segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Idiotismos 11


Tome-se por inteiro, e antecipadamente, que não se vai chegar a uma conclusão definitiva e rigorosa sobre as origens, razões de uso e significado exacto da expressão portuguesa: fazer fosquinhas. Muito embora Alexandre de Carvalho Costa (Gente de Portugal/ Sua linguagem - Seus costumes, Portalegre, 1982) lhe atribua equivalência a: fingir afectos que não se sentem.
Ao que parece, os Getas e Citas, antigos povos germânicos, atribuiam aos cavalos um poder adivinhatório através da interpretação dos seus relinchos, sobretudo aos cavalos brancos, que eram consagrados ao Sol. Daqui, para Portugal, vão uns séculos, mas há notícia de uns "cavalinhos fuscos" que, obrigatoriamente, integravam a procissão lisboeta do Corpo de Deus. Por sua vez, S. Jorge, iconograficamente, aparece quase sempre montado num cavalo branco. Ou seja, de novo, uma ligação ao sagrado.
Já no "Auto das Fadas", Gil Vicente refere: "Cavalgo no meu cabrão - e vou a val de cavalinhos..." E, também, Francisco Manuel de Melo os refere (cavalos fuscos) na "Feira de Anexins". Em 1517, no Regimento da Câmara de Coimbra se regista: "...os cordoeiros, albardeiros, odreiros e tintureiros levam quatro cavalinhos fuscos bem feitos e bem pintados...". E Cruz e Silva, no Hissope, nos finais do século XVIII, escreve:
E por dar mais prazer aos convidados,
De cavalinhos fuscos, depois dele
Na vaga sala, com soberba pompa
O galante espectáculo prepara.
Ou seja, em jeito de conclusão, fazer fosquinhas seria, talvez, "imitar o cavalo, nos seus movimentos, caracoleios e relinchos". E fiquemo-nos por aqui, hoje.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O esbatimento das ideologias


Os resultados, hoje, verificados nas eleições de Niedersachsen (Baixa Saxónia), na Alemanha, com uma vitória tangencial do SPD (mais 1 deputado) do que a CDU, de Angela Merkel, só vêm justificar este quase empate técnico das consciências que, já antes, nas eleições gregas se tinha  traduzido pela pulverização e dispersão dos votos dos eleitores por vários dos partidos helénicos. Como numa quase conclusão de que um é = a outro. A descaracterização política, os centrões, o esbatimento das ideologias, os políticos de aviário são em grande parte os responsáveis pelo desencanto dos jovens e pelas abstenções, cada vez maiores, nas eleições do mundo ocidental. Este indiferentismo poderá abrir a porta, num futuro próximo, a novos populismos ou ditaduras mais sofisticadas e subtis que, pé ante pé, já se têm vindo a instalar. 
No inverso, o Islão cavalga, iroso e num mundo cada vez mais próximo, um fanatismo ideológico medieval, que nos parece - para lembrar Pessoa e Cavafy - colocar, a todos, como peões ou jogadores de xadrez, à espera dos bárbaros.

Regionalismos minhotos (30)


Da já referida Monografia de regionalismos minhotos, coligida por M. Boaventura, segue-se hoje uma pequena e primeira selecção de palavras iniciadas por R. Cá vão, como no original:

1. Rabaceiro - ladrão de frutas, pequeno gatuno.
2. Rabeira - aquilo que fica para trás: deixar uma rabeira de erva, no campo; deixar umas rabeiras na poda...
3. Rabêta - criança muito esperta.
4. Rabistéques - quartos traseiros, rabistel.
5. Rabo da verga - ser do rabo da verga, mau, ruim de torcer.
6. Rabudo - rabujento, mau.

