sábado, 4 de abril de 2020

Hoje, vai ser assim?...


... Mas, pelo telhado, até parece uma bateria anti-aérea, pelo que lhes pus o título de : Os Canhões de Navarone (1961), em homenagem ao realizador de cinema J. Lee Thompson...

Nota: só para constar, este poste do Arpose é uma capicua magnífica, tem o número: 11.111.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Uma fotografia, de vez em quando (138)


Nem sempre os genes levam consigo o sentido estético anterior, mas muitas vezes há transmutações nas artes legadas entre gerações da mesma família. A filha do grande pianista que foi Arthur Rubinstein (1887-1982), nascida em Buenos Aires, Eva Rubinstein (1933) ainda estudou e praticou ballet clássico, mas é conhecida sobretudo como uma talentosa fotógrafa. Manteve-se, ao menos, o sentido artístico, como herança.


Essa aprendizagem, musical e de dança, iniciou-se aos 5 anos. Em 1939, toda a família, de origem judaica polaca, se mudou para os Estados Unidos, mas só em 1967 Eva Rubinstein se começou a interessar e a estudar fotografia. Mais tarde, ainda, se estabeleceu como fotojornalista. Paralelamente, a sua obra vasta inclui bons retratos de Gabo (García Márquez) e de Arthur Rubinstein, entre muitos outros.


Desta temática própria, ela referia: "É uma espécie de monólogo tentando transformar-se num diálogo, uma dádiva, um alibi de salvação." 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Dizeres


No tempo da Guerra Fria, dizia-se à boca pequena que os soviéticos usavam, para os trabalhos sujos internacionais, de preferência, os búlgaros. De há um tempo a esta parte e na UE, quem se encarrega desses fretes parecem ser os contabilistas holandeses.

Eric Coates (1886-1957)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Última hora


Depois de Ovar, o governo decidiu alargar a Boliqueime (Algarve) o estado de calamidade pública, isolando o local devido aos miasmas existentes e aos habitantes atingidos pelo momentoso vírus.
Naturalmente, o venerando e vetusto ex-PR protestou com visível veemência, junto do TC, contra esta tomada de decisão governamental, atribuindo a intuitos políticos este cordão sanitário.

Adagiário CCCIX


Três coisas enganam o homem: as mulheres, os copos pequenos e a chuva miudinha.

terça-feira, 31 de março de 2020

Divagações 157


Creio que é de origem oriental o conceito de felicidade que pressupõe que: primeiro morra o avô, depois o pai e, finalmente, o filho; mas é chinês, seguramente, o augúrio feliz: oxalá vivas tempos interessantes!
Que talvez sejam os que estamos a viver, na verdade.
Tudo tem o seu preço.

Citações CDXXX


Nada caracteriza melhor um milagre do que a impossibilidade de explicar o efeito através de causas naturais.

Buffon (1707-1788), in Histoire naturelle.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Mercearias Finas 155


O abastecimento de víveres, nestes dias de provação, requer especiais atenções. E, isto, porque não se pode, como dantes, por exemplo, ir pedir emprestado um raminho de salsa, à vizinha do lado, para o Bacalhau à Brás - que nos tinha esquecido. Há dias, no supermercado que costumámos frequentar, fiquei varado com o enorme rombo nas gôndolas dos vinhos e nas prateleiras dos chocolates: uma razia. Dos primeiros, nem sequer consegui fornecer-me minimamente.
Entretanto, quanto a peixe e carne, não me posso queixar, nem mesmo de frescos, que o pequeno Mercado vicinal tem tido de tudo e abundante, excepto no primeiro Domingo do confinamento decretado. Depois, recompôs-se, e bem, de todos os produtos essenciais.
Se fosse no tempo da Asiática (Gripe de 1957), eu torceria o nariz ao Empadão que HMJ, primorosamente, confeccionou, mas agora chamei-lhe um figo. De sobras de um Borrêgo à Pastora (que eu desejara) com a ajuda de um pouco de carne picada de novilho, cozinhou ela um empadão cor de laranja (por causa da cenoura), fazendo-o acompanhar de uma salada de beterraba, fria. Estava uma delícia! Veio um tinto Dão Grão Vasco (Quinta dos Carvalhais) 2016. Que cumpriu a sua função, aplicadamente.

