quinta-feira, 15 de maio de 2025

Desabafo (97)

 
A Sapo procurava hoje, em anúncio, escritores para livros infantis.
Bastaria andar pela blogosfera para os encontrar às dezenas nos blogues mais banais.
Ou pedir ajuda à criativa do Zink para os contratar.
Que a infantilidade, actualmente, abunda, e as criancinhas ainda não têm o sentido crítico apurado...

Pinacoteca Pessoal 213

 

Amigo de Pablo Picasso e, ao que se diz, inicialmente, influenciado por Seurat, o italiano Gino Severini (1883-1966) adoptou a partir de certa altura, e até ao fim da vida, uma postura neo-clássica na sua obra, abandonando a perspectiva inicial de modernismo futurista.
Uma serenidade marcante ressalta de muitas das suas pinturas. Da sua obra, para além do auto-retrato, escolhi este Pierrot Músico, de 1924, que pertence ao museu Boymans-van Beuningen, de Roterdão.



quarta-feira, 14 de maio de 2025

Bibliofilia 222

 

Houve um tempo em que foi moda a fotobiografia sobre escritores, depois acabaram por se terem esgotado os fotografáveis merecedores. Esta obra acima, com imagem de capa, de António Nobre (1867-1900), foi editada em Setembro de 2001, com orientação competente de Mário Cláudio (1941). Textos e citações do poeta apropriados, e com um aparato iconográfico notável, bem merece ser recordada aqui, pela sua qualidade.
Ou não fosse Nobre um dos meus poetas portugueses preferidos.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Divagações 205

 
Ao que parece, e comprovadamente, os elefantes têm reacções sensíveis pela morte de parentes ou componentes da sua manada. Estas mosquinhas da fruta que eu detesto e mato, sempre que posso, com grato prazer, demonstram, pelo contrário, alguma neutralidade sentimental, mas também burrice, pois são capazes de pousar, pouco tempo depois, junto de alguma colega falecida, com manifesta indiferença.
Entretanto, surpreendi-me uma vez mais, recentemente, com a sequência de reacções cristãs de lamentação e choro pela morte de Francisco, seguidas, poucos dias depois, com as demonstrações esfuziantes de júbilo e alegria ruidosa pelo anúncio da eleição do novo Papa.
(Ele há coisas do diabo!...)

segunda-feira, 12 de maio de 2025

domingo, 11 de maio de 2025

Pontifícia menor



 Só me ocorre um provérbio: Não bate a bota com a perdigota.

Curiosidades 111

 

Há, muitas vezes, parcerias úteis e justificadas, os prefácios podem ser uma delas, em livros. Estou a lembrar-me do de Eça de Queirós nos Azulejos (1921), do Conde de Arnoso (1855-1911). Ou a carta-prefácio de Carlos Malheiro Dias (1875-1945) no primeiro livro de Aquilino Ribeiro (1885-1963), Jardim das Tormentas (1913). Prólogos recomendando ou explicando a obra são normalmente um incentivo à leitura, quando feitos por autores já consagrados.
Um caso exemplar se passa com o único livro de poesia publicado pelo judeu russo (Donetsk) Eliezer Kamenezky (1888-1957), Alma Errante (1932), que tem um prefácio de Fernando Pessoa. Kamenezky ficou conhecido por ser um propagandista do vegetarianismo e ter entrado em 3 dos filmes de Lopes Ribeiro, e não só. Porém, o prefácio de Pessoa torna a obra, ainda que vulgar, muito apetecível dos bibliófilos em leilões, e o nome dele bem mais conhecido.

sábado, 10 de maio de 2025

Ideias fixas 95

 

Agora, foi a vez da directora da Biblioteca do Congresso, Carla Hayden, ser despedida pelo ogre da Sala Oval, nos E. U. A.
E ainda há quem louve as excelências da democracia norte-americana!...
Tudo depende de quem a pratique.

Impromptu 82


De outro modo, ou com tango em seguida.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Visita

 

Um passaroco visitou-nos ontem na varanda a Sul. Pouco antes de sair fumo branco no Vaticano e Robert Prevost ( Leão XIV) aparecer discreto, mas sorridente, na varanda, já sob pseudónimo.
Arriscávamos dizer que a ave seria um rabirruivo-preto, a que também chamam carvoeiro ou pisco-ferreiro. E por lá andou ele na varanda, por uns minutos, tal como o novo papa na outra, da Santa Sé.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Humor negro (24)



Ou vermelho?

