segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os livros que temos e os livros que lemos


Há dias, no "Público", Pacheco Pereira cronicou sobre a possibilidade de leitura de um ser humano, ao longo de toda uma vida. Concluía que, um leitor regular e empenhado, no máximo, talvez conseguisse ler, ao todo, 4.000 a 5.000 livros.
É normal, quando alguém conhecido entra, pela primeira vez, nas nossas casas (quando elas estão cheias de livros), perguntar: "Já leu estes livros todos?" Até aqui há uns anos, eu costumava responder: "Só cerca de 80%..."; mas, hoje, a fasquia teria de ser posta mais abaixo. Para ser verdadeiro, teria de dizer: "À volta de 60-70%, apenas..."
E tenho várias pedras no sapato. Nunca consegui ler o "À la recherche du temps perdu" de Marcel Proust, embora já tivesse feito inúmeras tentativas. "A Morte de Virgílio", de Hermann Broch, é outra das minhas faltas. Mas o meu maior remorso é o "Guerra e Paz" de Tolstoi. Em tempos de extrema juventude, consumi a minha Mãe, para que me comprasse os 3 altos ( e caros na altura: 150$00 escudos) e grossos volumes da Editorial Inquérito (1957), com tradução de José Marinho. Minha Mãe, depois de muito instada, lá mos comprou. Pois, infelizmente e até hoje, nunca consegui passar da página 70.
Mas tenho esperança de que nem tudo esteja perdido. Também tinha vários livros de Graham Greene, na biblioteca, desde os meus vinte anos, e nunca os tinha conseguido ler. Uma vez, já depois dos 45 anos, peguei num deles ao calhas e, gradualmente, li-o todo, e todos os outros com enorme agrado. Quase com tanta voracidade como quando, em 24 de Maio de 1971, fiz perto de uma directa, sem dormir, a ler, do princípio ao fim, nessa noite, "O Aprendiz de Feiticeiro" de Carlos de Oliveira.

Montaigne, sobre a tristeza


Michel Eyquem de Montaigne nasceu a 28 de Fevereiro de 1533 e veio a morrer em 1592. É considerado, porventura, o primeiro ensaísta europeu. E os seus "Essais", que começam pelas palavras "Este é um livro de boa fé, leitor", são a sua obra maior. Sobre a tristeza disse Montaigne: "Sou um dos mais isentos desta paixão; e não a amo nem a estimo, muito embora o mundo a tenha honrado com o seu favor particular. Com ela (tristeza) adornam a sabedoria, a virtude e a consciência; estúpido e monstruoso ornamento. ..."

O Baú dos Brinquedos 8

A situação económica do país sugere que se recordem hábitos, porventura, esquecidos. O moinho acima reproduzido - com falta das pás - servia para amealhar pequenas dádivas ... constituindo o tal "pé de meia" que, no caso presente, é de madeira.
Tinha um pequeno defeito: dava para abrir o tecto para retirar a poupança acumulada. Actualmente, tal gesto seria "economia financeira", i.e., tirar e pôr no mesmo cesto para, no fim, constatar a falta de dinheiro.
Post de HMJ

Osmose (11)


Poderia chamar-se "menina dos olhos verdes", até porque trazia consigo a memória de Bernardim (na edição de Birkmann), muito embora ele nem gostasse muito da obra desse alentejano do Torrão. Mas a varanda tinha, nessa altura, o horizonte vasto, intemporal e aberto a qualquer ficção que lhe quisessem dar. Ele ficou à esquerda, ela, à direita, como manda a regra. E a quinta abandonada ficava em frente, ainda não urbanizada: com o poço, as velhas oliveiras retorcidas, os saltões, as aves livres pelo céu infinito, a casa em ruínas, lá mais para leste. Os verdes confundiam-se, pela paisagem, nesse fim de Verão.
Ambos traziam o "coração inacabado" (julgo eu).
E daí começaram oaristos intermináveis.
Dela, e desse tempo no Tempo, o homem recorda o seu corpo grácil e um tom de voz, um pouco áspero, que tanto poderia ser de ironia ( pelo sorriso do rosto) ou timidez, como de afirmação veemente que vai crescendo na vontade. E o ritmo dela, também lhe pareceu excessivamente lento para o seu gosto - mais rápido, emotivo e ousado.
Mas com o tempo, o homem veio a compreender que o amor se vai construindo devagar.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Elizabeth dos olhos violeta



Elizabeth Taylor, nascida a 27 de Fevereiro, faz hoje 79 anos. "Cleópatra", "O Gigante" e "Gata em Telhado de zinco quente" bastariam a esta sobrevivente para lhe assegurar a memória na história do Cinema. Além dos seus bonitos olhos que - dizem - têm cor violeta.

Para pouco depois da meia-noite




E era uma (outra) vez... Parabéns!

