segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Sem título


Pode viver-se por convencimento tácito uma situação, que se repete, ainda que lhe faltem os ingredientes originais e as personagens matriciais que lhe deram substância em tempos remotos. Pode até não haver a falsidade de nos enganarmos, mas simplesmente uma adesão afectuosa de aconchegarmos o corpo, do frio, e a alma, de saudosas memórias. Podemos até mudar de geografia, de casa, de gastronomia, mas o Natal acaba sempre por vir ter connosco, quer queiramos ou não, na sua nudez de criança e maravilha, na sua incomodidade desajustada, às vezes. Até um dia, em que faltaremos à mesa...

domingo, 17 de dezembro de 2017

Do que fui lendo por aí... 16


É impossível, creio, para qualquer poeta, enquanto escreve um poema, aperceber-se com total acuidade de aquilo que está a acontecer, bem como definir, com segurança, o que é devido à actividade subconsciente, sobre a qual ele não tem qualquer controlo, e o que é produto do artifício (craft) da criação. Tudo o que se possa afirmar, com certeza, é sempre pouco rigoroso. Um poema não é criado, em si, apenas no espírito do poeta, tal como uma criança se desenvolve no útero materno; algum grau de participação consciente do poeta é necessário; alguns elementos de artifício (craft) estão sempre presentes. Por outro lado, a escrita de poesia não é, como a carpintaria, um simples ofício; um carpinteiro pode decidir construir uma mesa de acordo com determinadas características e sabe de antemão que o resultado será exactamente aquele que planeou; mas nenhum poeta consegue saber o que vai ser o poema, até acabar de o escrever.

W. H. Auden (1907-1973), in The Dyer's Hand (pg. 51).

A insustentável leveza dos nóveis políticos


Às vezes, ainda fico pasmado com a falta de memória histórica de muitos dos políticos actuais. E com a sua pureza ingénua, alheia à lógica e coerência das consequências resultantes de algumas decisões tomadas de ânimo leve. Já não bastavam os pedidos de desculpa, perante factos do passado, de alguns Papas recentes e PR, que se desmultiplicaram a pedir perdão por acontecimentos, explicáveis na altura, mas hoje condenáveis pela moral vigente. O que é que adiantam, de facto? Para além de se reordenarem pelo execrável e hipócrita catálogo actual do politicamente correcto? Nada - concluo, pois o mal está feito, de pedra e cal, no passado.
Pasmei, de facto, com esta notícia do Le Monde (cuja imagem encima este poste) em que o sr. Macron se propôs, na sua leveza juvenil, devolver ao Burkina Faso, obras de arte africana, existentes em França. E não pude deixar de pensar na Bíblia dos Jerónimos, manuelina, levada de Lisboa, pelas hordas napoleónicas de Junot, e que teve de ser resgatada, mais tarde,  para voltar a Portugal. Será que o núbil PR francês estará a pensar, também, pedir à sr. May para restituir a Pedra da Roseta (hoje, no Museu Britânico) -  atendendo ao Brexit e na mesma coerência cristã - ao Egipto, raptada que foi, sob o alto patrocínio de Napoleão e do sr. Champollion, da terra dos Faraós, em 1799?
Porque, e como dizia o sapateiro de Braga: "ou há moralidade, ou comem todos".


sábado, 16 de dezembro de 2017

Impromptu (33)


Entre o intelectual da direita extrema e o fortalhaço da ponta esquerda, os três cavalheiros do centro equilibram o conjunto. E desafiam qualquer um a arrostar com o frio que se aproxima neste Dezembro de 2017...
É certo que, assim trajados, isto só poderia ter acontecido no Verão. De 1944.

Sobreavaliados e subavaliados


No penúltimo TLS (nº 5984), a direcção da revista literária inglesa resolveu repescar um inquérito que, em 1977, tinha feito junto de algumas personalidades conhecidas, sobre escritores e obras que eles consideravam sobreavaliadas e subavaliadas, na sua qualidade artística ou de importância. Passo a fazer uma pequena selecção das respostas de 5 dos inquiridos.

