sábado, 7 de janeiro de 2012

Alan Hovhaness (1911-2000)

Leituras Antigas XL : Colecção Educativa



Como suporte logístico e documental à Campanha Nacional de Educação de Adultos, esta colecção surgiu em meados dos anos 50 do século passado, e custava Esc. 5$00 cada volume. Hoje, estes voluminhos de  agradável aspecto gráfico, em segunda mão, custam entre 2,50 e 5,00 euros, e não param muito, nos alfarrabistas - vendem-se bem. Mas aquando do seu aparecimento, por muito ligados ao Estado Novo (todos os livros tinham, nas páginas iniciais, uma citação ou frase de Salazar), eram olhados com alguma desconfiança pelas elites intelectuais portuguesas.
Os volumes, divididos em várias séries específicas (História, Saúde, Agricultura, Aperfeiçoamento profissional...) abordam uma grande diversidade de temas de educação e cultura. De Maria de Lourdes Belchior a Henrique Barrilaro Ruas, de José Régio a Urbano Tavares Rodrigues, os organizadores ou autores de cada livro, eram também muito variados, bem como os ilustradores e até as próprias casas impressoras. Não sendo muito eruditos na abordagem dos assuntos, nem muito profundos, são, apesar de tudo, interessantes de ler e informativos.

A força das águas


Em finais dos anos 60 (Novembro de 1967, creio) experimentei, pela primeira vez, a grande força das águas, ao ter de atravessar a Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa. A avenida parecia o leito de um rio enfurecido, fortíssimo e caudaloso, pelas grandes chuvas que tinham caído. Consegui fazer a travessia, mas a muito custo.
Depois, recordo as duas únicas vezes em que senti verdadeiro medo. Nos anos 70, no alto mar de Esposende, mês de Agosto e de madrugada, a bordo de uma frágil traineira. Cheguei a terra completamente ensopado em água salgada e a tremer de frio (e medo?). Da segunda vez, em finais dos anos 80 (1988?), numa simples travessia fluvial (Cais do Sodré-Cacilhas), em que o cacilheiro em que eu seguia andou à deriva durante mais de meia hora. Dentro do pequeno barco, só se ouviam rezas e choros. Quando conseguimos, finalmente, aportar a Cacilhas, esperavam-nos bombeiros, 2 ambulâncias e muitos populares curiosos, alguns deles, familiares dos passageiros, aflitos. E, mesmo assim, tivemos de saltar do barco para o cais, porque o cacilheiro não parava quieto, pela fúria do Tejo...
Ora, o meu amigo AVP, em retribuição da dedicácia que lhe fiz, no poste sobre as naus portugueses dos decobrimentos, teve a amabilidade de me enviar um vídeo, onde é bem visível a ira das águas e as vicissitudes por que passam, tantas vezes, os homens do mar. Pelo testemunho impressionante que representa, aqui fica. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Regionalismos minhotos (10)


Da mesma obra já referida nesta rubrica, aqui vão mais uns regionalismos minhotos:
1. Hominho - Homenzinho.
2. Ilheta - Carcela da calça ou colete onde prende a fivela.
3. Imbelicar - Segurar ou equilibrar mal qualquer coisa.
4. Impanzinado - Com o estômago muito cheio.
5. Incotinhado - Com as pernas cruzadas e sentado sobre elas. (Conheço também como: encolhido.)
6. Infrar - Namorar (usado na região de Barcelos).

Curiosidades 46 : as naus portuguesas


É muito interessante o pequeno volume da Enciclopédia pela Imagem (Livraria Lello, Porto) dedicado às "Caravelas, naus e galés de Portugal". Dá uma ideia aproximada das vicissitudes por que passavam os portugueses de antanho, no mar, durante a saga dos descobrimentos. E traz algumas informações curiosas quer da construção dos barcos, armamento das caravelas, mas também da alimentação a bordo e dos salários dos marinheiros. Aqui deixo uma pequena amostra:
"...As naus, principalmente a partir do século XV, e em viagem, tinham um determinado abastecimento que consistia, para cada uma, em um moio de farinha, sal em porção arbitrária, vinte alqueires de legumes, oito de amêndoas, outro tanto de ameixas, certa quantidade de mostarda, açúcar e mel. Para os doentes, eram embarcadas conservas e outras dietas e uma ou duas boticas. Deve-se esclarecer que os víveres eram referentes a quatro meses de dias de carne e outros tantos de abstinência. Somente o biscoito deveria durar dez meses, pouco mais ou menos. No que respeita às luzes fixas do navio, cada nau tinha três de azeite.
A tabela de vencimentos, como se diria hoje, era deveras extensa, mormente a partir do século XV em que cada capitão-mor tinha 600$000 de viagem redonda e dois criados a 1$000 réis por mês e cada capitão de unidade 200$000 e seis criados a 1$000 réis mensais. ..."(pg. 14).

para AVP, por óbvias razões.

