sábado, 23 de novembro de 2013

A par e passo 67


Ao mesmo tempo que estamos cada vez mais ansiosos por saber para onde vamos, interrogando-nos sobre os amanhãs possíveis, vivemos, por outro lado, uma vida terrivelmente quotidiana. Vivemos o dia a dia, como nas épocas mais preocupantes de procura pelas necessidades imediatas, como nos tempos mais difíceis da humanidade. Mas ainda, e como que para acentuar a nossa sensação de incerteza, não nos habituamos a passar das previsões, não estamos ainda organizados para viver no presente e pouco a pouco. Os nossos hábitos profundos, as nossas leis, a nossa língua, os nossos sentimentos, as ambições, são engendrados e aplicados a um tempo que admitia longas durações, que se fundava e reflectia um passado imenso, e visava um futuro medido em gerações.

Paul Valéry, in Regards sur le Monde actuel (pg. 235).

O sagrado e o simbólico


Dar um sopapo no Presidente da República ou passar uma rasteira a um Primeiro Ministro, não sendo concretamente proibidos pela nossa Constituição, configuram, no entanto, uma atitude sujeita a penalização judicial.
A própria Igreja Católica atribui um valor simbólico, mas também sagrado, à hóstia abençoada, muito embora - era eu criança - as sobras das obreias fossem vendidas à porta da fábrica. Para quem quisesse dissolvê-las na boca e engoli-las, na sua imaterial leveza diáfana, laica.
Na subida para o Parlamento, há lanços de escadas permitidos a todos. Mas também há lanços de escadas defesos, que nem todos podem subir, sobretudo, aos magotes, ou em períodos de manifestações. E, embora esses lanços vedados não constem da Constituição, essa tradição cívica, não expressa, é normalmente respeitada.
Legislar contra a Constituição será legítimo e legal?
Os últimos tempos, levam-me a grandes dúvidas.
Mas, como diz o povo: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti."

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Beethoven (-Willy Hess)


2 greguerías musicais


1. Quando o violoncelista se prepara para tocar parece que vai fazer cócegas ao mundo pelo Equador.
2. Os anjos da guarda dos músicos deviam passar-lhes as folhas da partitura.

Ramón Gómez de la Serna (1888-1963).

Um quadro para o Outono


Autodidacta e descendente de italianos, François Nardi (1861-1936) pintou esta marinha, intitulada "Molhe de Toulon sob o efeito do Mistral", por volta de 1890. O quadro, que pertence ao acervo do Museu da Marinha de Toulon, ilustra bem, quanto a mim, a atmosfera do Outono, pelo encrespado das águas e a ligeira neblina envolvente da atmosfera. Pese embora o facto de o vento Mistral surgir mais no Inverno e começo da Primavera. Seja como for, acho a tela de Nardi muitíssimo interessante. Por isso, aqui fica.

René Char


Para que uma floresta seja soberba
Há-de ser preciso idade e infinito
Não morram depressa meus amigos
A breve refeição sob o granizo
Abetos que adormecem na cama connosco
Tornai eternos nossos passos sobre a relva.

René Char (1907-1988) in Premières alluvions (1923-1929).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Mikael Tarverdiev (1931-1996)

Troca de olhares



Gostei da troca de olhares destas focas. Falta saber o que "pensam" sobre esta intervenção humana, insólita, na natureza.

Post de HMJ

Comic Relief (79)

Para saúdar o regresso ao activo dos Monty Python, já todos eles septuagenários.

Adagiário CLXIV (gastronómico)


1. Hortelã, pouca panela.
2. O melhor da raia é o molho.
3. Nabiça quer unto, grelo azeite e nabo presunto.
4. Quem aos trinta come lebre assada e cozida a perdiz, não sabe o que faz, nem o que diz.

