sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Conselho amigo


Raramente sou de muitas palavras, até porque acho que todos podemos ser sucintos e essenciais naquilo que queremos dizer... De gorduras, bastam as que vamos adquirindo, inúteis, com a idade. E, depois, alguns raros comentários palavrosos que me chegam ao Arpose, deixam-me, muitas vezes, quase sem resposta.
Mas gostaria de recomendar, vivamente, os 9 minutos iniciais da Circulatura do Quadrado, de ontem (7/11/2019), por toda uma questão de sanidade mental. E pela forma simples e exemplar de expor as questões e de saber pensar - o que, em Portugal, vai sendo cada vez mais raro. Sobretudo, politicamente.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

John Blow (1649-1708)






Mercearias Finas 151


O Mateus é mais velho do que eu. Rosé, quero dizer. Porque a colheita inicial, criada pela família Guedes, da hoje Sogrape, aponta o ano de 1942 para o seu nascimento enológico.
Contaram-me, mas não garanto a absoluta veracidade da história, que a sua promoção e marketing se fez de forma artesanal, embora intensa, inteligente e pertinaz. Entre outras oferendas, mandavam todos os anos uma caixa de garrafas do vinho para a família real inglesa. E, ao que parece, Isabel II habituou-se...
O lançamento das magnum Mateus Rosé, pomposamente, aconteceu no ano de 1978, no Zoo de Londres. Por essa altura, já Jimmy Hendrix, da mesma colheita (1942) estava conquistado e convencido. Mas também já morto.
Os Guedes diriam como Leonard Cohen: "First we take Manhattan!". Porque o resto dos marcanos vieram a seguir, acarneiradamente, como é costume. E os EUA são hoje o maior mercado do Mateus Rosé, neste nosso mundo.
Quanto a mim, o último rosé que bebi era da Quinta de Lagoalva. E também não fiquei freguês...

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Citações CDXX



A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é a arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência, nem uma estética, nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna.

Sophia Andresen (1919-2004) in Arte Poética II.

Curiosidades 77


Embora grande apreciador da obra de Camilo (1825-1890), curiosamente, nunca me interessei por primeiras edições ou raridades que tivessem saído da pena do autor de Amor de Perdição. Por maneirinhas, sempre achei graça e gosto às edições da Travessa da Queimada (devo ter aí uns 10 títulos...). Mas as iniciais edições da Parceria A.M.Pereira também concitam o meu agrado, até pela sua capa flexível e maleável.


Não sendo, nessa fase, integral quanto à bibliografia camiliana (compreende 80 volumes), a colecção abrange porém o que, de mais importante, o Escritor escreveu e publicou. Pelo início do século XX, a referida editora propunha também, ao leitor, um armário com estantes destinado a albergar todos os volumes da edição. Como se poderá ver na imagem publicitária do anúncio.


E o que me parece ter sido uma ideia original e pioneira nos propósitos de organização.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Pinacoteca Pessoal 157


Edward Collier (1642-1708), como ficou conhecido na Inglaterra e está legendado na Tate, ou Edwaert Calyer, como foi baptizado em Breda, pertence ao período mais importante da pintura flamenga. Emigrou para a Grã-Bretanha em 1693, onde veio a falecer quinze anos mais tarde, em Londres.

Notabilizou-se sobretudo pelos temas de Vanitas e Trompe l'oeil que ocupam uma boa parte da sua obra e que eram muito apreciados pelas classes aristocráticas inglesas.
Anote-se, como curiosidade que, no último quadro, está representada uma edição coeva dos Essays de Michel Eyquem de Montaigene (1533-1592).

domingo, 3 de novembro de 2019

Marie Laforêt (1939-2019)


Por várias razões, sem palavras.

