sexta-feira, 7 de junho de 2013

René Aubry / Johnny Welch

Do brasileiro Gonçalves de Magalhães (1811-1882), um epigrama


- É verdade que da Europa
Voltaste feito doutor?
- Parece-te isso impossível?
É verdade, sim, senhor.

- E por qual Academia?
E qual a ciência então?
- Isso não sei: o diploma
É escrito em alemão.

Brincar em serviço?


Há muito que deixei de me referir, em poste próprio, à origem das visitas ao Blogue, uma vez que a diversidade se tem intensificado e tornado coisa banal. Das Antilhas Holandesas aos Emiratos do Golfo, da improvável Birmânia ao pequeno S. Marino, da Croácia ao Vietname...
Mas também cá de dentro e em horas de expediente, há um (uns?) visitante frequente do Ministério da Segurança Social, outro, de um conhecido Banco, entre outros.
E não posso deixar de referir que, ontem, tive 2 inesperadas, mas gratas, visitas de Berlim. Uma proveniente da Stiftung Preussischer Kulturbesitz que veio ver o quadro "Fons Vitae", que consta da Pinacoteca Pessoal 33. Faz algum sentido, porque o visitante anónimo deve trabalhar num organismo cultural germânico: Biblioteca? Museu?...
Finalmente, do Innenministerium, o equivalente ao nosso Ministério de Administração Interna, e às 15h34 (em horas de serviço, portanto), um alemão veio consultar um poste que fiz sobre Vinhos do Douro. Provavelmente, um enófilo impenitente e curioso que se entediava, cinzento, num gabinete ministerial berlinense.
Se a sra. Merkel descobre que andam a brincar em serviço... 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Apontamentos 13: A Força da Natureza



O ser humano, no seu afã de subjugar a natureza em suposto proveito próprio, esquece que as leis naturais são mais fortes e imprevisíveis do que a ciência e a técnica que pretendem dominar o universo.
Por razões de ordem familiar assisti, no passado e num lugar sabiamente denominado Confluentia pela confluência dos rios Reno e Mosela, à força das águas do Reno a  reconquistar, de forma repentina,  um espaço que sempre fora seu e que, actualmente, se encontra ocupado pela acção humana.
De um primeiro andar olhava-se para a invasão das águas do rio no pátio traseiro que, felizmente, se encontra bastante abaixo da implantação do edifício, afectando, em primeiro lugar, a cave. O desnível permitiu que  saíssemos pelo próprio pé em vez de saltar para um bote dos bombeiros.
Numa outra ocasião, e porque a ameaça de cheias em Coblença é permanente e anual, acompanhei a fase pós-inundação. Junto das habitações encontravam-se os haveres estragados, como corpos desventrados. Aproximei-me, com profunda tristeza, de um monte de livros, empapados. 


Ainda hoje guardo, como memória, algumas edições clássicas de Schiller, resgatadas no meio de um entulho  que, dantes, fazia parte de um universo humano, familiar e cultural dos seus habitantes e que, infelizmente, se vieram a instalar, embora num lugar muito aprazível, em domínios que o rio reclama como seus.

Post de HMJ

A arte de fazer

O título também poderia ser: Kieslowski, na primeira pessoa. E também espelha a minúcia da inteligência do fabro autêntico.
A personagem castigada, interpretada, magistralmente, por Trintignant, com frequência me lembra o juiz penitente de "A Queda", de Albert Camus. Não me pergunto porquê.
O filme passa na RTP2, daqui a pouco, às 22h20. Para quem ainda se sinta europeu... 

Uma louvável iniciativa (18)


Desta vez é a Sical que difunde, publicitariamente, através dos pacotinhos de açúcar, as Festas de Lisboa, em Junho. E, como tem sido habitual, a sardinha é o motivo emblemático para 42 jovens criadores, tantos são os diversos desenhos que decoram as garridas embalagens. Em imagem, os nº. 1, 26 e 33/42.