Apontamento 29: Serviço Público



Decididamente, este Apontamento exige uma declaração inicial de interesse. Assim como este Governo, em particular, não sabe o que é serviço público, e por isso não “no estima” – como Camões dizia da Cultura -, anda por aí “mui gentinha” a viver à custa dele, arrasando-o, quanto pode nas suas conversas, e minando-o, silenciosa e quotidianamente, num caminho perigoso que põe em causa os princípios fundamentais da democracia. Neste, como noutros aspectos, os extremos tocam-se, ou seja, o “lumpen-proletariat” e a “lumpen-burguesia” encontram-se na perfeição.
O estrato social do meio, a chamada média-burguesia, constitui, pela sua defesa de valores e princípios, uma “camada” a abater. Pela dificuldade de subjugar o seu livre pensamento, assente na solidariedade e fraternidade, enfim na paz, assistimos, em todo o espaço europeu e, sobretudo no Sul, ao seu estrangulamento financeiro com o objectivo de o arregimentar, ou seja, “reunindo-o no bando” daqueles que carecem de uma noção mínima de respeito para com a democracia.
No meio deste “turbilhão” a que assistimos, existem alguns pretensos “servidores do Estado” que se põem à jeito, servindo os interesses governamentais da declarada ineficácia do serviço público com uma prestação autoritária, alimentada com pequenos truques de conivência e até pequeno “tráfego de influência” perante os “lumpen” inferiores e superiores. Enfim, fizeram a sua opção de sobrevivência num mundo de descalabro em que vivemos.
Com efeito, aqueles que, ainda, nos idos de 1973 frequentavam os Centros de Saúde, e até os Hospitais, guardarão, certamente, uma memória inesquecível do país. A diferença na evolução dos chamados “cuidados de saúde” é abissal, sem dúvida. Infelizmente, o que se está a recuperar é uma “cortina de fumo” anti-democrática, feita de “funcionários e siguranças [sic]”, que impede e dificulta o acesso ao tratamento.
Como não acredito na ingenuidade da presente política para o SNS, julgo que o estrangulamento se voltou para a parte administrativa do seu acesso, favorecendo esquemas, conivências e influências abjectas.
À semelhança de outro direito, a saber, a livre circulação dentro das cidades, em que a segurança se transferiu para os “arrumadores”, também passamos a ter “siguranças” para o acesso à saúde.
É pena que alguns já se esqueceram desse “longínquo” passado e que não se levantem em peso contra essa nova cortina de fumo que se vai instalando paulatinamente.

 Post de HMJ

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Citações CLX


A imaginação é mais importante do que o saber.

Albert Einstein (1879-1955).

Mais um poema de J. Tolentino Mendonça


Coisas tão felizes

Entre amigo e amigo
jamais se afastam
coisas tão felizes:
os instantâneos silêncios de certas formas
os protestos inocentes à nossa passagem
a natureza fortuita, dizia eu
imortal, dizias tu
do vento?

Brian Crain : Outono

Paisagem próxima


As três roseiras amanheceram de forma diferente, embora estejam próximas e no mesmo local. Uma delas desafia o Outono, com dois pequenos botões escorreitos, onde o vermelho desponta, ameaçando o frio. Talvez se descubram em Dezembro.
O manjerico parece perdido e mirrado, pela sua decadência gradual, mas a salsa, vizinha, vai-se aguentando no seu verde tenro. Bem como os dois limões da safra exígua deste ano, um dos quais se vai temperando de laivos amarelos, suaves.
As hortênsias teimam ainda, talvez gratas ao Sol de S. Martinho, mas as pequenas folhas que brotam vêm pálidas, quase brancas e anémicas, sem força bastante. Restam o abeto e o pinheiro, habituados ao rigor, sobretudo o primeiro, que é germânico.
O Sol é inteiro e caricioso, o azul, ao alto, mantém-se firme. Só começa a desistir pelas 17h00, e a dar lugar ao frio e ao negro, que vai até às 8h00 do dia seguinte.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O que fica do que passa, ou: o alarido e o silêncio


Entre as 19h00 e as 22h00, a quietude do silêncio predominou por aqui, apenas intervalada por 3 ou 4 alaridos monstruosos.
Amanhã, a primeira página de todos os jornais portugueses virá ocupada com a vitória da selecção portuguesa de futebol, sobre a Suécia.
Remetida a uma página interior, ou a um pequeno destaque, virá a notícia do rompimento de relações entre o Conselho de Reitores e o Governo - um facto absolutamente inédito, na democracia portuguesa.
A selecção portuguesa de futebol irá, assim, ao Brasil disputar o Mundial.
E para onde irá Portugal?

Recomendado : quarenta e quatro


É um livro muito interessante, abundante em números, quase estatísticos, e que nos dá a saber coisas que, normalmente, andam arredias das nossas leituras habituais.
Publicado, já em 1979, pela Guimarães, este "A Indústria Portuguesa - Subsídios para a sua história", de J. M. Esteves Pereira, lê-se com muito agrado e proveito.
Ficamos, por exemplo, a saber que, na população lisboeta (cerca de 90.000 habitantes), em determinada altura do século XVI, da população activa, exerciam, por profissão, o seguinte número de artífices (seleccionei apenas algumas das profissões):
Negociantes vários - 458
Ourives - 430
Chapeleiros - 206
Taberneiros - 200
Barbeiros - 190
Sapateiros - 119
Médicos e Cirurgiões - 107
Impressores e livreiros - 59
Mestres de leitura e gramática - 41
Fabricantes de botões - 20
Fabricantes de lunetas - 6
Negociantes de cristais - 4
Espingardeiros - 3.

Valha-nos a Grécia!...