Belcea Quartet - Opus 131 - Beethoven String Quartets



...
Mas, se não é, que dizem lancinantes,
neste discreto passeio pelo tempo,
os quatro instrumentos semelhantes
no seu modo de criarem som?
Tão terrível. Sufocante. Doce
ou agridoce desconcerto harmónico.
Que diz? Que diz? Neste contínuo
de temas e andamentos, de tonalidades,
o que justifica? Que discutem eles?
A sua mesma natureza de instrumentos
e as combinações até ao infinito
de um mecanismo abstracto do imaginar?
Como pode uma coisa que sentimos tão medonha,
tão visionariamente séria e pensativa,
ser irresponsável?
...
Jorge de Sena (1919-1978), in Ouvindo o Quarteto Op. 131, de Beethoven ("Arte de Música").

Um CD por mês (7)


Se é seguro que li, ainda em 1968, a Arte de Música (Moraes Editores), de Jorge de Sena, a audição completa dos Quartetos para Violino, de Beethoven, não a consigo localizar com rigor. Talvez 1995 ou 1996.
Tinha lido algures que era o conjunto mais complexo e difícil da obra do Compositor.


E, realmente, as minhas primeiras impressões não foram, de todo, agradáveis, e tudo me soou a áspero e um pouco estranho, na sua aparente agressividade harmónica. Contudo, pouco a pouco, e ao longo dos 8 CD, nas suas 9h15 de audição, fui-me habituando à sua beleza algo selvagem.


A execução, pelo Medici String Quartet, é primorosa. E a Nimbus Records, em edição limitada, fez sair este conjunto de 8 discos no ano de 1994. A gravação decorreu de Dezembro de 1988 a Março de 1990, em Aldeburgh (Inglaterra).

sábado, 2 de novembro de 2019

Carta inédita de Jorge de Sena


Passam hoje 100 anos sobre o nascimento de Jorge de Sena, em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919.
A adolescência ou é atrevida e irreverente ou não será autêntica juventude. Da maturidade, há que esperar alguma recatada e avisada prudência, como é natural.
Foi assim que, há 49 anos, em Março de 1970, eu tive a ousadia de me dirigir ao catedrático e poeta, na altura radicado nos Estados Unidos, e informá-lo de umas traduções, em castelhano, de 5 poemas de Cavafy, feitas por José Ángel Valente*, que não constavam da bibliografia** do livro 90 e mais Quatro Poemas de Constantino Cavafy  (1970), que Jorge de Sena (1919-1978) publicara pouco antes (Editorial Inova, Porto).


A resposta foi rápida e o agradecimento generoso. Mais tarde, acabei por enviar a Sena cópia dos poemas traduzidos por J. Ángel Valente. Que o Poeta veio também a agradecer, numa segunda carta, que consta do arquivo do Arpose, em poste publicado a 2 de Novembro de 2010. E por aqui ficou a nossa breve troca de mensagens. Esta primeira carta mantive-a inédita, a pedido (1989) de Mécia de Sena (1920). Hoje, julgo que nada justifica não a tornar pública.


Sendo que me parece a melhor forma de lembrar e de homenagear Jorge de Sena, neste centenário do seu nascimento, através das suas palavras, ainda que escritas.


* insertas na  Revista de Occidente, nº 14, Madrid, Maio de 1964.
** na segunda edição do livro (Centelha, Coimbra, 1986), a bibliografia foi acrescida do trabalho de José Ángel Valente, de que eu tinha informado Jorge de Sena.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Da riqueza e dificuldades da língua portuguesa (3)


A contenção é rara entre os latinos, e uma virtude nobre se acontece. O barroco é grandemente sulista, na sua verborreia decorativa de brilhos e dourados. A concisão dos nossos anexins ou adágios de lapidar sageza contrapõe-se, desabrigada, à multidão, quase toda redundante, de epopeias portuguesas que, depois de Camões, enxameou os nossos séculos XVII, XVIII e XIX. Para culminar e acabar talvez, em 1972, com as QVYBYRYCAS, de A. Q. Grabato Dias (1933-1994), editadas em Moçambique, com competente prefácio de Jorge de Sena (1919-1978).
Esta lusa falabaratice desbragada contribuíu, certamente, para a inexistência de uma filosofia genuinamente portuguesa que orientasse, projectasse e arrumasse os nossos desígnios mais íntimos e os encaminhasse para objectivos maiores e essenciais. Não raro, até os nossos, por caridade chamados, proto-filósofos - de quem, por pudor cristão, não refiro os nomes - frequentemente, pelos seus textos desorganizados, se perdem em obscuros labirintos, por onde o seu pensamento e teorias se fragmentam, estiolam e perdem, em definitivo, por terras sáfaras de nenhures.

