sábado, 16 de maio de 2026

Apontamento 188: Sapiência versus Ignorância

 

 

A própria capa do livro sugere um mundo outro, de estética e funcionalidade entre a luz e a sombra.

O título promete para os que ainda navegam “nas margens do saber”, para usar as palavras de um investigador também referência dessas matérias marginais.

O início da leitura convoca um ambiente cultural, luminoso, da cultura clássica para o Humanismo, revelando o caminho do suporte material do texto para a sua fixação final em códice e livro, destinados ao uso do promissor leitor.

O efeito da leitura, de um texto com a marca da sapiência, tem o benefício de nos levar para outras margens.

Assim, vieram as regras de retórica para orientar a presente exposição: opção pela ordem ascendente ou descendente? Sequencialmente surgiram, obviamente, o ensinamento do Padre António Vieira que, através da construção dos seus sermões, se tornou o mestre para ensinar a elaborar um texto com cabeça, tronco e membros.

Deixando, pois, e para os leitores atentos, a curva luminosa do supremo bem da Sapiência, entramos na curva descendente, com acentuado declive, pelos anos 80, no ensinamento das línguas e culturas clássicas, no ensino oficial. O desenvolvimento do pensamento racional e lógico das matérias em causa parecia complicar com o enorme esforço inerente ao efeito final de “arrumar uma cabeça carente”

Entre os meus amigos ainda contei um Professor de Latim e Grego que, na sua casa e para apoio das suas aulas, tinha uma máquina de escrever com alfabeto grego. Que sensação de ignorância de não o poder acompanhar nessa caminhada.

O minguar da oferta do estudo das línguas e culturas clássicas acentuou-se, como é evidente para quem ainda não se relegou, por completo, a uma caminhada, cada vez mais ignorante, incivilizada, imoral e desumana.

Renegar a cultura, o saber e a HUMANIDADE, terá os efeitos nefastos que começámos a observar num quotidiano degradante sem limites.

Post de HMJ

 

 

2 comentários:

  1. Sou do tempo em que o latim era obrigatório no sexto e sétimo anos dos liceus para quem quisesse seguir a alíne E, Direito. Tive o privilégio de ter como professor um SENHOR chamado Tertuliano, natural de Goa, que nos incutiu o gosto pela cultura e história de Roma. Lmbro-me de o ouvir recitar. de memória, as catilinárias para gozo de uma turma embasabacada. Sabia também de cor os Lusíadas. Graças a ele ainda hoje, com a ajuda de um dicionário e uma gramaática consigo ler Tácito. Dizia ele que o latim ensina a pensar e, apesar da tortura das declinações, ele tinha razão.

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    1. De HMJ para Moraislex
      A autonomia de pensar, sendo, para mim, o "último fim dos homens", devia ser o bem supremo do ensino, em todas as Democracias. Contribuir-se-ia, desta forma, embora com esforço, para combater o caldo de ignorância que se vai instalar, de mansinho.

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