1. Roland Barthes. Sobreavaliado: Malraux; subavaliado: Raymond Queneau.
2. Philip Larkin. Sobreavaliado: "Women in Love", de D. H. Lawrence; subavaliada: Barbara Pym, com as suas novelas.
3. D. J. Enright. Sobreavaliada: "A Morte em Veneza" de Thomas Man; subavaliado "O Doutor Fausto", do mesmo escritor alemão.
4. Quer David Hockney, quer Bob Dylan, consideraram a Bíblia sobrevalorizada.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Uma breve entrevista de W. G. Sebald, abordando o quotidiano e a fotografia

O ralo estreito das escolhas pessoais


De vez em quando, mas muito raramente, um nome novo passa no meu crivo. Se quanto a pintores, os últimos a ganharem preferência (há 15?, 20 anos?) foram Turner e Hockney, os realizadores de cinema também não têm aumentado, muito, ultimamente. O mais recente, talvez tenha sido Tornatore, depois de Sorrentino e Moretti, na minha parca lista de favoritos de referência. E, quanto a escritores de policiais, já fechei o círculo restrito, em que ocupam lugar de honra S. S. van Dine e Simenon. Porque, com a minha idade, é salutar não perder tempo com frioleiras que nada trazem de novo e, por isso, tento exercer o meu sentido crítico com rigor austero.
Claro que não sou imune a nomes que se repetem freneticamente nas páginas literárias - quanto a escritores - e que são aconselhados por recenseadores sérios (críticos é que já não há...). Mas basta-me folhear, numa livraria, alguma obra muito falada, para tomar posição definitiva sobre um autor. Raramente me deixo impressionar com a moda. Muito menos, por esses enxames de (falsos) blogues, em que algumas domésticas (a soldo de editoras) e mulherzinhas, com vocação de costureiras, tecem loas altíssimas a obras pindéricas, normalmente mal escritas, publicadas por núbeis ou velhos "suspeitos do costume"...
Para mais, estamos a atravessar a época natalícia das miragens, com recomendações equívocas e fraudulentas de vinhos, livros, filmes e quejandos, de qualidade muito duvidosa. Acresce o facto de eu precisar de levar para longe, comigo, alguns livros (3?) que me acompanhem de entretém mental, nesse país distante onde, por esta altura, neva, e em casa alheia. Lembro-me que, de uma vez, me fiz escoltar de Vergílio Ferreira, Steiner e Xavier de Matos, para uma aldeia renana, a que se juntou um livro de René Char, comprado, depois, em Liége. E bem. Que a escolha foi avisada!...
Por agora, vai curta a selecção e próxima a partida, e tinha apenas para levar Pátria apátrida, de W. G. Sebald (1944-2001), autor alemão que recentemente passou na inspecção apertada do meu crivo de referências. Deus me inspire a descobrir mais dois ou três livros, para levar e ler! O que vai ser difícil e um bico de obra, no já pouco tempo que me resta, para seguir viagem.
Mas, hoje de manhã, lá consegui descobrir na (Livraria) Escriba, mais uma obra que promete, muito bem traduzida por Aníbal Fernandes. E de uma editora alternativa (sistema solar) que, como vai sendo hábito, as páginas literárias conceituadas nem sequer falam...


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Curiosidades 67


Se o aperto de mão é consensual em quase todo o mundo, o beijo, como saudação física, já é mais restrito. Muito menos o beijo na boca que, efusivo e frequente entre os antigos dirigentes comunistas, julgo que o varonil sr. Putin deixou de praticar. Não me esqueço, porém, daquele beijo de Judas que o sr. Gorbachov deu ao seu camarada Honneker, da RDA, pouco antes de o deixar cair fragorosamente, bem como ao seu regime...
As saudações orais variam muito, de país para país. Na Mongólia, por exemplo e pelas agrestes condições climáticas, os seus habitantes costumam cumprimentar-se com uma frase, mais ou menos, nestes termos: Então vais passando bem pelo Inverno?
Regressando aos ósculos, registo que os belgas costumam saudar-se com 3 beijos na face. Em Portugal, um tio ou uma tia, oscula-se apenas uma vez - é de bom tom. Enquanto o lusitano comum dá dois beijos, repenicados ou não.
O caso mais diversificado, por norma, ocorre em França. Em Paris, são dois ósculos, tal como cá. Mas na Provença, usa-se dar 3 beijos, 4 no Vale do Loire e, na ilha de Córsega, talvez por serem mais beijoqueiros, vão até 5 - como nos informa Andy Scott, no seu livro One kiss or two?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Idiotismos 43


