Os Antepassados
Tinham fome.
Vieram de madrugada pelo
baço cheiro da toutinegra possuídos
antes do cisne da luz.
Aberta só uma casa de petiscos,
cerveja, mexilhões, arenques em vinha d'alho
e batata frita era o que havia
na Flandres e a guerra.
O futuro, esse duro privilégio, derramou-se
na tijela dum deles.
Foi quanto bastou para lhe cortarem
a mão e a revelação da fé veio depois
na unha extirpada.
Não tivesse alguém fixado as figuras
e julgaríamos hoje o nosso mundo um
foral exausto.
Gil Nozes de Carvalho (1954-2025), in Alba (1983).
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Escolheu um belo poema de Gil Nozes de Carvalho, cujo falecimento eu desconhecia.
ResponderEliminarBoa semana!
Muito obrigado.
EliminarBoa tarde.
Conheci Gil Nozes de Carvalho, pessoalmente!
ResponderEliminarUm Ser singular. Todos o somos... sendo uns mais do que outros.
E, esquivo.
Não possuía telemóvel.
Eu, não, mas HMJ conheceu-o, bem como à mulher, Mª. do Céu.
EliminarTem opinião idêntica à sua.