Ver Claro
Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
Eugénio de Andrade (1923-2005), in Os Sulcos da Sede (2001).

Gosto muito deste poema. Bom dia!
ResponderEliminarMuito me apraz!..:-)
EliminarBoa tarde.
Também gosto do poema e da pintura (ou colagem?) do Pedro Chorão (que me inspira o título "noite e dia").
ResponderEliminarBom sábado😊
Ainda bem. É pintura.
EliminarBoa tarde.