Pinacoteca Pessoal 6 : Vincent van Gogh


Vi pela primeira vez, em reprodução colorida, o "Retrato do Dr. Gachet", de van Gogh (1853-1890), numa biografia do Pintor, escrita por Lawrence e Elisabeth Hanson, editada pela Editorial Aster, no final dos anos 50 ou princípio dos 60.
Era a versão que se encontra, hoje, no Museu d'Orsay, com predomínio de tons azúis, no fundo. Portanto, a segunda (que as más línguas dizem ser uma cópia do próprio Dr. Gachet que era, também, pintor, mas amador). Mas prefiro-lhe a 1ªversão, de tons mais claros, que sempre esteve em mão de particulares (franceses, japonezes e australianos). Foi o Dr. Paul Gachet (1828-1909) que tratou van Gogh nos últimos tempos da sua vida, e os 2 quadros foram pintados em 1890, sendo portanto dos últimos executados pelo Pintor holandês.
O enquadramento e posição do corpo do médico, na obra, poderão ter sido inspirados pelo "Torquato Tasso na prisão" de Delacroix, quadro, de que Vincent van Gogh muito gostava. Mas a melancolia (romântica) do olhar do retratado é uma marca inconfundível. E a dedaleira (ou digital) um símbolo medicinal que corrobora, secundariamente, a profissão do retratado.

Alexander Borodin (1833-1887)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Com Rousseau, na varanda a leste


O casal de rolas anda por aí, voltejante e festivo. O céu azul clarinho tem uns suaves fiapos brancos leitosos de nuvens fugidias. Em frente, um pouco ao longe, um casal jovem parece ter iniciado as limpezas da Primavera, na marquise.
E eu trouxe, até à varanda a leste, as "Confissões" de Jean-Jacques Rousseau, na tradução de Lopes Graça, da Portugália (1964), para folhear apenas - que este cheirinho de Primavera antecipada não dá para grandes concentrações de espírito.
Mas o ar ainda está frio, que o vento levantou-se e agita, ao de leve, a palmeira em frente, e alguma roupa que seca nos estendais. Dos peneireiros, nem rasto. Só alguns pardais, nas esquinas altas dos telhados, parecem sentinelas breves, absorvendo os últimos raios de sol do fim da tarde.
Os dias vão crescendo...e o "aladino" deu à luz, por volta das 18,20. A noite vai abrindo.

Addenda : mais umas pérolas em "search words"


Como parece não necessitarem de comentários, aqui vão 3 das pérolas mais recentes, sucintamente:
1. barroca, a visita, disse para o Google: "jogos de pre. 2 do bob beija"; e o Google levou-o, pela mão, até ao poste do Arpose - Sob a poeira do tempo : Sonja Henie.
2. inspirado e romântico, outro visitante, de olhos em alvo, sussurrou para o Google: "cia das letras yeats". Foi encaminhado para Um compositor italiano (Steffano Landi), recentemente colocado no Arpose.
3. esta visita era mais sibilina, prolixa e explicativa. Escreveu para o Google: "lv - a dama da zona - com marylin silva e marylin frau? a". Deve ter deixado o motor de busca corado e confuso. Mas o Google recompôs-se depressa e guiou esse malandro através de vielas escuras e ruas de má nota, até ao poste "Recomendado : nove - Vinho Casa da Urra, branco, 2009", do Arpose. Deve ter sido um forrobodó...

Um compositor italiano

Steffano Landi nasceu a 26 de Fevereiro de 1587, tendo falecido no ano de 1639. Foi compositor de música de igreja, óperas, e integrou ainda o Coro pontifício. Pessoalmente não sou um fanático de música coral, porque, muitas vezes, me parece que a voz humana, ou as palavras interceptam a espiritualidade abstracta, mas sugestiva, dos instrumentos, e a sua sonoridade. Não será o caso desta peça musical cantada, nem da "Passacaglia della Vita", do mesmo Steffano Landi, que já coloquei no Arpose. E são cantadas por Marco Beasley, integrado em L'Arpeggiata, de Christina Pluhar.

Memória 52 : Puritanos e inquisidores

Há cerca de 10 anos atrás, essa turba de achinelados lumpens talibans destruiu as estátuas de dois Budas gigantescos do vale de Bamiyan, no Afeganistão, com cargas explosivas. As estátuas datavam do séc. V da nossa era. Ao longo de milénios que, da Humanidade, surgem grupos totalitários, impondo a sua força obscura e irracional. Destroem, queimam em autos de fé, sejam livros, telas ou seres humanos. Alimenta-os uma fé cega e um ódio infinito contra a liberdade dos outros, contra a beleza criada, ou a memória imaterial. Chamaram-se puritanos, inquisidores, nazis, McCarthy's, Sousa Laras, talibans...e hão-de vir com outros nomes, sempre.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ao acordar


Uns, com uma ridente Primavera, outros com um serôdio Inverno...

