sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nino Rota (1911-1979) : "Cinco peças fáceis para flauta e pianoforte"


Divagações 48


O mimetismo da pressa com a juventude e a simpatia da velhice pelo vagar, creio serem uma constante, com excepções muito pontuais. Tudo se conjuga, no fundo, com as aptidões e a natureza humana.
Tenho dificuldade em saber, ou até afirmar, no entanto, se o ser humano prefere uma existência banal e pacífica, ou antes deseja o fulgor de uma vida aventurosa e empolgante. É certo - como disse a princípio - que, normalmente, a idade tenta evitar as surpresas ou convive mal com elas, foge das arritmias, valorizando, quase sempre, o silêncio do equilíbrio e a tranquilidade da rotina. Onde poderá instalar, a seu modo e gosto, um pequeno "desmanchar da regra" (A. de A. M. dixit), uma escapadela clandestina, um tropeço, um grito inesperado. Sobretudo, quando somos nós próprios, ainda, a controlar e a consentir.
Será sempre difícil assimilar os sobressaltos, instalarmo-nos nos cataclismos pessoais inesperados, aceitar o súbito, o insólito, o excessivo. Principalmente quando vêm do exterior ou dos outros.
(Em abono do tema e da bibliografia alusiva, leia-se "The Tyger", de William Blake (1757-1827), onde se fala da "fearful simmetry", metaforicamente. E de forma magistral e poética.)

Leituras - H. H.


rosa esquerda, plantei eu num antigo poema virgem,
e logo ma roubaram,
logo me perderam o pequeno achado,
mas ninguém me rouba a alma,
roubam-me um erro apenas que acertava só comigo,
um umbigo, um nó,
um nome que só em mim era floral e único

Herberto Helder, in Servidões (pg. 48).

Nota pessoal: das várias recensões que saudaram o surgimento do último livro de H. H., a abordagem que lhe faz António Guerreiro, hoje, na ípsilon (jornal Público), é porventura a mais concisa e a menos poética.
A mais certeira, na minha opinião, e a mais inteligente. Por isso a recomendo, para quem queira ler melhor este livro de Herberto Helder.

Próximo leilão de livros


Mais um leilão de livros, promovido por José Vicente, no Palácio da Independência, a realizar nos dias 24, 25 e 26 de Junho. Destaque especial para um exemplar único, porque impresso em pergaminho, da edição primeira de "Os Simples", de Guerra Junqueiro.
Tempo para lembrar que José Vicente, da Livraria Olisipo, bem como Luís Gomes, proprietário da Livraria Artes e Letras, ambas do Largo Trindade Coelho (Lisboa), encerrarão as portas dos seus estabelecimentos, em meados do próximo mês de Agosto, definitivamente. Devido às disposições da iníqua lei das Rendas promovida e promulgada pela jovial e ligeira Ministra Cristas.

A par e passo 44


Fazer a Relação dos desejos idiotas do homem - para mostrar que todos estes desejos formam a contra-prova da sua natureza, que se deduzem do encontro ou do choque de X e da «realidade»; e que até os deuses desejados ou temidos, ou concebidos, estão terrivelmente obrigados a ser unicamente aquilo que o homem não pode ser (em vez de serem maravilhosamente estranhos ao homem).
- Conhecer o futuro.
- Ser imortal.
- Agir unicamente segundo o pensamento.
- Não ser senão prazer perpétuo.
- Impassível, incorruptível, ubíquo.
- Vencer, conquistar, possuir.
- Ser amado, admirado.
- Conjunto de impossibilidades e improbabilidades.
- Costrução ingénua (por negação), de todas as perfeições de deus.

Paul Valéry, in Tel Quel II (pg. 251).

quinta-feira, 13 de junho de 2013

W. A. Mozart / Wanda Landowska


Nos 8 anos da morte de Eugénio de Andrade (1923-2005)


Juan Ramón Jiménez


É sempre difícil avaliar, até que ponto, uma obra esquecida de juventude, ou renegada pelo seu autor, pode contribuir para um melhor entendimento do percurso de um poeta. Por vezes, o aproveitamento total de poemas, e cronologicamente tardio, não ajuda a uma unidade de estilo ou coerência, e qualidade que o autor desejou. Será o tal "assassinato por entusiasmo" de que fala Cioran.
O jornal El Pais noticia, hoje, a publicação de um livro com inéditos de Juan Ramón Jiménez (1881-1958), dos anos 1911/2, constituído por poemas de juventude.
O livro que, na época, esteve para ser impresso, foi abandonado por J. R. J., para evitar ferir os sentimentos da sua noiva e futura esposa, Zenobia Campubri.
Se Jiménez o tivesse publicado na altura própria, nada haveria a dizer. Assim, tenho de concluir que o amor, neste caso concreto, não foi amigo da Poesia.
Mas não deixo de estar curioso e interessado em ler esta juvenília do poeta do Moguer. Até porque ele é um dos meus eleitos, na língua castelhana...