Debussy / Grimaud

Adagiário CCCII


Azeitona com pão alvo é comida de fidalgo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Um poema de C. Cavafy (1863-1933), traduzido


Desejos

Como belos corpos possuídos pela morte em plena juventude,
que hoje jazem, sob lágrimas, em mausoleus esplêndidos,
coroados de rosas e, a seus pés, jasmins -
assim aqueles desejos de uma hora
que nunca foram cumpridos; e os que nunca gozaram
o prazer de uma noite, pela manhã radiante celebrado.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Recomendado : oitenta e dois


São 15 as páginas do dossiê que Le Magazine Litteraire, de Novembro, dedica a Montaigne (1533-1592). Curiosamente, a menos que eu não desse por isso, a revista literária francesa não fala de nenhum dos 2 Nobel atribuídos ainda há muito pouco tempo. 
Xenofobia ou prudência? 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Citações CDXIX


É, de há muito, um axioma meu dizer que as pequenas coisas são infinitamente as mais importantes.

Arthur Conan Doyle (1859-1930), in A Case of Identity.

Schumann / Shapira

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Noites passadas


Numa das últimas vezes que passei pela Praça da Alegria vi, com desconsolo, que o velho Fontória tinha cedido o lugar a um qualquer boteco, desses descaracterizados que pululam por Lisboa, a modernista metrópole que se foi vergando, com a ajuda do seu mayor-minor, às exigências do mercantil turismo low cost, de sandálias plásticas e de trotinetes abandonadas por aí.
É certo que já o tinha conhecido ( ao Fontória) bastante decadente, por dentro, com balzaquianas espanholas que, convidadas para as mesas, se encarregavam, ciclicamente fingindo descuido, de verter e deixar cair para o chão copos e garrafas de whisky, para um maior consumo... No início desses anos 70, a boate, conservava a pátina dos anos 40/50. E era castiça pela singularidade. Nova, relativamente, mas com refegos, era uma stripper de Oeiras, que lá fazia o seu trabalho dançante todas as noites, acompanhada por uma vetusta orquestra pródiga em paso-dobles sul-americanos. Revivia-se um passado, por lá, imaginando.


No lado esquerdo, (para quem descia), da Avenida da Liberdade, havia concorrência mais fina. A Cova da Onça e O Hipopótamo, no final da A. A. de Aguiar, ombreavam e pareciam ainda recentes, tinham mais raça e distinção. Não havia porém variedades, mas apenas música ambiente para dançar e umas vistosas vitrines iluminadas, com peluches e bijuteria barata para oferecer às meninas em transumância que por lá passavam. Como quase tudo, o interior humano era nómada e estacionava apenas um pouco nesses apeadeiros de diversão soft.
O último já fechou, há anos, mas a Cova da Onça creio que continua a funcionar na Avenida da Liberdade, apropriadamente...


Ainda me lembro de O Caco, já desaparecido também, creio que na Barata Salgueiro, mais pequeno, modesto, cosy, onde o whisky era mais barato e serviam graciosamente, aos clientes fidelizados e com garrafa assinalada, uns salgados miniatura, ainda mornos e bons, pouco depois da meia-noite. Recinto em que a Cubana, de formas opulentas, reinava e fazia jus em mostrar aos incréus o seu passaporte de nacionalidade revolucionária.
Depois, havia ainda o Nina, ao Chiado, que era mais fino e só lá entrei uma vez. Hoje, é restaurante...
Outros tempos.

domingo, 27 de outubro de 2019

Uma fotografia, de vez em quando... (133)


Holandesa e judia, a fotógrafa Emmy Andriesse (1914-1953) teve vida breve e atribulada.
No período da II Grande Guerra foi obrigada a exercer clandestinamente a sua profissão e, muitas vezes, sob pseudónimo, ocultando as suas origens.