Ao que parece, no inglês norte-americano os hífens têm vindo a desaparecer, ultimamente, enquanto na Grã-Bretanha se têm mantido. O que tem provocado algumas reacções daqueles que costumam escrever para publicações dos dois países, devido às diferentes grafias.
Em Portugal o movimento, se calhar, vai em sentido inverso. Dei-me conta que o antigo regabofe, agora, para ser correcto, deve escrever-se: rega-bofe. Com hífen, portanto. Porquê, não sei, porque o facto já é anterior ao AO. Mas a palavra não deixa de ser curiosa, em si.
Entendida literalmente significaria: molhar os pulmões (bofe/bofes). Mas os dicionários registam que um rega-bofe é uma festa onde se come e bebe à farta ou, então: vida airada; mas também poderá significar folia ou divertimento em larga escala.
Pessoal ou subjectivamente, tenho rega-bofe como muito próximo do ad libitum da praxe académica coimbrã que gritado pelo chefe de trupe permitia que um infeliz caloiro fosse rapado totalmente, pelo grupo. Mas também me lembro do é fartar, vilanagem, que Álvaro Vaz de Almada, Conde de Avranches (1390-1449), pronunciou na batalha de Alfarrobeira, antes de se entregar à morte, lutando.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A propósito de um livro de exercícios


Durante muitos anos, pensei, intuitivamente, que todos os meus amigos e conhecidos sabiam nadar e andar de bicicleta. Pareciam-me daquelas competências básicas que, nas palavras do escritor Georges Perec, se pode traduzir (Pedro Tamen) por: a vida, modo de usar. Estava redondamente enganado.
Mas também eu nunca fui muito de exercícios físicos e, nesse aspecto, encontro-me na boa companhia de Churchill.
Na disciplina liceal de Ginástica, cumpria os mínimos, mas a subida da corda ou o salto sobre o fosso, na tropa, sempre me criaram alguma angústia existencial... Não era o caso do tronco, temível para os de pequena estatura corporal, a que eu chegava com extrema facilidade por ser alto.
Para quem tem muitos livros, a existência de nichos escusos de difícil acesso e volumes em segunda fila faz esquecer, com o tempo, obras significativas ou de particular estima que, momentaneamente, vamos arrumando em prateleiras secundárias, à falta de melhor espaço.
É o caso deste O Meu Systema, de I. P. Müller (1866-1938), que me coube por herança de pessoa muito próxima. 
Numa edição da Bertrand (como sempre, manhosa, sem data de impressão...), provavelmente de finais dos anos 30, terá custado a esse meu familiar, uns módicos Esc. 8$00. E, por ele, terá aprendido os rudimentos do exercício da Ginástica Sueca (embora o autor da obra tivesse sido um oficial do exército dinamarquês), muito em moda na época. Que as fotos e imagens são bem elucidativas.


Pois, lubrificado hoje, pela matinal e salutar natação da piscina autárquica, eu consegui debruçar-me, facilmente, para o lado esquerdo da secretária, e encontrar esta preciosidade bibliográfica, na prateleira do fundo.


De que, aqui, fica um pequeno respigo iconográfico, antes que o livro regresse à estante mais térrea...

domingo, 10 de dezembro de 2017

Natal, livros, fadas, arte e pesadelos...