Ernest Chausson (1855-1899)


Divagações 38


Se a juventude não fosse irreverente, mas ajuízada, não seria inteiramente juventude. Por tradição clássica, atavismo e obrigação, os jovens devem ser desdenhosos, rebarbativos, um pouco desleixados, um pouco exibicionistas, diferentes, pelo menos - só assim será saudável e expectável que o sejam. Porque haverá muito tempo, para que o sistema os envolva, enrede numa asfixia normativa até, se for preciso, absorvendo as suas reivindicações mais puras num mainstream de conduta modelar para a época.
Mas também há aquilo a que se chamou, para uma canção da moda, os velhinhos modernos. Que a todo o custo tentam, contra todas as evidências, continuar a ser novos, belos e jovens. Num esforço patético e trágico, de que não se apercebem. Escurecem os cabelos, branqueiam os dentes, ou não se comprometem com partidos políticos, nem ideologias, nem com coisa nenhuma - dizendo sempre mal de tudo -, vestem calções juvenis, não votam sequer, deixam crescer até ao limite os seus cabelos ralos...
Hão-de ser, na sua peregrina ideia, a eterna juventude, sem a água de juventa (O'Neill dixit), nem os elixires milagrosos. E podem ser poetas, marqueses, empresários, consultores, artistas, falsos políticos, cronistas que nunca hão-de crescer muito. Se calhar, também não teriam muito por onde...

Adagiário CXVII : bruegheliano (9)


Por sugestão, que me parece avisada, de HMJ, a legenda flamenga (Niet kunnen ligden dat de zon in 't water schijnt) deste prato de madeira, decorado por Pieter Brueghel, o Velho, poderia ter equivalência, em português, à expressão : "Tapar o sol com uma peneira". Parece-me apropriada à ilustração, pelo menos.
Embora o Museu Mayer van den Bergh (Antuérpia) dê pistas, através da língua inglesa (To be like the dog in the manger) e do francês (Être comme le chien du jardinier) que, não sendo o mesmo, se aproximam do significado de fazer uma coisa de forma pouco apropriada. Creio que não andaremos longe da antiga expressão flamenga, nem da intenção pictórica de Brueghel.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Grafologia, caligrafias e outras considerações avulsas


Há vidas que são uma única e só hesitação. Outras, que se pulverizam em fragmentos inúteis e se perdem em pequenos nadas, sem fim à vista. Outras, ainda, de uma coerência a toda a prova, que parecem uma recta perfeita, em direcção ao infinito. Numa pulsão que ignora os obstáculos e os empecilhos.
Parece que, quem tiver acesso a um poema manuscrito de Keats, poderá ter a impressão de que os versos teriam sido escritos na véspera, tal a beleza caligráfica e a linearidade fresca e limpa da escrita do poeta inglês. Sabe-se quanto a escrita (pequeníssima) de Agustina é críptica e difícil de ler - era o Marido que passava, à máquina, os manuscritos. A de Vergílio Ferreira era poupada, ocupando todo o espaço das folhas de papel. Proust (ver imagem) era muito desarrumado a escrever.
E, ao que dizem, Hitler raramente escrevia à mão (até o testamento foi dactilografado), tentando decerto evitar futuras análises grafológicas à sua caligrafia.

W. A. Mozart : Concerto para harpa e flauta (K 299) - Andantino


Eugénio de Andrade faria, hoje, 90 anos


Nota pessoal: a carta manuscrita, de Eugénio de Andrade, data de 5 de Janeiro de 1967.

Ver


"A história das artes plásticas, sobretudo nas suas relações iniciais e recentes com a escrita, mostra bem que a percepção sensorial e o pensamento simbólico nunca existiram separados. As estruturas da percepção organizam-se de acordo com actividades, hábitos e valores sociais: a discriminação de tonalidades de branco pelo esquimó e de tonalidades pardacentas pelos povos pastores subtropicais atinge uma acuidade que escapa a todos os nossos olhos; a simples percepção das cores insere-se em quadros valorativos e ideológicos. Ver, humanamente, é já idear. O mero aprendizado da fala dota uma criança com a mais complexa instrumentação simbólica até hoje criada. Portanto o uso de diagramas e símbolos matemáticos não vem instaurar o pensamento simbólico: vem despegá-lo do espírito das crianças, na altura que já é oportuno que elas vejam as palavras, as frases, os textos, como coisas de uma até então despercebida categoria: coisas com que, mentalmente, se agarram as outras coisas mais óbvias. ..."

Óscar Lopes (1917), in Gramática simbólica do português (Lisboa, 1972).