Revivalismo Ligeiro XLI : Kraftwerk

para ms.

A quente


É difícil e arriscado, ainda para mais de uma perspectiva centralista europaízante, interpretar, a quente, o "terramoto" político e social que varre o Norte de África. E nada garante o optimismo, nem que, de velhas ditaduras, estes países, não possam caminhar, a médio prazo, para novas ditaduras. Mas talvez valha a pena, a benefício de inventário, traduzir o início do editorial de Jean Daniel (pied-noir como Albert Camus), em Le Nouvel Observateur que saíu hoje. Segue:
"O que surpreende decisivamente mais nestas intifadas de mãos nuas que se oferecem ao combate, destes sublevados da «primavera árabe", é que eles não pegam em armas e, na Líbia sobretudo, oferecem o seu peito. Não temos aqui kamikazes, partidários fanáticos de atentados suicidas. Eles não matam, deixam o pecado de matar aos seus inimigos. Dir-se-ia que eles sabem aquilo que Albert Camus faz dizer a um dos seus heróis: «De cada vez que um oprimido pega em armas em nome da justiça, ele dá um passo no campo da injustiça.» Eles impõem a força imensa e colectiva da sua própria e única presença. Eis o que os separa dos cavaleiros do extremismo. ..."

Alfredo Marceneiro (1891-1982)

Alfredo Marceneiro nasceu a 25 de Fevereiro de 1891.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quintilha popular em jeito de provérbio


Ao Fevereiro e ao rapaz,
perdoa-se quanto faz;
contanto que o Fevereiro
não seja secalhão,
nem o rapaz ladrão.

Antonio Valente (1520-1601)

A metafísica das "search words"


Nos últimos tempos, o campeão de visitas de imagens, no Arpose, tem sido o quadro "Chorinho" de Portinari. Cuja reprodução é francamente má e as cores, desbotadas. Alguns visitantes sugam também a reprodução do quadro. Será que, no Brasil, não encontrarão melhor? Nalgum livro de arte sobre o grande Pintor brasileiro, ou nalguma revista da especialidade? Ou será, meramente, preguiça tropical para procurar?
Mas o que me deixa mais perplexo, ainda, são algumas das search words de visitantes, usadas através do Google, para procurar algum assunto ou tema. Vou dar 3 exemplos deste surrealismo absurdo e desconexo que impera na globalização assistida:
1. - um cibernauta indicou ao Google, como search words: "rocha manecas inocêncio"; e o Google levou-o, cega e generosamente, até ao Arpose, ao poste "Legendas de Portugal - Rocha Martins". Simplesmente hilariante!
2. - outro garimpeiro escreveu: "pieter brueghel jogos infantis releituras" (sem vírgulas sequer), e o Google, inteligente e intuitivo, encaminhou-o até ao poste "André Malraux: pintura, fotografia e cinema", do Arpose. Exemplar, no mínimo!
3. - um outro visitante escreveu, talvez dolentemente, o seguinte, como search words: "jogos de ava bruto"; e o Google, clarividente e sensível, conduziu-o ao Arpose, até ao poste "Burro preto" (dos jogos infantis). Edificante! E foi bem feito.
Como é que estarão arrumadas as cabeças destes visitantes? - é o que eu me pergunto.
É claro que o Google é como os arrastões espanhóis, no mar dos Algarves: limpam tudo, levam tudo, tudo recolhem, do fundo. E, depois, tudo despejam, caoticamente: pescadas, sardinhas, polvos, linguados, conchas vazias, areia... Creio que nem o Silva Pais (please, Google, não traduzas para Silva Parents!) recolhia tanta informação indiscriminada para os seus ficheiros, sem a tratar devidamente: americanices...

Em louvor da Hortelã


Num arroz branco, umas pequenas folhas de hortelã (Mentha spicata) dão-lhe uma garridice inesperada, e um aroma muito próprio. Bem retalhada, em tiras finas, as suas folhas dão às omoletas um sabor muito singular e agradável. Por si só, cheira bem. Mas também tem virtudes curativas. Senão, vejamos o que nos diz o Fr. Theobaldo de Jesu Maria:
"A Hortelã se planta de pedaços com raiz, e se conserva de hum para outro anno; tem virtude quente e dessecativa; pizada, e posta no estomago conforta: posta no nariz faz cobrar a respiração, e sentido perdido; suas folhas seccas, e bebidas em vinho branco matão as lombrigas."
(in Agricultor Instruido, Lisboa, 1790)

O tempo conforme a roupa


Em Portugal (Lisboa), uma antecipada Primavera, na Alemanha (Coblença) neva. O Norte de África: a ferro e fogo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Willkommen, Renate!