Gaetano Donizetti (1797-1848) : Lucia di Lammermoor

domingo, 29 de março de 2020

Mécia de Sena (1920-2020)


Irmã de Óscar Lopes e esposa de Jorge de Sena, Mécia de Sena faleceu ontem, poucos dias depois de completar cem anos de vivíssima existência. Mulher simples, mas de convicções, prolongou incansavelmente a memória do Marido, defendendo a sua obra sempre que foi necessário. Quase não valeria a pena referir o sabido: atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.
Tive o prazer de me cartear com ela, a propósito de assuntos que não vêm ao caso, mas que constam do registo do Arpose, e ainda mais afortunadamente me ter dado a conhecer, ao vê-la, por mero acaso, uma tarde na rua do Alecrim, nos anos noventa
É desse encontro que ela fala no cartão de Boas-Festas, datado de Dezembro de 1993, que reproduzo abaixo. E que, modestamente, aqui deixo a recordar a grande Mulher que ela foi.


sábado, 28 de março de 2020

Lembrete 73


Sendo embora este tempo um espaço diferente, convém não esquecer que ele avança 1 hora, logo de madrugada, e precisa do nosso contributo para adiantar os relógios.

Da leitura 36


Para um tempo estranho, porque não um livro estranho? Do alemão Ernst Jünger (1895-1998) - O Coração Aventureiro. Fragmentário, aparentemente desarrumado, inicia-se em Steglitz e remata em Ponta Delgada. Realista, quase científico, surrealista por vezes, outras, onírico. Quase sempre situando o leitor em território sem mapa e sem pé, perguntando-se se é ficção ou realidade o que lê, num estimulante processo criativo, também partilhado.
Segue um pedacito do texto:

... Para os olhos do norte habituados ao brilho mais desmaiado, os mistérios que se encerram num mar do sul constituem uma atracção inesgotável. Também as cores dos animais terrestres, até dos insectos, nas zonas mais quentes, aumentam de riqueza e de variedade, constratando acentuadamente umas com as outras. Mas apenas o mar dá aos seus habitantes aquela elegância tocante e a suavidade de tons, o brilho trémulo e irisado dos seus cristais raros, a maravilhosa delicadeza e afabilidade do efémero. Estas cores são obra do sonho, pertencem mais à noite do que ao dia; precisam do fundo do azul-escuro para protecção. ... (pgs. 60/61)

Ernst Jünger , in O Coração Aventuroso (Cotovia, 1991).


quinta-feira, 26 de março de 2020

Fake news?


Bolsonaro, Erdogan, Johnson, Trump e Orbán estão infectados.
(Deus seja louvado!)

Ah! E este ano não há Camões, em Junho.
(O PR lá sabe...)

Antonio Gamoneda (1931)


A que cala e despreza; a que estende
as mantas, a madeira, e os sudários
sobre a vida; a que entende o gesto
dos que existem e não falam; esta
que adverte e que segue com as suas
grandes mãos o movimento da terra e fita
o próprio rosto da luz, esta é a velha
mãe do medo, a que espera e se cala.


Antonio Gamoneda, in Pasión de la mirada.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Citações CDXXIX


Desde que eu escape a esta doença, conseguirei vir a ser imortal?

Jules Renard (1864-1910), in Journal (1895, Gallimard).

Schubert / Brendel : peças para piano, op. D 946

terça-feira, 24 de março de 2020

Sem título, ou...


...os navios já não cabem nas cidades... Nem são bem-vindos a atracar.
Quanto a paisagens distantes, de momento, só as podemos recordar ao longe.

A. Uderzo (1927-2020)


Com 92 anos, faleceu hoje Albert Uderzo (1927-2020) que, com René Goscinny, foi autor da célebre BD, Asterix e Obelix, penúltima ( a última foi Corto Maltese, de Hugo Pratt) que li com prazer, já a entrar na idade adulta. Minha grata memória, por tudo o que me trouxe.