Adagiário CXVI : provérbio militar (francês?)


Citado por Laurent Joffrin, em "Le Nouvel Observateur" (nº 2515):

On peut tout faire avec des baïonettes, sauf s'asseoir dessus.
(Pode fazer-se tudo com as baionetas, excepto sentarmo-nos em cima delas.)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Jürgen Habermas (1929)


Um pequeno excerto, do livro em imagem:
"...O facto de a União Europeia ter sido, até agora, essencialmente sustentada e monopolizada pelas elites políticas gerou uma assimetria perigosa entre a participação democrática dos povos naquilo que os seus governos «conquistam» para eles no palco de Bruxelas - que consideram muito longínquo - e a indiferença, se não mesmo o desinteresse dos cidadãos da União no que diz respeito às decisões do seu Parlamento, em Estrasburgo. ..."
Jürgen Habermas, in Um Ensaio sobre a Constituição da Europa (pg. 109), 2012.

Piotr Tchaikovsky (1840-1893) : "1812" (Abertura)

A constatação do desajuste


Quando um ex-banqueiro português, aposentado, por sinal muito católico, recebe de reforma cerca de 165.000 euros, mensalmente, e cerca de 12.000 crianças portuguesas, em idade escolar, passam fome, podemos concluir que alguma coisa apodreceu, em definitivo, na sociedade portuguesa.
Mas não sejamos ingénuos, estas realidades, se desinquietam a alma, raramente incomodam os corpos da maioria. Ou perturbam os álvaros, os gaspares e os coelhos, que por ai vão pastando, tranquilamente, sem o menor problema de consciência. Para eles, já começou o reino dos céus.

O massacre


Alguns dos visitantes do Arpose devem lembrar-se daquelas barracas de feira (popular), com latas vazias empilhadas, ou fantoches, que os fregueses tentavam deitar abaixo atirando-lhes bolas de pano, para ganhar um prémio. Pois o Largo Camões, ultimamente, tem sido uma espécie de Feira Popular, com os feirantes, diariamente, a massacrar o ministro Álvaro com música pimba, em altos brados. Atirando-lhe também com "Grândola, vila morena" e com o Hino nacional, à mistura, a ver se o boneco cai. Nas profundas do seu gabinete, que deve ser nas traseiras, o homenzinho deve ter que pôr algodão nos ouvidos, para conseguir trabalhar economês.

Missa Luba : Glória

Esta música autóctone, em sequência do poste "As salvíficas mensagens", e à glória do nosso PM de Massamá.

As salvíficas mensagens


Quando Jorge de Sena, no início dos anos setenta, se queixava da pequenez do país (Portugal), não se referia obviamente ao território geográfico (ainda havia colónias...), mas às mentalidades medíocres e pequeninas, aos estreitíssimos horizontes dos políticos e a muita da chamada elite nacional.
Não mudámos, entretanto, quase nada. Quando, hoje, vejo e ouço o elegante (e cada vez com menos cabelo) homem de Massamá, por alcunha PM, falar no "regresso aos mercados", como a salvífica panaceia da ressurreição nacional da Pátria, fico aterrado. Até parece que fala de Fátima e de milagres.
Como disse, aqui, há meses, sinto que vou dentro de um táxi totalmente desgovernado. E o motorista ou está bêbado ou é maluco.

Bibliofilia 74


Teve destino aziago, este Infante D. Duarte (1605-1649), senhor de Vila de Conde e irmão mais novo do Duque de Bragança, mais tarde rei D. João IV. Participou, bravamente, em batalhas europeias mas, por retaliação de Filipe IV, de Espanha, foi aprisionado, em 1641, e passou os seus últimos 8 anos de vida, em cativeiro. Era muito estimado, em Portugal.
José Ramos-Coelho dedicou-lhe extensa biografia, em 3 volumes, editada em 1889, pela Academia Real  das Ciências, com desenhos de Lucas Beltrami e "phototypias do sr. Carlos Relvas". O livro raramente aparece à venda, e é muito apetecido, por obra minuciosa, de rigor histórico, com bom gosto gráfico. O meu exemplar, comprado há 3 ou 4 anos, está bem encadernado, em meia-francesa, e tem dedicatória manuscrita de Ramos-Coelho, a D. António da Costa. Apesar de algumas manchas de humidade, encontra-se em bom estado de conservação. Estava marcado por 60,00 euros, mas fizeram-me um bom desconto, aquando da compra.

