terça-feira, 30 de novembro de 2010

Calendário do Advento

Mãos amigas fizeram-nos chegar, de novo e atempadamente, um calendário do Advento. Com ele vieram as memórias distantes, no tempo e no espaço, de um altura própria do ano. Frio, neve, como agora, e um período de enorme expectativa e variedade.
A partir de 1 de Dezembro corria-se, diariamente, para abrir mais uma janelinha no calendário até ao esperado dia 24 de Dezembro, dia dos presentes, do presépio e das bolachas de Natal.
E, para quem não saiba, o róseo do céu, ao final de tarde e durante o mês de Dezembro, era o sinal da azáfama na cozinha celeste, pois os anjinhos preparavam os bolos e as bolachas de Natal.
Bom início de Advento.
Para MR que ainda se deve lembrar de alguns rituais do Natal germânico.
Post de HMJ

Comic Relief (17) : Herman José

Música e Poesia XXVIII : Pablo Neruda/ Paco Ibañez


Esta canção de Paco Ibañez, com versos apaixonados de Neruda, sempre me pareceu um magnífico contraponto a "Tu ne dis jamais rien", de Léo Ferré.

A pátina do Tempo : Virginia Mayo



Os cromos, em imagem, representam a mesma actriz americana e pertencem a duas colecções diferentes: uma de finais dos anos 40, muito rudimentar, outra mais sofisticada, da Agência Portuguesa de Revistas, do início dos 5o. Às colecções, abordá-las-ei em devido tempo e na secção própria - Cromos.
As fotos apresentam uma senhora bonita (Virginia Clare Jones) que foi a minha primeira grande atracção cinematográfica. A actriz tinha o nome artístico de Virginia Mayo e entrou em mais de 40 filmes. Nasceu há, precisamente, 90 anos, a 30 de Novembro de 1920 e faleceu, de pneumonia, em Janeiro de 2005. Era considerada, na altura, uma das mais belas mulheres americanas.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Curiosidades 24 : Festas Nicolinas (o Pinheiro)




O Arpose está em dia de cortejos. É que se iniciam, formalmente hoje, e como todos os anos a 29 de Novembro, as Festas Nicolinas dos estudantes vimaranenses, com o cortejo do Pinheiro. O pinheiro, propriamente dito, tem de ser de grande porte e é oferecido pelo eleito Presidente da Comissão de Festas, que é sempre um estudante. A grande árvore vem dos subúrbios, trazida por carros de bois, ao som ritmado de bombos e caixas, para ser "re-plantado" no Campo da Feira. Aí ficará até 6 de Dezembro, final das Nicolinas, quando tem lugar o cortejo das "Maçãzinhas", pequenos frutos que são entregues, através de canas com lanças no topo, às donas jovens que se encontram em varandas e janelas, no centro da cidade. Em troca, as moças penduram nas lanças pequenas prendas: saquinhos de rebuçados, colheres de pau, pequenas garrafinhas de Vinho do Porto, etc..

As Nicolinas, como tradição, perdem-se na memória do tempo. Há notícia de celebrações, desde o séc. XVII, tendo como patrono S. Nicolau. No séc. XX adquiriram um figurino mais clássico, ordenado e rígido. Que inclui as seguintes manifestações festivas: o cortejo do Pinheiro, as "posses", a noite da "roubalheira", o magusto, a declamação do Pregão, em verso (com críticas regionais e mundiais aos tempos que correm), e o cortejo das "Maçãzinhas" a que se segue um baile de estudantes, para encerramento, na noite do dia 6 de Dezembro. Só vendo as Festas Nicolinas se poderá avaliar a alegria juvenil que enche as ruas antigas da cidade de Guimarães, nesta época do ano. O vídeo apresentado, de pouca qualidade, aliás, dará uma pálida ideia do que é o cortejo do Pinheiro.

Um cortejo histórico em 1947


P. S.: com agradecimentos a C. S. que me mandou esta "pérola"...

Saída Real para o Brasil


Os últimos tempos têm sido propícios e pródigos a reavaliações de algumas personagens históricas cujo papel, de uma forma geral, não era considerado positivo para o País. Refiro-me ao público português anónimo, e não à área científica que se ocupa da História.
Uma das figuras pouco apreciadas era D. João VI. Passava por um rei timorato, indolente, guloso, pouco disposto a tomar decisões ou iniciativas. E que se submetia, muitas vezes, à vontade da consorte espanhola, Carlota Joaquina.
A 27 de Novembro de 1807, a Família Real embarcou para o Brasil, fugindo ao avanço do general Junot, e para manter, teoricamente, a soberania portuguesa livre e intacta, juridicamente, da submissão napoleónica. Esta atitude era considerada ambígua, por parte de D. João VI.
Hoje, porém, esta iniciativa de conservar inteira a imagem do Poder é, pragmaticamente, considerada correcta. Mesmo depois, e ainda hoje, o recuo do poder representativo, para se manter a salvo de constrangimentos espúrios ou estrangeiros, é sempre considerado como hipótese previsível. Na época do Estado Novo, o recuo seria para os Açores. E, no tempo de Marcelo Caetano, a primeira étapa de refúgio era a base aérea de Monsanto.
Por isso, a partida da Família Real para o Brasil, em 27 de Novembro de 1807, é hoje , consensualmente, aceite como uma medida acertada. Muito embora se possa discutir a excessiva demora da Corte nas terras de Vera Cruz, uma vez que o regresso à Metrópole só se verificou em 1821. Seja como for, a estadia de D. João VI foi, pelo menos, bem útil para o futuro do Brasil.