Pelo menos vais ganhar uma imprevista Primavera, e já não é pouco!... Um abraço antecipado!

Curiosidades 30 : o Verde


A propósito da pintura de John Constable (1776-1837), nos seus Carnets, a 23 de Setembro de 1846, Eugène Delacroix refere o seguinte: "Constable diz que a superioridade do verde das suas pradarias se deve ao facto de ser composto por uma multiplicidade de verdes diferentes. E que é o que falta na intensidade e vivacidade da verdura do comum dos paisagistas, que o pintam com uma tinta uniforme. O que aqui se diz do verde das pradarias, pode aplicar-se a todas as outras cores."

Favoritos XLIV : John Keats


O poeta inglês John Keats nasceu em 1795 e morreu, com 26 anos incompletos, a 23 de Fevereiro de 1821. No início do seu poema incompleto Endymion, escreveu:

Um momento de beleza é uma alegria eterna:
O seu encanto cresce; nunca mais se apagará
No vazio; e havemos de guardá-lo para sempre
Num lugar secreto, como um sono cheio
De sonhos felizes, vivo, no seu leve respirar.
(...)

Há 30 anos, em Madrid

Faz hoje 30 anos que, às 18,20 hrs da tarde, o tenente-coronel Antonio Tejero, da Guardia Civil, invadiu as Cortes Espanholas (Parlamento), dando início a uma tentativa de golpe de Estado, para fazer abortar a democratização de Espanha. Neste episódio, visualmente, três homens me ficaram na memória, pelo seu digno e corajoso comportamento. Adolfo Suárez e o general Gutiérrez Mellado que tentaram opor-se aos revoltosos armados. O terceiro foi o deputado Santiago Carrillo, secretário-geral do PCE, que foi o único dos deputados a não acatar a ordem de Tejero, para que se deitassem no chão. Carrillo manteve-se, sempre, de pé ou sentado. Todos os outros se deitaram ou esconderam atrás das bancadas parlamentares.

É justo recordar, também, que o rei Juan Carlos, ao princípio da noite, falou na TVE, colocando-se ao lado da Democracia. Com isso, pôs um ponto final, na esperança dos insurrectos. Tejero veio a render-se no dia seguinte, 24 de Fevereiro de 1981.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

José Mário Branco

Divagações


Há um conforto que apenas se adivinha. A pacificação das causas inúteis, a mão sobre o delta ermo, a luz oblíqua, o silêncio em volta. Que parecia alto.
Mas é também daqui que nasce a insatisfação e a dúvida. As perguntas que ninguém irá satisfazer. O Tempo que passa. As saudades da terra.
O movimento reinicia a sua marcha, o tédio acicata a alma, o amor do risco, novamente, desperta. E volta a inquietação ao coração dos homens.

Joseph Haydn (1732-1809)

Os vencidos de deus


Houve uma parte de uma geração de intelectuais portugueses em cuja obra a fractura, ruptura ou, na prática, uma auto-marginalização do mundo religioso (catolicismo) é visível, mais ou menos, como ambiente de fundo, nos seus trabalhos e nos seus dias. Umas vezes, numa perspectiva trágica (Nuno de Bragança, Ruy Cinatti), outras vezes, por uma ironia irreverente (Alexandre O'Neill) ou apenas tímida (Alçada Baptista). E, depois, os que convalesceram bem dessa "mancha de pulmão" indelével (Bénard da Costa e Pedro Tamen) e que, da margem, se reintegraram, razoavelmente ( e digo-o sem ironia, nem pejorativamente), no sistema laico. Haveria mais nomes mas, dos que referi, apenas o último é ainda vivo e sobrevivente dessa fé perdida que não encontrou guarida em nenhuma outra hospedaria, como, por exemplo, Nuno de Bragança que se transferiu para a luta armada activa (contra o antigo Regime).
O percurso de Ruy Cinatti é, talvez, um dos mais dramáticos, dolorosos e trágicos. Que passa pelos rituais animistas timorenses, em que chega a ser iniciado, até vir desembocar nas trevas e desagregação gradual, em finais dos anos 70 do século passado. É dele, o poema que se segue, integrado no "Livro do Nómada meu Amigo", de 1958.

Meditação

Tudo imaterial na praia rasa
Cheia de sol, ao fim da tarde.
Proa ao vento quebrada,
A vaga, entre rochedos, se ilumina.

É tudo imaterial, tudo neblina
Ténue que aos poucos arde,
Ao fim da tarde se desfaz, flutua,
E voo de ave desliza
Ao longe linha pura.
Tudo imaterial na praia rasa.

Aqui ninguém me vê: amo a ternura.