Uma fotografia, de vez em quando (6)


Embora larga e maioritariamente encenadas, as fotografias de Man Ray (1890-1976), pseudónimo do norte- americano Emmanuel  Radnitzky, têm um estilo muito próprio e quase sempre inconfundível. E um toque surrealista, da escola de vanguarda que, de certo modo assumiu. O rosto e o corpo humano são os seus temas mais objectivos.
O retrato, em imagem, é de Ernest Hemingway.

Tango with Lions : "In a Bar"


A par e passo 44


Olhar  

Os olhos de cada homem falam-nos da curiosidade que ele tem.
A sua mobilidade. - Os olhos são o orgão de visão, mas o olhar é o acto da previsão, e ele é comandado por aquilo que deve ser visto, quer ser visto, e as negações correspondentes. Estes verbos são o futuro da psicologia.
A variação do olhar em direcção, em velocidade, em duração, depende ou daquilo que o atinge ou atrai os olhos, ou de uma recordação, ou de uma expectativa.

Paul Valéry, in Tel Quel II (pg. 247).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Kieslowski e a música magnífica de Preisner


Dá hoje, na RTP2, às 22h26, o filme "Blanc", de K. Kieslowski. Sendo, na minha modesta opinião, a menos conseguida das películas da trilogia "Cores" do cineasta de origem polaca, vale a pena ver e ouvir a excelente banda musical de Zbigniew Preisner. E, amanhã, poderá ver-se "Rouge" com Trintignant, dos três, o meu preferido. É do melhor cinema europeu, que se trata.

Os Murais do PREC (5)


Terminamos, por hoje, com o quinto poste, esta curta rubrica com a imagem dos últimos 4 murais, dos muitos que se espalharam por Lisboa, e nalgumas outras cidades portuguesas, nos anos de 1974, 1975 e 1976.

Import/Export : os anéis e os dedos


Enquanto importamos alhos da China, tomates e morangos de Espanha e, até, re-importamos álvaros do Canadá, vamos, alegremente, exportando engenheiros para a Alemanha, investigadores para os E. U. A. e, até mesmo, um precioso Crivelli para França. Deve ser, por isso, que as nossas exportações estão em alta...
O jornal Público noticiava, ontem, que um quadro ("A Virgem e o Menino") importante de Carlo Crivelli (ca. 1430-1495), pintor italiano da Renascença, de curta obra mas significativa, que se encontrava, há muito, em Portugal, ia ser vendido em França, com base numa estimativa de 3 milhões de euros.
O anterior, grande agente de cultura do Governo Português tinha, mesmo contra o parecer da DGPC, derrogado as protecções legais que impediam a saída desta obra de Portugal. O, ainda, proprietário do quadro, empresário Pais do Amaral deve ter agradecido, reconhecidamente...
Divulgado o facto, o actual e pequenino agente de cultura deste Governo - soube-se, hoje, também pelo jornal Público - "pediu informações" adicionais, aos Serviços, sobre o processo que levou à saída desta obra de Arte, para o estrangeiro. Não fora o jornal e o caso passaria em branco, bem como o negócio, em escuro.

Idiotismos 19


Ontem, ao re-comentar um comentário, aqui no Blogue, utilizei uma palavra que faz parte de uma expressão popular e que, não lhe sabendo a origem, acho, pelo menos foneticamente, muito sugestiva. Trata-se da expressão dar-lhe um tranglomango, e fui procurá-la nos alfarrábios que por cá tenho.
Embora não cabalmente, valeu-me, uma vez mais, Alexandre de Carvalho Costa que, nas páginas 215/6 do seu primeiro volume ("Gente de Portugal - Sua linguagem - Seus costumes"), dá algumas achegas. O autor refere que o povo a usa para caracterizar uma morte repentina de que se não sabe a causa, ou um ataque de origem desconhecida.
Teófilo Braga e Carolina Michaelis também se teriam interrogado sobre o dito popular, mas sem concluir certezas quanto à origem. O primeiro inclina-se para que o vocábulo tanglomango designasse uma antiquíssima divindade de espírito maléfico; enquanto Carolina Michaelis a considera equivalente a tangro-mango ou tengo-mengo,  e aponta o texto português em que, pela primeira vez, aparece. Precisamente no Cancioneiro Geral (1516), de Garcia Resende, numa cantiga de termos obscuros, feita por Álvaro de Brito Pestana, dirigida a Pero Borges, que diz assim:

"...Arisco gozo corrido,
Saro rravalco, mostrengo,
Não há mais num bexodido
Quase, quase tengo mengo. ..."