Vicente Aleixandre, sobre poesia


"É cada vez mais evidente que toda a poesia contém uma moral. Infeliz é o poeta que procura, antes de mais, a beleza! Aquele que a quiser salvar, há-de perdê-la. Toda a poesia, no seu íntimo, se dirige à multidão, ou ela não é nada. A poesia não é uma divindade soberana. Ela não sobrevive senão na medida em que serve os homens."

Vicente Aleixandre (1898-1984), em entrevista (1950).

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Apontamentos 14: A peça que faltava


Na sequência do post, publicado, hoje, no ARPOSE, sobre "Os defensores do Templo" faltava uma peça que se revelou essencial, i.e., o texto de Vasco Graça Moura, em formato electrónico, da edição de 12.6.2013 do Diário de Notícias.


Não é este o lugar, nem o momento oportuno, para esclarecer os leitores sobre a importância cultural da descoberta de variantes, ou estados de impressão, de textos dados à estampa no passado. Porque "versões" existem para todos os feitios. Apenas julgo saber que não existem "versões" para a identidade das pessoas. E, ao que consta, não se poderá confundir Garcia de Orta, autor dos Colóquios dos simples (...), com Garcia de Resende, e por três vezes (!).
Quanto à confusão de VGM sobre a identidade de Garcia de Resende, volto a insistir numa máxima pessoal: "nem toda a criação tem o selo da inocência".

Post de HMJ

Santos Populares


Iniciam-se, hoje, as Festas dos Santos Populares que, começando pelo Sto. António, se ocuparão, cronologicamente, de S. João e S. Pedro, a seguir. A fantasia e afecto populares fê-los descer dos altares e da iconografia oficial, para virem à rua e folgarem na imaginação. O talentoso orador sagrado, António de Lisboa ou de Pádua, onde morreu, transformou-se num santo casamenteiro e, nas Guerras da Restauração, foi até considerado soldado, como patrono, subindo de posto com as vitórias alcançadas, chegando à patente de tenente-cronel e recebendo o soldo correspondente. O casto S. João transformou-se, pela imaginação popular, num brejeiro admirador de moças, brincalhão. A S. Pedro muito pouco foi acrescentado, porque a tradição já o considerava homem caldeado pela vida e rosto sulcado pelas rugas, de pele crestada pelo sal e pelo sol, na sua vida de pescador.
Também as sardinhas fazem parte destas Festas, talvez porque atingem o seu esplendor gastronómico neste mês de Junho e são, por isso, largamente consumidas nestas noites de folguedo. Muito recentemente, e desde há 10 anos, são motivo para jovens artistas darem largas à sua imaginação, com variações sobre o tema. Ao longo destes anos, há já um acervo considerável composto por 294 artísticas sardinhas que estarão em exposição na Galeria Millennium, Rua Augusta, 96, em Lisboa, até 24 de Agosto. Em imagem, uma pequena parte do catálogo produzido para a exibição.

Para agitar a manhã, uma tarantella

Adagiário CXXXIII


"Abelha, ovelha, pena de trás da orelha e vara na igreja, cobiça para seu filho Tareja."

Os defensores do Templo


No passado dia 10 de Junho, e na BNP que abriu propositadamente para o efeito, o Prof. Dr. João Alves Dias deu-nos notícia da existência, muito fundamentada, de uma nova versão do primeiro poema impresso de Luís de Camões, incluído no Colóquio dos Simples e Drogas da Índia, de Garcia de Orta, editado pela vez primeira em Goa, no ano de 1563. A comunicação do Investigador serviu de bom prefácio à exposição que a BNP inaugurou. Tive o grato prazer de assistir.
Hoje, no DN, Vasco da Graça Moura saíu-lhe à estocada, pelo feito.
Camões sempre teve os seus Sumo-sacerdotes que, mal ou bem, lhe defenderam o Templo. Refira-se que os bons pastos são poucos e muitos os pastores...
Quando Jorge de Sena, nos anos 60, começou a estudar Camões, o Sumo-sacerdote Pimpão, saíu-lhe ao caminho de cajado em punho, verberando-lhe a ousadia. E tentou fazer-lhe a vida negra, até no Brasil.
Entre a generosa inclusão de Hernâni Cidade e a usura exclusiva de Costa Pimpão, vão dezenas e dezenas de páginas, e  a obra camoniana tem dado para tudo, pela sua grandeza.
O mesmo vai acontecendo com a pessoana da arca sem fundo. Também aqui há alguns Sumo-sacerdotes.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A inocência perdida e o "irmanzão"