Donizetti e Portugal


A última ópera composta por Gaetano Donizetti (1797-1848) foi "Dom Sébastien, Roi de Portugal", estreada em Novembro de 1843. Embora o libreto de Scribe contenha muitas inverdades ( o Cardeal-Rei, que fica como regente, é D. António, por exemplo) aqui fica um excerto, cantado por Stephen Powell. A título de curiosidade, registe-se que uma das personagens da ópera é Luís de Camões.

domingo, 28 de novembro de 2010

William Blake


Apenas para marcar a data de nascimento do poeta e grande gravador William Blake (28 de Novembro de 1757), segue a tradução de The Shepherd, um dos mais simples poemas de "Songs of Innocence and Experience".
O Pastor

Que ameno é o destino do Pastor!
Desde manhã vagueia até à noite;
Seguirá sua ovelha o dia todo,
E sua voz se encherá de júbilo.

Porque ouve o apelo do cordeiro puro,
E ouve a terna réplica da ovelha;
Quando, tranquilos, os vigia, atento,
Que eles sabem que o Pastor está por perto.


Imagens de alegria


Habituado às imagens da Virgem Maria, portuguesas, de semblante carregado, hieráticas ou, no mínimo, neutras de aspecto, fiquei agradavelmente surpreendido, aqui há uns bons anos, ao ver, num museu de Coblença, várias imagens de Nª. Sra. com rosto alegre, quase divertido, e bem dispostas. Mais recentemente, o meu Amigo António mostrou-me algumas fotografias que tirara a imagens da Virgem, do séc. XIV, num museu da Catalunha, que também expressavam boa disposição.
Pergunto-me, muitas vezes, em que é que se fundamentaram os franceses para dizerem: "les portugais sont toujours gais."...

Osmose (2)


"- Lido bem com o ódio."- disse ele.
"- Eu lido mal com o amor."- disse ela, que sempre tivera uma relação difícil com a manifestação expressiva do afecto.
O terceiro ângulo concluiu, triangular, objectivo e provocador: "- Por isso se deram bem!..."
Virtualmente, todos se separam, e nunca mais se encontram. Fica apenas um triângulo, no tempo.

Atum, cerveja ou chocolate?


Com este frio, a opção mais sensata seria, com certeza, um chocolate bem quentinho.

P.S.: para MR, especialista na matéria.

Apontamento sobre os estorninhos que se atrasam


Estão diferentes, este ano, os estorninhos, nos seus voos gregários e nervosos das suas asas trémulas. Como a lua cheia se antecipou, há dias, súbita de esplendor e brilho, às cinco e meia da tarde, surgindo no céu pálido. Ao contrário, às pequenas aves nunca as tinha visto, nos finais de Novembro, sobre o Tejo. Mas também em grupos mais pequenos, divididos. E afoitos, quase roçam as janelas das casas, em voos mais baixos do que era costume. No terraço, a poucos metros das nossas cabeças, em caravanas aéreas sucessivas. Nunca os vira tão perto e demorados, no tempo, apesar do frio.

sábado, 27 de novembro de 2010

Marco Uccellini (1610?-1680)


Ruy Belo, por este Outono frio


As Impossíveis Crianças

Nesta manhã de outono dos primeiros frios
mais a caminho da velhice que da minha casa
eu vejo-vos em roda todas a cantar
Impossíveis crianças deixais-me brincar?

Recomendado : sete - Torre Velha


O livro A Torre de S. Sebastião de Caparica..., de Pedro de Aboim Inglez Cid (Edições Colibri), é o resultado de uma tese da UNL, e foi publicado há, já, três anos (Dezembro de 2007). Devo a sua descoberta a HMJ, que dele me deu notícia, recentemente, por informação colhida no site da Livraria Escriba. Ainda não li muitas páginas, mas deu para me aperceber que está bem escrito e com clareza, que é obra de fôlego e traz novidades, e que valeu a pena tê-lo comprado.
Não sou totalmente isento, porque fala de personagens históricas por quem me interesso: D. João II e Francisco Manuel de Melo. Aborda a hipótese de o arquitecto Diogo de Arruda ter sido o autor do projecto da chamada Torre Velha, com a ajuda e orientação do Príncipe Perfeito. Fala da arquitectura militar portuguesa. Há referências neste livro à correspondência de Francisco Manuel de Melo que lá esteve preso, uma boa parte dos 11 anos em que o privaram da liberdade. Lá escreveu algumas das suas obras, cartas e poesias. Um dos seus sonetos começa por "Casinha desprezível, mal forrada...", referindo-se à sua cela na Torre Velha.
Recomendo o livro a quem goste destes temas, se interesse por D. João II e pelo poeta Melodino. Aconselho a que se dê uma vista de olhos pelas páginas, se vejam as magníficas fotografias, e depois se tome a decisão - de comprar ou não. Ir à Torre Velha, que hoje está muito destruída, será um pouco mais difícil...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Osmose (1)

Ele disse: "- Não faça muita força..."