Os seus modelos, nesse período, frequentemente, eram crianças, algumas delas famélicas, que viviam em Amesterdão. No final da guerra dedicou-se a fotografias de Moda e, antes de morrer de cancro, conseguiu ainda fazer exposições que deram a conhecer a qualidade da sua obra.


sábado, 26 de outubro de 2019

Em tempo


Amanhã de madrugada o tempo volta para trás: às duas horas, o relógio deve atrasar-se uma hora. Sempre são mais 60 minutos de sono, para quem goste de dormir...

Visée / Nordberg

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Osmose 111


Claro que posso dizer: vivo há 45 anos em Lisboa. Mas é falso ou, pelo menos, não é exacto. Quantos dias que, somados, fariam anos, passei por outras terras portuguesas, para além dos muito mais de 17 anos que vivi em Guimarães? E pela vizinha Espanha, por onde me iniciei em tenra meninice, devo ter, bem à vontade, aí 2 meses de permanência, feitas as contas de somar. Pouco mais ou pouco menos, deve seguir-se a Bélgica, que ultrapassa largamente Paris de França onde me aboletei cerca de uma semana, bem cara por sinal, aos preços da época. De Luxemburgo foi apenas um vol d'oiseau, menos ainda do que as horas que passei na e pela Holanda.
Europeu ocidental de alma e coração, e sem desejo doutras pátrias de afeição, restam-me Londres, Kew Gardens e Greenwich, por onde andei cerca de mês e meio, em seis anos distintos. Inglaterra, portanto. E, finalmente, a Alemanha, ocidental claro, que me acolheu bem perto de dois anos espaçados, por entre 1963 e 2018 - campeã das minhas permanências estrangeiras.
Se usasse de ufania, bem poderia dizer que tive a alma em pedaços pela Europa repartida, como do Mundo se gabava o nosso Vate maior...

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Últimas aquisições (19)


Costumo dizer que os livros de arte têm pouca utilidade e uso: quando muito, folheiam-se uma vez por ano, e ficam repousados todo o resto do tempo, nas estantes, a apanhar pó...
Mas uma coisa é o que eu digo e outra o que faço. De longe a longe, também incorro no pecado de os comprar. Como foi o caso, recentemente.


Dizem, e eu acredito, que é na ilha da Madeira, mais concretamente no Funchal, que se encontra o maior acervo português de arte flamenga. Ao que parece, os madeirenses mandavam açúcar para os Países Baixos e, em troca, recebiam pintura. 
Como não era previsível, tão cedo, eu ir visitar o Museu de Arte Sacra do Funchal, comprei o livro.


Sobre o Património Português, e no que diz respeito à reabilitação de Guimarães, é o outro volume adquirido. Ambos os livros, além de estudos especializados, são abundantes em cuidada iconografia.
Dei por eles 30 euros. Atendendo à qualidade e ao estado das obras foi um preço justo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Tempos


O tempo consegue dar a volta a muita coisa. É notória a transformação que se verifica, por exemplo, nos anúncios publicitários. O que era sério, ou para ser levado a sério, há 80 anos, hoje provoca-nos um sorriso, pelos meios cândidos e ingénuos, usados nessa altura. Como neste anúncio às meias Kalio... 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Divagações 154


Há autores com que nos cruzámos por um feliz acaso (Karl Kraus), escritores que, amigavelmente, nos indicaram (Guimarães Rosa), certeiros, outros ainda que vieram ter connosco, como se fossem de família, emigrantes de longes terras (W. G. Sebald).
Nem será pelo estilo, sardónico demais em Kraus, trabalhoso de descodificar, muitas vezes, em Rosa, plácido de territórios nas páginas calmas de Sebald, mas alguma coisa, em todos eles, me aproxima e atrai, intimamente. A começar, pelo modo de sentir ou de reflectir.
Que na leitura acompanho, paralelamente.

Nota pessoal: considero A Descrição da Infelicidade como o mais ambicioso e difícil de leitura, dos 7 livros que já li de W. G. Sebald. Aqui fica a nota preventiva...

