Os livros antigos pagam liberalmente a quem os atura. Não ha velhice mais dadivosa e agradecida do que a d'elles. Sentam-se comnosco á sombra de arvores, suas coevas, e contam-nos coisas que viram os plantadores das arvores. Nos silencios das noites giadas dos nossos janeiros, elles, que os contam aos centos, aconchegam-se de nós e conversam com o mesmo affecto das tardes estivas, embora o frio lhes esteja orvalhando os pergaminhos das capas. Optimos amigos que nem quando nos adormecem se agastam, e até soffrem ser ouvidos sem ser escutados!
Camilo Castelo Branco (1825-1890), in prefácio de Cavar em Ruinas.

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