sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

À velocidade da luz


Um jovem (?) cibernauta português, que usa a Novis, veio ao Arpose, ontem, e clicou nos labels: Brasil (81 postes) e Adagiário (240 postes). Gastou, na consulta e visita, 3 minutos e 55 segundos do seu precioso tempo. Merecia o Guinness. Imaginem só a velocidade alucinante de tal visão e mente! Deve ser um sobredotado...

Dois ritmos


Não há dúvida que foi um luxo. Ler Graciliano Ramos (Viagem) acompanhado, em simultâneo, pela música de Schubert (Sonata para piano, op. 78). Mas não há dúvida: nenhuma das artes perturbou a outra - completaram-se. Porque me parece que distribuí bem a minha atenção...

Franz Schubert / Vianna da Motta

De Manoel de Barros (1916-2014)



Desejar ser - 9


A ciência pode classificar e nomear os órgãos do sabiá
mas não pode medir os seus encantos.
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem
nos encantos de um sabiá.

Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar:
divinare.

Os sabiás divinam.


Manoel de Barros, in Compêndio para uso dos pássaros.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ad usum delphini (2)


É vê-los por aí, santificados pela deriva, esparramados por cátedras e poltronas de administração...
Porque, neste Portugal jardim, à beira-mar plantado, não há nada como um maoísta arrependido para estraçalhar outro ex-maoísta. Tudo isto, feito em nome de um purismo fundamentalista, de um idealismo de conforto, de uma ética de mercado. E de muita estupidez natural, que não imagina que os outros tenham memória.

Adagiário CCXLI : 4 provérbios escoceses


1. Se os desejos fossem cavalos, também os mendigos montavam.
2. Nenhuma boa história se gasta, por muitas vezes que se conte.
3. Uma bolsa leve, torna um coração pesado.
4. Não cases por dinheiro. Um empréstimo pode sair mais barato.

Manuscrito de Marcello Caetano


Cerca de um ano e meio (13/2/1967) antes de suceder a Salazar, como Presidente do Conselho, Marcello Caetano (1906-1980) agradeceu a Franz-Paul de Almeida Langhans (1908-1973?) - de quem já aqui falámos (4/12/2015), a propósito do seu ex-libris - a oferta do 1º fascículo da obra "Armorial do Ultramar Português". É este cartão manuscrito que se mostra em imagens.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Tchaikovsky / Bashmet

Pequena história (39)


Perguntaram um dia a Henry Kissinger (1923) como é que ele se sentia na pele de uma celebridade, concentrando as atenções e personificando, de algum modo, o poder e saber americano. Tranquilamente, ele respondeu: "Uma das coisas bonitas da celebridade é que, se as pessoas se aborrecem de me ouvir, começam a pensar que a culpa é delas."

Últimas aquisições


Quase poderia dizer que, nos últimos anos, são raros os livros novos que compro. Tirando Steiner, Magris, Manguel e 3 ou 4 poetas portugueses de que acompanho a obra, que adquiro quando são editados, as restantes compras são de livros usados, que a oferta é boa e muita...
Na rua Anchieta, e ao que parece, os Alfarrabistas lisboetas montaram feira ininterrupta (até ao Natal?) e há muito por onde escolher.
Os três livros usados, em muito bom estado, que recentemente adquiri, bastou a nota mais pequena (5 euros) para os comprar. Para quê tentarmo-nos com as capas berrantes de autores foleiros, na montra da Bertrand, ao Chiado? Ou pelos clandestinos Blogues, que pululam na net, encomendados e pagos por Editoras (?), a fazerem publicidade encapotada de obras indigentes...mesmo que best-sellers?...