As informações não ajudarão muito, mas foi tudo o que consegui saber...

terça-feira, 4 de junho de 2013

"Bleu"


Porque vou ver o filme de Kieslowski, daqui a pouco...

Citações CXLI


"Que na Academia não entre quem não for geómetra."

Platão, apud George Steiner.

Mais um poema de Manoel de Barros (1916)


9.

De noite passarinho é órfão
para voar. Não enxerga
nem o pai das vacas
nem o adágio dos arroios.
Seu olho de ovo emaranha com folhas.
No escuro não sabe medir direcção e trompa nos paus.
Passarinho é poeta de arrebol.

Regionalismos minhotos (40)


Terminamos, por hoje, os regionalismos do Minho com palavras iniciadas por S, retiradas da obra de M. Boaventura, que temos vindo a seguir. Aqui vão:

1. Songueira - songa, manhoso, hipócrita.
2. Suã ou Suão - espinha dorsal (creio que aplicada, sobretudo, a uma parte da carne de porco).
3. Sulipanta - sopapo; mariola. (Conheço: deu-lhe uma sulipanta - como um ataque, ou tranglomango.)
4. Sumido - certo foguete que não deixa rasto ao subir.
5. Suquir - comer.
6. Suréla - pessoa de fraca compleição, mas esperta e diligente.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Filatelia LXVI : miscelânea


Apesar de, sob os meus olhos, terem passado, ao longo dos anos, imagens de milhões de selos, ainda há espaço, por vezes, para uma surpresa ou constatação de um facto curioso ou insólito.
Se, de uma forma geral, os Correios dos diversos países mundiais utilizam, nas suas emissões, motivos nobres, factos assinaláveis, paisagens bonitas e celebridades nacionais, para meu espanto verifiquei, ainda não vai há um mês, que a Bulgária fez emitir, em 1958, um selo dedicado aos alhos, representando uma réstia dos ditos... A nível mundial, creio ser caso único, e extravagante.
Ao longo da minha vida de filatelista sempre admirei, muito particularmente pela beleza de impressão, os selos executados a talhe doce, em que o desenho é gravado em traços cavados nos quais a tinta é depois absorvida pelo papel humedecido. A França usou grandemente este tipo de selos. E Portugal, também, sobretudo nos anos 40 e 50 do século passado. O processo, por caro e moroso, raramente é utilizado nos dias de hoje.
Dos temas abordados, se mostram os selos correspondentes. A série portuguesa, dedicada aos navegadores lusos, foi emitida em 1945. A emissão francesa é de 1946, dedicada a personagens célebres da História gaulesa. Ambas, embora monocromáticas, de grande beleza de execução.

Leonard Cohen


Pinacoteca Pessoal 52 : Kazimir Malevich


Na obra multifacetada de Kazimir Malevich (1879-1935), nascido em Kiev, que serviu, também, os ditames da propaganda estalinista da época, cruzam-se variadas influências que vão do expressionismo alemão ao cubismo francês. Teórico da modernidade, pioneiro eslavo da arte abstracta, na sua obra há premonições e caminhos abertos de futuro. Foz de muitos rios, as suas pinturas parecem convocar reflexos de Léger, a geometria de Braque ou o mistério de algumas telas de Chirico.

domingo, 2 de junho de 2013

O cair da noite


Já há toalhas de praia a secar nos estendais e as andorinhas sobem, mais altas, no ar. A morna lassidão que se respira reforça, em sinestesia e por contraste, um azul superior, mais firme. As cravinas exalam, generosas, o seu perfume pela varanda e lembram-me julhos antigos e nortenhos. E o vento tornou-se mais gentil - acaricia brandamente as folhas das árvores em redor.
Até a luz, em vez de enegrecer subitamente, vai amarelecendo, a pouco e pouco.