Citações LX : Luis de Gongora y Argote


"...a poesia, em todo o seu rigor, é uma linguagem construída como um objecto enigmático."
Luis de Gongora y Argote (1561-1627), citado por Jorge Guillén.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cromos 12 : História Natural (I)



Na primeira parte desta colecção de 236 cromos, editada pela Editorial Ibis Ltdª, de Lisboa, faltam-me muitos números. Talvez porque os colei com fita gomada e os cromos da caderneta foram caindo, nas múltiplas mudanças. O distribuidor desta colecção era a Livraria Bertrand. Os desenhos são de E. Vicente e Miguel Conde, e os textos, de Pilar Gavin e E. Perez Mas, com tradução portuguesa de F. Y. Cardoso Junior. A colecção original é espanhola, da editora Francisco Bruguera, e data de 1958.
No seu conjunto era muito pedagógica e instrutiva, com uma introdução simples, mas de base científica, q. b.. A caderneta desta primeira parte da colecção de História Natural custava Esc. 6$00. E os últimos 30 cromos, que faltassem, podiam adquirir-se no distribuidor (Liv. Bertrand) mediante o preenchimento de um talão e o pagamento de Esc. 5$00.

Der Blaue Reiter

Sob a designação "Der Blaue Reiter" reuniram-se, em 1911, vários artistas, oriundos de diferentes países da Europa. O nome do grupo de artistas explica-se, como eles próprios definiram, de uma forma simples: "um de nós gostava de cavaleiros, outro da cor azul", e foi assim que nasceu o grupo O Cavaleiro Azul.
Em 1912 publica-se, então, o almanaque com o mesmo nome, cuja capa se reproduz acima.
Os artistas pretendiam, essencialmente, sublinhar o lado mental da arte, não tendo publicado nenhum manifesto próprio tal como o referido almanaque parece sugerir.
Da exposição patente, entre 4.2. - 15.5.2011, na Albertina de Viena, escolhemos duas obras de Paul Klee, por opções de ordem mental e pessoal.



Para mais informações sobre a exposição na Albertina de Viena, segue o endereço: http://www.albertina.at/.

Post de HMJ

Osmose (10)


O frágil fio de voz, que vai e vem, como se fora um murmúrio - tanta vez ininteligível. O corpo débil como um vime, ou vegetação flébil espontânea, frágil e abandonada às oscilações do vento. Onde a mudança das estações, cruelmente, se inscreve. E destrói, quase, a ligação à Terra.
O dia parece uma noite ininterrupta, com brevíssimos clarões de luz, que não de tempestade.
E, depois, há uma outra voz que a chama à Vida. Que se debruça, persistente, e lhe fala. Ciclicamente, num dever amoroso, sem pedir recompensa, senão ouvir o seu próprio nome vindo das trevas. Num afecto despojado e fiel que não procura nada, senão que a ligação não se perca. Que se mantenha esse cá e esse lá, ainda que silencioso. Antes da Morte.

Nos 20 anos da morte de Margot Fonteyn

para MR, naturalmente.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Cidade Livre de Hamburgo


Após o apuramento das eleições, a cidade de Hamburgo está de parabéns.
Relembrando o exemplo de Helmut Schmidt, renova-se, também, a esperança numa Europa de Cultura e de Humanidade, contra a cegueira redutora do económico e financeiro.
Concluimos o nosso testemunho com um sonoro Bravooo !
Post de HMJ

Os amigos de Peniche


A imagem que encima este poste integrava uma pequena brochura da sucinta biblioteca de meu Pai. Era de propaganda inglesa, em Portugal, no decurso da II Grande Guerra, quando a Alemanha nazi também procurava influenciar a opinião pública nacional a seu favor. Serve-me de base àquilo que quero escrever.
Hoje, foi a vez de Jean-Claude Trichet ( não esquecer que, em francês, tricher significa : fazer batota) que tem, como compinxa e subordinado, o nosso inefável Vítor Constâncio, no BCE, paternalmente (don´t patronize me, please!), afirmar que Portugal deve apressar as suas reformas e cumpri-las com rigor, porque estão atrasadas (curiosamente, nunca ninguém diz, em concreto, quais reformas)...
Quando vejo esta "gente" ou gentalha dar-nos conselhos, lembro-me sempre de um poema fescenino de António Botto, que me apetece citar. Não o faço por respeito por quem me visita, e pela dignidade que tento imprimir ao espaço do Arpose. Mas também me lembro, em simultâneo, de Winston Churchill, pelo seu exemplo de resistência e orgulho nacionais.

Vincenzo Galilei (1520-1591)

A título de curiosidade refira-se que este compositor foi pai do astrónomo Galileo Galilei.

Recomendado : onze - Janelas Verdes


O nome só por si, e para mim, é estimulante. Depois, vem-me à ideia António Nobre, e Lucas Cranach mais a sua "Salomé", do Museu, que agora (e hoje) eu pensava rever, mas foi emprestado, temporariamente, à Galeria Borghese, de Roma - fica para outra vez.