Uma louvável iniciativa (46)


Ainda não é desta que fico a saber a origem de Sobradelo da Goma (freguesia da Póvoa de Lanhoso) que, pelo nome bizarro, eu costumo usar, metaforicamente, para denominar terra de fim do mundo... Mas, com mais estes dois pacotinhos de açúcar do Café Chave d'Ouro, fiquei elucidado no que diz respeito ao nome de Varatojo (17/20) e Bobadela (9/20). E me lembrei, com encanto, desse aventureiro e bravo António da Fonseca Soares (1631-1682), também apelidado Capitão Bonina ( ou, das Boninas), nas guerras da Restauração, que se homiziou nos Brazis, para não ser preso. E, regressado a Portugal, já perdoado, acabou por morrer, como Frei António das Chagas, em cheiro de santidade, no convento de Varatojo (Torres Vedras). Pelo meio, escreveu imensos poemas, os primeiros, quase libertinos, os últimos, quase sagrados.
E que não se diga que um pacotinho de açúcar não serve para nada...


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Voltando a Dylan

Citações CCLXXII


Todos são ignorantes, só que em diferentes assuntos.

Will Rogers (1879-1935), in The Illiterate Digest (1924).

A par e passo 155


Não sei por que retoma misteriosa, por que meio de regresso à minha juventude, eu voltei a interessar-me pela poesia, depois de mais de vinte anos após me ter libertado.
Talvez haja em nós uma memória periódica e lenta, mais profunda do que a memória das impressões e dos objectos momentâneos, uma memória ou uma ressonância de nós próprios, de longa duração, que nos leva, e acaba por tornar imprevistos os nossos poderes, as nossas tendências, e até mesmo as nossas esperanças mais antigas.

Paul Valéry, in Variété V (pg. 119).

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Caprichos da Natureza


A tromba de água, e não tornado (diz-mo quem sabe...), ocorreu no passado Domingo, 13 de Dezembro de 2015. O fenómeno iniciou-se, no Atlântico, frente à praia Lorosae (S. João de Caparica), tendo-se deslocado, depois, em direcção à Cova do Vapor (Trafaria).
(Não se assustem com o forte ruído inicial...)

Os melhores agradecimentos a AVP e JTP.

Boletim Bibliográfico


Mais um Boletim Bibliográfico, de Dezembro de 2015, de Luís Burnay, que me chegou às mãos pelo Correio, hoje. O último enviado ainda com a porta aberta da Livraria homónima, na rua das Chagas. Que, como é referido na introdução, pelo proprietário, a livraria encerra, por várias razões (como tantas outras já o fizeram, infelizmente, nos últimos tempos...), mantendo-se a actividade de venda de livros usados, via Internet, apenas.
Boletim recheado de boas e raras obras de Poesia, talvez a temática mais forte, desta vez. Pela preciosidade, eu destacaria três lotes e os respectivos preços:
29 - Diogo Bernardes, O Lyma, na sua 3ª edição (1761), em pequeno formato... 170,00 euros.
101 - Fr. J. de Santa Rita Durão, a raríssima 1ª edição (1781) de Caramurú... 2.200,00 euros.
281 - A. D. da Cruz e Silva, os 6 volumes das suas Poesias (1807/1817), da Typographia Lacerdina, ao preço de 150,00 euros.
A quem possa...

Bibliofilia 129


Há quem caracterize os seus versos como maviosos, mas também já o dão, na segunda metade do século XIX, como poeta esquecido. Inocêncio (Vol. III, pg. 25) refere: "Como poeta lyrico pertenceu á eschola francesa; os seus versos são em geral sonoros e bem fabricados, e de certo lhe não faltava naturalidade. ..."
Notícias mais actualizadas ( João Daun e Noronha, 1930) registam o nascimento de Francisco de Paula Medina e Vasconcellos, na Ilha da Madeira, a 21 de Novembro de 1768, e o seu óbito na Ilha de Santiago (Cabo Verde), para onde fora degredado, em 16 de Julho de 1824. Por duas vezes foi preso, mas não se sabem as razões. Frequentou a Universidade de Coimbra e exerceu a profissão de notário no Funchal. Aí foi preso, tendo mulher e filhos a seu sustento. Ao longo da sua vida publicou vários livros em verso, sendo Zargueida (1806), poema épico sobre o descobrimento da Ilha da Madeira, a sua obra mais conhecida.
O meu exemplar, encadernado em carneira e a precisar de restauro, encontra-se em estado razoável. Comprei-o a Tarcísio Trindade (1931-2011), na rua do Alecrim, por volta de 1995, por Esc. 8.500$00, porque é obra rara. Cinco anos antes, em Abril de 1990, a Livraria Artes e Letras tinha vendido um exemplar semelhante, mas em pior estado, por Esc. 4.000$00. José Manuel Rodrigues (Livraria Antiquária do Calhariz), no seu leilão nº 68 (lote 528), tinha outro exemplar que foi arrematado por 90,00 euros, em Outubro de 2006. Finalmente, o alfarrabista Luís Gomes, em leilão da Veritas, a realizar no próximo dia 16 de Dezembro de 2015, insere mais outro exemplar (lote 213), também da edição de 1806, com uma estimativa de venda entre 300,00 e 500,00 euros. Como se vê, pela evolução dos preços, a cotação de Zargueida, de Medina e Vasconcellos, mantém-se em preços altos...