...apesar da voz cava e enrouquecida de Theodorakis, compensada pela sonoridade lírica de Dalaras. E a presença de Irene Papas, na assistência. Porque os nossos cantautores da Resistência estão (quase) todos mortos, amesendados ou reformados, e internados...

Redundâncias saloias


Um blogue muito frequentado e visto (ao que parece) deu-se ao luxo espaçoso de reproduzir, em imagem, e num único poste, nada menos de 39 capas de livros, foleiras, como vem sendo hábito das nossas editoras, de outros tantos livros de conteúdo medíocre ou literatura dita light, para depois, em 72 linhas bloguísticas, incontinentemente, verberar o facto e dizer banalidades confrangedoras, espraiando-se em considerações fátuas de uma inutilidade atroz.
Este prolixo plumitivo da nossa praça não deve ter mais nada que fazer ou para dizer. E pratica, se calhar com imenso gosto, sempre que pode, "assassinatos por entusiasmo", num ardor imenso de se ouvir, muito infantil e bacoco. Mas, como tem 325 seguidores, é porque há muito português e portuguesa que se delicia e diverte a ler estas baboseiras. Que lhes faça bom proveito!
A publicidade, seja ela positiva ou negativa, funciona sempre a favor da difusão do produto - Fernando Namora, sabiamente, descobriu esse efeito.
Mas porque será que uma boa parte dos portugueses letrados são tão excessivos e verborreicos? Não conseguindo numa síntese sucinta resumir os conceitos e aquilo que querem dizer? Mistérios...

Nota: não!, esta capa, que encima o blogue, não consta das 39 do incontinente plumitivo sulista. Tem algo de neo-gótico, condizente com a época, e quadra bem com este romance de Camilo.

Palavras de hoje


"...Virar o país à esquerda exige uma determinação, uma clareza de opções e uma solidariedade à esquerda muito superior à que é necessária à direita para manter o statu quo."

José Vítor Malheiros, in jornal Público de 19/11/2013.

Leituras e memória


Há leituras que nos ficam associadas para sempre a determinados lugares. Sei que o primeiro contacto que tive com haiku, foi na pequena mas bem escolhida biblioteca da embaixada do Japão, em Lisboa. As obras menos acessíveis de Shakespeare, li-as na Biblioteca de Galveias, ao Campo Pequeno. E os futuristas ou modernistas portugueses (prosa de Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro, principalmente) foi na Biblioteca da Universidade de Coimbra, que primeiro tive contacto com eles, nos anos 60. Porque as obras estavam esgotadas, não havia ainda reedições e eram de difícil acesso, por outras vias.
E, por isso, acho curioso que vá ler, pela segunda vez, o Nome de Guerra, de Almada Negreiros,  por uma cópia fac-similada do original (provavelmente) que li, em Coimbra, há tantos anos atrás. Porque adquiri um exemplar, que vem hoje com o jornal Público, pelo preço habitual e módico de 5,95 euros.
Aqui fica a lembrança para quem o queira também comprar.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Filatelia LXXVIII : marcas pré-adesivas e cartas pré-filatélicas


Para quem está familiarizado com a filatelia, não será novidade o facto de que, até ao advento do selo postal (Inglaterra, 1840), o porte das cartas era pago, normalmente, pelo destinatário e não pelo remetente, como hoje acontece. Em Portugal, até 1853, era também o que acontecia, salvo nos casos em que a correspondência ostentasse o carimbo ou a indicação manuscrita de: Porte pago ou Franca. Nestes últimos casos, o destinatário limitava-se a receber a remessa que já tinha sido paga, anteriormente, pela pessoa ou firma comercial que enviara a carta ou a encomenda. Nos casos normais, a carta tinha a indicação de carimbo, ou manuscrita da importância do porte a pagar. Que dependia da distância percorrida e do peso da carta.
Em imagem, mostram-se três cartas portuguesas expedidas antes do uso do selo postal. Por ordem cronológica, de cima para baixo: a primeira, de Lisboa, datada de 12 de Novembro de 1803, de teor comercial e ajuste de negócios, destinava-se a Amesterdão; a segunda, com taxa de 20 réis, enviada em Setembro de 1829, seguiu de Guimarães para o Porto e, finalmente, a terceira, datada de Lisboa, a 3 de Agosto de 1844, foi remetida para o Porto, onde terá sido pago o porte de correio de 40 réis. Normalmente, os carimbos eram a preto, muito embora também se encontrem a azul e sépia. Menos frequentes, havia-os também a verde e vermelho.

