segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Estado da Natura 18

 

Aquela, que creio ser da quarta geração a primeira rosa a florir, vai manifestando o seu rubro esplendor, por este mês de Agosto, parecendo desafiar as suas duas parceiras recém-nascidas a revelarem a sua beleza interior. E, entretanto, também na varanda a sul, o preguiçoso limoeiro, que todos os anos vai florindo ameaçando, mas que nunca ( o basófias!...) chegou a alcançar fruto, desvela timidamente dois limõezitos razoáveis que, com sorte, talvez venham a chegar a adultos... Oxalá!



4 comentários:

  1. Limoeiro que não dá fruto quer uma "coça" ou uma "pancada" no tronco: Superstição ou Ciência?
    Quem é do campo ou tem familiares nas aldeias certamente já ouviu este conselho antigo: se o limoeirocresce forte, viçoso e cheio de folhagem, mas teima em não dar uma única flor ou fruto, o remédio é dar-lhe uma "coça" ou uma "pancada" valente no tronco com um pau ou com o cabo da enxada.
    Há quem leve o ritual ainda mais longe, dizendo que a "tareia" deve ser dada na Terça-Feira de Carnaval ou na Sexta-Feira Santa, ou que se deve espetar um prego de ferro enferrujado na base do tronco. Embora pareça uma crença violenta ou uma superstição absurda dos nossos avós, a verdade é que esta prática milenar tem uma explicação científica e funciona mesmo.

    O Segredo por trás da "Pancada"
    Na botânica, as árvores de fenda — como os citrinos — regem-se por dois tipos de desenvolvimento: o crescimento vegetativo (ganhar folhas, ramos e tamanho) e o crescimento reprodutivo (dar flores e frutos).
    Quando um limoeiro recebe água e nutrientes em excesso (especialmente azoto), ele fica "confortável". Entra num estado de dormência reprodutiva: gasta toda a energia a crescer e "esquece-se" de dar limões.
    Ao dar uma pancada no tronco, provocam-se pequenas lesões na casca. É aqui que a magia acontece:
    • Interrupção da seiva: O golpe esmaga ligeiramente os vasos condutores exteriores (o floema), retendo a seiva elaborada na copa em vez de a deixar descer para as raízes.
    • Instinto de sobrevivência: Ao sofrer este stresse e sentir-se "ameaçada", a árvore entra em modo de emergência. O seu instinto biológico diz-lhe que pode morrer e, para garantir a sobrevivência da espécie, canaliza toda a energia para a reprodução.
    • Explosão de limões: Como resultado direto desse susto, o limoeiro desata a florir e a vingar fruto na primavera seguinte.

    Como a Agronomia Moderna Substituiu a "Sova"
    Hoje em dia, os agrónomos e engenheiros agrícolas já não andam à paulada às árvores, mas utilizam exatamente o mesmo princípio físico através de técnicas controladas e higiénicas:
    1. Anelamento ou Incisão: É feito um corte cirúrgico e superficial em forma de anel na casca de um ramo principal para reter a seiva na zona superior e forçar a floração.
    2. Poda de Raiz: Cortam-se algumas raízes laterais com a pá para quebrar o conforto de absorção da planta.
    3. Gestão do Stresse Hídrico: Deixa-se a árvore passar um bocadinho de sede (sem secar por completo) antes da época de floração para que ela sinta a necessidade de dar fruto.

    Da próxima vez que vir alguém a ameaçar um limoeiro de pau na mão, já sabe: não é loucura, é a sabedoria popular alinhada com a ciência das plantas.

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    1. Grato pelas explicações, bem elucidadtivas.
      Sova já ele levou, e todos os anos produz cerca de 30 flores, ficando uma beleza. O problema é que não chegam a completar fruto. Vamos a ver se este ano...
      Darei notícias no entretanto.
      Votos de boa semana.

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