Por esta época, retrocedemos. Ao menos, de memória. Uma fuga ilusória para o virtual aconchego de uma infância retocada de lareiras, brinquedos, livros de fadas e afectos desaparecidos, em que o futuro parece ser apenas o passado do presente. E não será preciso citar T. S. Eliot para reunir os três tempos do Tempo, numa confluência desejada, mas irreal.


A artista britânica Su Blackwell (Sheffield, 1975), tirado o curso de Belas-Artes, tem-se dedicado, desde 2003, a recortar livros infanto-juvenis, usados, que compra em alfarrabistas, transformando-os em pequenas esculturas de papel, alusivas às histórias aí narradas. Evidentemente que as palavras acabam por ser canibalizadas pela imagem. Como antes, as árvores tinham sido canibalizadas pelos livros.



Será muito discutível este processo. Para alguns, esta destruição dos livros pode assemelhar-se a um pesadelo desrespeituoso; para outros, sobretudo nesta época natalícia, a fantasia que desperta, anula, de algum modo, o acto criminoso.
Seja como for, cada um destes livros artísticos é vendido a 5.000 libras inglesas...
Alguém quer atirar a primeira pedra?

Uma fotografia, de vez em quando... (101)


Era Eugénio de Andrade que dizia, a propósito dos nossos fascínios e obsessões, que "não se escolhe, é-se escolhido". O argentino (Pedro) Luis Raota (1934-1986), filho de camponeses pobres, teve desde cedo uma particular atracção pela fotografia.




E captou, maioritariamente a preto e branco, figuras e rostos de desfavorecidos, carecidos no viver do dia a dia, desenraízados, muitos deles ancorados na esperança transcendente de outros mundos. A sua obra teve o reconhecimento de vários prémios internacionais.



Mas a algumas das suas fotografias não faltou, também, um ou outro sinal de humor e irreverência.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Osmose 91


Há memórias que não jogam, entre si. Ou porque os intervenientes não chegam a acordo quanto a datas e pormenores, ou porque somos a única testemunha sobrevivente e já não temos ninguém que  possa certificar  o facto com rigor.
Por uma coincidência, de estatística altamente improvável, sei que eu e mais dois amigos nos encontrámos, afortunadamente, no Verão de 1973 ou 1974, em Londres, numa esquina de Picadilly Circus, por mero acaso. Como diziam os antigos cauteleiros: há horas felizes...
Eu sei que o mundo é pequeno.
Mas nem eu, nem o Carlos, nem o António, nos lembrámos de mais nada. Para além desse facto real.
Quando muito, a efabulação de um escritor poderia compor o resto, com imaginação afectuosa.
E escrever um romance. Se tivesse talento.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Os malefícios da ditadura do proletariado


Todos têm o Natal que merecem.
Até nós tivemos 10 cavacos natalícios, com os respectivos sermões de boas festas, abaixo de cão. Inofensivos, porém.
Os marcanos estão a pagá-las, também, pela sua boçalidade natural. Infelizmente, com reflexos incalculáveis para o resto do mundo.
O povo, normalmente, é burro, imediatista, inculto, sobretudo quando vota. E temos que aturar, democraticamente, os resultados daí decorrentes...
(Perdoem-me o elitismo, momentâneo.)

Divagações 128


Há prefácios que valem um livro. Outros, cujo texto principal seria esquecido completamente se não fosse o prefácio (de outro autor) que acompanhava a obra. Posfácios ou prefácios de Jorge de Sena - que raramente resistia a escrevê-los para os seus livros e traduções - são ainda hoje saborosíssimos de ler ou fontes de informação e/ou erudição preciosas para enquadramentos de história literária ou da república das letras portuguesas.
Um dos exemplos primeiros de um prefácio, que enriqueceu muito uma obra, foi escrito por Eça de Queiroz, em Bristol, em 1886, para acompanhar um livro de crónicas do seu amigo Conde de Arnoso ( o vimaranense Bernardo Pinheiro Pindela). Ainda hoje a obra Azulejos é procurada e conhecida por causa do interessante prefácio de Eça.
Outro caso, é um livro de poemas, Alma Errante (1932), do russo e judeu Eliezer Kamenezky, vago actor e boémio a viver em Lisboa que, conhecido de Fernando Pessoa, lhe pediu umas palavras de apresentação para as suas poesias, a editar. Os poemas são fracotes, mas o prefácio merece ser lido. E é por isso que o livro é conhecido, ainda hoje...
Tudo isto vem a propósito de eu ter estado, vai, não vai, para comprar, num alfarrabista, o livro de poemas Tangentes (1975), de Merícia de Lemos (1913-1996), só porque tinha um prefácio de Vitorino Nemésio.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Citações CCCXXXII