O horizonte na Outra Banda, visto daqui, é ainda róseo e azul. Harmonioso na altura das casas e nas elevações: apenas o castelo de Palmela se destaca, dominante, sobre o casario ribeirinho.
Pensarão alguns, mais despreocupados e desatentos, ou apenas ingénuos, que especulo, imagino demais, que penso obsessivamente sobre a inexplicável caridade (poste "Generosidades, com alguns pontos..." de 27/5/2013) dos linquedins, dos feicebuques, dos gugles, dos iáús e quejandos. Na sua criação e origem, muito embora muito mais sofisticados, têm as mesmas razões amorais da Stasi, do KGB, da Pide. E a mesma ética de devassa nojenta.
O quixotesco, mas corajoso Edward Snowden veio dizer, preto no branco, que estes rios poluídos, desaguam as suas informações sobre nós, repito sobre nós, na foz ampla das  CIA & Cias. Mesmo que sejamos inofensivos e impolutos cidadãos. É este o mundo em que vivemos, queiramos ou não. Snowden anda fugido, nós clicamos, neste momento, no computador... Orwell ri-se do além, por ter tido razão antes do tempo. 

O humor de Hemingway


"Não se deve julgar um homem pelas pessoas que conhece e frequenta. Não devemos esquecer que Judas tinha amigos irrepreensíveis."

Ernest Hemingway (1899-1963).

Beethoven : das obras de juventude

Em diagonal


É sabido que Nelson Mandela (1918) se encontra entre a vida e a morte e até um jornal inglês, para escândalo de muitos, titulou na primeira página: que o deixassem descansar. Parece-me justo - foi uma vida cumprida, pelas melhores razões e pelos mais humanos e nobres princípios.
Mas antes que o ciberespaço se encha de carpideiras e orações fúnebres, quando a sua morte acontecer, queria chamar a atenção para um aspecto lateral que não deixa de ser importante, para mim.
Há muita gente que confunde, em democracia, tolerância com fraqueza, liberdade com abuso, direito à diferença com o exercício de dislates, insultos e baixezas. Nem a ética nem a democracia se compadecem com isso, muito menos com a violência, seja ela verbal ou física. Na síntese de uma mudança tem sempre que existir um diálogo limpo e leal, e um consenso.
A África do Sul teve, em simultâneo, a sorte do encontro de dois homens justos, tolerantes e democráticos, na sua encruzilhada de Futuro. Por isso, ao falar de Mandela, não posso esquecer Frederik de Klerk (1936). Foi deste respeito mútuo que morreu o Apartheid e a nação Sul-Africana ganhou direito à sua razão de ser.

Curiosidades 74


Ao princípio era a colher. Mas é possível que tivesse sido a escudela que foi gradualmente adaptada, feita de madeira, a um uso unipessoal. Depois, a faca com seu duplo uso de arma e talher. Finalmente, e há cerca de pouco mais de três séculos, se começou a usar o garfo, que demorou tempo, até ser consensual e aceite por todos. O rei de França, Luís XIV (1638-1715), desaprovava o seu uso - Rossellini, no seu magistral "A tomada do poder por Luís XIV", dá-nos um pequeno apontamento desse facto, no filme.
E, com isto, a nossa dentição se foi adaptando, com o tempo, a estas ferramentas e ajudas exteriores que vieram facilitar as nossas refeições. Se, a princípio, os nossos maxilares coincidiam, como ainda hoje, os dos chimpanzés, pouco a pouco, no homem, o maxilar superior ganhou prevalência sobre o inferior. E os dentes incisivos deixaram de ter a importância fundamental que tinham no homo sapiens.
É destes aspectos curiosos que nos fala Bee Wilson, no seu interessante "Consider the Fork".

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Camões


Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida. 
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

Os Lusíadas, Canto X, 145.

domingo, 9 de junho de 2013

Cole Porter / Ella Fitzgerald


Lembrete 8


E para aqui estamos
estatelados no Poço
a ver os outros agarrados aos ramos
- com um destino igual ao nosso.

Nota: José Gomes Ferreira nasceu a 9 de Junho de 1900.