Geminando, com MR

Muito próprio para dançar o "Charleston", nos anos 20, do século passado, este vestido não deixa de ter elegância e distinção. Nada que se compare, por exemplo, aos vestidos "Saco" dos anos 50/60 - supino do mau gosto, no meu entender...

Daqui, para MR, geminando com o seu Elegâncias, do Prosimetron.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Comic Relief (59) : mensagem ou massagem - Peter Sellers

3 máximas de Rivarol


-  O desprezo deve ser o mais misterioso dos nossos sentimentos.

- De uma forma geral, a indulgência para com aqueles que conhecemos é bem mais rara do que a compaixão por aqueles que desconhecemos.

- Os parvos deveriam ter, pelas pessoas com espírito, a mesma desconfiança que estas têm para com eles.

Antoine de Rivarol (1753-1801).

Flaubertiana : letra P (2)


Completa-se hoje a selecção das palavras começadas por P, na perspectiva de ideias feitas que Gustave Flaubert lhes deu, na sua imaginosa ironia. Seguem:

Penteador - indispensável em casa de uma mulher bonita.
Piedade - evitá-la sempre.
Poesia - completamente inútil: passou de moda.
Prática - superior à teoria.
Primo - aconselhar os maridos a desconfiarem do "priminho".
Pudor - o mais belo ornamento da mulher.
Púrpura - palavra mais nobre do que o encarnado.

Suburbanidades


Entre as raspadinhas e a "Caras", o coração dos séniores divide-se, na tabacaria onde compro o jornal. Mas há também os indefectíveis do euromilhões, e os já muito raros compradores da lotaria nacional. O jogo e os sonhos róseos fazem sempre parte do cenário das crises e a Santa Casa registou, em 2012, um novo recorde de vendas.
Cá fora já há brotos de mimosas e o amarelo das azedas ultrapassa, em extensão, as flores brancas do frio, a caminho da Primavera. Um dos dois cães vadios, desta zona outrabandista, envelheceu muito, agora que o vejo, desde a última vez. Corpulento, ficou mais desengonçado e trôpego. O outro é pequenino, branco sujo das vadiagens, videirinho e lulu. Tem um andar apressado, como se tivesse sempre qualquer coisa a fazer.
O cão velho parece mais reflectido e minucioso. Qualquer coisa que se levante do chão, merece-lhe cheiro ou faro, talvez para medir e marcar o seu espaço, mas nada conspurca, enquanto o vejo. De olhar piedoso, mas resignado, por três vezes sobe o degrau para o café Avenida, mas não chega a entrar. Abana a cauda, talvez pelo ar aquecido que sente, fareja as portas de metal, e retrocede, cabisbaixo. Só levanta a cabeça, numa esperança mole, para quem entra. E não ladra. Provavelmente, já se habituou à crise e esqueceu, decerto sem rancor, quem o abandonou.

Shostakovich : Valsa para Sofia Perovskaya


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Mais 3 vinhetas


Ainda me lembro de malas de viagem com vinhetas coladas no exterior, que os possuidores exibiam como que para mostrar o seu cosmopolitismo e para dizer que eram muito viajados. Entretanto, perdeu-se esse hábito, até porque com as companhias low-cost, com o Interrail e com o programa Erasmus, as viagens se democratizaram bastante. Essas vinhetas antigas faziam, muitas vezes, publicidade a hotéis ou estâncias de moda. Aliás, como estes autocolantes de três continentes: Europa (com o Hotel Slavie, da Checoslováquia), América do Norte (Waldorf Astoria, de Nova Iorque) e América do Sul (Argentina: Liberty Hotel). Duas das vinhetas são dos anos 50/60; e a norte-americana, de 1936, dá notícia da 40ª convenção da American Ostheopatic Association. Nenhuma delas foi usada para decorar malas de viagem, porque, no verso, todas mantém ainda a goma original. Não têm, também, qualquer valor filatélico.