Impromptu (50)


É uma saturação por todos os lados, irra!
Se até o próprio jornal, das suas 48 páginas, dedica 23 ao momentoso vírus, se não contarmos com mais duas páginas dos articulistas, mais o foleiro do cronista por barbear da última página, todos eles nos andam a massacrar, aperrear, emocionar e a tentar acarneirar para o mesmo assunto. E na bloguesfera é o mesmo, vindo dessas galinhas e baratas tontas que não sabem falar senão do mesmo tema infecto...
E será que o Luís Afonso e eu próprio, aqui, não incorremos também no mesmo erro básico cacofónico?

segunda-feira, 23 de março de 2020

De JRJ, sobre Camões


Ler correspondência alheia constitui, uma boa parte das vezes, uma forma daquilo a que eu costumo chamar com ironia: coscuvilhice nobre. Noutros casos, permite saber melhor como foram e pensaram alguns homens célebres, no passado, para o efeito de melhor os conhecermos ou à sua obra.
Esta carta em tom bem humorado, do poeta Juan Ramón Jiménez (1881-1958), dá-nos uma ideia da opinião que ele tinha sobre Camões e, por isso, resolvi traduzi-la para o Arpose.
Segue:

                                                                                                                 Madrid, 13 de Janeiro de 1924

Senhor Dom Juan Guixé, El Liberal.

Meu querido amigo:

 Recebi esta noite, às sete, a sua amável carta pedindo a minha opinião sobre a ideia de O Liberal enviar a Portugal uma "embaixada" extraordinária de poetas espanhóis, tendo como motivo o centenário de Camões. E solicita-me que eu lhe responda hoje mesmo.
 Há tempos que não leio jornais e, por isso, não posso senão referir-me à sua missiva: um juízo meu sobre Camões "glorificado" não teria qualquer valor, uma vez que só li do poeta luso as suas poesias dispersas e estou certo de que não é por umas belas poesias soltas que um país celebra oficialmente os centenários dos seus vates. O seu poema "nacional", salvo das águas pelo seu braço e seu único olho, nos anos quinhentos, nunca me atraiu excessivamente, apesar de me ter obrigado a folhear as suas páginas húmidas; nem sou capaz de abordar, esta noite, as suas oitavas - somente creio na saborosa crítica espontânea - para improvisar um desses apagados, estranhos, antipáticos, infecundos, ajuntadores circunstanciais - Azorín, dom Ramón Perez de Ayala, dom E. de Ors - que se vão fazendo todos os dias por aí. Tão pouco, enfim, tenho sequer notícia de algum trabalho de dom Ramiro Maeztu sobre poesia épica portuguesa, que fosse bastante eloquente, sem dúvida, como outros seus ensaios, para que cristalizasse em mim, de súbito e definitivamente, uma opinião  contrária.
 Crêem os espanhóis competentes que o desventurado Camões é um grande poeta do trono terrestre, marinho e celestial? Nesse caso, é indubitável fazerem-se as coisas com elevação e respeito, e assim que seja dom Miguel Unamuno a "representar-nos" nessa comemoração, bem como dom Antonio Machado, os mais portugueses dos nossos actuais poetas. Se, pelo contrário, miscelâneas político-jornalista-literárias, como é costume fazer-se, decidam formar-se em amigável consórcio com os seus parceiros, como sejam O Menino de Vallecas e O Bobo de Coria - veja-se o documento inapreciável de dom Juan Echevarria - nosso actual e fulgurante Azorín das Hurdes, perito em tortas e papas; de que eu fujo como se fosse da fogueira.
 Não me é possível mandar-lhe o meu retrato, nem creio que seja necessário, neste caso, publicá-lo.
 Obrigado por tudo, deste seu afectuoso amigo,
                                                                                                                                 Juan Ramón Jiménez

Nota: a carta foi traduzida de JRJ Cartas / Antologia (Espasa Calpe, 1992).

domingo, 22 de março de 2020

Bibliofilia 144


Um dos cinco meus predilectos poetas castelhanos, Francisco de Quevedo y Villegas (1580-1645) foi também um notável e prolífico prosador. A Historia de la vida del Buscón (1626) bastaria para o consagrar na novela pícara de Espanha.
Creio que foi em meados dos anos 80 que adquiri, num alfarrabista lisboeta, esta Parte Primera de las Obras en Prosa de..., editada em 1664, por Melchor Sanchez, em Madrid, à custa de Mateo de la Bastida, comerciante de livros.