Só mais 2 dias



É um microcosmo de diferenças: da Natureza, e cultural. Se, antes de entrar na exposição, escolhermos percorrer os jardins circundantes, iremos preparando o nosso olhar ao ver as vivas e pequenas flores brancas e amarelas do Inverno, e uma ou outra pétala singela tingida de lilás.
Não haverá, decerto, obras maiores se exceptuarmos, no meu entender, os "Ramos de Castanheiro em Flor", de Van Gogh, fascinante. E também  um Vieira da Silva ("Nature Morte Blue"), exposto de forma timidamente discreta. Mas é uma escolha muito harmoniosa, ou não houvesse um Soutine nesta exposição "A Natureza Morta na Europa" II, sécs. XIX-XX, na Gulbenkian.
A Exposição encerra a 8/1/2012. Mas, nos últimos 2 dias, estará aberta até às 23,00 horas. A não perder, absolutamente.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Claude Debussy (1862-1918)

Sobre o rio


Os estorninhos já se atrasam nos seus voos, porque a luz  se arrasta indolente até mais tarde. O brilho do sol nas águas, visto por entre a folhagem, parecia fervilhar em mil pequenas luzes próximas que enganavam o olhar. Mas junto ao rio de um azul nítido e sólido, serenavam quase sem agitação, compondo uma lagoa inesperada, imensa. Por duas vezes, porém, romperam ondas de pequena dimensão, lambendo o cascalho escuro da margem. Dois pescadores, mais por entretém que para sustento, lançavam a linha para o longe possível e, no intervalo, falavam de Porto Brandão e da Trafaria. Casais jovens deitavam-se por ali, à carícia do sol da tarde. Enquanto as gaivotas iam altas, os dois patos negros selvagens rasavam as águas, interminavelmente, para lá e para cá, leste-oeste-leste... Surgiram de nenhures, talvez ao fim do dia se sumissem em direcção ao mar. A lua, ainda sem luz, ia-se enchendo, e parecia transparente no horizonte.

Comic Relief (40) : Reis Magos / Monty Python

Memória 64 : Luiz Pacheco


Com tanto desregramento, dissipação física e abusos, com frequentes carências de diversa ordem, é difícil imaginar que Luiz Pacheco (1925-2008) andou por cá quase 83 anos. Morreu a 5 de Janeiro, faz hoje 4 anos. O "Jornal do Gato" (1974), publicado por Mário Cesariny, dá conta desta vida, quase vil e mesquinha, feita de expedientes pouco nobres, promíscua na libertinagem pequena, à boa maneira portuguesa. Mas Luiz Pacheco é também uma figura singular: um notável intuidor de talentos, um frenético editor de obras de vanguarda, bom tradutor quando se empenhava nisso, um andarilho incansável - um guloso da vida que tentou saborear até ao fim. É de "Diário Remendado / 1971-1975" (Dom Quixote, 2005), o excerto que se segue:
1/1/74
Agora a luta é comigo. Se quero aguentar mais uns tempos é dominar os meus demónios interiores, a moleza d'alma, o impedir pelos meios ao meu alcance a repetição dos erros do ano passado, que alguns deram frutos mas nem sei se compensadores.
E não me resignando à velhice e ao silêncio, aceitar os desgastes da idade, dizer adeus às metas (e às conas) já impossíveis de alcançar. Enfim, conhecer os meus limites e tentar superá-los apenas se a ousadia valer os riscos e em plena consciência. Não pela força do álcool que julgo - para já - o meu pior inimigo.
Amanhã, mudar de programa. Vai ser um combate incerto que derrotas, desânimos, mesmo períodos de crise, poderão comprometer definitivamente. A ver vamos. (pg. 149)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Revivalismo Ligeiro LXIV : Liza Minelli ( em sequência dos Srs. Alexandre e Belmiro)