E ela replicou: "- Mas... não estou a fazer força nenhuma!..." - numa voz aparentemente frágil que, ao de leve, denunciava uma vontade intencional dissimulada.

Tudo se passava no domínio mais secreto dos sentidos. Nesse área de silêncio recatado que, normalmente, não dialoga entre os corpos, pela palavra, mas se sente, imperiosa e fatal. Seguramente J. sempre pensou que a estratégia e a iniciativa foram dele. Dolores sabia que não.

Uma pérola na tarde

Leituras Antigas XXII : Titã




A banda desenhada em Portugal, nos anos 50 do século passado, teve um incremento acentuado. Até aí, para além das importações do Brasil, predominavam "O Mundo de Aventuras" e "O Cavaleiro Andante" de Simões Müller. Uma espécie de Benfica/Sporting, por onde se tinha de optar, por questões de mesada e orçamento. Eu escolhi, na altura, "O Cavaleiro Andante". Em 1954 foi lançada a revista de BD, "Titã". Que tinha como director, Roussado Pinto, e editor: António Feio. Era semanal, tinha um espécie de suplemento, "Leão", agrafado nas páginas centrais, e era impressa na Bertrand (Irmãos), Lda., e a sede localizava-se na Rua Capelo, 26 - 2º, em Lisboa. A revista continha artigos de divulgação cultural (Bíblia, Touradas, Submarinos...), séries de ficção científica, faroeste, policial, história pátria, etc.. A minha série preferida era "O Segredo do Sabre", com Blake e Mortimer, mas também apreciava "As Viagens de Marco Polo". Cada número da revista "Titã" custava Esc. 2$00. Não tenho ideia da data em que terminou, até porque não tenho muitos exemplares.

Roteiro quase sentimental


Mal olhei para as casas ou para a paisagem, só para as pessoas. Mas fiz um pequeno desvio para ir ver a ribeira. Nem pássaros, nem rãs, nem os pequenos patos, que eu visse, e que costumavam vogar contra a corrente, debicando limos. Apenas o leito alargado, pela limpeza e desbaste das ervas marginais, deixava ver os seixos pequenos sob as águas cantarolantes.
E a figueira sobre a ponte, que cortaram estupidamente no início do ano, não dava sinal de vida. Tenho de voltar na Primavera a ver se a velha árvore retorcida regressa. Ou volta a romper.

Citações LII : Camilo


"...O coração de certos indivíduos acha-se, muitas vezes, a páginas tantas de tal novela. Sem figurinos e romances, não haveria corpos apresentáveis nem espíritos insinuantes. ..."

Camilo Castelo Branco, in Discurso Proemial a Anos de Prosa (1863).

Tina Turner

Não parece nada, mas esta Senhora faz hoje 71 anos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cantiga tradicional Italiana


O Youtube é manhoso, somítico, guloso, e engoliu-me o vídeo anterior de Pino de Vittorio. Felizmente, há sempre alternativas, para contornar a ganância destes ianques  parvos, rurais e roboticamente incultos.


P. S. : a reposição do vídeo foi feita a 27 de Julho de 2012, por mim. Para que conste. Pino de Vittorio, evidentemente, não merecia esta censura inquisitorial, e rasura estúpida do Youtube. Há mais mundos...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Karl Kraus : 3 aforismos


De Karl Kraus (1874-1936), dramaturgo, ensaísta e poeta austríaco, encontrei, num capítulo (Danúbio Negro) do livro "George Steiner em The New Yorker", alguns aforismos, citados por Steiner que, rondando o paradoxo, me pareceram curiosos. Vou transcrever três deles:
1. As sátiras que o censor entende são justificadamente proibidas.
2. A psicanálise é essa doença mental da qual se considera ser a cura.
3. A ingratidão é muitas vezes desproporcionada perante o benefício recebido.

Favoritos XLIII : Henri de Toulouse-Lautrec


Dia para lembrar Toulouse-Lautrec que nasceu a 24 de Novembro de 1864. E recordar das obras do pintor francês, uma de que gosto particularmente: "La charrete anglaise", de 1897.