No estilo fui sóbrio, não empregando sequer um adjectivo inútil; creio que, nas obras didácticas, à seriedade da ideia deve corresponder sempre a seriedade da forma.

José Leite de Vasconcellos (1858-1941), no prefácio a Opúsculos (1886).

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Rameau / Woskowiak

Retro (97)


Têm normalmente vida breve, os programas de cinema ou teatro, servindo fugazmente uma temporada. Por razões subjectivas ou esquecimento, às vezes, acontece que sobrevivem e surpreendem quem os conservou. Foi o que aconteceu, com estes dois programas, que correspondem a espectáculos memoráveis, a que assisti, no Teatro de D. Maria II.



Referem-se a representações de grande qualidade, com um elenco de luxo. O primeiro, encarte de cartolina com 3 faces, refere-se à peça Virginia (1985), de Edna O'Brien, e contou com um desempenho brilhante de Carmen Dolores (1924), na protagonista. O segundo é quase um livrinho, de 60 páginas, contextualizando a Mãe Coragem... (1986), de Brecht, interpretada por Eunice Muñoz (1928).
Aqui ficam as imagens, para recordar duas grandes actrizes portuguesas, felizmente, ainda vivas.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Português em destaque (11)


Olhado com desconfiança, a princípio, cá dentro e lá fora. Objecto até de alguns dichotes e insinuações malsãs, por parte dos mediocres e invejosos nacionais e estrangeiros, Mário Centeno (1966) foi construindo o seu precurso, através da solidez dos resultados e da sua competência profissional.
Foi hoje eleito presidente do Eurogrupo. Não creio que tenha sido um presente envenenado.

Oaristo sem palavras


Não tendo o fulgor emblemático de "O Beijo" (1950), de Robert Doisneau (1912-1994), esta foto, provavelmente de autoria de Brigitte Lancombe (1950), fotógrafa francesa colaboradora da Vanity Fair, Vogue e algumas outras revistas, sugere de forma discreta, pela ocultação de ambos os rostos, o afecto de um casal, na sua expressão mais simples e natural.
O instantâneo serviu de capa ao livro At the Stranger's Gate, do escritor e ensaísta Adam Gopnik (1956), que é também colaborador de The New Yorker. Foi tirada em plena lua-de-mel, mais concretamente no dia seguinte ao casamento (1981), do escritor e da sua mulher, Martha Parker. Julgo que a fotografia dispensará qualquer acrescento, que eu pudesse vir a fazer...


domingo, 3 de dezembro de 2017

Revivalismo Ligeiro CCLXXV

para MR, esta minha canção predilecta de Barbara.

Filatelia CXXI


Em vários países europeus, as direcções dos Correios nacionais costumam presentear algumas instituições ou personalidades ligadas às Comunicações, bem como filatelistas de reconhecido mérito, com encartes de bom gosto artístico que incluem os selos de emissões a emitir. E contextualizam os motivos da celebração.



Portugal não fugia à regra e os selos das ex-Colónias eram também oferecidos, em caderninhos criados para o efeito, com enquadramento histórico explicativo das razões dessas emissões de selos. A Alemanha, ainda hoje, produz esses encartes para ofertas, de elevado gosto estético.