Brasiliana


Este singular Compromisso escrito e finamente decorado, para a época (séc. XVIII), terá sido executado no Brasil, para ser entregue a D. Maria I. Obra e intenção dos Confrades de N. S. das Dores, "termo da Vila nova da Rainha da Comarca do Rio das Velhas do Sabará Capitania de Minas Geraes...".
A Livraria de Manoel dos Santos tinha-o à venda, em 1919, por 250$00. Se ficou em mãos particulares, nestes 94 anos já terá, com certeza, mudado de proprietário 2 ou 3 vezes; se foi adquirido por Biblioteca Pública, lá repousará aconchegado, como seria desejável. Ficou-nos este rasto gráfico, em imagem aqui reproduzida, de um documento raro que terá passado pelas mãos da rainha D. Maria I, feito pelos piedosos fregueses brasileiros.

Miscelânea de um domingo sombrio


Os tempos cinzentos, na sua acepção mais integral, têm aguçado o engenho e humor dos portugueses, nestes últimos dois anos de desgoverno e empobrecimento. Valha-nos, ao menos, isso! A não ser assim, era só choro e ranger de dentes. Ainda hoje vi, no placard de entrada do meu prédio, um daqueles formatados, reconhecíveis e sugestivamente ameaçadores envelopes das Finanças, para ser devolvido, a quem alguém acrescentou, a caneta de feltro azul, a seguinte indicação manuscrita, para o carteiro: "Já não mora aqui! Está em Cabo Verde - vive em paz!..."
Quando vejo alguma coisa desproporcionada para a idade de quem a pratica, costumo pensar ou, até, dizer: "- Eu tive uma infância feliz!" Querendo com isso significar que brinquei com os brinquedos próprios, na idade certa (ou, pelo menos, tive essa sorte). Mas também li os livros infantis, na infância, e vi os filmes de Disney, quando era criança. Hoje, não tenho pachorra para os voltar a ver. Mas admito e compreendo que ainda haja adultos que delirem com BD, ou gostem de ver, pela enésima vez, o "Música no Coração" ou "A Gata Borralheira".
Eu próprio não estarei isento de tentações. E entusiasmei-me recentemente por um Pedómetro, oferecido por um bom Amigo, no meu aniversário. Colocado à cintura, o aparelhómetro, depois de regulado, permite-me saber, com precisão, ao fim do dia, as calorias que gastei, os quilómetros que percorri a pé, e os passos que dei. É um brinquedo fabuloso! Mesmo agora, às 9h58, constato, surpreendido como uma criança maravilhada, que já dei 1.179 passos. É obra!...

sábado, 8 de junho de 2013

Uma marcha de Ferdinando Paër (1771-1839)


Nascido em Itália (Parma), mas com ascendência austríaca, o compositor Ferdinando Paër era muito apreciado por Napoleão.

Livrinhos 18


O voluminho, em imagem, conciso de palavras e com apenas 30 pequenas páginas de texto, tem as diminutas dimensões de 8 por 10,8 cm. Reproduzido em Valencia, no ano de 1989, pelas Librerias Paris-Valencia, tem como autor Estéban Paluzie y Cantalozella, também ele valenciano e nascido a 6 de Janeiro de 1806. A obra foi publicada, originalmente, em Barcelona, em 1842. O autor teve vida agitada, porque pensava pela sua própria cabeça e tinha ideais que defendia, contra ventos e marés. O Tratadito de Urbanidad para los Niños insere-se numa temática de regras comportamentais e de ética, que era cara a D. Estéban.

Nota: em geminação com MR, no seu Prosimetron.

Há 110 anos, Marguerite Yourcenar passou a existir


"...Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Pelo contrário, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros. ..."

Marguerite Yourcenar (1903-1987), in Adriano (pg. 23).

Comic Relief (68)

Mais um tiro no pé... ou talvez na Gramática.

Agradecimentos a AVP.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ainda Kieslowski, sobre "Bleu"

A concentração sobre si, o tempo em cinema, a música e o que anda no ar, em simultâneo. O que religa os homens, num descriptar simples, mas inteligente feito com rigor e minúcia por Kieslowski, a propósito do filme "Bleu" da trilogia "Cores".

Um dito de espírito, talvez um pouco cínico ou politicamente incorrecto


Alguns católicos americanos achariam bastante normal que o próximo papa fosse Americano, a fim de «se assegurar do controlo do negócio».

Gilbert Cesbron (1913-1979), in Journal sans date (pg. 23), 1963.