Traduções Hilariantes (2)



Estimada visita de língua inglesa, ao Arpose, provavelmente dos E. U. A., ao ver o anterior poste de Jazente, terá pedido tradução ao Google. Os dislates da tradução foram mais que muitos: nem o Herman José conseguiria melhor ao imitar Lauro António naqueles "soquetches" sobre cinema. O título do poste ("Florilégio de poetas, a propósito de Jazente") saiu, na delirante tradução como: "Anthology of poets, the purpose of laid prostrate"..., como se pode ver na imagem. Outro exemplo delicioso: Sidónio Pais foi traduzido para "Sidónio Parents"!... Assim vai o Mundo...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Florilégio de poetas, a propósito de Jazente



O livro Poesias, do Abade de Jazente (1719-1789), como se poderá ver pelas imagens, pertenceu a Alberto Osório de Castro (1868-1946) pela marca de posse manuscrita no frontispício, e pelo ex-libris na segunda página. Este poeta era irmão de Ana de Castro Osório (1872-1935), e amigo de Camilo Pessanha. Foi juíz na Índia, Angola e Timor. Teve vida política activa, tendo sido Ministro da Justiça no breve consulado de Sidónio Pais.
Mas era de Paulino António Cabral, Abade de Jazente, sobretudo que eu queria falar, hoje, que o andei a reler, em circunstância, por esta pequena edição rollandiana de 1837, e que A. Osório de Castro terá comprado, em Lisboa, a 29 de Abril de 1924.
De entre a abstrusa poesia portuguesa do séc. XVIII, Jazente é uma boa excepção e um dos meus poetas predilectos. Pelo seu tom despido de artifício, suas paixões (apesar de padre), pelo realismo da vida campesina que retrata, onde cabem perdizes, um catapereiro (pereira brava) ou o afecto que dedicava aos cães ( Tejo e Diamante) que o acompanhavam. Pelo sol e a chuva que entram nos seus versos. Ou até pelas insónias que deixa impressas num soneto:

O galo já três vezes tem cantado,
Mugido o Boi, tossido a Ovelha, e a Aurora
Já lá vem, com lágrimas que chora,
Regando a relva mole ao verde prado.

Já detrás do Marão o Sol dourado
A frente principia a lançar fora:
Enfim é manhã clara, e inda até'gora
O sono aos olhos meus não tem chegado.

Ele às vezes quer vir, e a noite inteira
Me rodeia a cabana, e espreme lento
O suco sobre mim da dormideira.

Mas se entra nela algum feliz momento,
Que se me encontra à cabeceira
Logo dela retira o meu tormento.


Nota: procedi a pontuais actualizações ortográficas.

Cromos 6 : O Mundo Maravilhoso do Reino Animal





Foram muitas as colecções de cromos sobre animais que houve nos anos 50 e 60 do século passado. Umas mais completas e informativas do que outras e, algumas, quase diria: sofisticadas. Esta colecção "O Mundo Maravilhoso do Reino Animal", apesar de rudimentar, é interessante, sobretudo, pela ingenuidade dos seus desenhos, que até contemplam animais fabulosos e bichos pré-históricos.
A minha colecção está completa, nos seus 192 cromos. É, toda ela, obra de um senhor que dava pelo nome de Júlio Machado S. e que sedeava na Calçada de Santana, nº 34 - 3º, em Lisboa. Data de Setembro de 1953, e a caderneta, que teve um preço inicial de Esc. 5$00 e depois baixou para 4$oo, tirou 5.000 exemplares. Houve um patrocínio, provavelmente: da casa comercial Old England de que se faz publicidade nas páginas interiores. A Introdução à colecção é um encanto... Os desenhos dos animais têm a assinatura de M. Mendonça.
P.S.: para MR, que deve gostar.

Variações de Mozart, por W. Gieseking


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Filatelia X : carimbos numéricos


No início da utilização de selos postais (1 de Julho de 1853), até praticamente 1878, foram usados carimbos numéricos para obliterar os selos das cartas. Cada número correspondia a uma localidade e os carimbos de barras, ou pontos interrompidos assumiram formas diversas: circulares, ovais, losangonais. As barras eram de número variável, desde 3 linhas a 20, e de vária espessura, interrompidas ao centro para dar lugar ao número correspondente à terra de envio do remetente. Há, no entanto, excepções em que os selos foram obliterados, ou por descuido ou falta do numérico, pelo carimbo nominal da localidade. Isto torna os selos, assim carimbados, mais valiosos, devido à raridade do facto.
Na imagem mostram-se carimbos diferentes e de diversa numeração. Os mais frequentes são, obviamente, os de Lisboa (nº 1) e do Porto (nº 52). O segundo selo da primeira linha da imagem (50 reis, de D. Maria II) tem o carimbo 48 que pertence a Angra do Heroísmo (Açores). O menos frequente, do Continente, na imagem é o 141, pertencente à localidade de S. Miguel do Outeiro, no distrito de Viseu. Este selo é também um "repinte" que ocorre quando, na impressão, por falta de rigor, a cor escorre para lá da zona devida.