O primeiro deles, em imagem, destinava-se a celebrar Heinrich Hoffmann (1885-1957), escritor de livros para crianças. O Struwwelpeter não deixa de lembrar o Eduardo Mãos de Tesoura, do filme de Tim Burton... O segundo (terceira imagem) encarte recorda o pioneiro da aviação germânica Otto Lilienthal (1848-1896).

sábado, 2 de dezembro de 2017

Mercearias Finas 127


Ardilosamente, alguns jornais e revistas, por esta altura do ano e sabendo as bolsas mais folgadas, vão tentando os incautos novos ricos para produtos diversos de preços excessivos ou, pelo menos, desproporcionados. Estão neste caso alguns vinhos tintos e brancos portugueses.
O Fugas, do jornal Público de hoje, por exemplo, no artigo "Dez escolhas de grandes colheitas", publicita vinhos tintos que vão de 27,50 euros (Sidónio de Sousa, Garrafeira 2011) até 90 euros (Villa Oliveira, 2014). Quanto aos brancos, o mais barato (Quinta das Bágeiras, Garrafeira 2015) fica por 17, enquanto o mais caro (Quanta Terra, 2007) atinge o preço de 35 euros.



Nem sempre o preço é sinónimo absoluto de qualidade. Na minha perspectiva, o branco alentejano Pêra Manca, não merece os 15 euros por que o põe à venda. O Herdade Grande que ronda os 7 euros, é-lhe francamente superior, em anos de boa colheita. Outro caso excelentíssimo é o Frei Gigante, picaroto, que comecei a comprar na Casa dos Açores, à volta de 7 euros (bem merecidos) e que, agora, as grandes superfícies estão a vender a cerca de 14!!! Um despautério...




Creio que o vinho tinto mais caro que comprei, até hoje, foi um Quinta da Gaivosa, do proficiente enólogo duriense Alves de Sousa. Esportulei, há uns anos, cerca de 25 euros e arrependi-me. Embora bom, o vinho, para o meu gosto era inferior ao Quinta das Caldas, do mesmo produtor. Que era, na altura, muito mais barato.



O Dão, região demarcada portuguesa minha predilecta, não tem tido até hoje o enólogo genial que merecia. Mas há alguns produtores que se aproximam, e talvez, com o tempo, lá cheguem.
Se quiserem, caros amigos e visitas, acolher a minha sugestão, não gastem mais de 10 euros, e comprem um Vinha Paz tinto, de António Canto Moniz. Que ficam muito bem servidos, para a época natalícia, que está próxima. E merece. Isto, se o peru recheado entrar na Consoada. Se, no entanto, vier a tradicional bacalhauzada para a Ceia de Natal, então, arrisquem o branco Herdade Grande, de António Lança, alentejano de quatro costados, ali da zona da Vidigueira, e soberbo na sua pujança.
E Boas Festas!

Pascal Comelade : "L'Été Indien"

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Lembrete 61


É hoje o primeiro dia para abrir a portinha nº 1 do Calendário de Advento. E, assim, vou abri-las, todos os dias até ao dia 24, recordando a lenga-lenga da infância.

Post de HMJ

Adagiário CCLXXIII : Dezembro (8)


1. Natal em casa, junto à brasa.
2. Mal vai a Portugal, se não há três cheias antes do Natal.
3. Em dia de Santa Luzia (13) onde o vento fica, de lá porfia.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Ideias fixas 11


Eu creio que já o disse por aqui: leio com algum atraso o miolo pulp fiction do jornal Expresso. Um bom amigo poupa-me aos miriagramas de lixo anunciante ou inútil que o acompanham. E não faz mal esse atraso de dias com que folheio o caderno principal e a revista que me chegam às mãos. O que lá vem, normalmente, já veio repisado noutros jornais, ou online.
Porque, tirando as crónicas divertidas e delirantes de Ana Cristina Leonardo e as bem informadas e humoradas colunas de Manuel S. Fonseca, o resto, para além do sermão dominical (embora ao sábado) e outras bugigangas, são meras ordens de serviço, muito bem compostinhas, e mera rotina entediante de escreventes núbeis ou serôdios, sem qualquer interesse de maior.
Politicamente correcto, ao pormenor, quem diria que o Expresso já foi um jornal de referência?!

Beethoven / Brendel