Da leitura 61



Depois de uma (re)leitura breve e em diagonal do livro (Outros Tempos) de Júlio Dantas (1876-1962), obra que me pareceu algo especulativa e insuficientemente fundamentada, hei-de encetar a leitura do segundo livro em imagem, do historiador Armando Luís de Carvalho Homem (1950), que HMJ acabou de ler. E a que deu o seu aval de qualidade - meio caminho andado de garantia de leitura, para mim.




terça-feira, 6 de maio de 2025

Apontamento 181: Jornalismo profissional, responsável e esclarecido: PROCURA-SE

 




Em Berlim, assistiu-se, ontem à noite, à despedida do Chanceler Olaf Scholz, com uma cerimónia militar, julgo de regra, na passagem de testemunho para o próximo responsável pelo Governo da Alemanha.

Da imagem da figura de Olaf Scholz, a que o público teve a possibilidade de assistir, ouvindo o seu discurso, não resta nenhuma dúvida a qualquer pessoa bem-intencionada, esclarecida e conhecedora da língua e cultura alemãs, que se perdeu, sobretudo por uma ignorância atrevida sobre as funções do Estado, um dos últimos estadistas com que a República Federal Alemã, no contexto político alemão actual, poderia contar.

Para quem tivesse dúvidas sobre a estatura intelectual, cívica e cultural do chanceler, ignorando o seu ar e empenho sério, consciencioso, realista e circunspecto, avesso, como bom hanseático, a manifestações espúrias de emoções vagas e sem sentido, deveria ler, se soubesse, os últimos dois discursos.

O discurso nos 80 anos do fim do Campo de Concentração de Neuengamme, Hamburgo, e da intervenção de despedida de ontem à noite:

https://www.tagesschau.de/inland/innenpolitik/scholz-grosser-zapfenstreich-100.html

Fica um aviso à imprensa, até àquela que, por cá, se considera profissional: a saber a RTP. Para entender o mínimo do universo intelectual de Olaf Scholz é preciso saber Alemão e não trocar “alhos com bugalhos”, o que a RTP fez hoje.

“Scholz despede-se da governação na Alemanha a pedir "mão firme" ao sucessor”

Com efeito, “mão firme” não corresponde – EM NADA – àquilo que o Chanceler Olaf Scholz desejou ao seu sucessor, porque disse o seguinte:

[“Seinem designierten Nachfolger Merz,  (…) wünschte Scholz für alle Aufgaben und Herausforderungen "viel Erfolg, (…) und eine glückliche Hand".]” 

Ou seja, as “mãos firmes” da RTP não têm nada que ver com as “mãos afortunadas” que Olaf Scholz desejou, num universo intelectual superior, ao seu sucessor na condução do próximo governo da RFA.

Fica mais esta ignorância atrevida, até de uma estação pública com responsabilidade, para se entender que, tanto em Portugal como na Alemanha, a imprensa – da direita, do centro e atá da esquerda – fez da sua própria ignorância uma campanha sem precedentes, contra uma superior personalidade de um Chanceler, puxando o chinelo para a “vidinha” quotidiana e incapaz de entender discursos nobres fora da “caixa”.

 Post de HMJ

Chopin /Pollini

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Os primeiros sinais vivos da manhã

 
Disse-o há muito, creio que em Fevereiro de 1979, que o primeiro movimento e som de fonte limpa da casa são as águas. Correntes. Agora e recentes, movem-se frenéticas uma ou duas mosquinhas (horrorosas) da fruta, sobretudo na cozinha. Vem depois o som aflautado, por volta das 6h30, do ladrar do estafermo do cãozito da vizinha, que nunca o ensinou a estar calado. Segue-se, ou não, a cãozoada em volta, em contraditório.
Mas, se assomar à varanda a leste, tenho uma consolação visual agradável, oriunda da grande colónia de melros da zona, que cedo começa a sua lida na busca de migalhas pelo chão. Nos seus passos nervosos, saltitantes e miúdos, até me podem brindar, se para aí estiverem virados, com o seu canto mavioso e lindo.

domingo, 4 de maio de 2025

Perguntar não ofende (5)

 

Quem terá comido o e deste título do jornal Público de hoje?
Ou foi o revisor que pediu um Porto Ferreira?
(Isto da escrita em jornais vai de mal a pior.
Impensável no tempo de V. Jorge Silva.)

sábado, 3 de maio de 2025

Uma fotografia, de vez em quando... 195



Não tendo a projecção mundial de Sebastião Salgado, o baiano Evandro Teixeira (1935-2024) deixou um testemunho notável fotográfico dos acontecimentos sociais da sua época, através de uma obra que conta um acervo documental de mais de 150.000 instantâneos, que se guardam, em parte, no Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro).