A estratégia dos felinos

Dividir. Isolar. Atacar. Subjugar.

Grécia. Irlanda. Portugal ?...Esp...

Leilão de livros em Dezembro


Do leilão de livros (e não só), que terá lugar na Casa da Imprensa, nos dias 6 e 7 de Dezembro, pelas 21 hrs., poderão ser vistos os lotes, nesses mesmos dias e local, das 14 para as 19 horas. O leilão integra muitas obras de poesia, especialmente do séc. XX, algumas raras. Um destaque especial para a 1ª edição de Os Maias, de Eça de Queiroz, bem como um acervo de cerca de 150 cartas dirigidas a Fontes Pereira de Melo.

Colagem(ns)


O homem era vulgar, a mulher não, de todo. Mas o homem era uma força de trabalho organizado, a mulher deu-lhe a experiência do trato, a gestão dos silêncios, as regras de convivência, os contactos necessários para poder crescer na cidade. E o homem cresceu.
(...)
A criança ainda se lembra dos 2 urros das duas mulheres que ocorreram entre a sua infância e adolescência. Muitos anos depois soube das várias versões de O Grito de Munch. Mas nenhum dos urros ocorreu sobre uma ponte. O primeiro que ouviu foi à saída do caixão, e retiniu pelas paredes da casa. O segundo urro ocorreu num canto de uma sala clara, e veio de uma mulher sentada. A criança achou que a mulher ia enlouquecer.
(...)
Campo de Ourique, transmissão de saberes, ou experiências. O mais velho dos homens, apesar de provocador, conta ao mais novo dos homens, de forma pausada, mas tensa, episódios da sua vida. Quer transmitir o seu retrato exacto. Mas, à noite, de regresso a casa, conclui que o não conseguiu.
(...)
Enquanto escreve, o homem ouve o vindimador do Douro dizer: Tinta Roriz, enquanto quase afaga um cacho de uvas. Associa: Aragonês, primeiro, para Sul; depois, Tempranillo, para leste, Espanha. Lembra-se do Vega Sicilia e do Amigo, a Norte. E agradece à Vida. E vai à procura de Matisse, de Picasso. Mas acaba por escolher René Bertholo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Sobre a Memória : 2 pontos de vista


1. " A chuva, especialmente para uma criança, contém cores e cheiros distintos. A chuva de Verão no Tirol é impiedosa. Tem uma obstinação taciturna, fustigadora, e apresenta-se com carregados matizes de verde-escuro. À noite, tamborila como ratos em cima do telhado ou imediatamente por baixo deste. Até mesmo a luz do dia se impregna da sua humidade. Mas é o cheiro que, ao cabo de sessenta anos, permanece comigo. A couro ensopado e caça pendurada. Ou, por vezes, a túbaras fumegando sob lama encharcada. Um mundo transformado em couve cozida. ..."
George Steiner (1929), in Errata : revisões de uma vida.


2. Calle Principe, 25

Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou

José Tolentino Mendonça (1965), in Baldios.

Mercearias Finas 22 : Farripa de Laranja


Depois de um bom almoço, de um café bem feito e uma boa aguardente velha, a única coisa que ainda suporto são duas ou três tirinhas de farripa de laranja para terminar em beleza e definitivamente. Provavelmente são criação (?) genuinamente portuguesa. E, digo isto, porque me vi aflito para encontrar uma imagem da farripa de laranja: nem em imagens (do Google) com search word em inglês, nem francês, nem em alemão. E, em português, também foi extremamente dificil achá-la. E teve de ser através de: tiras de casca de laranja cobertas a chocolate. Aqui fica, em louvor da Farripa de Laranja, o nome científicamente pasteleiro desta gulodice. De que gosto muito e que um Amigo meu me traz, quando vem de visita.

P. S.: para os meus Amigos (gulosos) do Prosimetron.

Jean-Baptiste Lully

Memória 46 : René Magritte


René Magritte nasceu, em Lessines (Bélgica), a 21 de Novembro de 1898, e faleceu em Bruxelas, no ano de 1967. Em 2005, na eleição do "Belga mais célebre", na versão francófona, Magritte ficou classificado em 9º lugar. Mas na versão flamenga do concurso ficou apenas no 18º lugar.

sábado, 20 de novembro de 2010

Em sequência : o limoeiro de Wilson Simonal

A hora de colher...


Da safra minimalista contabilizada a 4 de Setembro de 2010 restam, imperturbáveis e serenos nos seus ramos finos, 10 limões saudáveis, pequenos e robustos. De verdes, pelo sol pálido do Outono, se aconchegaram a um amarelo simpático e maduro. Há que colhê-los, de agora em diante, com afecto e vagar, no tempo. Para que uma nova geração lhes suceda, florindo, lá para Fevereiro ou Março.