O senhor Alexandre e o senhor Belmiro


O senhor Alexandre, tripeiro, e o senhor Belmiro, canavense, embora da província, são internacionalistas. Se o primeiro não conseguiu acabar o curso de Direito, o segundo, com algum sacrifício da família, fez-se engenheiro. Daí que o primeiro se tenha dedicado apenas ao comércio de secos e molhados, e o segundo, além do comércio, também se tenha interessado pela indústria.
Como internacionalistas, vão a par com Estaline ou Ronald Reagan, bebem de Marx ou Keynes (tanto faz), conforme os estados de alma: joaninhas (Biedronka) na Polónia, euros para a Holanda, rapidamente e "em força" (Salazar dixit).
Estes senhoritos têm o perfil ancestral de Miguel de Vasconcelos, a alma de um albergue espanhol, o aventureirismo de um contrabandista sonolento que não quer arriscar, o oportunismo de um negreiro, o ideal cristão de uma dona de um bordel, a desvergonha de um barregão. Mas, ao mesmo tempo, pregam a ética nacionalista, que quase pede meças ao nazismo. São os puros, os limpos de sangue, os santos...
É, por isso, estulto pensar que o senhor Alexandre e o senhor Belmiro deixassem o seu rico dinheirinho em Portugal.

Uso pessoal 7



Desde "tenra" idade gostei de cigarrilhas e, depois, de charutos. Umas e outros, no entanto, só me era possível, por questões de orçamento, fumá-los pelo Natal e na Páscoa. Dantes, todas as caixas eram em madeira, para evitar que a humidade deteriorasse a qualidade e estado do tabaco. Daí que na imagem, só a mais antiga embalagem (Karel I) tenha tampa de madeira na caixa. Foi ainda uma herança de meu Pai, que me deixou 3 ou 4 cigarrilhas que não chegara a fumar, porque a morte o surpreendeu, cedo. Mas não morreu de cancro no pulmão.
Por uma questão de isenção, vai a embalagem das Cohiba com a advertência "caridosa" a que a CEE nos obrigou. Não me intimida, nem incomoda: todos temos de morrer. E para o aviso cristão, eu tenho resposta. A um intrometido e desconhecido, também caridoso, que, ao ver-me acender um cigarro me interpelou assim: " Sabe que fumar, mata?" Eu respondi-lhe, circunspecto: "E viver, também!" 

Da Filosofia, Bergson em particular



Creio ser consensual dizer que Portugal não é um país de filósofos. Só com manifesta generosidade e complacência conseguiremos alinhar alguns, poucos, nomes sob a chancela de uma dita Filosofia Portuguesa.
Eu próprio não me considero grande apreciador e leitor de Filosofia, em geral. Se excluir Berkeley, Kierkegaard, Schopenauer e Nietzsche, o que li, li-o mais por obrigação do que prazer. E foram, normalmente, leituras demoradas e penosas, na maior parte dos casos. Nem a "Ética" de Espinosa, judeu de origem portuguesa, consegui levar até ao fim, muito embora o tentasse por várias vezes.
Tenho, no entanto, um exemplo e caso de leitura agradabilíssima de uma obra filosófica - "Le Rire" de Henri Bergson (1859-1941). É um livro que recomendo a quem não gostar, particularmente, de Filosofia. E, por isso, aqui estou a lembrar Bergson, hoje, dia em que passa mais um aniversário da sua morte, ocorrida a 4 de Janeiro de 1941.