Mas também no estrangeiro, nomeadamente no Centro Pompidou (Paris), e outros museus importantes, a obra fotográfica de Evandro Teixeira se encontra representada.



sexta-feira, 2 de maio de 2025

Legendas

 


O dueto inefável  e maravilhoso da foto suscita-me diversas legendas alusivas:

1. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
2. O Rieu e o Barreiros conseguiram escapar ao arraial festivo de S. Bento.
3. Há escolhas que definem mentalidades.
4. Ao menos, o 25 de Abril não foi emporcalhado.

interlúdio 105

Citações DXII

 

Com a idade de vinte anos, e depois de alguns erros graves de juventude, eu entrei na poesia como quem entra nas ordens monásticas..

Jean Cocteau (1889-1963), in Le Requiem.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Um poema de Reiner Kunze (Alemanha, 1933), em versão portuguesa

 

Dia Irreal de Maio


As cerejeiras e as pereiras floresceram tanto
que se transformaram
em nuvens brancas

A aldeia, em flor,
flutuou para longe

Com o nosso cabelo branco
fingimos pertencer-lhe
e livrámo-nos do peso


Reiner Kunze, versão de Vasco Gato, in Uma só Carne com a Noite (pg. 597).

Adagiário CCCLXXIX

 

Favas Maio as dá, Maio as leva.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

terça-feira, 29 de abril de 2025

Apontamento 180: Johannes Gutenberg



 

Por ocasião dos 625 anos do nascimento de Johannes Gutenberg, e de acordo com a informação da Sociedade que tem o seu nome [Internationale Gutenberg-Gesellschaft] imprimiu-se, em grande formato, uma folha do seu impresso mais notável, a saber, a Bíblia de 42 linhas, sua obra prima.

Agora, um fólio, em grande formato, se encontra em exposição na Catedral de Mogúncia, cidade ligada àquele que se considera ser o inventor da tipografia, pela introdução do uso de tipos móveis capazes de reproduzir, com vantagem de tempo e custos, os textos anteriormente copiados à mão.


Post de HMJ


Osmose 143

 

Mais de 12 horas para a EDP repor a energia, a nível nacional. Entretanto, nem sequer a Protecção Civil, tão solícita em dar sempre notícias aterradoras, nem a pópria REN foram capazes de dar informações aos utentes sobre o que se estava a passar. Mas que grandes serviços inúteis!...
Este apagão eléctrico e ibérico foi o maior de toda a minha, já longa, vida. E fez-me lembrar, pela impotência demorada na resolução do problema, os inícios da entrada da informática na banca nacional e quando nos diziam, taxativos: "Não há sistema!", para justificar a falta de serviço e trabalho.
Não há dúvida que as novas tecnologias têm os seus enormes calcanhares de Aquiles. E nem a tão apregoada  e gabada IA , neste particular concreto,  valeu à EDP de algum préstimo.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Do que fui lendo por aí... 68



"Todos os franceses leram Maupassant, muitas vezes na sua adolescência. (...) Considerado como um clássico, ainda em vida, Maupassant é, com Dumas, um dos raros autores do século XIX que os jovens leitores podem devorar para seu próprio prazer." 

Alexis Brocas, in Édito (Les Classiques de Lire Magazine, nº 14).

domingo, 27 de abril de 2025

Regionalismos madeirenses (4)

 

Da temática em epígrafe, seguem-se mais alguns regionalismos, por ordem alfabética:

1. Chimeco - pessoa ou animal que é muito magro ou enfezado.
2. Destaivado - pessoa que é pouco ajuizada, que não revela sensatez ou bom senso.
3. Embeiçado - que anda sem dinheiro.
4. Empapelar - demorar muito a tomar uma atitude.
5. Esbambalhar - provocar danos; ficar destruído.

sábado, 26 de abril de 2025

Do conto

 

A arte do conto tem que se lhe diga e eu penso que atingiu o seu grau de perfeição nos séculos XIX e XX.
Fui grande apreciador desta variedade literária, embora exigente, e esperava sempre que, a exemplo de um bom e clássico romance policial, o conto me trouxesse uma conclusão inesperada no final.
Não creio que, actualmente, haja grandes contistas portugueses ou estrangeiros, pelo menos, da qualidade, talvez inultrapassável, de La Parure (O Colar), de Guy de Maupassant (1850-1893) ou O Sacristão, de Somerset Maugham (1874-1965).

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Imaginação na tv


Pode medir-se a dimensão imaginativa da direcção dos nossos canais televisivos nacionais se, ao menos uma vez, prescindirem do Culkin pela época natalícia ou da Medeiros pelo 25/4, nos seus programas.