Em tempo:
o catálogo da Livraria Castro e Silva tinha, em Setembro de 2021, um exemplar à venda por 900 euros.

Curiosidades 50


Será que Eça de Queiroz fumava? E Camilo? Ambos os escritores se referem a tabaco, nas suas obras, mas a ficção, nem sempre serve para testemunhar os usos e costumes dos seus autores. No que diz respeito a Almeida Garrett (1799-1854), eu estou convicto de que gostava de fumar. Nas "Viagens na minha terra" (1846), que é um livro com partes autobiográficas, há um passo que me faz pensar que Garrett apreciava o tabaco. Aqui fica a citação:
"...No entretanto, vamos acender os nossos charutos, e deixemos os precintos aristocráticos da ré; à proa que é país de cigarro livre.
Não me lembra que Lord Byron celebrasse nunca o prazer de fumar a bordo. É notavel esquecimento no poeta mais embarcadiço, mais marujo que ainda houve, e que até cantou o enjoo, a mais prosaica e nauseante das misérias da vida! Pois num dia destes, sentir na face e nos cabelos a brisa refrigerante que passou por cima da água enquanto se aspiram molemente as narcóticas exalações de um bom cigarro da Havana, é uma das poucas coisas sinceramente boas que há neste mundo.
Fumemos!
Aqui está um campino fumando gravemente o seu cigarro de papel, que me vai emprestar lume.
- Dou-lhe eu, senhor... - acode cortêsmente outra figura mui diversa, cujas feições, trajo e modos singularmente contrastam com os do «moçarabe» ribatejano.
Acenderam-se os charutos, e atentámos mais devagar na companhia em que estávamos. ..."

domingo, 13 de dezembro de 2015

Antonio de Cabezón (1510-1566) : "Pavana com a sua glosa"


Chamo a atenção para que, ao longo deste vídeo, há várias imagens com quadros representando Isabel de Portugal e Carlos V.

Para a iconografia de Isabel de Portugal


Da casa real portuguesa, Isabel de Portugal (1503-1539), filha de D. Manuel I e D. Maria de Aragão, é porventura uma das figuras mais retratadas ou, ao menos, cujo retrato foi feito por pintores de maior qualidade. Culta, piedosa e de rara beleza, Isabel casou, em 1526, com Carlos V (1500-1558), tendo morrido de parto ao dar à luz o quinto filho, que nasceu morto. Três filhos lhe sobreviveram, sendo que o mais velho, Filipe II de Espanha, viria a ser rei de Portugal.
O seu retrato mais conhecido é, provavelmente, o que foi pintado por Ticiano, e que encima este poste. O casal régio foi também pintado por Peter Paul Rubens, e a tela pertence ao acervo dos duques de Alba. O terceiro retrato, do pintor inglês William Scrots, está num museu da Polónia. Há quem duvide que o quadro represente Isabel de Portugal. A tela, na minha opinião, acusa influências de Lucas Cranach, não deixando de ser uma bela obra.


4 quadras populares ribatejanas



A minha trança entrançada
serve de toda a maneira:
de dia serve de gala,
à noite de travesseira.