Por esta rua das Janelas Verdes andou o poeta do "Só", em via sacra, como o "Ecce Homo", quando já não era benquisto, por questões de saúde (tuberculose), noutras hospedarias de Lisboa, Belas e arredores. A "York-House" albergou-o, algum tempo, nesta mesma rua que teria verdes janelas. Quanto a mim, comi lá, há uns anos, uma magnífica Perdiz de Escabeche, bem acasalada com um duriense "Quinta de la Rosa", tinto, que estava no ponto - fica registado.

Mas o cerne da questão, aviso e conselho, é a exposição "Os Primitivos Portugueses" que encerrará dentro de 8 dias: não percam, recomendo. A mostra bisa, para melhor (creio) a homónima que se fez em 1940. Chamo a atenção especialmente para uma "Virgem da Anunciação", do Mestre da Lourinhã, com um leito rubro, no poscénio, que é um espanto. A Virgem parece nórdica, curiosamente. Também, a soberba simetria agressiva do "Martírio de S. Sebastião", de Gregório Lopes, para rever. E, "last but not the least", a novidade, em Portugal, da "Virgem com o Menino e Anjos" de Álvaro Pires de Évora, que o Museo Nazionale di San Matteo (Pisa) emprestou ao Museu Nacional de Arte Antiga, amavelmente. É também aconselhável reapreciar algumas obras, estimáveis, de Frei Carlos, no meu entender.

Pois é, "Os Primitivos Portugueses" só ficam até 27 de Fevereiro de 2011, nas Janelas Verdes. Relembro, e recomendo. E, se o orçamento o permitir, porque não uma perdiz, bem cozinhada, na "York-House"? Fica perto do Museu, e é na mesma rua. Gastronomia também é Cultura.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Frost, para Miss Tolstoi


My November Guest

A minha pena, quando ela está comigo,
É que pensa que estes dias chuvosos e cinzentos
São tão belos quanto podem ser os dias;
Ela gosta destas árvores lisas e despidas;
Passeia nas veredas dos prados encharcados.

O seu prazer não me deixa sossegar.
Ela fala e eu resigno-me a ouvir:
Fica contente que as aves tenham partido,
Alegra-se que o cinzento se tenha transformado
Em prateado, agora, que a neblina sobe.

As árvores nuas, desoladas,
A terra desvanecida, o céu pesado,
As maravilhas que só ela vê,
Julga que eu não dou por elas,
E humilha-me com isso.

Não foi ontem que aprendi
O amor pelos ermos dias de Novembro
Pouco antes de chegar a neve,
Mas seria inútil eu dizer-lho,
Assim será melhor para sua exaltação.


Nota: foi Robert Frost (1874-1963) que disse: "Poetry is what gets lost in translation". Mesmo assim, eu gosto de arriscar E desafio as sábias palavras do Poeta americano, porque tinha um compromisso interior comigo mesmo, de traduzir, para português, este poema (de que gosto), desde que Miss Tolstoi, amavelmente, o transcreveu num comentário (7/1/2011) que fez no Arpose. Que me perdoem a veleidade, quer o poeta Frost, quer a Miss Tolstoi. Prometo não prevaricar muitas vezes.

O Baú dos Brinquedos 7


Como se anuncia, felizmente, bom tempo para a próxima semana, resolvemos apresentar o nosso descapotável. No meio de preparativos para receber um familiar distante, já planeamos também umas voltinhas para mostrar a beleza da paisagem e, sobretudo, aproveitar o sol e a luz da Europa do Sul. Os passeios serão, no entanto, numa viatura a sério, embora da mesma cor do nosso carrito de brincar.
No descapotável da imagem vão os bonecos beijoqueiros, no nosso irão visitantes mais ilustres. A ambos desejamos, desde já, bom passeio !
Post de HMJ

Filatelia XVI : Precursores


Chamam-se "Precursores" aos selos clássicos portugueses do Continente que tiveram curso nas Ilhas Adjacentes (Açores e Madeira), antes das ilhas terem selos próprios. O que só aconteceu a 1 de Janeiro de 1868, com a emissão de D. Luís, fita direita, não denteada, e a aposição, sobre selos do Continente, das sobrecargas: Açores ou Madeira. De 1853 a 1867, os precursores podem identificar-se, do ponto de vista da sua origem, apenas através dos carimbos numéricos que foram batidos sobre os selos. Respectivamente, assim:
48 - Angra do Heroísmo (Açores);
49 - Horta (Açores);
50 - Ponta Delgada (Açores);
51 - Funchal (Ilha da Madeira).
Em imagem, alguns percursores das emissões de D. Maria II, D. Pedro V e D. Luís.