Os eleitos


Tenho cada vez menos paciência e capacidade para suportar o purismo impoluto de algumas criaturas que, sendo transversais a vários ofícios, têm o epicentro etário e maioritário entre os quarenta e poucos e os ciquenta e muitos anos. É um modo de vida, uma forma de estar e dizer-se independente, um certo elitismo provinciano ou snobeira que os leva a rechaçar tudo, a tudo excluir, mas a nada, nunca, apresentar como alternativas ou opções que apoiem, declaradamente. No fundo, reservam-se sempre e não gostam de sujar as mãos na lama dos dias. E quase nunca nomeiam referências.
Quando eu era novo, tinha como heróis Nuno Álvares Pereira e Thomas Moore, sabendo que não eram homens perfeitos. Um pela soberba ética de algumas atitudes, outro, pelo gosto ou ganância de acumular riqueza, e pelas birras. Eram humanos, apenas, e como diz o povo: "o bom é inimigo do óptimo". É difícil dizer, hoje, que ainda tenho heróis e exemplos, ou nomeá-los. Mas admiro Steiner porque me faz pensar, e aprecio a irreverência paradoxal de Cioran que me obriga a situar a minha própria posição. Gostei, por exemplo, do exercício político discreto de Jospin que foi, nos tempos que correm, o último socialista autêntico, na Europa. Ou Delors. E acompanhei, com curiosa atenção, o percurso presidencial de Mittérrand. Não se pode dizer que não tenho referências.
Não me consigo é dar ao luxo desses devaneios de independência de alguns tecnocratas balofos, alguns deles lusos, de cérebro minguado, sem deus nem pátrias, e de espírito e pensamento, dito, independente. Chamávamos-lhes, nos meus tempos de juventude: os fanãs...

Alfred Schnittke : da "Suite in old style"

A propósito de Gómez de la Serna e as suas greguerías


As greguerías, que foram exercitadas por Ramón Gómez de la Serna (1888-1963) entre 1911 e o ano anterior à sua morte, revelam, se analisadas, uma gradual evolução no sentido da concisão e do fino humor. Mas as primeiras, juvenis, se mais ingénuas e extensas em palavras, ganham por vezes um lampejo e rasgo poético quase naïf, sempre interessante. É dessas primeiras greguerías que vamos traduzir quatro.

1. Que vida mais anódina e sombria não devem levar durante a semana essas raparigas que passam os domingos com as porteiras, sentadas no portal, quietas e inexpressivas.
2. Esse golpe que mata como um raio é um coice que foi dado a esse homem pela providência.
3. O pavão deveria ter um lencinho debaixo da asa para limpar o monco.
4. Os únicos que dão de comer às portas - esfomeadas como aquilo que está faminto - são os meninos que lhes dão a mastigar nozes e nozes.

Vanguardas, regressos e o gosto comum


Qualquer inovação artística, quando significativa, ou integrada numa nova escola ou corrente de vanguarda, demora tempo a ser aceite. E, por vezes, essa aceitação é tão contranatura, tão para evitar que se diga que (nós, os leigos) somos antiquados, que dura apenas o tempo da novidade, voltando a ser ignorada e vindo a constituir unicamente uma nota de rodapé na história dessa actividade artística.
O chamado Nouveau Roman, nascido em França, filiado (impropriamente, quanto a mim) - diziam - no estilo de Faulkner, entrou em força na cartilha e cânone literário dos anos 60, e foi praticado com insistência por Robe-Grillet, Alain Resnais, Butor, Nathalie Sarraute...Em Portugal, também teve os seus cultores dedicados como, por exemplo, Artur Portela, Filho. Mas durou pouco, a moda. A escola teve até correspondência cinematográfica em "O último ano em Marienbad" (1961) que, confesso, não consegui ver até ao fim...
Ao contrário destes avanços, em Música e outras artes, também há retrocessos. Há românticos tardios, compositores barrocos atrasados que, apesar de tudo são, ainda hoje, considerados. O norte-americano Samuel Barber (1910-1981) e o seu famoso "Adagio for Strings", embora os especialistas o considerem fora de época, colhe o gosto e a admiração do amador comum. Porque, ao contrário da literatura (Prosa, fundamentalmente), a música e a poesia requerem um apetrechamento teórico mais estruturado para que possam ser devidamente avaliadas.
Vem isto a propósito de uma notícia do "Obs." (nº 2534) que dá conta de uma pequena tempestade musical, que agita os meios melómanos gauleses. Um reconhecido e respeitado pianista francês, Jérôme Ducros (1974), em conferência no Collège de France, permitiu-se atacar vigorosamente as obras de Boulez, Stockhausen e Schoenberg, em nome da tendência neo da música séria contemporânea. O título da sua intervenção era "L'atonisme. Et aprés?", e nela defende o regresso à "vraie musique", em nome do divórcio actual existente entre o público e a moderna criação musical.
A polémica promete subir de tom...