Revivalismo Ligeiro XXIII : Marlene Dietrich


Música e Poesia XXVII : Dennis Potter

A música é escassa, e a poesia (se existe. Creio que sim), muito agreste, neste poste. Dennis Potter (1935-1994), inglês, conhecido, sobretudo, pelos argumentos para televisão, de "Singing Detective", "Karaoke", "Cold Lazarus" (dois deles com Albert Finney), é uma figura emblemática, para mim, e um argumentista notável. As suas obras mescladas de referências autobiográficas com imaginação, são orientadas por uma grande lucidez, e projectam uma antecipação científica do Homem post- moderno.

A intervenção de Dennis Potter, neste vídeo, dá-se, quando o escritor já se encontra muito fragilizado por um cancro do pâncreas, que também lhe afecta as articulações. Terá tido origem, diz-se, nos medicamentos que tomou, desde criança, para controlar uma psoríase intensa. Nestas condições difíceis continua, estoicamente, a escrever e a tentar fazer uma vida normal. Mas não só. Tratará e velará pela mulher, também vítima de cancro, acabando por morrer, apenas 9 dias depois dela.

P.S.: para ms.

Restrições ao ingresso nas Ordens Menores


A imagem, que encima este poste, reproduz uma página das Constituições do Bispado do Algarve (Germão Galharde, 1554), mandadas imprimir pelo Bispo D. João de Melo.
É interessante constatar as condições necessárias e as restrições impostas (ver sublinhado meu, a azul) para o ingresso nas Ordens Menores. Para quem esteja pouco familiarizado com os caracteres góticos, passo a citar, actualizando a ortografia: "...E não será aleijado nem de monstruosa feição, ..."

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Adagiário XXII : em sequência aos Comentários do XXI

Dados os comentários diversos a mulheres barbudas, aqui vai mais um adágio, com uma chamada a Susan Boyle, dona duma rica voz e uma face nada glabra. Segue:

"Nem a homem calado nem a mulher barbada, dês pousada."

Curiosidades 23 : os peixes


Da História Natural dos Peixes (1883), de David Corazzi Editor, passo a citar:
"...Nenhum dos nossos animais domésticos se reproduz tão abundantemente. D'entre os mamíferos a maior parte só produzem um filho por ano; e nenhum ultrapassa o número de cem. Não existe ave alguma que ponha mais de 150 ovos por ano. Se considerarmos a reprodução dos peixes, encontramos por exemplo que o lúcio põe 40.000 ovos, o arenque 60.000 e o bacalhau 900.000 por ano. (...) Refere o sr. Luciano Cordeiro em uma interessante memória, que os pescadores portugueses foram os primeiros que organizaram a pesca do bacalhau em 1500 ou 1501. Uma colónia formada por gente de Viana, de Aveiro, e da Ilha Terceira, cujos habitantes eram mui dados à pesca, foi estabelecer-se na Terra-Nova para este fim, - e esta pescaria assumiu depressa tão grandes proporções que o rei de Portugal, em 1506, ordenou por um decreto, que nos portos do Minho se cobrasse o dízimo sobre os produtos da pesca do bacalhau. (...) O porto de Aveiro tinha, em 1550, cento e cinquenta navios destinados à pesca do bacalhau. E não só de Aveiro partiam flotilhas para este fim; o Porto e Viana davam igualmente o seu importante contingente para essas pescarias. Ainda em 1598 (quando já Portugal principiava a entrar em decadência) iam anualmente para a Terra-Nova à pesca de bacalhau uns cinquenta navios. ..."

No aniversário da morte de Guimarães Rosa




João Guimarães Rosa morreu, vítima de enfarte, a 19 de Novembro de 1967, três dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras. Nascera a 27 de Junho de 1908, em Cordisburgo, Minas Gerais. O poema de Carlos Drummond de Andrade, dedicado a Guimarães Rosa, foi publicado no jornal Correio da Manhã (do Brasil) a 22 de Novembro de 1967.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Hildegard Knef (2)

Steiner, Spandau e Speer


Há assuntos que, por serem delicados, são normalmente evitados por escritores, jornalistas e comentadores. Ou, então, as abordagens que se fazem são parciais ou demasiado coladas a posições politicamente correctas da verdade "oficial". A isenção é rara nestes casos.
O texto que George Steiner (1929) dedica a apreciar o livro de memórias "Spandau - The Secret Diaries", de Albert Speer (1905-1981), incluído no volume "George Steiner em The New Yorker" (Gradiva, 2010), parece-me exemplar.
Albert Speer foi, como se sabe, arquitecto-principal e Ministro do Armamento do III Reich. Foi também o último e, durante anos, o único prisioneiro da prisão-fortaleza de Spandau (Berlim), até 1966.
São as apreciações, de Speer, sobre os carcereiros rotativos mensais (ingleses, franceses, americanos e russos) que passo a referir, através das palavras de G. Steiner. Não é a parte mais importante da abordagem crítica, mas é talvez a mais curiosa:
"...Os ingleses são escrupulosos. Os franceses exibem uma certa bazófia fácil. Na inocência e na espontaniedade americana há uma ponta frequente de brutalidade. Durante cada um dos «meses russos», o regime alimentar degrada-se. No entanto, o pessoal soviético é sôfrego por cultura. Enquanto os seus colegas ocidentais folheiam policiais ou passam pelas brasas em cima das palavras cruzadas, na prisão de Spandau os russos estudam química, física e matemática, ou lêem Dickens, Jack London e Tolstoi. ...(pg. 101).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Reflexões e memórias