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Philip Glass / Godfrey Reggio



Esta música de Philip Glass, com duração de cerca de 8 minutos, foi concebida para acompanhar o filme de Godfrey Reggio que regista a demolição do bairro Pruitt Igoe, na década de 70. O bairro social norte-americano, já muito degradado, fora construído sob planta do arquitecto Minoru Yamasaki (1912-1986), entre 1954 e 1955. O arquitecto foi também quem projectou as torres do World Trade Center.
Pelos vistos, as suas obras tinham propensão para serem deitadas abaixo...

Regionalismos dos Arguinas (4)


Abundante em pedra, a zona geográfica em redor de Oliveira do Hospital produziu, naturalmente, bons pedreiros e canteiros que, por sua vez, desenvolveram um linguajar castiço e próprio que, usado no seu dia a dia, os colocava ao abrigo de estranhos, criando-lhes uma intimidade corporativa e fraterna. 
Conhecidos como Arguinas estes artífices de Santa Ovaia e Nogueira do Cravo, os seus regionalismos foram coligidos e postos em livro (existem, pelo menos, 3 edições) pelo jurista Francisco Correia das Neves, pela primeira vez, em 1958. Desse opúsculo seleccionamos, hoje, os termos regionais começados por g. Como se seguem:

1. Galropiar - falar, dizer.
2. Gâmbias (ou jambarotas) - pernas.
3. Gandiço - comida, refeição.
4. Gavins - escudos (moedas).
5. Gazulo - cachorro, cão pequeno.
6. Ginjal - cemitério.
7. Grodão - sopa, caldo.
8. Grumeia - casa, obra, construção urbana.
9. Guichoilo - pequeno, baixo.

domingo, 20 de outubro de 2019

Bibliofilia 141


Polémica para a época, esta Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica foi publicada, em Novembro de 1965, por Fernando Ribeiro de Mello (1941-1992), sob a chancela da editora Afrodite, com prefácio, selecção e notas de Natália Correia (1923-1993) e ilustrada por Cruzeiro Seixas (1920). A obra acabou apreendida pela Censura estadonovista e os responsáveis da edição foram julgados em tribunal. Até vir a ser reeditado, o livro saía normalmente caro em leilões, por haver poucos exemplares "sobreviventes"...

O meu exemplar comprei-o em finais dos anos 80 por Esc. 2.800$00 e tem uma dedicatória do editor Ribeiro de Mello (para Fernanda Botelho?).
Num leilão de José Manuel Rodrigues, em 1993, foi vendido outro exemplar (lote 260) por Esc. 8.500$00. Em Julho de 2006, o Boletim Bibliográfico de Luís Burnay incluía a mesma obra, brochada, sob o lote 32, ao preço de 68 euros.
Presentemente, exemplares desta primeira edição, de 1965, vendem-se bastante mais baratos.

sábado, 19 de outubro de 2019

Rossini / Bartoli

Mercearias Finas 150


Mal me daria a pensar escolher e aprovar uma caldeirada, com todos os matadores, que não fosse em zona marítima ou próxima de águas salgadas. Póvoa, Cacilhas, Trafaria, na minha memória gustativa, honraram bem o compromisso. A que se junta, galhardamente, Santarém por excepção, em dias recentes, que, de águas, é só doces e fluviais por Tejo perto, lá ao fundo, abaixo do planalto nobre e citadino.
Aponte-se no canhenho gastronómico a Taberna do Quinzena, na rua Pedro Santarém, da dita cuja cidade ribatejana. Pela sua soberba caldeirada bem apaladada, a que se seguiu um tenro cabritinho de forno e mama, com arroz de miúdos e batatinhas muito bem assadas. À sobremesa uma pêra bêbada de feição e, para HMJ, um leite-creme.
De fundo, cartazes e cenário tauromáquico, com velhas glórias das arenas lusas.
A tudo fez companhia, e bem, um Casal da Coelheira, branco, com Verdelho e Arinto, boníssimo e suave. Havemos de voltar...