Salterello


Salterello (ou Saltarello) é uma dança de origem italiana.

Charles-François Daubigny


Não posso dizer que Charles-François Daubigny (1817-1878) seja um dos meus pintores favoritos. Talvez por ser excessivamente canónico. No mês de Fevereiro nasceu (a 15) e no mesmo mês veio a morrer (a 19), com 61 anos completos. Daubigny faz a ponte entre o romantismo e o impressionismo, e as paisagens campestres ocupam grande parte da sua obra pictórica. Mas eu gosto, particularmente, de marinhas, e esta sua obra, que encima o poste, agrada-me muito.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fulgurações


Acabei de ler recentemente "Rencontres avec René Char" (ed. José Corti, 1991) de Jean Pénard. Com imenso agrado. É um livro em que um amigo fala, também, sobre a velhice de outro amigo: as debilidades físicas, o sofrimento pela morte do gato Tigron (que morreu 3 anos antes de Char), o regresso memorial à infância, o amor (já) saudoso pela Natureza, algum desânimo...
Retive algumas ideias de Char (para lá da minha surpresa do Poeta não gostar nada de J. L. Borges), retransmitidas por Pénard. Aqui vai, partilhando, em tradução, um pensamento de René Char:
"Não há poetas sem delírios. Alimentámo-nos deles, dominando-os. O nó do problema é o de saber quem vai ganhar, o poeta ou o delírio. Se o delírio domina temos Hölderlin, Nietzsche, Artaud e tantos outros em pintura, em música, ainda com algumas fulgurações, mas fulgurações enlouquecidas."

Leonard Cohen (,contra o cinzento)

Bibliofilia 41 : Irene Lisboa



É uma autora de culto, de alguns "happy few", a Irene Lisboa. Escritora singular, com um modo de ver as coisas, pessoalíssimo, na prosa. A sua poesia é única, e tenho imensa dificuldade em classificá-la. Com uma "paixão fria" de Escorpião ( dizem os astrólogos, a propósito deste signo), embora ela seja uma capricorniana.
Usou, entre outros, os pseudónimos de João Falco e Manuel Soares (este último que, duplamente, me sensibiliza), numa altura portuguesa em que as meninas lusas e as mulheres costumavam saber francês e tocar piano. Para além dos bordados. As situações, na realidade, não se modificaram assim tanto, nestes últimos anos - substitua-se apenas o francês pelo inglês, para além de pequenos ajustamentos de mentalidades.
Este "O Pouco e o Muito (crónica urbana)", de Irene Lisboa, comprei-o, há menos de 10 anos, ao meu amigo Bernardo Trindade, por 12,00 euros. Mas é único, porque tem dedicatória da Autora, que era parca a escrevê-las.

para c. a., na oblíqua, com Amizade.

Comic Relief (23) : Atendimentos...


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Cinema em casa I



Andava eu no "Baú" à procura de BD do "Fantasma" de Lee Falk, que se iniciou em 17/2/1936, quando se me depararam estes fascículos de Cinema dos anos 50. Permitiam, a quem não pudesse ver os filmes, ler as novelizações e contemplar algumas fotografias da película. Tinham também a ficha técnica com os actores, realizador, etc. Informavam também a casa de espectáculos portuguesa onde o filme se tinha estreado. Por exemplo, "O rei e eu" de Walter Lang, com Yul Brinner e Deborah Kerr, foi estreado no Tivoli, em 22 de Outubro de 1956. O filme de Luchino Visconti, "Sentimento", iniciou as suas projecções no Cinema Monumental. Os fascículos cinematográficos tinham como editor António Feio. Vai também, em imagem, a reprodução das últimas páginas de "O Rei e eu", para se ter uma ideia dos filmes que passavam, na altura, pelas outras casas de cinema. Infelizmente, nenhum destes cinemas funciona, hoje.

Adagiário XXX : Fevereiro (3)


1. Neve de Fevereiro, presságio de mau celeiro.
2. Chuva de Fevereiro, vale por estrume.
3. Por S. Matias (24), fazem-se as enxertias.

Heinrich Heine


Heinrich Heine, escritor alemão de origem judaica, que se converteu ao Cristianismo, nasceu em Düsseldorf, a 13 de Dezembro de 1797, e veio a falecer, em Paris, a 17 de Fevereiro de 1856. O poema que se traduz terá sido escrito na fase final da sua vida (1853-1856).

Escarneci, dias e noites,
Tanto dos homens como das mulheres,
Cometi grandes tolices,
Mas a prudência soube-me a pior.

A criada engravidou e deu à luz -
Para quê tanta lamúria?
Quem nunca foi insensato
Na vida, jamais será um sábio.