Do ex-Presidente da República Mário Soares, lembro-me, entre muitas outras, frequentemente de uma frase: "...o direito à indignação". Do ex-Presidente Jorge Sampaio recordo pelo menos, o: "...há mais vida para além do défice!" Mas poderia citar mais algumas frases que têm, por detrás, ideias, reflexões próprias, originais da parte destes dois homens políticos.
Mas hoje, ao ler o jornal, e por associação, tentei lembrar-me de alguma frase do nosso actual Presidente, em exercício, e não consegui lembrar-me de nenhuma. Será que estou a perder a memória?
Ora, na crónica de hoje, de Rui Tavares, no "Público", encontrei matéria para reflexão. Que passo a partilhar e citar (com a devida vénia ao cronista e ao jornal referido):
"...Cavaco Silva não é, essencialmente, um pluralista. Sempre insistiu que duas pessoas confrontadas com os mesmos dados têm a mesma opinião. Isto significa que não entende por que têm os outros uma opinião diferente da dele; (...) Não haver cartazes na rua é um bom começo, principalmente quando se tem a TV e os jornais todos os dias assim: «Cavaco defende previsibilidade» «Presidente recomenda precaução», «Cavaco Silva condecora empresários». Ui, que profundo. ..."
Afinal, acho que não estou a perder a memória: não havia era nada para fixar...

Recomendado : seis - Vinho Vespral Reserva 2006


Confesso que hesitei e demorei algum tempo até decidir recomendar este vinho tinto da Catalunha: Vespral Reserva 2006 ( o de 2005, também era bom). Primeiro de tudo, porque como diz o ditado - "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia." O preço não chega aos 2,00 euros (1,89, creio). Vende-se no Lidl, e é um lote de 2 castas nobres: o Tempranillo e a Garnacha (nomes à espanhola). O Tempranillo é o nosso Aragonês ( no sul) e Tinta Roriz (a norte). Da outra casta, à mistura com outras, fazem os franceses o Châteauneuf-du-Pape.
O Vespral Reserva parece-me um vinho muito honesto e acompanha, bem, um bife, um assado e queijos de pasta mole. É produzido pela Cellers Unió, e estará no ponto; convém beber o de 2006, ou este ano, ou no próximo. Porque será que nós, portugueses, não conseguimos produzir a este preço, um vinho desta média qualidade? Ainda para mais com salários, na Agricultura, bem inferiores aos dos espanhóis. Mistérios...

Salão de Recusados XXX : cabeleireiro e poeta jocoso


Por informação de Inocêncio (I, 159), fez ontem anos que faleceu (16 de Novembro de 1817), na maior pobreza, octogenário e quase cego, este poeta, hoje praticamente desconhecido, e que dava pelo nome de António Joaquim de Carvalho. Morreu na Rua do Crucifixo, onde morava, era viúvo e fora cabeleireiro de profissão. Como fora Domingos Reis Quita, mais conhecido, que pertencia à Arcádia Lusitana e era amigo de Garção. Pelos vistos o ritmo das tesouras cruzava-se, na altura, com os ritmos poéticos... António Joaquim de Carvalho, ainda segundo Inocêncio, tem obra vasta. Que tinha o verbo fácil, nota-se. Vai um soneto brejeiro, de amostra:

Que usem as Damas de compradas cores
Por fingirem que são alvas e rosadas;
Que afectem as cinturas delicadas
Com barbado espartilho autor das dores.

Que as frentes ornem de fragantes flores,
Porque as faz mais vistosas, e engraçadas:
Que assemelhem co'as grenhas emprestadas
Seu gentil rosto aos monos brincadores:

Tudo tolero às Damas indiscretas,
Que a afectação é sempre o seu regalo,
Por tecerem de Amor ervadas setas.

Em ridículas modas eu não falo;
Mas engrossarem nádegas e tetas,
O que isso explica, por modéstia calo.

P. S.: para JAD, em troca do provérbio, que eu não conhecia.


Música da Renascença

Música antiga portuguesa, com o contributo brasileiro de Porto Alegre.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Milésimo (poste)



Sem título


Passarás de um passo
a outro passo
quase sem dar por isso.

O excesso
é um início.


9/11/2009


Nota: dedicado a todos os que me acompanham, no Arpose.