Uma fotografia, de vez em quando (21)


O facto de durante anos e anos se deslocar, todos os dias, de metropolitano, de Aldgate (onde morava) para Charing Cross, onde trabalhava, levou Bob Mazzer (1939?) a fixar com a sua Leica, sobretudo nos anos 70 e 80, toda uma fauna muito específica e londrina, que também utilizava este meio de transporte.
O espólio, que já foi objecto de algumas exposições, constitui um testemunho sociológico importante da vida e costumes de Londres e dos seus habitantes, na segunda metade do século XX.

domingo, 17 de novembro de 2013

Ao tempo que eu não ouvia Brel


E com um envoi aos professores injustiçados, que vão ter que voltar a fazer exames... por causa destes cratos, portas, coelhos, machetes e restante tropa fandanga. Será que não se arranjam por aí uns exames para estes ministros mostrarem o que sabem?

Lembrete 11


Dentro de 5 dias completam-se 2 meses sobre as últimas eleições legislativas alemãs, sem que até agora os partidos se tenham entendido para, através de uma coligação, formar Governo. Mas também não me apercebi da preocupação ou apelo do PR alemão, Joachim Gauck, para que os partidos se entendam. Talvez o facto de ele ser Pastor luterano o ajude a ter fé em Deus.
Não será o caso do nosso inefável PR que, apesar da fé que tem na Virgem de Fátima, anda sempre a resmonear, gaguejando, consensos alargados e, visivelmente, improváveis - é demais! Feitios...

A par e passo 66


É talvez pela ideia que um povo tem do homem que melhor se poderá julgar a sua sensibilidade nacional: legislação, política, literatura, atitudes que são sempre inspiradas por esta ideia não expressa. Os Franceses têm mais fé no homem do que ilusões sobre os homens. Daqui resulta um contraste notável entre os princípios que os seduzem e que exprimem a sua confiança na natureza humana e as observações cruéis, as máximas bem negras que tantos dos grandes escritores franceses fixaram de forma elegante mas severa.

Paul Valéry, in Regards sur le Monde actuel (pg. 225).

Pinacoteca Pessoal 63 : Otto Dix


Otto Dix (1891-1969) é, muito justamente, considerado um dos grandes pintores do Expressionismo alemão. A intensidade, quase agressiva, do seu traço, entre o dramático e o satírico, contribuíu para que nos deixasse uma obra impressiva e carregada, que retrata impiedosamente a sociedade alemã entre as duas Grandes Guerras. Combatente da Primeira, a sua obra sequente é um manifesto pacifista e anti-bélico. É ambigua, no entanto, a sua tomada de atitude em relação ao nazismo que, inicialmente, integrou, canonicamente, as suas pinturas na chamada "Arte degenerada". Algumas cedências (só pintar paisagens, por exemplo) permitiram-lhe a sobrevivência financeira, e chegou mesmo a combater no final da II Grande Guerra. Por isso, esteve preso até 1946. A partir daqui, a temática religiosa é predominante, na sua obra.
O "Auto-retrato com cravo", em imagem, pintado por Otto Dix, quando contava apenas 21 anos, pertence ao acervo do Detroit Institute of Arts (U. S. A.). Não posso deixar de associar este quadro, embora não o consiga explicar, ao "Auto-retrato com flor de cardo", de Albrecht Dürer (1471-1528), pintado pelo Artista, aos 23 anos, e aqui reproduzido (Pinacoteca Pessoal 9, de 6/4/11). De comum, talvez, a firmeza do olhar, em ambos os quadros, embora em Dürer seja mais suave. E a flor, na mão...

sábado, 16 de novembro de 2013

Franz Schubert / Alfred Brendel

Um poema traduzido, de Katha Pollitt (1949)


Oferendas para um túmulo

Com ela enterrámos uma tempestade de neve,
um grito que aconteceu na rua,
um travo amargo no fundo de um bule
de chá, lascado, circa 1938.

Com cuidado embrulhámos junto dela
o cheiro de livros de uma velha casa à beira-mar,
um conjunto de cartas que não foram escritas -
talvez que elas se calem, agora, para sempre -

mas também meia dúzia de guerras, prontas a usar,
e alguma raiva ainda em exercício, muito bem
arrumada por entre a sombra de uma raposa
e os solavancos de um comboio nocturno. Aspergimos

por sobre ela uma noite cheia de estrelas e de rádios
e deixámo-la sozinha, fizemos tudo
o que podiamos por ela, face ao outro mundo,
se o mundo que se segue for parecido com este.


Katha Pollit, in The Times Literary Supplement (nº 5771).

Regionalismos transmontanos (14)


1. Berrelho - leitão pequeno.
2. Berundanga - mixórdia. Cozinha mal feita.
3. Bica - pão achatado que termina em bico. Pão ázimo.
4. Biganau - indivíduo forte, sabido ou malandro.
5. Biqueiro - debiqueiro, esquisito, que não gosta de certa comida. Pontapé.
6. Bobó - Tolo, pateta, simplório.