A lua já vai alta e plena, de Cheia, que ontem ainda o círculo não era perfeito, embora o halo em volta prometesse bom tempo. Os pássaros vão-se aconchegando, como podem, naquelas duas árvores frondosas e ramalhudas, aos pios (dialogantes?), mas a noite ainda demora um pouco. As andorinhas já recolheram a penates, e já só restam as duas rolas, hoje silenciosas, fiéis e castas.
Eu preparo-me, ou antecipo o diálogo a 4, na 1, por volta das 22h45. Basta que haja uso de inteligência entre o ex-ambientalista, o jornalista esclarecido, o ex-PR senador e o comentador agressivo, q. b.. Gosto, apesar de tudo, de os ouvir sobre as grandes questões, mesmo que não concorde com eles, sempre. Serão, como de costume, moderados pela professora de História que o não foi, mas é jornalista. Normalmente, documenta-se bem - valha-nos isso. Talvez demasiado apologética, talvez excessivamente "cristã", talvez muito situacionista, talvez...
Mas o que é que nos resta? Eu sei que há muitos detractores do "Prós e Contras", alguns bem próximos de mim, e estimados. Mas também me cansa o niilismo absoluto, o sempre dizer mal do ex-leitor na Inglaterra (que se fartava de faltar...) e que, agora está bem instalado na vida; satura-me a azia crónica do fiscalista-Shylock de Shakespeare, que sempre esteve ligado aos grandes grupos económicos. Já não posso ouvir os economistas beatos, o seguro coelho (ou vice-versa), à abertura dos telejornais, nem as senhoras da benemerência lusitana, quais Cilinhas do MNF com aggiornamento de fatiota...
Que nos resta? Acampar indignados, no Rossio, agora que veio o Verão? Para mim, nanja, não!