Os Cine-clubes



Não sei se existe alguma obra de fôlego sobre a meritória actividade dos cine-clubes em Portugal, nos anos 50, 60, 70 do século passado... Ou se haverá trabalhos académicos ou teses universitárias sobre o assunto - é bem possível que sim, mas não os conheço. O que sei é que estes cine-clubes contribuíram para a formação do gosto, estético e não só, para o despertar cívico e político de muitas gerações. E eram focos de irradiação cultural em muitas cidades de província.
Pertenci a dois: o Cine-Clube de Guimarães e o C.C.C. (Cine-Clube Católico) de Lisboa. Neste último pontificava João Bénard da Costa, com o conhecimento e competência que todos reconhecíamos. Havia sessões semanais de filmes escolhidos. Em Guimarães, à noite, em Lisboa, ao fim da tarde, no Jardim Cinema, na Av. Álvares Cabral. Se, em muitos casos, havia estratégias políticas na programação, também é certo que a actividade dos cine-clubes portugueses foi extremamente útil na formação de mentalidades esclarecidas e solidárias.
Cada sessão de cinema era sempre acompanhada de pequenos folhetos com textos explicativos e respectivas fichas técnicas dos filmes a exibir. Mostram-se, em imagem, 4 capas do Cine-Clube de Guimarães, que tinham uma tiragem de 750 exemplares. O que dá bem a ideia do número aproximado dos sócios da colectividade, numa cidade de província.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Resposta cívica: Evitar o "Pingo Doce"

Este "nosso" E.A. Soares dos Santos é tão pouco doce, como são os "seus" amigos internacionais e os criados de servir das "agências de ratos". Cursiosamente, também lá se encontra o futuro Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian.
Primeiro motivo da resposta cívica:
a fuga do dito senhor - salvo seja - para a Holanda, evitando a "partilha dos sacrifícios" impostos aos portugueses, evadindo-se para paraísos fiscais e aproveitando-se de um truque inacessível ao comum dos mortais.
Segundo motivo da resposta cívica:
a má-criação da personagem em epígrafe, desrespeitando, durante o ano passado e com impropérios, órgãos do estado, democraticamente eleitos, revelando, quiçá, o seu verdadeiro carácter face ao país que, em parte, lhe proporciona os lucros.
Ora, como são os consumidores que lhe compram os produtos, a resposta será, obviamente, cívica.
Não há nada como alinhar nos movimentos cívicos do centro da Europa que, face ao poder das grandes superfícies, se abastecem, de frescos, nos mercados próximos e nos talhos ainda sobreviventes. Pena é que, por enquanto, não haja hipótese, para os apreciadores de vinhos lusos, de se abastecerem, directamente, do produtor, quebrando, desta forma, o conluio das ditas cadeias em detrimento do produtor. Seria uma tarefa benéfica para "Álvaro", o nosso ME, se não andasse ocupado com tanta coisa.
Para os responsáveis da UE, e o "nosso" José Manuel Barroso, em particular, seria altura para acabar com este tipo de expedientes - sejam eles da Madeira, da Irlanda ou da Holanda, e até Suiça - a bem dos cidadãos europeus, fim último para que as diversas estruturas europeias foram criadas.
Post de HMJ

Ómar Ortiz (1950)

O Circo

O poema salta de livro em livro
Como a Rapariga do trapézio
Que não pode dar-se ao luxo do esquecimento.
Os olhos deslumbrados do adolescente
Descobrem que as palavras
Tem o estranho sortilégio do funâmbulo.
É a memória, essa despensa de inutilidades,
Que conserva o espanto
E aquele esgar odioso do palhaço.

Franz Schubert (1797-1828)

Música e Poesia XLI : Schubert/ Steiner

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Este admirável mundo novo


Três factos observados, hoje, afunilaram-me a esperança para um cepticismo frio e concreto de onde tenho alguma dificuldade em sair, por via racional. Sucintamente:
1. Em diversas ruas outrabandistas, de manhã e com um sol ralo e muito anémico, vi imensos jovens quase todos de óculos escuros. Também eles vêem o futuro mais negro? Ou seriam vedetas dos "Morangos com Açúcar" que não queriam ser reconhecidas? Fiquei na dúvida.
2. Apercebi-me que, nas redondezas, abriram mais 2 ou 3 lojas de compra (e venda?) de ouro e jóias. Rompem como cogumelos, em espaços húmidos, insalubres e exíguos, diariamente. Ainda há 3 ou 4 anos, para obter um alvará autárquico para uma qualquer loja, alimentar ou não, era necessário preencher inúmeros requisitos. E demorava imensos meses, quando não anos, para o obter, sendo que a loja era fiscalizada inúmeras vezes, até que pudesse abrir ao público. Hoje, estes putativos receptadores instalam-se, com que rigor? Quem os fiscaliza?
3. Pela segunda vez, num pequeno período de menos de 5 meses, hoje, fiquei sem telefone. Em Setembro de 2011, foram vários dias. Hoje, cerca de 3 horas. Em mais de cinquenta anos de memória e uso de telefone, em diversas cidades, nunca tal me acontecera. Ah, grande PT!
Como posso eu ter esperança na luz, no rigor, na produtividade, na juventude e competência nacionais?