...
Água do Tejo vai turva
e a da ribeira barrenta;
o amor que não é firme
numa ausência se experimenta.

...
Quando chaparro der nozes
e a nogueira der cortiça,
então é que eu t'hei-de amar
se não me der a preguiça.

...
Os olhos dos namorados
têm um certo não sei quê,
que serve de sobrescrito
à carta que ninguém lê.
...

Nota: as quadras populares são recolhidas do volume "O Ribatejo" (Antologia da Terra Portuguesa, Bertrand), que, por sua vez, tinham sido seleccionadas por Alves Redol, em "Cancioneiro do Ribatejo".

sábado, 12 de dezembro de 2015

A Cultura já mexe


A informação, colhi-a no blogue duasoutrêscoisas, que acompanho com gosto e interesse, e que é dinamizado e orientado pelo embaixador Francisco Seixas da Costa.
É possível que Serralves, por sugestão de João Soares, possa vir a expor os Miró da Parpública - que, estupidamente, por decisão dos seus dirigentes, quase foram vendidos, todos e ao mesmo tempo (imagine-se!!!...).
O convite foi feito pelo ministro da Cultura, recentemente, à Fundação nortenha.

Memória (104)


Frank Sinatra (1915-1998) nasceu faz hoje 100 anos.

Adagiário CCXL : brasileiro com sotaque zoológico


1. Papagaio come milho, periquito leva fama.
2. Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas.
3. Boi velho gosta de erva tenra.
4. Em tempo de guerra, urubu é frango.
5. Jacaré que fica parado, vira bolsa.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Pinacoteca Pessoal 105


Personagem complexa, o pintor de origem arménia Arshile Gorky (1904-1948), naturalizado norte-americano, teve uma importância significativa na escola do expressionismo americano. Muito embora a primeira fase da sua obra tenha sido muito influenciada por Cézanne: o seu Auto-retrato, aos 24 anos (que encima este poste), é um bom exemplo.
Nos últimos anos da sua vida, e com vários problemas neurológicos e físicos, deu-se para reinventar a sua vida (o seu nome verdadeiro era Vostanik Manoug Adonian), alterando o ano efectivo do nascimento e criando uma falsa linhagem nobre. Suicidou-se a 21 de Julho de 1948. 
O segundo quadro do poste é uma imagem idealizada e inspirada por uma fotografia, dele e da mãe. A progenitora terá morrido na fuga, em resultado do genocídio arménio. A terceira tela é representativa  da sua fase final, de expressionista abstracto.


Palavras do dia (15)


"Aquilo que define a noção de cultura, no nosso tempo, é a sua plasticidade e o seu carácter elástico. A esfera cultural tornou-se pan-inclusiva e tem uma infinita capacidade agregadora e de homogenização. A culturização global da vida coloca num mesmo regime a  promoção dos vinhos do Dão e a literatura contemporânea, os sabores da gastronomia regional e os sabores da poesia, a arte alentejana dos chocalhos e a arquitectura gótica. Neste mundo pan-cultural, governa a lei da indiferenciação. De tal modo que a questão já não é «como defender a cultura?», mas antes «como defendermo-nos da cultura?» ..."

António Guerreiro, in A anestesia cultural, revista ípsilon (jornal Público).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Comic Relief (117)


Uma louvável iniciativa (45)


Esmeram-se as empresas em encontrar, nesta época de grande consumismo, motivos apelativos que vão de encontro aos desejos mais comuns. A Sidul fez imprimir nos seus pacotinhos de açúcar, para o café, 12 receitas de doçaria portuguesa. Desde o pastel do (ministro) Álvaro (de nata) com o número 08/12, até aos celebrados Sonhos de Natal (12/12).
Adeus dieta!...


BD (natalícia?)


Não sei se terá sido propositado, porque já estamos a duas semanas do Natal, mas a folha de BD de L'Obs., da última semana, é dedicada ao próximo nascimento do irmão de Esther... Aqui fica.

Má língua


Andam por aí a dizer que as sondagens da Universidade Católica são todas feitas à saída das igrejas, depois dos ofícios divinos.
Não posso crer!?...