhueta de cabelos desalinhados, claros, veio amarelo-limão, no seu pijama breve, recolher as almofadas orvalhadas da janela alta. E recolheu-se de novo ao quarto, imerso de escuridão interior. Enquanto duas cortinas esvoaçavam, brancas, pelo vento leve.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Franz Berwald (1796-1868)

Uma galeria a meu gosto (5, e último)


Da esquerda para a direita: Saint-Exupéry, John Steinbeck e Primo Levi.

D. Luís - o ponto de vista de Ramalho


Não será bem um retrato, mas dá uma perspectiva sobre quem foi D. Luís, este esboço de Ramalho Ortigão sobre as qualidades do rei. Vinha na revista O Occidente (nº 2 do vol. I, de 15 de Janeiro de 1878). Segue um excerto:
"...O que podemos dizer de sua majestade para honra dêle e ventura nossa, não é pois que é um grande rei, mas que é um rei perfeito.
O seu temperamento é precisamente o que convém aos soberanos constitucionais: o temperamento dos condescendentes.
A sua educação não é de um filósofo. A filosofia dar-lhe-ia um sistema, um método, um ponto de vista pessoal que alguma vez seria incompatível com a maneira de ver do sr. marquês de Ávila, do sr. Brancamp ou do sr. Fontes Pereira de Melo. A educação de sua majestade é a de um gentleman. Fala seis ou sete línguas, é bom músico, desenha espirituosamente, joga as armas, monta a cavalo, guia, governa bem um iate, valsa com elegância, cultiva a caça, a pesca, a navegação, todas as prendas do sport; tem conversação, tem maneiras, tem ar . É afável, compadecido, liberal, generoso. De resto é ainda o único democrata da sua côrte, na qual as vontades de dois monarcas reforçados com um exército permanente, com vários canhões modernos, e com um corpo suplementar de archeiros, não conseguiram ainda abolir inteiramente a cerimónia fetichista do beija-mão! ..."
Resta acrescentar que Ramalho Ortigão era monárquico, e foi-o sempre, mesmo depois da implantação da República, até à morte.

Adagiário XCV : Antoniano


1. Santo António tira a dor, mas não tira a pancada.
2. Nem Deus com um gancho, nem Santo António com um garrancho.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Retro (12)


Os anúncios fazem a contracapa das duas revistas brasileiras (Mistério Magazine de Ellery Queen) cujas capas já foram mostradas, hoje, no poste mais abaixo. O anúncio à Revista do Globo é de Outubro de 1950, Tricots de Paris é de Maio de 1964. A diferença de grafismos, separados por 14 anos, é notória.

Ainda com Aubry, para começar a noite

Colheita do dia


As sardinhas estavam óptimas e o modesto branco de Alpiarça portou-se muito bem. Quanto a companhia, eu não poderia desejar melhor, ou mais próxima. A temperatura, amena, e as nuvens negras, que ameaçavam, devem ter ido chover para outro lado. Por isso estava-se muito bem na esplanada e a conversa prolongou-se.
Mas eu viera, ao encontro, já bem satisfeito. Tinha encontrado, numa banca exterior de alfarrabista, a preço módico, estes Mistério Magazine de Ellery Queen, em edição brasileira, que fizeram as delícias da minha juventude, e de que ainda tenho alguns, mas não estes. Por isso, os colhi da banca, e os trouxe para casa.

Pobretes mas alegretes


Eu não sou contra as indústrias de diversão portuguesas (a pirotecnia até exporta, e bem), nem sequer me oponho às empresas que organizam festas - a nossa sociedade actual priveligia o lúdico, ou tenta ser uma festa permanente e, pensar, é um luxo vagamente aceite, mas não incentivado. Mas por outro lado, é evidente que, a estas empresas, preferiria mais metalurgia, mais indústria alimentar, solidez na construção naval, a modernização eficaz da nossa ameaçada indústria têxtil... E também sei que, para isso, é preciso administrações clarividentes e eficazes. E trabalhadores motivados.
Ora, esta manhã (cerca das 10h30), na estação de metropolitano Baixa-Chiado, vi 4 ou 5 rapazes e raparigas (precários? tarefeiros?) a levantar um arraial, no túnel de saída para o Largo do Chiado (paga a PT?). Já havia arquinhos e balões, muita policromia festiva, que o Sto. António está à porta. Mas não havia escadas rolantes... Melhor dizendo, o segundo lanço das escadas estava avariado e parado, como cronicamente acontece, e com o detestável aviso de avaria. E o panorama lembrava um ginásio de terceira idade: 3 ou 4 velhinhos faziam exercícios estóicos para subir as escadas.
Esta administração do Metropolitano de Lisboa pode ser tudo, mas é, também, de uma ineficácia total. Cumpre, mal, ao que me parece, os serviços mínimos. Ou então, está em greve. Porque será que o Álvaro, sempre a falar de produtividade, não substitui estes 5 administradores tão inúteis e que nada resolvem?