sábado, 1 de junho de 2013

Três andamentos, com glosa final


1. Era uma vez um menino que nasceu cego para as coisas da terra. Só via o mar e o que nele havia. Sabia caminhos nas águas, carreirinhos. Dizia: a luz nasce do mar e não dos astros. A claridade lhe chegava do azul, ainda molhada e, depois, flutuarejava nos céus. (...)
2. De tanto esperar o amor, ele acabou por amar a espera. Era Horácio, de olhos inodoros, vida acanhada e sonhos aguados. Tímido e desencorpado, ele era um subexistente. Os outros arrumavam-se com as namoradas. Horácio não, solteirava em estado de deserto sensual. (...)
3. Eu estava cheio de um desses cansaços que nos pesam mais que o corpo. Cansado de ter raça, cansado de ter nome. Estava cansado de ser. Que repouso concedermo-nos nestas alturas senão darmos feriado à existência? E era o que eu estava a dar seguimento naquele dia, fugindo-me do mundo, dando pausa ao pensamento. (...)

Este último Prémio Camões que, merecidamente, galardoou a obra  do moçambicano Mia Couto (1955), como que me sabe a celebração póstuma de Guimarães Rosa (1908-1967). Porque, queiramos ou não, é esse arquétipo que é convocado, embora num registo pessoal e africano. Mia Couto não deixa de ser um filho directo e dilecto do grande escritor brasileiro de Cordisburgo.

Nota: as transcrições são retiradas da obra "Cronicando" (Ndjira, 2008), de Mia Couto.

Gustav Mahler (1860-1911) : da "Kindertotenlieder"


Pelo Dia Mundial da Criança


Pelos sinais do presente, é difícil augurar um futuro risonho às crianças que, hoje, o são.
Se Käthe Kollwitz (1867-1945) tinha razões para gravar, no tempo, estes filhos e filhas da guerra, hoje, Dia Mundial da Criança, os presságios de futuro não desenham motivos de optimismo claro. Hoje, como ontem, há países e senhores que as armam para a guerra, desde tenra idade; há quem as acantone em guetos sem horizonte, onde grassa a doença, o desespero, a fome e a sede. E onde nem sequer há espaço para o sonho, nem esperança de futuro. É por isso que tenho grande dificuldade, neste poste, em encontrar grandes motivos de alegria.

Os Murais do PREC (4)


Do traço mais ingénuo, quase naïf, ao grafismo mais arrojado, aqui vai o penúltimo conjunto desta série de Murais do PREC, que adornavam Lisboa e que desapareceram, entretanto. Sempre de autores anónimos, como eram os artífices das catedrais medievas, apenas as siglas partidárias denunciavam as suas origens ou razões políticas.

Adagiário CXXXII : Junho (4)


1. Porco no S. João (24), meão; se meão se achar, podes continuar; se mais de meão, acanha a ração.
2. Em Junho, foicinha em punho.
3. Nem de Inverno sem capa, nem de Verão sem cabaça.
4. Em dia de S. Pedro (29), vê o teu olivedo, e se vires um grão, espera por um cento.