Bibliofilia 35 : O terramoto de Lisboa



É vastíssima a bibliografia sobre o Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755, quer de origem estrangeira, quer de produção nacional. Inúmeras obras, em prosa e em verso, dão conta deste cataclismo que teve repercussão europeia, pelo menos.
Praticamente todos os poetas portugueses, vivos na altura, escreveram sobre o Terramoto: de Correia Garção a Pina e Melo, de Jazente a João Xavier de Matos (1730?-1789), entre outros. É deste último, o folheto de 8 páginas de que se mostra o frontispício e o final.
Sendo o tema muito apetecido e procurado, e tratando-se de um folheto (mais frágil e perdível), não é muito comum encontrá-lo à venda. Além disso, acresce o facto de ser, muito provavelmente, a primeira obra impressa de João Xavier de Matos, datada de 1756. Não tenho elementos muito rigorosos sobre o preço e a data em que o adquiri. Creio que o comprei no Porto. E penso que não andarei longe da verdade se disser que me terá custado cerca de 25,00 euros, por volta de 1990.

Morituri te salutant!

Clark Gable morreu há cinquenta anos (16/11/1960). Três dias depois de acabadas as filmagens de The Misfits (Os Inadaptados, na versão portuguesa), Gable teve um enfarte e 11 dias depois morria. O filme, que foi estreado em 1961, tinha realização de John Huston e argumento de Arthur Miller, marido de Marilyn Monroe que era a actriz principal. A actriz viria a suicidar-se, menos de 2 anos depois, a 5 de Agosto de 1962. Finalmente, Montgomery Clift, que era a terceira figura de cartaz, morreu em 23 de Julho de 1966.

Comic Relief (16) : Little Britain (Avós)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Christopher Willibald Gluck


Gluck, compositor alemão, nasceu a 2 de Julho de 1714 e veio a falecer em 15 de Novembro de 1787.

Adagiário XXI : Mulheres


1. Mulher do velho reluz como espelho.
2. A mulher do cego para quem se enfeita?
3. A mulher e o cão de caça, procurai-os pela raça.

Favoritos XLII : Amadeo Souza-Cardoso



Amadeo Souza-Cardoso nasceu em Amarante, a 14 de Novembro de 1887 e veio a morrer, vítima da pneumónica, em Espinho, a 25 de Outubro de 1918.

domingo, 14 de novembro de 2010

Vindimas, exemplos e "bôlhas" vínicas...


Tenho vindo a dizer (e não sou profeta da desgraça) de há uns anos a esta parte, que o progresso de Portugal, nos últimos 30 anos, é notório, pelo menos, em 3 áreas: vinhos, medicina dentária e vias de comunicação. Mas é oportuno afirmar que começa a haver uma inflação na oferta que pode conduzir a uma bôlha perigosa que pode rebentar, como rebentou no imobiliário norte-americano e no espanhol, com as consequências que se conhecem...
Sobre vias de comunicação devo dizer que, numa ida e regresso de viagem, ao Minho, nunca tinha visto as auto-estradas tão desertas como as vi, no início de Novembro, mesmo ao fim de semana.
Em relação à Medicina dentária, onde uma conhecida Clínica portuguesa foi pioneira nos implantes dentários e se expandiu consideravelmente (Brasil, Espanha, Angola, África do Sul...) por mérito próprio, começaram a surgir congéneres, no nosso país, como cogumelos, nem sempre de boa qualidade...
Finalmente, no que diz respeito ao Vinho português - que o temos da melhor produção, é um facto -, as últimas vindimas vieram agudizar os problemas. A safra foi muito pródiga e, sobretudo, uma boa parte das Adegas Cooperativas, por excesso da oferta, comprou aos pequenos produtores, uvas, por apenas 10 e 15 cêntimos, o quilo: ora isto é uma declarada exploração, para não lhe chamar roubo!, e muitos desses produtores irão à falência.
Entretanto, e para "bom exemplo" da crise, o presidente da Comissão Vitivinícola do Dão (ex-ministro Arlindo Cunha) recebe, mensalmente de ordenado, 6.000,00 euros. Ao contrário, felizmente, o Presidente da congénere região de Trás-os-Montes, Francisco Pavão, recém-eleito, prescindiu do ordenado a que tinha direito.
Aguardemos os próximos capítulos...

A usura do tempo


Coincidiu que, no mesmo dia, visse o filme Mogambo (1953), de John Ford (1894-1973), e tivesse relido 2 livros de Sidónio Muralha (1920-1982), que foi poeta de alguma notoriedade, sobretudo nos anos 50 e 60. Os livros datam de 1949 e 1950, e têm capas de Júlio Pomar (1926).
A impressão pessoal que colhi foi que quer o filme (apesar da boa fotografia para a época em que foi rodado), quer os dois livros de poesia (apesar das boas intenções neo-realistas) eram obras definitivamente datadas. Muito pouco me diziam, agora.
No entanto, as capas de Pomar, apesar de também serem muito situadas, no tempo, mantém uma leve frescura e a elegância estética habitual do Pintor.