Os serviços públicos estão a poupar imenso nos telefones - só muito raramente atendem os utentes.
terça-feira, 12 de maio de 2026
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Livros em leilão
A Vicente Leilões leva a efeito em almoeda, até 21 de Maio de 2026, um conjunto muito interessante e valioso de livros de que eu destacaria uma primeira edição de Camilo (Amor de Perdição, lote 23, estimativa: 2.800 euros) e a edição original de Só, de A. Nobre (lote 127, base inicial: 2.000 euros).
Mas não deixa de ser curiosa também a edição primeira (1923) de Regresso ao Paraíso que Teixeira de Pascoaes (1877-1952) dedicou a Fernando Pessoa, livro que contém um postal manuscrito do poeta de Marânus, para Campos de Figueiredo (1899-1965), com uma quadra inesperada, que passo a reproduzir:
Memória 160
Este jovem, Armand Joseph Desire Roulin (1871-1945), filho do chefe de correio de Arles e que teria cerca de 17 anos de idade, quando Vincent van Gogh o imortalizou por ter pintado o seu retrato, acabou por ficar na memória da arte. Do modelo e amigo do pintor holandês acabaram por restar 2 retratos, sendo que este em imagem integra o acervo do Museu Folkwang, de Essen (Alemanha).
O espaço imaginário que o retratado ocupa na imaginação de quem o vê, acaba por ser semelhante ao lugar de uma Mona Lisa ou da Bela Fornarina (Margherita Luti) pintada por Rafael. Eis o que uma obra prima consegue, perpetuando a existência virtual e referências existênciais do modelo retratado, para sempre. Ao menos, no espaço da cultura.
sábado, 9 de maio de 2026
Um poema de E. de A.
O cheiro do Verão
Quem me traz morangos não sabe
que também me traz
um punhado
desses tão delicados e carnais
frutos silvestres
que os garotos de Roma vendem
pelas ruas, sorrindo, ao fim da tarde.
Só eles me trazem a sombra
dos bosques do verão,
e o canto do rouxinol
pegado ainda à frescura da pele.
Eugénio de Andrade (1923-2005), in Rente ao Dizer (1992).
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Da leitura 65
GEMIDO XXXIV
Meteram-se em uma barca os Discípulos com o Senhor, resolvendo-se a não deixá-lo nas tribulações do mar, assim como o tinham seguido nas prosperidades da terra: mas em se fiando das ondas, começou com cerração escura a cair o Céu em nuvens, o ar em chuva, o fogo em raios, os horizontes em ventos, & todo o mundo em confusão, pois o mar se erguia em montanhas, o vento se precipitava em serras, o dia se desfigurava em sombras, o Sol se descorava em trevas; em cuja turvação medonha, cheio tudo de horror, & assombro vagava a mísera barquinha padecendo, quase sorvida da voracidade das ondas, em cada momento um risco, em cada vaivem um naufrágio: viram-se a risco de perder-se os mesmos escolhidos de Deus; desconfiaram de remédios por todas as vias humanas, & recorreram ao Senhor, que dormia, parecendo que no descuido se esquecia dos seus mimosos, & do governo das criaturas. (pg. 134)
(Procedeu-se a uma actualização ortográfica do texto original.)
Fr. António das Chagas (1631-1682), in Obras Espirituais.
Nota pessoal: se privilegio o estilo clássico de escrita, nem sempre o barroco me deixa indiferente. A obra de Fr. António da Chagas, pelo seu artifício industrioso, exerce, por vezes, algum fascínio sobre mim.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Citações DXXXIII
Cada um dos homens tem três caracteres - o que exibe, aquele que tem, e o que julga ter.
Alphonse Karr (1808-1890).
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Uma fotografia, de vez em quando... 209
Representado em museus diversos de países europeus, mas também americanos, Paulo Nozolino (1955) reconhece-se por a sua obra privilegiar o jogo de cores escuras, de que ele disse: "as fotografias sombrias são a realidade".
A fotografia representando aves (talvez gaivotas) captada em Lisboa, no ano de 1996, pertence ao acervo do Museu de Serralves, do Porto.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Recomendado : cento e doze
A propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, MR no seu Prosimetron teve a boa lembrança de referir o conto ou novela Miguilim, de Guimarães Rosa (1908-1967). Por o considerar uma obra maior de ficção da literatura portuguesa, aqui o recomendo a quem o não tenha ainda lido.
Filatelia 155
Entre coleccionadores de selos fala-se muitas vezes em selar filatelicamente a correspondência, de forma a valorizar os envelopes, tornando-os mais atraentes. De uma forma geral, isso implica o uso preferencial de selos comemoratvos em detrimento dos selos base ou comuns.
Se nem sempre isso acontece entre filatelistas ou empresas da especialidade, a minha experiência de largos anos com o Reino Unido, permite-me concluir que, de lá, era norma virem envelopes esteticamente atraentes, sobretudo quando traziam catálogos de leilões da Alliance Auctions.
E que, por isso, eu quase sempre guardei inteiros os envelopes.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Marcadores 37
Não sendo a junção exacta, o conjunto serve o objectivo de lembrar uma escritora polifacetada, que nem sempre é lembrada por quem gosta de ler - Ilse Losa (1913-2006).
domingo, 3 de maio de 2026
Surpresa
Este livro, cuja capa encima o poste, foi acabado de escrever por Teixeira de Pascoaes (1877-1952), em São João de Gatão, a 17 de Outubro de 1944, tendo saído para as livrarias em 1945. Comprei-o usado e em bom estado, na rua do Alecrim, nº 44 (Lisboa), por Esc. 1.700$00, brochado.
Sempre gostei de folhear catálogos de leilões de livros e boletins bibliográficos que me permitem conhecer características próprias das edições, bem como a evolução dos preços de livros antigos e usados. Por vezes, algumas surpresas ocorrem, que me apanham desprevenido.
Foi o caso, recentemente, e a propósito do I Salão do Livro Antigo, a decorrer no Porto, que estive a consultar o catálogo do ANNO QUARTO/12, deparando-se-me dois lotes, com preços que considerei, com franqueza, algo desproporcionados, na minha perspectiva.
Refiro-os, ambos primeiras edições: o lote 69 (Nobre, António - Despedidas, Porto, 1902), com o preço base de 210 euros, e o lote 73 (Pascoaes, Teixeira - Santo Agostinho, Porto, 1945), com uma estimativa de venda de 350 euros. Serão bem vendidos, se o forem...
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Lembrete 79
A ignorância de uns pode ser a felicidade de outros.
Pouco antes de Maio de 1986, Angelo de Sousa (1938-2011) terá sido desafiado pela CGTP a colaborar numa exposição no Pavilhão Carlos Lopes, para celebrar o 1º de Maio - Dia do Trabalhador. Assim o fez.
( A história contei-a a 3/4/2011, no poste Três Andamentos, e venho hoje relembrá-la, aqui.)
1 poema, em versão portuguesa
I, 2
A morte, às vezes, toca-nos os cabelos,
até nos despenteia
mas não entra.
É um grande pensamento que a faz parar?
Ou talvez sejamos nós que pensamos
algo maior do que o próprio pensamento?
Roberto Juarroz (1925-1995), in Poesía Vertical.




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