Nota: a tradução para português é de HMJ, com ligeiros retoques de APS.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Esquerda e direita - a memória


É sempre com alguma expectativa positiva que inicio a leitura das crónicas de Rui Tavares, no jornal "Público". A de hoje intitula-se "Com que critério?", e aborda o recente anúncio de apresentação de uma moção de censura ao Governo, por parte do Bloco de Esquerda, a 10 de Março próximo. A isenção argumentativa da crónica é exemplar, se tivermos em linha de conta que, além de jornalista e professor universitário, Rui Tavares é também deputado europeu pelo BE. Mas não é ortodoxo.

E a questão de fundo, posta pelo cronista, reside no facto de a Direita não ter, normalmente, qualquer problema em coligar-se, enquanto a Esquerda portuguesa, no post-25 de Abril, nunca se associou para governar. É também uma das minhas interrogações de fundo, embora tenha algumas ideias para nortear a resposta.

Antes de mais, os reflexos post-traumáticos do PS em relação ao PC, decorrentes do PREC. Esquecem os socialistas, porventura, o "beijo de morte" de François Mittérrand, ao PC francês, quando integrou num seu governo (Mauroy) quatro ministros comunistas - foi o ponto de partida para a quase desaparição, na cena política francesa, do partido de Marchais.

Por outro lado, os partidos à esquerda do PS português parecem gostar de cultivar uma imagem de "enfants-térribles" que nunca os compromete, verdadeiramente, nem os obriga a compromissos ou responsabilidades pragmáticas, beneficiando, no entanto, de margem de manobra (para quê?) e de vantagens financeiras (de Estado) para o exercício da sua propaganda e acção política laboratorial (e limitada).

Em tempo, e por causa da memória (política), para lembrar: a perda de hegemonia do PS francês (até hoje) iniciou-se com o corte de subsídios, pelo governo, ao Ensino particular gaulês...


Post-scriptum de 30 de Março de 2011:

estimados visitantes, se pretenderem utilizar esta reprodução da obra de Angelo de Sousa, s.f.f., utilizem a cópia que repeti, hoje, 30/3/2011, porque está menos usada...

Osmose (9)


O efeito da música, de tanto a ouvir, já não lhe provocava sentimentos. Sublinhava apenas os múltiplos acordes da manhã, como se fosse mais uma voz a que estivesse, simplesmente, habituado. Como teria sido de outro modo? Pelo menos, a cidade teria sido outra.
Ela teria ajeitado a saia, com pudor e pouco antes, e a mão repousava, tranquila e grácil, sobre a coxa esquerda adolescente. O olhar descia e, com ele, baixava também um sorriso discreto, até à flor branca ( uma camélia?) que nascia do pequeno decote do vestido. Está sentada, na fotografia.
Ficou assim, para sempre na geometria, e na sua juventude inalterada.

Pelos 76 anos de Eduardo Gageiro


Eduardo Gageiro nasceu em Sacavém em 1935. As suas fotografias são uma das melhores memórias visuais de Portugal, nos últimos 50 anos. Tenho o gosto de o ver 2 ou 3 vezes, por mês, num restaurante de Campo de Ourique, onde se pode fumar. Entra, sempre sorridente, desempenado e convivente.

para ms.

Arcangelo Corelli (1653-1713)

Stephen Spender (1909-1995)


A Fotografia

Se me recordo desse dia!
Caminhava sozinho e sem ti,
Mas lembrando a tua voz
Memorizava o teu rosto, na fotografia:
O rio dava uma curva logo depois das árvores,
O nevoeiro ia nublando a corrente escura,
Fragmentos de Sol como espelhos partidos
Derramavam-se nas águas, e tu inclinavas-te
Sobre o mapa de todos os lugares
Onde tinhamos ido.


Notas: o poema original tem apenas 9 versos, mas não consegui traduzi-lo, sem desdobrar um dos versos em dois. Stephen Spender foi o tema-base da tese de licenciatura de Fernando Assis Pacheco. Finalmente, Jorge de Sena na sua "Literatura Inglesa" (ed. Cotovia) não considera S. S. um poeta de primeira água.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Iconografia moderna e laica (11) : A queda


"...Ganharás o pão com o suor do teu rosto,..."
Genesis, 19: 13.

Leituras Antigas XXVII : O Condestável e Mousinho



Os dois livros, em imagem, foram prémios escolares que recebi. "Mousinho de Albuquerque" de Eduardo de Noronha, pelo "bom aproveitamento" no 1º ano do Liceu, e devo tê-lo lido em 1956. A "Vida do Santo Condestável..." é da autoria de Henrique Barrilaro Ruas e tem capa, bem interessante, de Américo de Amorim. Foi prémio escolar do 2º ano do Liceu. Li-o em 1957.
É evidente que eram livros para incentivar o patriotismo e despertar o gosto pelo heroísmo, nos adolescentes. Mas não me fizeram mal, tanto quanto me apercebo...