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XV : post-scriptum 1



A revista Visão (passe a publicidade), de 29/12/2011, traz consigo no suplemento Vidas & Viagens, um programa detalhado (que recomendo) sobre os acontecimentos culturais mais relevantes, e respectivas datas, que vão ocorrer a partir de 21 de Janeiro de 2012, em Guimarães. Bem como informam sobre os locais a visitar, onde comer, comprar e dormir. Um mapa essencial da cidade acompanha as cerca de 50 páginas informativas.
O programa oficial editado pela autarquia, ao que me disseram, esgotou-se rapidamente, mas vai ser reeditado, em breve. Tenho pessoas amigas, em campo, para me conseguirem um exemplar. Dele darei notícia, se for mais completo, e oportuno fazê-lo. O dinamismo em Guimarães é grande, referiram-me. Mas eu não esperava outra coisa dos vimaranenses. E, também me dizem, que a cidade está mais bonita.

Falemos de agricultura


Em plena maturidade e prontos a serem colhidos, os 12 limões, da safra de 2011, apresentam-se. Pode perceber-se, tal como os seus antecedentes de outros anos, que serão sumarentos de interior. Atestam, aliás, as magníficas condições climatéricas em que nasceram e cresceram. O limoeiro da varanda a sul está de parabéns, porque cumpriu, exemplarmente, a sua função. Fica registada a 2ª maior safra, em quantidade produzida.

Contra a calvície


Já aqui falei, a propósito do Elixir de longa vida, deste insólito mas útil "Novo Manual do Destilador e Perfumista". O pequeno volume está muito deteriorado, incompleto e com falta do frontispício. Por isso, não é possível datá-lo com rigor, mas julgo que terá sido impresso nos primeiros anos do século XIX.
Esta "pomada de gordura d'urso" tem o inconveniente de usar, na sua composição, gordura do próprio animal referido, matéria prima que desconheço onde se possa arranjar. Talvez na América, na China ou nalguns, poucos, países do leste europeu (Roménia?). Mesmo assim, em imagem, aqui fica a página, com a receita que poderá, talvez, aumentar a auto-estima dos carecas.

Citações LXXXVI : Einstein


"Nunca penso no futuro. Ele chega demasiado depressa."
Albert Einstein (1879-1955).

domingo, 1 de janeiro de 2012

Soneto de Ano Novo, de Sá de Miranda


A Diogo Bernardes

Neste começo d'ano em tam bom dia,
tam claro, por que não faleça nada,
me foi da vossa parte apresentada
vossa composição, boa à porfia.

De que espanto me encheu quanto ali via!
E mais em parte cá tam desviada
sempre até'gora da direita estrada
de Clio, de Calíope e Talia.

Oh! que enveja vos hei a esse correr
pola praia do Lima abaixo e arriva,
que tem tanta virtude de esquecer!

O que estes tristes corações aliva
do pesar igualmente e do prazer
passado, que não quer que inda homem viva.

Nota: texto fixado por M. Rodrigues Lapa (1942).

Johann Christian Bach (1735-1782)

Osmose (27)


Não perguntes, espera. Que ela diga, desse tempo a sós que teve, o que quiser dizer. Desse regresso, depois, ou concentração mais íntima com as coisas mais fundas da terra e da carne.
Os afectos não se podem dizer, nem comparar. Muito menos medir as amizades. Só dos factos concretos e reais, poderemos talvez avaliar os danos, tentar equilibrar os efeitos, medir porventura a força dos sentimentos.
Na perda, também o tempo, como diria Yourcenar, é o grande escultor.

Conselho tardio para evitar ressacas



Interlúdio 1

Adagiário LXXVIII : Janeiro (4)


1. No primeiro de Janeiro, sobe ao outeiro para ver o nevoeiro.
2. Janeiro tem uma hora por inteiro.
3. Seda em Janeiro, fantasia ou pouco dinheiro.
4. Em Janeiro nem galgo lebreiro, nem açor perdigueiro.