Na contracapa da encadernação em pergaminho, o livreiro-alfarrabista inscrevera a lápis o seguinte: "Palau, 243577, refere: «não visto, porque só existe um exemplar na Biblioteca do Arsenal em Paris»". Realmente o livro era raro, porque pesquisas posteriores, de HJM e minhas, detectaram apenas mais 6 exemplares em toda a Espanha, 3 dos quais em bibliotecas particulares.
Infelizmente, na altura da compra do meu exemplar, não tomei nota do valor que dei pelo livro. 

sábado, 21 de março de 2020

Pinacoteca Pessoal 162


Descendente de uma família huguenote, que se radicou na Suiça, o pintor Jacques-Laurent Agasse nasceu em Genebra a 24 de Abril de 1767, vindo a falecer em Londres no final do ano de 1849.
Fixou-se em Paris, por volta de 1786, onde estudou Veterinária e Anatomia, tendo frequentado o estúdio de David (1748-1825) e, posteriormente, dedicou-se sobretudo a pintar animais e cenas campestres. Embora raras, algumas telas de interiores, revelam-no como um bom retratista.



Em Londres, onde já estivera breve e anteriormente, viria a fixar-se de forma definitiva a partir de 1800. Como a sua pintura era apreciada pela aristocracia, não lhe faltou trabalho. Até o próprio rei Jorge IV (1762-1830) lhe encomendou uma tela, retratando uma girafa núbia que lhe fora oferecida pelo paxá do Egipto, Mehemet Ali, em 1827. Pelo quadro recebeu Agasse a importante quantia de 200 libras.


sexta-feira, 20 de março de 2020

Revivalismo Ligeiro CCXLVI



Ora, reparem-me no homem das maracas!...

quinta-feira, 19 de março de 2020

E se falássemos de outras coisas?...


Com as restrições impostas às populações parece que a poluição geral está já a diminuir nalguns países.
Devo louvar a resiliência da minha tabacaria outrabandista que, embora reduzindo o seu  horário (só abre da parte da manhã), me permite comprar o meu jornal diário para me dedicar ao meu mais rotineiro exercício mental - o sudoku.
E, entretanto, desapareceram as gaivotas, na zona, esse bicho feio, alado e agressivo que já foi  agradável de se ver e poético (vide Alexandre O'Neill, Amália e A. Oulman). Encerrado, por tempo indeterminado, o restaurante-café outrabandista, que lhes atirava as sobras da comida, elas desampararam a loja.
O que o autismo nórdico não conseguiu, tem vindo a conseguir o contágio sínico - haja saúde.
(Nem tudo são desgraças, ó gentes, falai de outras coisas mais animosas! Puxai pela imaginação, ó bloguistas-donas-de-casa encarceradas na vossa obsessão!)

Filatelia CXXVI


Alguns poucos e pequenos países poderiam talvez prescindir da emissão de selos postais próprios, utilizando os emitidos por nações vizinhas geograficamente maiores, através de um protocolo específico. Estou a lembrar-me, por exemplo, do Vaticano, que poderia usar as estampilhas da Itália. Ou Andorra. Não o fazem, creio, por efeitos de marcar uma posição de soberania, mas também pelos benefícios monetários de lucro que a venda dos selos representa.


Um dos casos mais curiosos diz respeito às Nações Unidas que, não sendo um país, é uma organização internacional criada em Outubro de 1945, logo após a II Grande Guerra. Pouco tempo depois, em Novembro de 1950, criou também um serviço postal e filatélico, com emissões de selos em 3 línguas (Inglês, Francês e Alemão) e valores de moeda (dólares, francos suiços e euros). Com repartições postais e vendas de selos, respectivamente, em Nova Iorque, Genebra e Viena de Áustria.  Na sede e nas duas cidades europeias onde tem delegações importantes.


quarta-feira, 18 de março de 2020

Comic Relief (153)


Socializar, sim, mas devagar...

terça-feira, 17 de março de 2020

Pedro Barroso (1950-2020)



Replay.
Ainda que não fora menina uma das mais bonitas palavras da língua portuguesa, a voz de Pedro Barroso, ao cantar, dava-lhe um encanto e uma ternura singulares.