Humor negro, ou a ética dos abutres


Estratégia confirmada, em sequência cronológica: Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha...
Possíveis próximas rapinas: Itália? Chipre? Bélgica?...
Reacções dos dirigentes europeus: words, words...

com os melhores agradecimentos a AVP e RSL.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Da écloga "Montano" de Sá de Miranda, um excerto


...
Que emudece a fantasia
ver tanta contradição;
perde a verdade a valia,
anda corrida a razão,
prevalece a hipocresia,
crece o dano e não se cura;
todos gemem e nenhum fala;
polos cantos se murmura,
a honra, a vida se escala:
nenhuma cousa é segura.

Cuidar no que ontem se via
nos magoa o coração;
foge de nós alegria;
em tamanha confusão
determinar venceria.
...

Nota: optei pela versão actualizada, de Rodrigues Lapa, na edição de Clássicos Sá da Costa.

Regionalismos minhotos (17)


Mais sete regionalismos da região do Minho, retirados da mesma obra que temos vindo a seguir:

1. Marralhento - Marralheiro, ser maçador na compra e venda, regateador.
2. Marrocar - Dormitar.
3. Mascambilha - Corja, canalha. (conheço moscambilha, com o significado de patifaria ou trafulhice.)
4. Masmarro - Palerma, boca-aberta.
5. Mazapo - De baixa estatura, atarracado.
6. Mázaro - "É um mázaro": é uma boa pessoa, dá tudo (Póvoa de Varzim).
7. Mégueiro - Burro. Homem estúpido.

Jean-Joseph Mondonville (1711-1772)

Em louvor de "Infância", de Graciliano Ramos


O último capítulo de "Infância" (1945), de Graciliano Ramos (1892-1953), intitula-se, simbolicamente, Laura e narra o princípio da adolescência de uma criança de 11 anos, com a descoberta do seu primeiro amor. Como todo o livro, está admiravelmente bem escrito, e onde não falta, também, alguma ironia. É, quanto a mim, uma obra-prima da língua portuguesa. Antes que passe o volume para mãos amigas, numa partilha da alegria de o ter lido, aqui deixo mais um pequeníssimo excerto ( da página 273) desse último capítulo:
"...Mal percebi o rostinho moreno, as tranças negras, os olhos redondos e luminosos. O meu ideal de beleza estava nas donzelas finas, desbotadas, louras, que deslizavam à beira de lagos de folhetim, batidos pelos raios de luar, cruzados por cisnes vagarosos. Laura não possuía o azul e o ouro convencionais, mas dividia períodos, classificava orações com firmeza, trabalho em que as meninas vulgares em geral se espichavam. Imaginei-a compondo histórias curtas, a folhear o dicionário, entregue a ocupações semelhantes às minhas - e aproximei-a. Se ela estivesse próxima, não me seria possível concluir a veneração que se ia maquinando. Situei-a além dos lagos azuis, considerei-a mais perfeita que as moças do folhetim. ..."

Novo leilão


Dentro de uma semana, vai realizar-se um novo leilão de José Vicente, composto por obras diversas, de livros a fotografia. Destaque para desenhos e aguarelas de Bernardo Marques, José Escada e Mário Botas. No que diz respeito a livros, de salientar uma raríssima edição de Amato Lusitano (lote 160), impressa na Basileia, no ano de 1556, e que tem uma estimativa de venda entre 5.000 e 8.000 euros. Mas também uma 2ª edição (1614) de Sá de Miranda (lote 631) que pertenceu ao rei D. Carlos, com perspectiva entre 1.500 e 2.500 euros. E, não menos importante, a primeira edição do Livro de Cesário Verde (1887) com uma estimativa entre 1.250 e 2.500 euros - a edição foi apenas de 200 exemplares. Mas também há obras mais acessíveis, para bolsos menos afortunados... 

domingo, 10 de junho de 2012

Gustave Courbet


Este quadro de Gustave Courbet (1819-1877), do Museu Fabre, de Montpellier, faz-me sempre lembrar a conhecida frase de H. Stanley, nas Victoria Falls (África), quando encontra Livingstone, finalmente, e diz: "- Dr. Livingstone, I presume".
Em Maio de 1854, Courbet chegou a Montpellier, convidado por Alfred Bruyas, mecenas e coleccionador de arte. Na tela, o homem com o cajado é Courbet, ao encontrar-se com Bruyas, o criado e o cão. E o título do quadro é linear: "Bonjour, Monsieur Courbet".
Gustave Courbet era um homem simples, anti-intelectual, e nasceu a 10 de Junho de 1819, em Ornans (França).

À guisa de inventário, com questionário íntimo


A restolhada de pequenos pássaros calou-se pouco antes das nove, ainda a lua não tinha nascido. Mas, como fui ficando pela varanda, deu para ver que, nos estendais, não havia toalhas de praia a secar, nem pelos peitoris das casas, as bandeiras nacionais do tempo de Scolari - estamos todos um pouco emurchecidos (pela crise?)...
Que vai ficar do dia?
O chão lilaz atapetado por flores de jacarandá? As preciosas figurinhas de terracota de Machado de Castro? Cranach, revisitado? O alarme teimoso a tocar 4 vezes? O bacalhau com broa? Ou o crepe frugal? A conversa sobre orquídeas e limoeiros? Ou a música de Thomas Arne, que ouvi há pouco?
A memória há-de fazer a triagem, com o tempo: vou deixá-la sossegada, por hoje.
Na certeza, porém, que dois amigos ficam. E algumas palavras.

para quem sabe.

Versalhes e Rameau