Pinacoteca Pessoal 43 : George Bellows


Nada sabia de George Bellows (1882-1925), pintor norte-americano, até ter notícia duma retrospectiva da sua obra a decorrer (até 18/2/2013) no Metropolitan Museum of Art (N. Iorque), o que me levou a tentar saber mais do artista, sobretudo depois de ver um quadro ("Stag at Sharkey's") muito impressivo, onde o movimento se combina com a agressividade do boxe, de forma admirável.
É considerado um pintor realista e, apesar da sua curta vida, tem uma obra vasta, interventiva e comprometida com a vida social urbana de Nova Iorque e as injustiças humanas, pelo mundo. É importante a sua fase de pinturas da luta de boxe (ilegal, mas praticado, clandestinamente, na época). Mas também cenas da vida dos bairros sociais, que fixou em muitas telas; e não menos significativas as litografias que fez para denunciar as atrocidades e violência da guerra, com a invasão da Bélgica pelos alemães, no início da I Guerra Mundial, no sentido de forçar a intervenção dos Estados Unidos, inicialmente, neutrais.
Seria, decerto, um artista com sentido de humor acentuado. Porque quando o criticaram por pintar a invasão alemã e a Guerra, sem a elas ter assistido, contrargumentou que Leonardo da Vinci também não tinha sido convidado para A Última Ceia...

Tielman Susato (1510?-1570)


Mapas, fronteiras, zonas de influência


Os mapas sempre foram uma das formas gráficas de demarcação de poder, mesmo antes, muitas vezes da posse ou exploração efectiva de territórios. O chamado mapa cor-de-rosa foi uma forma que a Grã-Bretanha utilizou para se apossar de uma boa parte de África que, até aí, embora deficientemente explorada, era considerada portuguesa. O czar Pedro, o Grande, Catarina da Rússia e Estaline - este último nos finais da II Grande Guerra - fizeram re-arranjos de fronteiras, nas cartas geográficas, para alargarem as zonas de influência da Rússia, premeditadamente.
Se o séc. XX, sobretudo depois da II Grande Guerra, marcou o começo do fim dos impérios europeus, não é menos verdade que as zonas de influência, do antigo colonizador, se vão continuando a fazer sentir, de uma forma mais subtil e consoante a força bélica e política desses países. Sendo certo que a debilidade portuguesa não tem tido peso na reposição da legalidade na Guiné-Bissau, após o golpe militar, já a recente intervenção da França, no Mali, prova concretamente a zona de influência francesa, em África - embora com o acordo decisivo das Nações Unidas.

Adagiário CXV : bruegheliano (8)


Começou o busilis porque, a descriptagem deste e dos próximos anexins, só por especulação a posso fazer. Não há correspondência muito directa com ditados portugueses, neste prato de madeira ilustrado por Brueghel. A legenda flamenga regista: Achter het net vissen. Qualquer coisa como: Chegar demasiado tarde. A imagem reproduz um pescador com uma pequena rede sobre uma superfície aquática que parece ir desaparecendo, enquanto há uma outra rede (de arrasto?), maior, que, provavelmente pescou tudo o que havia de peixe, para pescar... Faz-me lembrar os pescadores espanhóis, na costa algarvia, que limpam tudo na sua pesca de arrasto (deficientemente fiscalizados pelas autoridades portuguesas), deixando pouquíssimo peixe para a anacrónica e fraca frota pesqueira nacional.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pessoal e único


Se eu disparar a fisga, quase adivinho que o pássaro não morre. A minha pontaria, mesmo que por humor cruel e desapiedadas palavras, ou movimento trémulo, não o atinge na alma - que será a última coisa a esvair-se, porque é inconsútil e aérea. Talvez já na infância o soubesse, mas só agora o compreendo em toda a intenção do disparo, seja da pequena pedra, ou da palavra, que nunca é a certeira.
Porque sempre gostei de aves. E algumas são únicas, ou que só veremos, uma vez, na vida. E não cantem, já.